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Direitos Humanos x Humanos Direitos

Iniciado por eduardopaiva em 18/05/2008 · 3 mensagens

eduardopaiva#1
*Carta enviada de uma mãe para outra mãe em SP, após noticiário na tv:

De mãe para mãe...

Vi seu enérgico protesto diante das câmeras de televisão contra a transferência do seu filho, menor infrator, das dependências da FEBEM em São Paulo para outra dependência da FEBEM no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes daquela transferência.

Vi também toda a cobertura que a mídia deu para o fato, assim como vi que não só você, mas igualmente outras mães na mesma situação que você, contam com o apoio de Comissões Pastorais, Órgãos e Entidades de Defesa de Direitos Humanos, ONGs, etc...

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto.

Quero com ele fazer coro.

Enorme é a distância que me separa do meu filho.

Trabalhando e ganhando pouco, idênticas são as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos porque labuto, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família.

Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual.

Se você ainda não sabe, sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e fazendo carícias no seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

Ah! Ia me esquecendo: e também ganhando pouco e sustentando a casa, pode ficar tranqüila, viu?, que eu estarei pagando de novo, o colchão que seu querido filho queimou lá na última rebelião da Febem.
eduardopaiva#2
No cemitério, nem na minha casa, NUNCA apareceu nenhum representante destas 'Entidades' que tanto lhe confortam, para me dar uma palavra de conforto, e talvez me indicar 'Os meus direitos'!

Circule este manifesto! Talvez a gente consiga acabar com esta inversão de valores que assola o Brasil.

Direitos humanos são para humanos direitos !!!
priscila#3
Pois é, amigo: durante décadas (lá venho eu de novo, mas é indispensável a repetição) construiu-se aqui um modelo de canalhice absurda: o modelo da "proteção ao criminoso". Ninguém é contra a que acusados tenham direito a se defender - mas, partindo-se deste ponto, deste inegável direito, foi-se distorcendo aqui, invertendo acolá, manipulando ali e POFT! Surgiu o modelo orango, no qual um cipoal de tretas e artifícios simplesmente IMPEDEM que culpados sejam punidos. Impedem, na verdade e a rigor, que exista o conceito de CULPA. Sem culpa, não há culpados, é óbvio - e sem culpados, não há punição.

A inversão é SÓLIDA, é RETUMBANTEMENTE SÓLIDA. A coisa mais próxima do que restou do conceito de "culpado" é representada pela vítima, que - em última análise - "se deixou vitimar". NADA pode ser mais perverso do que essa inversão.

O marginal, o criminoso, o meliante, qualquer representante da imoralidade em qualquer grau - foi endeusado como "o máximo" na literatura, nas artes cênicas, na música, em TODAS as manifestações da dita "cultura popular". Por DÉCADAS.
Bom mesmo, sofridinho mesmo, digninho mesmo - é puta, drogado, traficante e patife. Assassino é vítima. Ladrão é vítima. Os assassinados, os roubados e os vilipendiados, esses são jogados pra fazer parte da "sociedade", a "verdadeira culpada" de qualquer monstruosidade.

E é isso aí. Chegamos AQUI, a este exato ponto. Bom que não nos esqueçamos, pelo menos, de qual foi o caminho percorrido.

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