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Dois Grandes Ensaios

Iniciado por breno_2 em 08/07/2008 · 26 mensagens

breno_2#1
Estão disponíveis on-line dois dos melhores ensaios de Ayn Rand:

- Man's Rights (Os Direitos do Homem) [http://www.aynrand.org/site/PageServer?pagename=arc_…d_man_rights]

- The Nature of Government (A Natureza do Governo) [http://www.aynrand.org/site/PageServer?pagename=arc_…f_government]

São ótimos textos antes só disponibilizados nas coletâneas The Virtue of Selfishness [http://www.amazon.com/Virtue-Selfishness-Ayn-Rand/dp…82972&sr=8-2] e Capitalism: The Unknown Ideal [http://www.amazon.com/Capitalism-Ideal-Ayn-Rand/dp/0…ip_rech_dp_6] (ou na compilação das edições da The Objectivist Newsletter).

Para quem ainda não leu vale a conferida!

(Seguem alguns trechos por mim traduzidos)
breno_2#2
"Uma tirania coletivista não ousa escravizar um país pelo confisco direto de seus valores materiais ou morais. Isso tem de ser feito por meio de um processo de corrupção interna. Assim como no reino material a pilhagem da riqueza de um país é realizada através da inflação da moeda – então hoje se pode testemunhar o processo de inflação sendo aplicado ao reino dos direitos. O processo acarreta em tal crescimento da promulgação de novos direitos que as pessoas não notam que o conceito de direitos está sendo revertido. Assim como o dinheiro ruim anula o dinheiro bom, então esses 'direitos impressos em papel' negam direitos autênticos ( ... )"

"O 'truque' está em desviar o conceito de direitos do reino político para o reino econômico."

"A plataforma do Partido Democrata em 1960 expõe esse desvio de forma atrevida e explícita. Ela declara que uma administração Democrata 'reafirmará a carta econômica de direitos que Franklin Roosevelt escreveu em nossa consciência dezesseis anos atrás.'"
[continua...]
breno_2#3
"Mantenha claramente o significado do conceito de 'direitos' quando você ler a lista que a plataforma oferece:"

'1. O direito a um trabalho útil e remunerado nas indústrias, lojas, fazendas ou minas da nação.'

'2. O direito de ganhar o suficiente para dispor de alimentação, vestuário e recreação adequados.'

'3. O direito de todo fazendeiro de cultivar e vender seus produtos por um retorno que garanta a ele e à sua família uma vida decente.'

'4. O direito de todos os empresários, grandes e pequenos, de negociarem em uma atmosfera livre de competição injusta e domínio de monopólios domésticos ou estrangeiros.'

'5. O direito de toda família a uma moradia decente.'

'6. O direito à assistência médica adequada e à oportunidade de obter e gozar de boa saúde.'

'7. O direito à adequada proteção contra os medos econômicos provenientes da maior idade, das doenças, de acidentes e do desemprego.'

'8. O direito a uma boa educação.'"

"Uma única pergunta adicionada a cada uma das oito cláusulas acima tornaria a discussão mais clara: Às custas de quem?"
(Ayn Rand, Man’s Rights, Abril de 1963)
breno_2#4
"Criminosos são uma pequena minoria em qualquer era ou país. E o dano que eles fizeram a humanidade é infinitesimal comparado aos horrores – os derramamentos de sangue, as guerras, as perseguições, os confiscos, as fomes, a escravidão, a destruição generalizada – perpetrada pelos governos da humanidade. Potencialmente, um governo é o inimigo mais perigoso dos direitos do homem: ele mantém um monopólio legal sobre o uso de força física contra vítimas legalmente desarmadas. Quando ilimitado e irrestrito por direitos individuais, um governo é o inimigo mais mortal dos homens. Não foi como proteção contra as ações privadas, mas contra as ações governamentais, que a Carta de Direitos" [Bill of Rights] "foi escrita. "

"Agora observe o processo pelo qual essa proteção está sendo destruída. "

"O processo consiste em atribuir a cidadãos privados, violações específicas constitucionalmente proibidas ao governo (as quais os cidadãos privados não têm poder nenhum de cometer) e assim liberando o governo de todas as restrições. A troca está se tornando progressivamente mais óbvia no campo da liberdade de expressão. Há anos, os coletivistas propagam a noção de que a recusa de um indivíduo particular em financiar um oponente é uma violação do direito à liberdade de expressão desse oponente e um ato de 'censura'".
[continua...]
breno_2#5
"É 'censura,' eles afirmam, se um jornal se recusa a empregar ou publicar escritores cujas idéias são diametricamente opostas à sua política."

"É 'censura,' eles afirmam, se empresários recusam-se a anunciar em uma revista que lhes denuncia, insulta e lhes mancha."

