Quando se lê com atenção O Código Da Vinci, procurando manter o fio lógico
dos acontecimentos e sem se deixar levar pelos truques literários que
complicam os fatos para provocar suspense, o que se encontra é uma história
ridícula e uma trama absurda. Façamos aqui o seu resumo.
Um Papa inimigo da organização católica Opus Dei(8) decide acabar com ela.
Seu Bispo Prelado recebe um misterioso telefonema de um desconhecido, que
lhe propõe um pacto: ele lhe porá nas mãos o Santo Graal, caso o Opus Dei
lhe forneça um de seus membros para obedecer-lhe cegamente. O Prelado (ao
contrário de tudo o que é crível) seria tão ingênuo e amoral, a ponto de
confiar num desconhecido e aceitar sua proposta absurda.
Então o desconhecido, que (depois fica-se sabendo) é um ocultista gnóstico,
inimigo da Igreja, faz o suposto membro do suposto Opus Dei matar várias
pessoas. Uma delas é, pretensamente, o encarregado do Museu do Louvre, em
Paris, o qual seria o grão-mestre de uma sociedade secreta ocultista, o
Priorado de Sião, que teria sido fundada por Godofredo de Bouillon, um dos
líderes da Primeira Cruzada, e teria como seu "braço armado" os Cavaleiros
Templários. Estes seriam ocultistas e adorariam Santa Maria Madalena como
uma deusa.(9)
Leonardo da Vinci teria sido um dos grão-mestres do Priorado de Sião, e suas
pinturas estariam cheias de ocultismo. Por exemplo, no quadro da Santa Ceia
ele teria pintado Santa Maria Madalena em vez de São João Evangelista,
contrariando a concepção corrente da cena. Isso provaria o casamento de
Nosso Senhor com a Santa.(10) No célebre quadro "Mona Lisa", Leonardo teria
se pintado a si mesmo em trajes femininos.(11)
A neta do ocultista curador do Louvre e um professor americano de
"simbologia religiosa" são envolvidos no assassinato cometido pelo "monge"
do Opus Dei, e passam a ser perseguidos por um policial católico, o qual
quer inocentar a organização católica. Começa então uma correria através de
Paris e da França, e depois na Inglaterra e Escócia, com o casal fugindo,
perseguido pelo "monge", e ao mesmo tempo procurando o Santo Graal.
Contrariamente à lenda medieval, o Graal não seria o cálice no qual Nosso
Senhor consagrou na Quinta-feira Santa, e no qual José de Arimatéia teria
recolhido o sangue que Jesus verteu na cruz, mas o corpo de Santa Maria
Madalena. Isto porque esta seria uma deusa e teria se casado com Jesus, e
daí teria surgido uma linhagem divina que existiria até hoje.
Em meio a correrias desabaladas, a neta do dirigente do Museu do Louvre e o
professor americano vão discutindo todas as teses gnósticas e fazendo
críticas à Igreja. Junta-se a eles o ocultista que está por trás de toda a
trama, o qual passa a explicar que a verdadeira religião é a gnose, e que a
Igreja Católica é uma impostura. De acordo com esta versão, Nosso Senhor não
seria Deus nem o fundador da Igreja, mas esta teria sido fundada pelo
Imperador Constantino. Do mesmo modo a Bíblia teria sido obra desse
imperador, como também o "mito" da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Além disso, de acordo com o plano primitivo, o chefe da Igreja não seria São
Pedro, mas Santa Maria Madalena (o que estaria provado pelos "evangelhos
gnósticos").
No fim do romance o casal consegue se livrar das garras de seus
perseguidores e o professor americano descobre o "verdadeiro Santo Graal,"
que seria a tumba de Santa Maria Madalena em pleno centro de Paris: num
gesto idolátrico, ajoelha-se e adora seus restos.
O Código Da Vinci não é uma novela histórica. É um trabalho fantasioso, uma
narrativa envolvente para disseminar crenças gnósticas sobre a vida de Nosso
Senhor Jesus Cristo e a Igreja. Um leitor pouco atento, hipnotizado pela
narrativa, pode não discernir essa propaganda gnóstica. Mas, talvez sem
perceber, poderá ser picado pela dúvida: será que Brown está certo? Será que
a Igreja ocultou a verdadeira história de Cristo durante 2.000 anos?
Mesmo se O Código Da Vinci se apresentasse como um mero trabalho de ficção,
que não alegasse basear-se em fatos e documentos dignos de crédito, seu
ataque blasfemo à Fé católica mereceria nossa rejeição indignada. Essas
investidas e insinuações nos incentivam à reparação e ação. Nós adoramos
Cristo como Homem-Deus e cremos na Igreja una, santa, católica e apostólica,
que é o Corpo Místico de Cristo. Por isso rejeitamos as blasfêmias de Dan
Brown contra nosso adorável Salvador e as suas afirmações historicamente
falsas e fantasiosas de que Constantino fundou a Igreja e impôs a crença na
divindade de Cristo.
Ao vermos nossa Fé atacada e nosso Deus ofendido desse modo, nós também nos
consideramos ofendidos e temos o dever de protestar.
Nosso pacífico protesto adquire especial urgência pelo fato de O Código Da
Vinci não ser uma obscura obra de ficção, e sim um livro de sucesso,
extremamente favorecido pela propaganda, com mais de 35 milhões de
exemplares em todo o mundo. Investindo seus melhores recursos numa versão
cinematográfica que disseminará amplamente essa mensagem ao redor do mundo,
Hollywood se empenha igualmente numa inimaginável promoção das falsidades
contidas no livro.
O objetivo da TFP americana, ao publicar o livro, foi fortalecer os leitores
diante das dúvidas insidiosas contra a Fé, difundidas sub-repticiamente em
tão grande escala. Muitos católicos não dispõem dos argumentos necessários
para refutar tais acusações absurdas, e o texto da TFP americana procura
colocá-los ao seu alcance. Pretende também ser uma defesa pública contra uma
ofensa pública, reafirmando o que a Igreja sempre ensinou ao longo de dois
mil anos - uma posição firme apoiada na Rocha de Pedro.
A Igreja Católica, ao contrário dos seus inimigos, não tem nenhum segredo ou
código oculto, e nunca temeu proclamar a verdade na sua integridade. É
pretensiosa e vã a ostentação dos promotores do filme, na sua tentativa de
"abalar os fundamentos da Cristandade" ou "mudar a trajetória da humanidade
para sempre".
Neste nosso mundo inseguro, em que nos ameaçam o terrorismo, drogas,
doenças, assaltos, temos o direito e o dever de prevenir-nos contra os
perigos morais e espirituais representados por tal ataque, que busca
atingir-nos no fundo de nossas almas com a ameaça de destruir nossa fé,
convicções e princípios. Nossa melhor defesa consiste em opor-nos com
decisão e convicção a essa enorme onda de blasfêmias.