Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Bush, presidente mais corajoso dos Estados Unidos

Iniciado por lucas_6 em 11/06/2006 · 49 mensagens

lucas_6#1
"Aqui no Brasil há uma unanimidade quase total em torno de Bush: todos o odeiam. Nos EUA, neste, como em vários outros assuntos, há uma diversidade muito maior de opiniões.

(...) há vários intelectuais que apoiam sua administração. Um dele é Michael Novak. Resolvi traduzir um artigo em que ele defende Bush (...)

Não tenho muito experiência em tradução, por isso, peço desculpas pelas prováveis falhas."

http://lucasmafaldo.blogspot.com/2006/06/bush-o-pres…oso-dos.html
lucas_6#2
Aliás, sintam-se a vontade para comparar minha tradução com o original e criticá-la. Sou daqueles, como dizia Sócrates, que não encontram maior bem do que se ver livre de seus erros.

A tradução não está lá muito boa (o trecho sobre a CIA ficou horrível), mas não tenho tempo de trabalhar mais nisto agora.

Resolvi publicar uma tradução imperfeita, porque sei que, se não publicasse agora, não publicaria jamais.

Em todo caso, acredito que a essencial do texto está fielmente reproduzida.
lvaro_4#3
É inegável que o republicanismo representado por George Bush mantêm uma certa unidade histórica norte-americana vital para sobrevivência de muitos valores do ocidente.
lucas_6#4
Pessoalmente, não tenho uma opinião muito decidida. Bush é meio misterioso para mim. Consegue irritar a opinião pública, a esquerda e a direita. Com certeza, é preciso coragem para isto, mas por que ele entrou nesta?

Não sei se é simplesmente falta de inteligência ou um senso de dever um tanto suicida ou ainda uma mistura dos dois.

Conheço pouco os colunistas do Lew Rockwell. Você poderia me indicar alguns autores?
inocncio#5
Concordo com relação ao Bush.
Porém vejo com muita estranheza os atentados de 11 de Setembro. Um prédio de 417 metros (WTC 1 e 2) desmoronar em 8.3 s é praticamente queda livre.
Segundo vários especialistas consultados somente dois agentes conhecidos seriam capazes de tal poder de destruição: um terremoto de proporções avassaladoras ou uma implosão.
lucas_6#6
Você acha que existe alguém que NÃO ouviu falar de Michael Moore? O cara só não vende mais que Dan Brown, caramba!
mar_orkut#7
Eu tampouco tenho uma opiniao formada, e tambem acho-o misterioso e aprendi a querer ver alguma coisa de boa nesse homem por influencia olavica, ja que os brasileiros aa minha volta sao todos unanimes contra ele, mas, a despeito de toda boa vontade, de todos os americanos que encontrei nenhum parece apoia-lo. Nao me restou outra alternativa senao a astrologia para tentar entender esse fenomeno.
Bom, esse topico nao eh astrologia, por isso vou responder la.
lucas_6#8
Trazes aí várias questões diferentes. Uma delas, a guerra do Iraque, se burfuca em várias outras.

Como o Silvio disse, nem toda a direita apoia a guerra ao Iraque. Alguns deles, porque querem que o resto do mundo se vire sozinho; outros porque acham que o inimigo principal é a China (Navrozov).

"Derrubou um ditador sanguinário, mas foi igualmente sanguinário em sua invasão, o que os difere?"

Por que diz que foram igualmente sanguinário? Até onde eu sei, Saddam, neste ponto, é quase insuperável.

"Onde estão as armas químicas que o Iraque possuía?"

Ainda há muito debate em torno da questão. Tem gente que ainda defende que haviam sim, essas armas. Outros que admitem que elas não existiam, mas que o erro é culpa de Saddam e seu governo, não de Bush. Ainda: mesmo não havendo armas, a culpa não foi de Bush, mas do serviço secreto.