"É 'censura,' eles afirmam, se um patrocinador de TV objeta a algum ultraje perpetrado em um programa que ele está financiando ( ... )"

"E então há"
[o então Presidente da Comissão Federal de Comunicações] "Newton N. Minow que afirma: 'Existe censura por parte de pesquisas de audiência, de anunciantes, de redes e afiliadas que rejeitam a programação oferecida às suas áreas.' É o mesmo Sr. Minow que ameaça revogar a licença de qualquer estação que não obedeça suas concepções sobre programação - e que afirma que isso não é censura."

"Considere as implicações dessa tendência."
[continua...]
breno_2#6
"'Censura' é um termo que diz respeito apenas à ação governamental. Nenhuma ação privada é censura. Nenhum indivíduo ou companhia privada pode silenciar um homem ou suprimir uma publicação; apenas o governo pode agir dessa maneira. A liberdade de expressão de indivíduos particulares inclui o direito de não concordar, não ouvir e não financiar seus próprios antagonistas."

"Mas de acordo com doutrinas tais como a 'carta econômica de direitos', um indivíduo não tem o direito de dispor de seus próprios recursos materiais guiando-se através de suas próprias convicções – e deve entregar seu dinheiro indiscriminadamente a qualquer orador ou propagandista que tenha um 'direito' à sua propriedade."

"Isso significa que a capacidade de fornecer ferramentas materiais para a expressão de idéias priva um homem do direito de defender idéias. Significa que um editor tem de publicar livros que ele considera sem valor, falsos ou maus – que um patrocinador de TV tem de financiar comentaristas que escolhem afrontar suas convicções – que o proprietário de um jornal tem de ceder suas páginas editorias a qualquer jovem arruaceiro que clama pela escravização da imprensa. Significa que um grupo de homens adquire o 'direito' à licença ilimitada – enquanto outro grupo é reduzido à irresponsabilidade inevitável."

"Mas desde que é obviamente impossível fornecer a todo reclamante um emprego, um microfone ou uma coluna de jornal, quem determinará a 'distribuição' de 'direitos econômicos' e selecionará os recipientes quando o direito de escolha dos proprietários for abolido? Bem, o Sr. Minow já indicou muito claramente."
(Ayn Rand, Man’s Rights, Abril de 1963)
breno_2#7
"Anarquia, como um conceito político, é uma abstração flutuante ingênua: ( ... ) uma sociedade sem um governo organizado estaria a mercê do primeiro criminoso que aparecesse e se precipitaria no caos da guerra entre gangues. Mas a possibilidade de imoralidade humana não é a única objeção contra a anarquia: mesmo uma sociedade cujo todo membro fosse completamente racional e impecavelmente moral não poderia funcionar em um estado de anarquia; é a necessidade de leis objetivas e de um árbitro para a discordância honesta entre os homens que requer o estabelecimento de um governo."

"Uma variante recente da teoria anarquista, que está confundindo alguns dos defensores mais jovens da liberdade, é um estranho absurdo chamado de 'governos concorrentes'. Aceitando a premissa básica de estatistas modernos – os quais não vêem diferença entre as funções do governo e as funções da indústria, entre força e produção, e que defendem a propriedade estatal de empresas – os proponentes de 'governos concorrentes' aceitam o outro lado da mesma moeda e declaram que desde que a competição é tão benéfica aos negócios, ela também deve ser aplicada ao governo. Ao invés de um único governo monopolista, eles declaram, deve haver vários governos diferentes na mesma área geográfica, competindo pela fidelidade dos cidadãos individuais, com todo cidadão livre para 'comprar' e ser cliente de qualquer governo que ele escolha."
[continua...]
breno_2#8
"Lembre-se que a restrição de homens através da força é o único serviço que um governo tem a oferecer. Pergunte-se o que significaria uma competição pela restrição à força."

"Não se pode chamar essa teoria de uma contradição em termos, desde que ela é obviamente destituída de qualquer entendimento dos termos 'competição' e 'governo'. Nem se pode chamá-la de abstração flutuante, desde que ela é destituída de qualquer contato ou referência à realidade e não pode de maneira alguma ser concretizada, nem mesmo imperfeita ou aproximadamente. Será suficiente uma ilustração: suponha que o Sr. Smith, um cliente do governo A, suspeita que foi roubado pelo seu vizinho, o Sr. Jones, um cliente do governo B. Um esquadrão da polícia A vai até a casa do Sr. Jones e é recebido na porta por um esquadrão da polícia B, o qual afirma que eles não aceitarão a validade das afirmações do Sr. Smith e nem reconhecem a autoridade do governo A. O que acontecerá? Você continua a partir daqui."
(Ayn Rand, The Nature of Government, Dezembro de 1963)
breno_2#9
Aqui vão os links de mais dois grandes textos on-line de Ayn Rand:

