Segundo Olavo de Carvalho, a esquerda elabora planos de longo prazo que transcendem a própria geração que os criou, enquanto a "direita" brasileira se atém ao imediatismo, sendo urgente a necessidade de um plano cultural conservador para as próximas 4 décadas no Brasil. Fala-se nesta comunidade da onipresença da esquerda na educação de base, média e superior, e vejo alguns membros discutindo reações a essa hegemonia cultural e política. Mas esta reação possui recursos humanos e financeiros disponíveis e suficientes? Como contrabalançar a agenda comunista no Brasil, financiada por bilhões de dólares, com seus especialistas e mentores que sequer residem no país? O próprio Olavo sofreu com a dificuldade de patrocínio para suas próprias pesquisas entre empresários. Neste conceito de guerra assimétrica, não será de uma dificuldade louca fazer com que um movimento cultural que sequer consegue patrocínio, consiga se igualar ao crescimento da disseminação da esquerda? Porque senão, do que adianta uma resposta mais fraca do que a mínima necessária para lograr o êxito? O site Mídia Sem Máscara segue funcionando graças à "colaboradores que trabalham de graça, por generosidade, patriotismo e senso do dever". Eu sei que é preciso fazer algo, mas o que exatamente estamos fazendo e querendo fazer? Estamos tentando criar um substrato cultural mínimo, esperando que de alguma forma no futuro surjam os indivíduos, as organizações e os meios que poderão reverter a situação? Isto é o suficiente?
"Pouco nos importa a desproporção de forças. Quando os grandes se acovardam, os pequenos têm de dar o exemplo."
Bruno,
O grande problema que vejo no Brasil, é que muitas pessoas nem sabem que são de direita. Não tem oportunidade de conhecer o que a direita diz, quais são suas idéias, etc.
Eu por exemplo, moro em uma cidade pequena, nunca tive acesso a grandes centros, cursei faculdade em um cidade pequena, internet??? Hhã!!! Comecei a ter acesso no ano de 2001. Portanto, já tinha 21 anos, nem sabia o que era direita, quais eram os seus principios entre outras coisas. Somente com a internet é que teve inicio minha aproximação com outras alternativas politicas. Só me aproximei inclusive, pois achava que o paternalismo dos partidos hegemonicos brasileiros estava errado, com isso fui conseguindo chegar sozinho a sites como MSM, e a livros de Von Mises, entre outros.
Imagino, que a maioria das pessoas não vai atrás do conhecimento desses principios, não se importam, escutam o que o JN fala, e assumem tudo como verdade. "Deixam para que os outros pensem para si". E mesmo aquelas que se importam, acabam por não ter condições de chegar ao conhecimento dos principios, por pura falta de oportunidades.
Portanto acredito que o trabalho de toda gente da direita é lançar aos seus proximos o oportunidade de duvidar da hegemonia de pensamento.
Pois grande parte dos brasileiro é naturalmente de direita, só que eles não sabem disso.
Nossa grande missão é lançar a duvida.
Realmente, o povo tem uma percepção da realidade diferente da nossa, e aí entra o papel da propaganda ideológica que precisa se adequar à esse povo. Mas o ponto não é bem esse. O que questiono, é a necessidade de tomada de consciência do que os conservadores querem enquanto grupo no Brasil, e a necessidade de um plano que oriente e dê coerência às suas ações. O problema é que os conservadores parecem não se reconhecerem como tal, e não há organização que possa levar a cabo um debate, uma vez que se reconheçam como tal. Não há instituição ou organismo nenhum que nos represente politicamente, e isto não só nos deixa à deriva, como impede a evolução do grupo. Que pelo menos houvesse um organismo que servisse para congregar e comunicar os conservadores brasileiros entre si. Como o Bruno disse e o que me motivou a fazer o tópico, é que a reação não passa de discussões ideológicas sem consequência material nenhuma. Fiquei com a sensação de que está se tentando criar terreno fértil para que, um dia, quem sabe, surjam os indivíduos e organizações para dar esta consequência material, enquanto no presente todos vivem motivados por essa esperança. É claro que é preciso levar em consideração as alternativas que a realidade brasileira viabiliza ao problema.
Por exemplo, a própria idéia a respeito do Olavo de Carvalho ter educado uma elite pensante. Quantos professores já formados com algum grau de afinidade com os valores conservadores uma organização não poderia congregar, de modo que esse coletivo agisse de modo coerente com vistas ao mesmo fim que o professor Olavo? É básico a necessidade de uma referência que articule o grupo.