Quer fontes? Em ordem de interesse:

http://jewishworldreview.com/cols/elder030206.asp
http://jewishworldreview.com/cols/elder030906.asp
http://jewishworldreview.com/cols/elder052506.asp
http://www.danielpipes.org/article/3545

De todo modo, mesmo que não houvesse as armas, ainda haveriam outros bons motivos para a libertação do Iraque.
lucas_6#9
Aqui, uma boa fonte para se avaliar quem foi mais sangüinário:
http://afhr.org/en/graves.html?lang=en
lucas_6#10
ERRATA: Erro de ortagrafia("birfuca" ao invés de "burfuca") e de significado. A questão da guerra do Iraque não se "birfuca", mas sim, se "ramifica".
marco_13#11
O problema do Bush é que sua administração parece ter calculado mal os efeitos de sua política.

E existe uma linha tênue que separa a coragem da teimosia e da burrice.

Ocorre que avaliaram mal o que a ocupação de um país como o Iraque de fato seria. Parece que entenderam que seria simplesmente invadir, ocupar e instaurar uma democracia, sem levar em conta o caldeirão complexo e borbulhante que o país de fato é. E a coisa se tornou muito mais complicada do que o planejado.

Ora, estamos carecas de saber que o motivo da invasão do Iraque foi puramente econômico e político, a questão da "libertação do povo Iraquiano" e dos atentados é conversa pra boi dormir. Num ponto, até que a administração Bush tinha ampla razão: Se a moda do petro-euro que Saddam almejou iniciar se alastrasse, seria um desastre para a economia dos EUA. Ele realmente TINHA que se livrar de Saddam. E, num grande golpe de sorte, graças a extrema burrice dos inimigos dos EUA, que forneceram no o 11 de setembro a desculpa perfeita para Bush se livrar se um oponente mais do que incômodo (e a própria burrice de Saddam, que com sua invasão do Kwait se transformou de aliado dos EUA e inimigo) que que Bush pôde fazer o que fez. De fato, Bush foi muito auxiliado pela estupidez dos seus inimigos.

Entretanto, a ocupação foi mal planejada e mal executada. Ao meter o dedo de forma parcial em questões internas alheias, os EUA levantam críticas e ódios, e qualquer administração TEM que levar isso em conta e planejar formas de minimizar isso. Parece que resolveram ignorar, e continuam ignorando, e é aí que a coragem vira burrice.
marco_13#12
Aqui, uma boa fonte para se avaliar quem foi mais sangüinário:

Pessoal, essa questão é totalmente irrelevante!

A única coisa que motivou e motiva países a entrarem em guerras é poder e dinheiro, mais nada. Causas "filantrópicas" são desculpas pra ONU e pro eleitorado, que costuma ser bem mais ingênuo do que pensamos, seja aqui ou nos EUA.

Saddam não era menos sanguinário nos anos 70 e 80, e era aliado dos EUA. Só virou inimigo porque, muito estupidamente, resolveu contrariar os interesses dos EUA. Continuasse um aliado até hoje, poderia continuar matando e torturando à vontade, e vivendo como um rei.

Se fosse por causas "filantrópicas", existem trocentos outros ditadores sanguinários na África que já fizeram e continuam fazendo coisa muito pior e os EUA não dão a mínima bola. A China já matou e torturou muito mais do que 10 Saddam juntos, invadiu o Tibete, etc.

Se no oriente médio não existisse petróleo, eles estariam se matando e torturando e em nenhum lugar ninguém estaria discutindo nada disso.
lucas_6#13
Acho exagerado dizer que dinheiro e poder são os únicos motivos; embora provavelmente sejam os principais.

Avaliar quem é mais ou menos sanguinário é para saber se a liberação (ou invasão, que seja) é algo bom ou ruim para o povo iraquiano. Mesmo que não tenha passado nada disso pela cabeça de Bush, é um fator a ser considerado para nossa avaliação dos fatos.