- Collectivized “Rights” (“Direitos” Coletivizados) [http://www.aynrand.org/site/PageServer?pagename=arc_…vized_rights] antes só disponível em A Virtude do Egoísmo (The Virtue of Selfishness) e

- Apollo 11 – The July 16, 1969 Launch: A Symbol of Man’s Greatness (Apolo 11 – O Lançamento de 16 de Julho de 1969 : Um Símbolo da Grandeza do Homem) [http://www.aynrand.org/site/PageServer?pagename=objectivism_apollo11] antes disponível apenas em The Voice of Reason [http://www.amazon.com/Voice-Reason-Objectivist-Thoug…84467&sr=8-1]

Seguem trechos traduzidos por mim:

PS: só agora (antes de postar) cliquei no link do texto da Apolo 11 e me dei conta de que ele está incompleto. A maioria dos trechos adiante só está disponível no livro.
breno_2#10
Qualquer grupo ou "coletivo", grande ou pequeno, são apenas vários indivíduos. Um grupo não pode ter outros direitos além dos direitos de seus membros individuais. Em uma sociedade livre, os "direitos" de qualquer grupo são derivados dos direitos de seus membros através da escolha voluntária e individual de cada um deles e de acordo contratual, e são meramente as aplicações desses direitos individuais a um empreendimento específico. Todo empreendimento de um grupo legítimo é fundamentado no direito dos participantes de livre associação e livre comércio ( ...)

Um grupo, como tal, não tem direitos. Um homem nem adquire novos direitos por se unir a um grupo nem perde os direitos que ele possui. O princípio dos direitos individuais é a única base moral de todos os grupos ou associações.

Qualquer grupo que não reconheça os direitos individuais não é uma associação, mas uma gangue ou uma horda.

Qualquer doutrina pertinente às atividades do grupo que não reconheça os direitos individuais é uma doutrina pertinente ao domínio da horda ou ao linchamento legalizado.

A noção dos "direitos coletivos" (a noção de que os direitos pertencem aos grupos, não aos indivíduos) significa que os "direitos" pertencem a alguns homens, mas não a outros – que alguns homens têm o direito de dispor de outros da maneira que eles desejarem – e o critério de tal posição privilegiada consiste em superioridade numérica.
(Ayn Rand, Collectivized "Rights", Junho de 1963)
breno_2#11
Uma nação, como qualquer outro grupo, constitui-se de vários indivíduos e não pode ter outros direitos além dos direitos de seus membros individuais. Uma nação livre – uma nação que reconhece, respeita e protege os direitos individuais dos seus cidadãos – tem o direito à sua integridade territorial, ao seu sistema social e à sua forma de governo. O governo de tal nação não é o soberano e sim o servo ou agente de seu cidadãos e não tem outros direitos a não ser aqueles, delegados pelos cidadãos, à uma tarefa específica e delimitada (a tarefa de protegê-los de força física, derivada do direito deles à auto-defesa).

Os cidadãos de uma nação livre podem discordar sobre os procedimentos legais específicos ou métodos de implementar seus direitos (o que é uma problema complexo e província da ciência política e da filosofia do direito), mas eles concordam quanto ao princípio básico a ser implementado: o princípio dos direitos individuais. Quando a constituição de um país coloca os direitos individuais fora do alcance das autoridades públicas, a esfera do poder político está severamente delimitada – e assim os cidadãos podem, segura e adequadamente, concordar em seguir as decisões votadas pela maioria nessa esfera delimitada. As vidas e a propriedade das minorias e dos discordantes não estão em jogo, não estão sujeitas ao voto e nem são ameaçadas pela decisão de qualquer maioria; nenhum homem ou grupo possui um cheque em branco de poder sobre os outros.

Tal nação tem o direito à sua soberania (derivado do direito de seus cidadãos) e o direito de exigir que sua soberania seja respeitada por todas as outras nações.

Mas esse direito não pode ser reivindicado por ditaduras, por tribos selvagens
[Como os índios amazônicos] ou por qualquer forma de tirania absolutista. Uma nação que viola os direitos de seus próprios cidadãos não pode reivindicar quaisquer direitos que sejam. Na questão dos direitos, como em toda as questões morais, não pode haver duplos padrões. (id.)
breno_2#12
O direito à "auto-determinação das nações" aplica-se apenas às sociedade livres ou às sociedades que buscam estabelecer a liberdade; ele não se aplica à ditaduras. Assim como o direito do indivíduo à liberdade de ação não inclui o direito de cometer crimes (isto é, de violar o direito dos outros), o direito de uma nação de determinar sua própria forma de governo não inclui o direito de estabelecer uma sociedade de escravos (isto é, de legalizar a escravidão de alguns homens por outros). Não existe tal coisa como "o direito de escravizar." Uma nação pode fazer isso, assim como um homem pode tornar-se um criminoso – mas não por direito.

