Diante das considerações que Olavo tecera no último programa, acerca do globalismo e da Nova Ordem Mundial, pareceu-me bem reler alguns escritos do filósofo analítico Bertrand Russell, nos quais me lembrava vagamente de ter encontrado menções a respeito. O que averigüei com este até então despretensioso estudo julgo de primeiríssima importância. Abro, pois, este tópico para discutirmos o regime político mundial tal como o propugnava Russell e a extensão da provável influência deste nos desdobramentos posteriores do discurso ideológico globalista.
Em 1957, já perto da morte, Lord Russell publicou um livro de considerável repercussão intitulado "World Government", no qual concentrara seus argumentos para a instauração de uma autoridade global, que pusesse fim à Guerra Fria, e no qual combatia outrossim a legitimidade da posse de armas nucleares por parte das nações beligerantes, principalmente os EUA. Já em 1928, porém, havia expressado minuciosamente suas idéias a este respeito num ensaio intitulado "Algumas pespectivas", que consta da coletânea "Ensaios Céticos":
"(...) Destas duas premissas (a organização social mais compacta e a maior unidade do mundo), segue-se que, para que a nossa civilização se desenvolva, deverá haver uma autoridade central para controlar o mundo inteiro. Pois, caso contrário, as causas de disputa se multiplicarão e as guerras se tornarão mais intensas devido ao crescimento do espírito público. A autoridade central poderá não ser um governo formal; acho provável que não o seja. É muito possível que venha a ser uma combinação de financistas, que se persuadiram de que a paz é do seu interesse porque muitas vezes se perde dinheiro emprestado aos Estados beligerantes. Ou pode ser um único Estado dominante (América) ou um grupo de Estados (América e Império Britânico).
Em 1957, já perto da morte, Lord Russell publicou um livro de considerável repercussão intitulado "World Government", no qual concentrara seus argumentos para a instauração de uma autoridade global, que pusesse fim à Guerra Fria, e no qual combatia outrossim a legitimidade da posse de armas nucleares por parte das nações beligerantes, principalmente os EUA. Já em 1928, porém, havia expressado minuciosamente suas idéias a este respeito num ensaio intitulado "Algumas pespectivas", que consta da coletânea "Ensaios Céticos":
"(...) Destas duas premissas (a organização social mais compacta e a maior unidade do mundo), segue-se que, para que a nossa civilização se desenvolva, deverá haver uma autoridade central para controlar o mundo inteiro. Pois, caso contrário, as causas de disputa se multiplicarão e as guerras se tornarão mais intensas devido ao crescimento do espírito público. A autoridade central poderá não ser um governo formal; acho provável que não o seja. É muito possível que venha a ser uma combinação de financistas, que se persuadiram de que a paz é do seu interesse porque muitas vezes se perde dinheiro emprestado aos Estados beligerantes. Ou pode ser um único Estado dominante (América) ou um grupo de Estados (América e Império Britânico).