Mas você tem razão, a situação da África e da China são horríveis mesmo. Por mim, Bush provava que era macho mesmo liberando o Tibet.

Mas, para tanto, tem que se levar em conta que, macho como for, ele não faz o que quer. Tem os interesses do partido, da sua equipe, da opinião pública...
uriel#14
.

Lucas, você também é disléxico? (sem ofensa)
lucas_6#15
None taken. Por que a pergunta?
lucas_6#16
E não sou não. Mas se o motivo não era ofender, qual o motivo da pergunta? A tradução está tão ruim assim?
marco_13#17
Acho exagerado dizer que dinheiro e poder são os únicos motivos; embora provavelmente sejam os principais.

Lucas, ninguém pode saber de fato o que se passa na cabeça de Bush, mas diante dos fatos e da história, não há exagero.

Se não houvesse interesse econômico por parte dos EUA no caso Iraque, Saddam estaria até hoje exatamente onde está.
mar_orkut#18
Tem a ver com o 'bifurca'?
fernando_21#19
Eu já vejo a coisa por outro ângulo.

Apesar de concordar com o Marco que a invasão do Iraque não tenha tido intuito filantrópico, não acho que a motivação tenha sido puramente econômica. A guerra do Iraque é parte de uma guerra maior, travada contra o terrorismo, o qual é uma ameaça muito séria para deixar na mão dos burocratas corruptos da ONU, instituição esta que vem, nos últimos tempos, agindo de forma absolutamente decepcionante. E o terrorismo não contraria somente interesses americanos mas do Ocidente como um todo, vide Madrid e Londres.

Por outro lado, Bush pretendia mudar a configuração geo-política do Oriente Médio, e nada melhor que começar pelo Iraque, o qual se encontrava nas mãos de um ditador sangüinário que claramente patrocinava ações terroristas, seja diretamente seja encobrindo-as.

Finalmente, concordo com o Novak em um ponto: de que o real valor do governo de George W. Bush somente será apreciado dentro de uns 30 anos, a exempo do que ocorreu com Ronald Reagan. Agora é muito cedo para saber.
marco_13#20
Eu penso que a motivação foi puramente econômica pelos seguintes motivos:

No início dos anos 70, um acordo entre EUA e a Arábia Saudita estabeleceu o dólar dólar norte-americano como forma única de pagamento de Petróleo. Os demais membros da OPEP acataram rapidamente a mesma medida, pois o dólar era muito forte e isso valorizava o seu produto (ganhavam mais dinheiro negociando em dólar do que em coroas, marcos, cruzeiros, liras, etc) .

Uma consequência disso é que, como todo o mundo precisaria progressivamente de cada vez mais petróleo, e sendo agora ele negociado unicamente em dólar, obviamente todo mundo precisaria obter progressivamente mais dólares. Ora, como os preços e consumo do petróleo tendiam apenas a crescer, a procura por dólares no mercado internacional também aumentaria, fortalecendo o dólar ainda mais. E claro, tornava o produto mais barato para os EUA por negociarem na sua própria moeda além de lhes dar um conforto maior no contexto econômico mundial, afinal são eles que imprimem dólar.

Note que esse fato também foi imporante para o fim do padrão-ouro que existia até então, para o padrão-dólar que vigora até os dias de hoje (Ou seja, os lastros de um país são medidos não mais em reservas de ouro, mas reservas de dólar). E como são os EUA que imprimem dólares, isso lhes dá um certo conforto no contexto mundial.

continua...
marco_13#21
Acontece que, nos anos 90, o euro despontou fortemente, estando atualmente mais valorizado que o dólar e sendo moeda padrão em toda a europa. Assim, vender qualquer produto em euro começa a ser mais vantajoso do que o dólar. Quando Saddam anunciou sua intenção de negociar seu petróleo em euros, e sendo o Iraque dono de boa parte das reservas mundiais, descortinava-se um impacto enorme sobre a economia mundial, principalmente caso o exemplo fosse seguido pelos demais membros da OPEP. Negociar em euros seria imediatamente mais vantajoso para os países da europa, pois poderiam usar sua moeda local, sem perder dinheiro intermediando as negociações em dólar e sem necessidade de manter reservas de dólares, mas também o seria para outros países compradores de petróleo e mantenedores de grandes contratos de comércio com a europa. Assim, teríamos os seguintes impactos na economia mundial.