Nesse contexto, é indiferente se uma nação foi escravizada à força, como a Rússia Soviética, ou pelo voto, como a Alemanha Nazista. Os direitos individuais não estão sujeitos ao voto público; uma maioria não tem o direito de retirar pelo voto os direitos de uma minoria; a função política dos direitos é precisamente proteger as minorias da opressão das maiorias (e a menor minoria na terra é o indivíduo). Se uma sociedade foi conquistada ou escolheu ser escravizada, ela não pode reivindicar direitos nacionais e nem o reconhecimento de tais "direitos" por países civilizados – assim como uma quadrilha de gangsteres não pode exigir reconhecimento dos seus "direitos" e igualdade legal com uma empresa industrial ou universidade, sob o fundamento de que os gangsteres escolheram por voto unânime engajarem-se nesse tipo particular de atividade.
[Continua...]
breno_2#13
As nações ditatoriais são fora-da-lei. [negritos meus]Qualquer nação livre tinha o direito de invadir a Alemanha Nazista e, hoje, [1963] tem o direito de invadir a Rússia Soviética, Cuba ou qualquer outra senzala. [e hoje eu acrescentaria o Irã, a Síria, a Coréia do Norte e qualquer outra tragédia islamista ou socialista] Se uma nação livre escolhe ou não agir assim é uma questão relativa apenas ao seu próprio interesse, e não ao respeito dos "direitos" não-existentes dos chefes de gangues. Não é dever de uma nação livre libertar outras nações ao preço de auto-sacrifício, mas uma nação livre tem o direito de agir dessa maneira, quando e se assim ela escolher. [por isso, são erradas as tentativas de justificar uma guerra como a do Iraque através apenas da suposta "liberação" do povo iraquiano. A liberdade do povo iraquiano, por si só, não vale a vida dos soldados americanos. Agora, a invasão do Irã por Israel a fim de proteger a vida dos israelenses é totalmente justificada]

Esse direito, entretanto, é condicional. Assim como a supressão de crimes não dá ao policial o direito de se engajar em atividades criminosas, a invasão e a destruição de uma ditadura não dá ao invasor o direito de estabelecer outra variante de uma sociedade escrava no país conquistado.

Um país de escravos não possui direitos nacionais, mas os direitos individuais de seus cidadãos permanecem válidos, mesmo se não reconhecidos, e o conquistador não tem nenhum direito de violá-los. Portanto, a invasão de um país escravizado é moralmente justificada apenas quando e se os conquistadores estabelecem um sistema social livre, isto é, um sistema baseado no reconhecimento dos direitos individuais.
(id.)
breno_2#14
Desde que nenhum país hoje é completamente livre, desde que o assim chamado "mundo livre" consiste de várias "economias mistas", pode-se perguntar se todo país na terra está moralmente aberto a uma invasão por todos os outros. A resposta é: Não. Há uma diferença entre o país que reconhece o princípio dos direitos individuais, mas não o implementa totalmente na prática, e um país que o nega e o escarnece explicitamente. Todas as "economias mistas" estão em um precário estado de transição que, em último estágio, tem de se voltar ou à liberdade ou ao colapso de uma ditadura. Há quatro características que marcam um país inequivocamente como uma ditadura: o domínio de um partido único – execuções sem julgamento, ou com um pseudo-julgamento, por crimes políticos – a nacionalização ou expropriação de propriedade privada – e censura. Um país culpado desses ultrajes perde o direito de qualquer prerrogativa moral, qualquer reivindicação de soberania ou direito nacional, e torna-se um fora-da-lei. (id.)
breno_2#15
Ayn Rand foi uma das personalidades VIPs que a NASA convidou para assistir o lançamento de local privilegiado. À época, mais de um milhão de pessoas se dirigiram à Flórida para testemunharem o lançamento.

[Sobre o lançamento]O que nós assistimos, em puros essenciais – na realidade, não em um trabalho de arte – foi a abstração concretizada da grandeza do homem.

A significância da visão está no fato de que quando aquelas asas de fogo vermelho-escuras se ergueram, sabíamos que não estávamos observando uma ocorrência normal, mas um cataclismo que, se provocado pela natureza, teria varrido o homem da existência – e sabíamos que esse cataclismo foi planejado, provocado e controlado pelo homem, e que esse força inimaginável estava controlada pelo seu poder e, servindo obediente ao seu propósito, elevava uma esbelta espaçonave. Sabíamos que esse espetáculo não era o produto da natureza inanimada, como uma aurora boreal, ou do acaso, ou da sorte, e que ele era inequivocamente humano – com "humano", desta vez, significando grandeza – que um propósito e um esforço longo, sustentado e disciplinado realizou esses momentos e o que homem ascendia cada vez mais, mais e mais! Que desta vez, mesmo que se por apenas sete minutos, os piores entre as testemunhas sentiram – não "Quão pequeno é o homem ao lado do Grande Canyon!" – mas "Quão grande é o homem e quão segura é a natureza quando ele a domina!"

