By Olavo de Carvalho:
"De algum modo nós podemos interpretar toda a obra de Kant como uma tentativa de provar a impossibilidade do conhecimento de Deus, do infinito, da vida após a morte, etc. e ao mesmo tempo uma tentativa de criar uma religião que fosse independente desses conhecimentos. Ou seja, uma religião que já não seria baseada no conhecimento dos fatos de ordem espiritual, mas seria baseada inteiramente em considerações e exigências de ordem moral, ou seja, Kant é o inventor da transformação da religião em moral. Um processo que certamente acabou afetando todas as religiões ocidentais, ao ponto de que a redução da religião a exigências morais está impregnada na opinião pública. A idéia mesma da religião, qualé a noção que ela evoca imediatamente? A idéia de uma disciplina moral que você tem que seguir. Isso está tão distante da idéia originária da religião que, conforme eu creio já lembrei neste curso mesmo, o sistema da teologia moral católica só ficou pronto no século XVIII, quer dizer, até lá você tinha uma grande diversidade de critérios morais, é Santo Afonso de Ligório que junta tudo e coloca ordem. Ora, a religião pôde passar dezoito séculos se expandindo, ocupando a Europa inteira, chegando até às Américas, educando os índios, sem ter um sistema moral pronto, quer dizer que esse sistema moral não era tão vital assim para a vida cristã. O aspecto da fé, do rito, do simbolismo, do imaginário e tal era certamente mais importante. Nós podemos dizer que o aspecto cognitivo predominava, a religião era sobretudo o acesso a certas realidades. Por isso o Evangelho se chamava “boa notícia”. O que é uma boa notícia? É o comunicado de um fato e não a emissão de uma ordem ou de um mandamento moral. Você vai ter o mandamento moral também, mas ele faz parte de toda uma história, de algo que aconteceu".
"De algum modo nós podemos interpretar toda a obra de Kant como uma tentativa de provar a impossibilidade do conhecimento de Deus, do infinito, da vida após a morte, etc. e ao mesmo tempo uma tentativa de criar uma religião que fosse independente desses conhecimentos. Ou seja, uma religião que já não seria baseada no conhecimento dos fatos de ordem espiritual, mas seria baseada inteiramente em considerações e exigências de ordem moral, ou seja, Kant é o inventor da transformação da religião em moral. Um processo que certamente acabou afetando todas as religiões ocidentais, ao ponto de que a redução da religião a exigências morais está impregnada na opinião pública. A idéia mesma da religião, qualé a noção que ela evoca imediatamente? A idéia de uma disciplina moral que você tem que seguir. Isso está tão distante da idéia originária da religião que, conforme eu creio já lembrei neste curso mesmo, o sistema da teologia moral católica só ficou pronto no século XVIII, quer dizer, até lá você tinha uma grande diversidade de critérios morais, é Santo Afonso de Ligório que junta tudo e coloca ordem. Ora, a religião pôde passar dezoito séculos se expandindo, ocupando a Europa inteira, chegando até às Américas, educando os índios, sem ter um sistema moral pronto, quer dizer que esse sistema moral não era tão vital assim para a vida cristã. O aspecto da fé, do rito, do simbolismo, do imaginário e tal era certamente mais importante. Nós podemos dizer que o aspecto cognitivo predominava, a religião era sobretudo o acesso a certas realidades. Por isso o Evangelho se chamava “boa notícia”. O que é uma boa notícia? É o comunicado de um fato e não a emissão de uma ordem ou de um mandamento moral. Você vai ter o mandamento moral também, mas ele faz parte de toda uma história, de algo que aconteceu".