-Aumento progressivo da oferta de dólares no mercado mundial, já que todo mundo estaria vendendo dólares e comprando euro para negociar petróleo. A excessiva oferta traria natural devalorização do dólar. Em contrapartida, a adoção do euro para transações de petróleo daria à moeda européia um estatuto de reserva que beneficiaria os europeus à custa dos EUA.

-Além do fator petro-euro, haveriam outros motivos que tornariam interessante a troca de dólares por euros por parte de diversos países, especialmente aqueles que mantém intenso comércio com a região européia: Adotar o euro baratearia as transações comerciais, pois não seria muito interessante para ninguém que negocia intensamente com a europa manter grandes reservas de dólares que estarão continuamente se desvalorizando e que, de qualquer forma, precisarão ser trocados por euros para negociar com a comundade européia. Seria muito mais racional manter a maior parte das reservas em euros.

continua...
marco_13#22
-Como seria seria mais vantajoso para qualquer país ter boas reservas de euros, haveria progressiva troca do padrão-dólar mundial para o padrão-euro, na medida em que mais e mais países (além dos europeus) fossem trocando suas reservas de dólar por euros: China, Japão e Rússia, por exemplo, poderiam baixar substancialmente suas enormes reservas de dólares diversificando-as com euros, protegendo-se assim da depreciação do dólar. Na redefinição da estrutura das suas reservas de dólares, tais países poderiam optar pela manutenção de apenas uma parte dos seus dólares como reserva (principalmente para pagamentos futuros), e ir consolidando aos poucos as suas reservas em euros.

-Os próprios países da OPEP prefeririam usar o euro como padrão: Sendo o euro agora a moeda mais forte e estando o dólar em franca desvalorização, o preço do seu produto estaria melhor protegido, e lembremos que as principais transações comerciais dos países do oriente médio também são com países europeus, e por isso ambos preferirão a moeda corrente europeia. (Sem contar o oba-oba político que um "ataque à economia dos imperialistas ianques" não faria na opinião pública destes países, certamente tal coisa seria muito bem aproveitada pelos líderes locais)

-O maior comprador mundial de petróleo, os EUA, teria que pagar bem mais caro pelo petróleo: O dólar estaria desvalorizado frente ao euro e os EUA seriam obrigados agora a trocar seus dólares por euros para comprar petróleo. Considerando o volume das importações norte-americanas de petróleo, o impacto na economia dos EUA seria considerável.

-Com o dólar desvalorizado, os custos das importações norte-americanas cresceriam enormemente, aumentando muito o déficit dos EUA. Quase tudo nos EUA ficaria mais caro. Isso pressionaria a inflação norte-americana e forcaria o aumento das taxas de juros de longo prazo, com riscos de depressão econômica, impacto negativo nos valores imobiliários e no mercado de ações e derivados.

continua...
marco_13#23
Como citou Paul Kennedy em "The Rise and Fall of the Great Powers", só vale a pena para um país sustentar uma guerra dispendiosa quando os benefícios excedem seus custos materiais e sociais OU quando atuando em defesa de seus interesses. No caso do Iraque, como os EUA não poderão simplesmente ocupar e explorar os campos petrolíferos como um império faz a uma colônia, tem-se que os lucros diretos advindos do petróleo pura e simplesmente são pequenos para justificar o custo da guerra e da ocupação. Portanto, os EUA agiram por pura defesa de seus interesses, no caso, em defesa da sua moeda.