Que nós assistimos a uma demonstração do homem em seu melhor, ninguém duvidaria – era essa a causa da atração do evento e do deslumbre e entorpecimento em que ele nos deixou. E ninguém duvidaria que nós assistimos a uma realização do homem em sua capacidade como ser racional – a uma realização da razão, da lógica, da matemática, da total dedicação ao absolutismo da realidade.
(Ayn Rand, Apollo 11, Setembro de 1969)
breno_2#16
Agora, voltando à Terra (em sua atual situação), eu quero responder brevemente a alguns questionamentos que surgirão nesse contexto. É correto o engajamento do governo em projetos espaciais? Não, não é – exceto até onde os projetos espaciais envolvam aspectos militares, nesse caso e medida, não é meramente correto, mas obrigatório. Entretanto, a pesquisa científica, enquanto tal, não é da adequada competência do governo.

Dizem que sem os recursos "ilimitados" do governo, um projeto enorme como esse não seria executado. Não, não seria – neste momento. Mas seria quando a economia estivesse pronta para ele. Há um precedente para essa situação. A primeira ferrovia transcontinental dos Estados Unidos foi construída por ordem do governo e com subsídios do governo. Ela foi saudada como uma grande realização (e o foi em alguns aspectos). Mas ela causou má alocações econômicas e males políticos, pelas conseqüências dos quais nós pagamos até hoje de muitas formas.

( ... ) O que é relevante nesse contexto (mas não deve ser considerado como justificação ou endosso de uma economia mista) é o fato que de todos os programas do governo, o programa espacial é o mais limpo e o melhor: ele, pelo menos, devolveu aos cidadãos Americanos um retorno ao seu investimento forçado, ele batalhou pelo seu dinheiro, ele o mereceu, o que não pode ser dito sobre qualquer outro programa do governo.

( ... ) A significância fundamental do triunfo da Apolo 11 não é política; é filosófica; especificamente, moral-epistemológica.
(id.)
breno_2#17
O pouso lunar como tal não é um marco da ciência, mas da tecnologia. Tecnologia é uma ciência aplicada, i.e., ela traduz as descobertas das ciências teóricas em aplicações práticas à vida do homem. Assim, tecnologia não é o primeiro passo no desenvolvimento de um determinado campo de conhecimento, mas o último; não é o passo mais difícil, mas é o passo final, o propósito implícito, na busca de conhecimento pelo homem.

A aterrissagem lunar não foi a maior realização da ciência, e sim o seu resultado mais visível. As maiores realizações da ciência são invisíveis: elas se realizam na mente do homem; elas ocorrem na forma de uma conexão que integra uma ampla série de fenômenos. O astronauta de uma missão anterior que comentou que sua espaçonave era pilotada por Sir Isaac Newton entendeu essa questão. (E se eu puder melhorar esse comentário, eu diria que Sir Isaac Newton era o co-piloto do vôo; o piloto era Aristóteles.) Nesse sentido, a aterrissagem lunar foi um primeiro passo, um início em consideração a Lua, mas um último passo, um produto final, em consideração a Terra – o produto final de um longo desenvolvimento científico intelectual.

Isso não diminui em nenhum grau a estatura intelectual, o poder, ou a realização dos tecnólogos e dos astronautas; meramente indica que eles foram os recipientes dignos de uma herança ilustre, que dela fizeram pleno uso pelo exercício das suas próprias capacidades intelectuais ( ... ) Não quero implicar que todos os homens que contribuíram ao vôo da Apolo 11 eram necessariamente racionais em todo aspecto de suas vidas ou convicções. Mas nas suas várias capacidades profissionais – na medida em que cada um contribuiu à missão – eles agiram de acordo com o princípio da estrita racionalidade. (id.)
breno_2#18
O aspecto mais inspirador do vôo da Apolo 11 foi ele ter tornado abstrações tais como racionalidade, conhecimento, ciência, perceptíveis à experiência imediata e direta. Que isso envolva a aterrissagem em outro corpo celestial foi como a ênfase de um dramaturgo às dimensões do poder da razão: não é de enorme importância para a maioria das pessoas que o homem pouse na Lua, mas que ele consiga fazer isso, é.

