Todos os dias quando eu vejo o noticiário alguma coisa mexe com meu estômago.
Não estava bem claro o que, até quando hoje, ao ver a eminente catástrofe financeira internacional, vi uma declaração (repetida, by the way, ad nauseum) pelo ilustre Ministro Guido Mantega, de que "aqui tudo vai bem", e que a "economia brasileira tem um escudo contra crises internacionais".
Meu cérebro, sub-repticiamente comparando e cruzando os dados, constatou que os lulo-economistas estão desesperados.
Sou da área administrativo-financeira, e ao ler e reler críticas de profissionais de respeito sobre a crise deflagrada, há um consenso de que não existem as tais "ilhas de prosperidade", proferidas pelos comandantes de nossa política. Não há quem vai ficar imune à crise econômico-financeira. o Fed está ultra-pressionado (talvez reduzirá em hum ponto percentual a SELIC americana hoje, um fato histórico). Um dos maiores bancos das Américas foi vendido a preço de banana ontem, e outros estão à beira da concordata.
Ora, os nossos "comandantes" devem mesmo estar cagando nas calças. Eles não são tolos a ponto de acreditar que o Brasil-sil-sil está imune a crise. Nem uma criança acreditaria nisso.
E, vamos de convir, que a economia forte (sic), a pseudo-prosperidade econômica é o grande pilar do lulo-petismo no Brasil.
O que será do lulo-petismo sem esse trunfo?
Eu se fosse do PT estaria tendo pesadelos à noite.
Comentem.
Eles não são tolos a ponto de acreditar que o Brasil-sil-sil está imune a crise.
O Brasil está em crise faz 25 anos.
Eu entendo o que voces querem dizer, estou me referindo à atual crise do sub-prime.
Minha opinião de observador de mercados: as bolsas não estão imunes de jeito nenhum, mas a economia brasileira parece estar bem menos vulnerável do que durante as crises anteriores.
Os EUA exportaram inflação para o mundo inteiro (com a inundação de dólares) e isso fez as commodities subirem de preço, o que, em teoria, beneficia países exportadores como o Brasil.
No entanto, os ventos favoráveis são bem menores do que o mal que os governos de esquerda podem causar, vide Venezuela, um país que deveria estar passando por uma tremenda prosperidade com o petróleo, mas que hoje sofre racionamento dos alimentos mais básicos.
BENJAMIN STEINBRUCH
Ilhas de prosperidade não existem
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O mais apropriado, em um momento como este, é tratar de fortalecer o mercado interno
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VIVEMOS tempos de ansiedade. No momento em que o Brasil comemora os 5,4% de crescimento do PIB (Produto interno Bruto) do ano passado, há uma crescente certeza de que a economia americana foi atingida. A dúvida agora é sobre a profundidade dessa crise e os efeitos que ela terá na Ásia -leia-se, principalmente, China- e por aqui.
Nem os mais sábios arriscam previsões. É sintomático observar que o ilustre colunista do "Financial Times" Martin Wolf terminou seu artigo da semana passada sugerindo que "precisamos rezar" para que o banco central dos Estados Unidos, o Fed, possa colocar tudo em ordem.
Antes de chegar a essa conclusão, Wolf enumerou estimativas variadas sobre o volume de perdas que serão provocadas pela crise das hipotecas americanas, desde os US$ 100 bilhões sugeridos por Ben Bernanke (um número claramente superado) até os US$ 500 bilhões citados pelo Goldman Sachs e os US$ 2 trilhões a US$ 3 trilhões pelo professor Nouriel Roubini, da Universidade de Nova York.
Há uma enorme diferença entre essas estimativas. Dependendo do valor das perdas e da forma como elas serão absorvidas, a economia global será mais ou menos machucada. Poderá haver prejuízos e quebras em massa nos EUA ou inflação -ou ambas as coisas ao mesmo tempo. Em qualquer hipótese, a tendência do consumidor americano será contrair gastos, com efeitos evidentes na demanda mundial.
Enquanto essa discussão se desenvolve, nós por aqui seguimos com a economia em alta e forte crescimento da produção industrial e do emprego, como atestam os números do primeiro bimestre.
Os preços das commodities industriais e agrícolas, que exportamos em grande escala, seguem também em alta, a ponto de alguns analistas já apontarem a existência de uma bolha especulativa nesse setor.
Nesse cenário, não se pode mais uma vez incorrer no erro, como se fez em crises passadas, de achar que o Brasil é uma ilha de prosperidade. Ilhas econômicas já não existiam no século passado, quando o Brasil foi nocauteado pelas crises do petróleo, muito menos existem hoje, com o avanço da globalização.
Mas há algo que pode atenuar os efeitos dessa crise. Foram bem-vindas as medidas da semana passada, quando o governo procurou desestimular o ingresso de capital estrangeiro para aplicações de curto prazo e elevar a lucratividade das exportações. Não há segurança de que essas medidas poderão produzir os efeitos desejados, até porque a política monetária segue na direção contrária, mas o simples fato de adotá-las é um sinal importante, porque mostra intenção de agir e repulsa à perigosa teoria da "ilha de prosperidade".
O mais apropriado, em um momento como este, é tratar de fortalecer o mercado interno. No ano passado, como mostraram os dados do PIB, o mercado interno já foi o suporte do crescimento. A demanda interna contribuiu para uma expansão de 6,9% no produto, enquanto a externa influiu negativamente em 1,4%. O consumo das famílias, por sua vez, aumentou 6,5%. Diante dessa tendência, os investimentos para atender à demanda aquecida reagiram e cresceram 13,4%.
Fica claro, portanto, a importância do mercado interno brasileiro. Sua preservação pode atenuar os efeitos da crise externa e, para isso, o caminho é cuidar da manutenção do emprego, da renda e do crédito. Como fazer isso? Com redução do custo do dinheiro e com aumento da eficiência dos gastos do governo para poder dar prioridade a investimentos públicos.
BENJAMIN STEINBRUCH , 54, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp.
Sim, Fernando, o risco político esquerdista não deixa de ser em si uma grande ameaça à economia dos países.
O que estou colocando em pauta não é exatamente a questão dos mercados, e sim se a perda de fôlego econômico pode colocar em xeque a legitimidade/popularidade dos governos esquerdistas.
Peguemos seu exemplo. Desde que a população venezuelana começou a sentir na pele e no bolso os caprichos de seu ditador, a popularidade do governo despencou.
Não sei se o exemplo cubano serve mais nos dias de hoje.
Talvez os nossos esquerdistas contemporâneos estejam um pouco desatualizados.
Eu me refiro, não sei se me entende, à voracidade da resposta de uma população a um governo perante uma determinada situação econômica, comparando com 50 anos atrás.