E de fato, poucos meses depois da invasão, o programa "Petróleo por Alimentos" terminou, as contas iraquianas em euros foram trocadas por dólares e, mais importante, O PETRÓLEO VOLTOU A SER VENDIDO EM DÓLARES.
fabiano_2#24
Aparentemente, ele se julga um enviado de Deus na Terra. Afirma que ouviu uma "voz divina" que o pediu para invadir o Iraque. Eu pessoalmente acho a Condelezza mais adequada para capitanear os conservadores. Também não concordo com quem compara Bush ao Lord Churchill. O Giuliani sim recorda o primeiro-ministro britânico. Bush II me lembra mais o Ronald Reagan, que por seu turno era um seguidor mais ortodoxo das ideías liberais de Adam Smith, é o que penso...
fernando_21#25
Muito interessantes suas colocações, mas considero-as um tanto quanto especulativas, além de simplificar um problema complexo que envolve diversas variantes. E se isto é um segredo oculto pelo governo norte-americano e pela mídia, como afirmou o Felipe, como é que vocês ficaram sabendo dele ? Vocês têm fontes na CIA ?

E especulando de minha parte, não acredito que os países árabes teriam qualquer pudor em negociar seu produto em euros se se isto lhes fosse mais vantajoso. Não creio que os EUA invadiriam todo e qualquer país árabe que passasse a negociar em euros.

Ademais, livros como "Shadow War" e "Plan of Attack" contam detalhes que levam a conclusões contrárias a estas expostas por você e, por enquanto, fico com elas...
i_orkut_2#26
Fernando, concordo em número, gênero e degrau com vc: “A guerra do Iraque é parte de uma guerra maior, travada contra o terrorismo,...” E, acrescentaria na lista o livro The age of terror ( já tem tradução pela Campus Ed. – A Era do terror: o mundo depois de 11 de setembro de 2001) é uma coletânea que reúne vários pensadores. Entre eles, Paul Kennedy, que em seu parecer diz claramente: Os Estados Unidos sofreram um golpe terrível e sem razão de ser, e está reagindo a ele com um conjunto de políticas, todas visando à punição dos terroristas e daqueles que os apoiam (...) pág. 88
marco_13#27
se isto é um segredo oculto pelo governo norte-americano e pela mídia, como afirmou o Felipe, como é que vocês ficaram sabendo dele ? Vocês têm fontes na CIA ?

Não entro no mérito de segredos ocultos. Como foi dito, não há como ter certeza do que se passa na administração Bush (ou de qualquer país).

Tais especulações são análises feitas por diversos economistas, inclusive alguns norte-americanos (que supomos entender bem a economia de seu próprio país), e parecem bem pertinentes. Pelo menos, são as mais pertinentes para mim, até o momento, pois os impactos negativos sobre a economia americana com uma adoção mundial de outra moeda seriam bem grandes.

Concordo quando vc diz que a questão é um pouco mais complexa e envolve outros pontos, mas eu estou convencido de que o problema principal, o motivador final da questão da guerra, foi esse. Os demais motivos, sozinhos, não parecem justificar uma empreitada tão onerosa quanto foi a invasão do Iraque.

Note que o alto custo da guerra já está se refletindo na economia norte-americana: Na semana passada, os EUA admitiram alta de juros e inflação. Parece que Bush teve que escolher o menos pior: Ou isso, ou as impactos ainda maiores do caso euro.
marco_13#28
E especulando de minha parte, não acredito que os países árabes teriam qualquer pudor em negociar seu produto em euros se se isto lhes fosse mais vantajoso. Não creio que os EUA invadiriam todo e qualquer país árabe que passasse a negociar em euros.

Realmente, os EUA jamais conseguiriam apoio popular ou aprovação no congresso para uma guerra por causa desse motivo, por mais importante que seja. Ninguém aceitaria uma guerra com tais justificativas, num país democrático.