Frustração é a constante na vida da maioria dos homens, particularmente hoje – a frustração de desejos inarticulados, sem nenhum conhecimento dos meios de realizá-los. Na visão e na audiência de um mundo em colapso, a Apolo 11 representou a história de um propósito audacioso, sua execução, seu triunfo, e os meios que o realizou – a história e a demonstração do potencial mais alto do homem. Independente da sua capacidade ou do seu objetivo particular,
[Negritos meus] para que o homem não desista de sua luta, ele precisa se lembrar que o sucesso é possível; para que o homem não sinta pela espécie humana medo, desprezo ou ódio, ele precisa do combustível espiritual de saber que o homem, o herói, é possível. [E isso vai de encontro à afirmação de que só Deus dá significado e importância à existência humana. Essa última é uma idéia besta e anti-intelectual que mais ofende e prejudica as religiões do que as defende. O fato do enorme potencial de grandeza do homem é independente da discussão sobre a existência ou não de Deus]

Era esse o significado e a causa não-identificada das milhões de faces ávidas e sorridentes que exaltaram o vôo da Apolo 11 sobre tudo o que restou do mundo civilizado. Essa foi a mensagem que as pessoas sentiram, mas que não compreenderam em termos conscientes – e a qual, amanhã, abandonarão e trairão. Era trabalho dos seus professores, os intelectuais, dizer a elas. Mas isso não é o que elas ouvem.
(id.)
breno_2#19
Um grande evento é como uma explosão que demole os fingimentos, e traz à superfície o que está escondido, seja diamantes ou lama. O vôo da Apolo 11 foi "um momento da verdade": ele revelou um abismo entre as ciências exatas e as ciências humanas que tem de ser medido em termo de distâncias interplanetárias. Se as realizações das ciências exatas têm de ser observadas através de um telescópio, o estado das ciências humanas requer um microscópio: não há precedente histórico para a insignificância em estatura e a limitação mental exibida pelos intelectuais de hoje. [Triste mais real]

No New York Times de 21 de Julho de 1969, apareceram duas páginas devotadas a uma listagem das reações ao pouso lunar, advindas de todos os tipos de pessoas proeminentes e semi-proeminentes que representam um apanhado de nossa cultura.

Foi estarrecedor observar as diversas maneiras que as pessoas conseguiram encontrar para pronunciar variantes dos mesmos clichês. Sob um ar esmagador de idéias surradas, de mesquinhez e de baixeza ressentida, a lista revelou a essência nua (e conseqüências espirituais) das premissas básicas que dominam a cultura de hoje: irracionalismo – altruísmo – coletivismo.
[Negritos meus]

A extensão do ódio à razão foi algo surpreendente. (E, psicologicamente, auto-denunciou-se: não se odeia aquilo que se considera ineficaz.) Mas expressaram-se indiretamente, denunciando a tecnologia. (E desde que tecnologia é o meio de trazer os benefícios da ciência à vida do homem, julgue por si mesmo o motivo e a sinceridade das manifestações de preocupação com o sofrimento humano.)
[Continua...]
breno_2#20
"Mas a razão principal para estimar negativamente a importância do pouso na Lua ( ... ) é que essa tremenda realização técnica representa um sentido distorcido dos valores humanos (...)" "Nós estamos revelando nossa fraqueza moral em nossos próprios triunfos em tecnologia e em economia." "Como essa nação pode se inflamar e se envaidecer de orgulho tecnológico quando ela é tão fraca, tão perversa, tão cega e mal-direcionada em suas prioridades? ( ... )" "Existe algo mais importante do que as pessoas? Eu simplesmente não acredito que um programa comparável ao pouso na Lua não possa ser projetado para a pobreza, a guerra, o crime, etc." "( ... ) Os triunfos contemporâneos da mente do homem – sua capacidade de traduzir seus sonhos de grandeza em realizações impressionantes – não devem ser igualados com progresso, definido em termos de interesse primário do homem com o bem estar das massas dos seres humanos seus semelhantes( ... )" "Entretanto, o evento mais maravilhoso seria se o homem pudesse apagar todas as manchas e nódoas da mente indomada . . . " [Indomada pelos outros, obviamente]

