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Um libelo arrasador

Iniciado por clau em 16/05/2006 · 3 mensagens

clau#1
Não foi a oposição ávida por voltar ao poder a qualquer preço. Não
foram as elites conservadoras. Não foi, enfim, a grande mídia acumpliciada
desde a primeira hora com uma e outras.

É ele, Antonio Fernando Souza, discreto integrante do Ministério
Público Federal há 30 dos seus 57 anos, quem fala textualmente da
"quadrilha" chefiada pelo então ministro José Dirceu, cujo "núcleo
principal" era formado pelos seus companheiros José Genoino, à época
presidente do PT, Delúbio Soares, tesoureiro, e Sílvio Pereira, secretário
da agremiação. E foi ele, em suma, quem denunciou ao STF 40 - o número não
poderia ser mais emblemático - envolvidos com o mensalão, por delitos como
lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva,
peculato, crime contra o sistema financeiro e falsidade ideológica.
clau#2
A grande maioria dos nomes freqüentou o noticiário político-policial
desde que o então deputado Roberto Jefferson acusou o PT e o ministro José
Dirceu de comandar um esquema de suborno de parlamentares a que chamou
mensalão, aludindo à periodicidade dos pagamentos. "Todas as imputações
feitas pelo ex-deputado", sustenta o procurador, "ficaram comprovadas." No
seu libelo, convivem, além dos citados, os ex-ministros Luiz Gushiken (ainda
no Planalto) e Anderson Adauto, 13 políticos mensaleiros (entre eles 5
absolvidos pela Câmara), dirigentes do Banco Rural, Duda Mendonça e -
naturalmente - Marcos Valério, "um verdadeiro profissional do crime". E essa
é apenas a primeira parte de um inquérito do qual não se sabe aonde poderá
chegar.

O que torna absolutamente críveis as conclusões do trabalho, além da
manifesta isenção do seu autor, é a consistência da análise da engrenagem
por trás dos crimes perpetrados, com o entrelaçamento dos ramos
político-partidário, publicitário e financeiro da quadrilha. Mas a denúncia
convence acima de tudo por sua irrepreensível objetividade. É o que a
distingue do relatório final da CPI dos Correios.
clau#3
O grande ausente dessa primeira peça é o presidente da República - e
não há por que desconfiar de que o procurador tenha querido poupá-lo. Se não
o citou foi por não ter encontrado, ao menos por ora, evidências positivas
de sua participação na "sofisticada operação criminosa". Isso não impede a
mais óbvia de todas as inferências: o próprio fato de Lula ser o
beneficiário por excelência da corrupção em escala inédita promovida pelo PT
lhe confere necessariamente a responsabilidade objetiva pelos malfeitos -
dos quais, de resto, impossível imaginar que não tivesse conhecimento

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