( ... ) Agora considere o significado exato, específico, do mal revelado nessa coleção: é a significância moral da Apolo 11 que está sendo ignorada; é a estatura moral dos astronautas – e de todos homens por trás deles, e de toda a sua realização – que está sendo negada. Pense no que foi necessário para realizar essa missão: pense no esforço implacável; na disciplina impiedosa; na coragem; na responsabilidade de depender do próprio julgamento; nos dias, noites e anos de dedicação contínua a uma meta; na tensão da manutenção inquebrável de uma concentração mental plena e clara; e na honestidade (honestidade significa: lealdade à verdade, e verdade significa: o reconhecimento da realidade). Tudo isso não é considerado virtude pelos altruístas e é tratado como de nenhuma significação moral.
[Continua...]
breno_2#21
Talvez agora você compreenderá a inversão infame representada pela moralidade do altruísmo. [mantenha em mente que a moral é o braço da filosofia que busca a descoberta e a definição de um código de valores para guiar as escolhas e as ações do homem. Infelizmente, altruísmo é a concepção moral que dominou a história da humanidade. Essa dominância é tamanha que leva a maioria das pessoas a igualarem Moral a Altruísmo, ou às suas conseqüências, isto é: auto-sacrifício, cumprimento abnegado de deveres separados do interesse próprio, etc. Aos intelectuais coletivistas interessa essa confusão, pois impede que as pessoas se dêem conta de que outra moralidade (egoísta) é possível ou mesmo imaginável. Altruísmo é o fator essencial nas derrotas que o capitalismo e a liberdade vêm sofrendo. Não se trata de estratégia gramcista (algo secundário), nem em abandono das tradições, etc. É devido à moral altruísta que os capitalistas religiosos (aqueles que defendem capitalismo através de religião e altruísmo e não através da razão) são eternamente derrotados e humilhados pelos esquerdistas. Enquanto a moral altruísta prevalecer não há como o capitalismo e a liberdade vencerem. Todo defensor do capitalismo e da liberdade deve ter a moral altruísta como sua inimiga jurada.]

Algumas pessoas acusam-me de exagero quando eu afirmo que altruísmo não significa mera bondade ou generosidade, mas o sacrifício dos melhores homens ao piores, o sacrifício das virtudes às falhas, da capacidade à incompetência, do progresso à estagnação – e a subordinação de toda a vida e de todos os valores aos clamores de sofrimento por alguém.

Vocês viram a representação disso na vida real.

O que mais significa a presunção desavergonhada daqueles que protestam contra a missão da Apolo 11, exigindo que o dinheiro (que não é deles) seja gasto, ao invés disso, no alívio da pobreza?
[Continua ...]
breno_2#22
Esse não é um protesto à moda antiga contra magnatas míticos que "exploram" seus trabalhadores, não é um protesto contra os ricos, não é um protesto contra o luxo supérfluo, não é um pedido por alguma caridade marginal, por dinheiro que "não faria falta a ninguém." É um protesto contra a ciência e a tecnologia, é a exigência impertinente de que a mente do homem pare de funcionar, que sejam negados à capacidade humana os meios de progredir, que a realização pare – porque os pobres possuem uma garantia primordial às vidas dos que lhes são melhores.

Pela sua própria estima, por exigir que o público os apóie, esses manifestantes declaram que eles não produziram o suficiente para sustentarem a si mesmos – contudo, eles reivindicam um direito sobre os homens cuja capacidade produziu um resultado tão grandioso como a Apolo 11, declarando que ela foi feita às custas deles, que o dinheiro por trás dela foi retirado deles ( ... ) Eles reivindicam um direito privado a fundos públicos, enquanto negam ao público (i.e., ao resto de nós) o direito a qualquer propósito superior, melhor.
[Continua...]
breno_2#23
Eu poderia lembrá-los de que sem a tecnologia que eles condenam, não haveria meios para sustentá-los. Eu poderia lembrá-los dos séculos pré-tecnológicos quando os homens subsistiam em tamanha pobreza que eles eram incapazes de se alimentarem, muito menos dar assistência aos outros. Eu poderia dizer que qualquer um que usasse um centésimo do esforço mental usado pelo menor dos técnicos responsáveis pela Apolo 11 não estaria consignado à pobreza permanente, não em uma sociedade livre ou semi-livre. Eu poderia dizer isso, mas eu não direi. Não é a prática deles que eu desafio, é a sua premissa moral. A pobreza não é uma garantia ao trabalho dos outros – o infortúnio não é uma garantia à realização – o fracasso não é uma garantia ao sucesso – o sofrimento não traz um direito a concessões e o seu alívio não é o objetivo da existência – o homem não é um animal sacrificial no altar ou pela causa de alguém [Negrito meu] – a vida não é um hospital geral.

Aqueles que sugerem que nós coloquemos uma guerra contra a pobreza no lugar do programa espacial devem se perguntar se as premissas e valores que formam o caráter de um astronauta seriam satisfeitos por uma vida carregando comadres em leitos de hospitais e ensinando o alfabeto a mentalmente retardados. A resposta aplica-se também aos valores e premissas daqueles que admiram os astronautas. As favelas não substituem as estrelas.

A pergunta que nós estamos ouvindo constantemente hoje é: por que os homens são capazes de ir até a Lua, mas incapazes de resolver seus problemas políticos e sociais. Essa questão envolve o abismo entre as ciências exatas e as humanas. O vôo da Apolo 11 tornou a resposta mais óbvia: porque, em relação ao seus problemas sociais, os homens rejeitaram e evadiram o meio que tornou a aterrissagem lunar possível, o único meio de resolver qualquer problema – a razão.
(Ayn Rand, Apolo 11, Setembro de 1969)
breno_2#24
[A distância interplanetária entre as ciências exatas e as humanas]No campo da tecnologia, os homens não podem se permitir o tipo de processos mentais demonstrados por algumas das reações à Apolo 11. Em tecnologia, não há irracionalidades grosseiras tais como a conclusão de que desde que a humanidade uniu-se por entusiasmo ao vôo, ela pode unir-se por qualquer coisa (como se a capacidade de união fosse um primário independente de propósito ou causa). Não há em tecnologia evasões de tal magnitude, como o presente coro de slogans ao efeito de que a missão da Apolo 11 deve de alguma maneira conduzir os homens à paz, à boa-vontade e à constatação de que a humanidade é uma grande família. Família de quem? Com um terço da humanidade escravizada sob um domínio inefável de força bruta, nós devemos aceitar os tiranos como membros da família, fazer as pazes com eles, e sancionar o destino terrível das vítimas? Se sim, por que as vítimas devem ser expulsas da grande família humana? Nenhuma resposta têm os que a isso defendem. Mas a sua resposta implícita é: Nós conseguiremos de alguma maneira, se nós assim quisermos!

Em tecnologia, os homens sabem que nem todos os desejos e rezas do mundo podem mudar a natureza de um grão de areia.

Não teria ocorrido aos construtores da espaçonave selecionar seus materiais sem o estudo minucioso e exaustivo de suas características e propriedades. Mas, em humanas, todo tipo de esquema ou projeto é proposto e realizado sem um momento de pensamento ou estudo dedicado à natureza do homem. Nenhum instrumento foi instalado a bordo da espaçonave sem um completo conhecimento das condições que suas funções requeriam. Todos os tipos de exigências impossíveis e contraditórias são impostas ao homem em humanas com nenhuma preocupação das condições que a sua existência requer. Ninguém destruiria os circuitos do sistema elétrico da espaçonave e afirmaria: "funciona se ela quiser!" Essa é a política padrão em relação ao homem.
[Continua...]
breno_2#25
Ninguém escolheria um combustível para a Apolo 11 porque "sentiu vontade" ou ignorou os resultados de um teste porque "não sentiu vontade" de considerá-los ou programou um computador com uma mistura de absurdos aleatórios e incoerentes os quais ele "não sabia o porquê." Esses são os procedimentos padrões e critérios aceitos em ciências humanas. Ninguém tomaria uma decisão que afetasse a espaçonave por pressentimento, por capricho, ou por uma "intuição" repentina e inexplicável. Em humanas, esses métodos são considerados superiores à razão. Ninguém proporia um novo design para a espaçonave, meticuloso em todos os detalhes, a não ser pela falta de foguetes ou de qualquer outro meio de propulsão. É prática padrão em humanas planejar e projetar sistemas sociais que controlam todo aspecto da vida do homem, ignorando apenas que o homem possui uma mente e que a sua mente é o seu meio de sobrevivência. Ninguém sugeriria que o vôo da Apolo 11 fosse planejado de acordo com as regras da astrologia e o seu curso traçado de acordo com as regras da numerologia. Em humanas, a natureza do homem é interpretada de acordo com Freud, e o seu curso social é prescrito por Marx.

Mas – protestam os que seguem as ciências humanas – nós não podemos tratar o homem como um objeto inanimado. A verdade é que eles o tratam como menos que um objeto inanimado, com menos preocupação e menos respeito pela sua natureza. Se eles dessem à natureza do homem uma pequena fração do estudo racional e meticuloso que os cientistas estão dando agora à poeira lunar, nós estaríamos vivendo em um mundo melhor. Não, os procedimentos específicos para estudar o homem não são os mesmos que aqueles utilizados no estudo dos objetos inanimados – mas os princípios epistemológicos são.

Nada na Terra ou além está fechado ao poder da razão do homem. Sim, a razão pode resolver os problemas humanos – mas nada mais na Terra ou além pode.
[Continua ...]
breno_2#26
Essa é a lição fundamental a ser aprendida com o triunfo da Apolo 11. A esperança é a de que alguns homens a aprendam. Mas ela não será aprendida pela maioria dos intelectuais de hoje, desde que a essência e o motor de todas as suas construções incríveis é a tentativa de estabelecer a tirania humana como uma fuga do que eles chamam de "tirania" da razão e da realidade. (Ayn Rand, Apolo 11, Setembro de 1969)

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