E é justamente por isso que considero as questões do terrorismo, armas de destruição em massa e cia, puramente como manobras. Veja bem, os EUA são vítimas de terrorismo há décadas, Saddam é ditador sanguinário há décadas, o Irã, Coréia do Norte, a Líbia, Afeganistão etc incomodam faz tempo, etc.

Tanto que, na primeira guerra do Golfo, o Iraque tomou uma atitude bem mais agressiva, que foi invadir o Kwait, e Saddam era tão terrorista, sanguinário ou anti-americano como agora. E mesmo assim, não invadiram o Iraque (e olha que havia uma coalisão mundial contra o Iraque, o apoio popular mundial teria sido mais unânime).
marco_13#29
Os Estados Unidos sofreram um golpe terrível e sem razão de ser, e está reagindo a ele com um conjunto de políticas, todas visando à punição dos terroristas e daqueles que os apoiam

O golpe foi terrível, mas não foi "sem razão de ser". O terrorismo contra os EUA é certamente condenável, mas tem motivo. Não existe terrorismo gratuito.

O problema é que os EUA intervêem continuamente e de forma parcial em conflitos externos, e obviamente isso gera tremenda antipatia por parte dos que se sentem prejudicados por isso.

Veja a questão dos palestinos: Ora, isso já deveria ter sido solucionado há meio século atrás, e se não foi, é por causa do apoio dos EUA à Israel. Obviamente que isso gera um ódio generalizado por parte dos palestinos.

Tente se colocar dentro do problema para entendê-lo: Suponha que o Brasil e a Argentina estivessem em conflito (armado ou apenas de interesses), e os EUA intercedessem a favor da Argentina, de forma velada ou explícita: Todos aqui odiariam de forma insana os EUA, vc não concorda? E isso seria prato feito para políticos oportunitas, demagogos, nacionalistas e populistas inflamarem ainda mais a opinião pública usando discursos anti-americanos e o escambau, num efeito bola de neve.

É o que acontece nos oriente médio: O povo tem antipatia dos EUA, os ditadores se aproveitam disso e chegam ao poder aumentando ainda mais tal antipatia, e para piorar, ainda há a religião fundamentalista que fornece terreno extremamente fértil para ações extremistas e fantáticas. Para piorar ainda mais, há diversas facções que lutam entre si pelo poder.

Ou seja, mexer naquele lugar é mexer em vespeiro, qualquer país tem que ter consciência disso. Se os EUA nunca tivessem intervido no Oriente Médio, jamais seriam vítimas de terrorismo.
i_orkut_2#30
Ora Márcio, não é "in" ser anti-russo ou anti-chinês.(Aliás, nunca conheci alguém que se declarase anti-russo ou anti-chinês). Porém a galera comuna acha "in" ser anti-americano.
i_orkut_2#31
Se os terroristas reivindicaram alguma coisa ninguém ficou sabendo. Logo, até que se prove em contrário acredito q eles nada queriam. Se quisessem teriam declarado.

Porque: "Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação."

http://pt.wikisource.org/wiki/Declara%C3%A7%C3%A3o_d…ia_Americana
i_orkut_2#32
Bom, diante de toda essa análise histórica-geográfica-política-econômica-sociológica exposta, na minha opinião, a conclusão é que o título do artigo e conseqüentemente do tópico deveria ser: Bush, um presidente corajoso dos Estados Unidos. Porque faltou a análise dos demais presidentes para sabermos qual o mais corajoso.
fernando_21#33
"E é justamente por isso que considero as questões do terrorismo, armas de destruição em massa e cia, puramente como manobras. Veja bem, os EUA são vítimas de terrorismo há décadas, Saddam é ditador sanguinário há décadas, o Irã, Coréia do Norte, a Líbia, Afeganistão etc incomodam faz tempo, etc."

Você está se esquecendo de um detalhe: o 11 de setembro. Depois disto, toda a política dos EUA em relação ao terrorismo islâmico mudou radicalmente, pois até então nunca havia ocorrido um ataque terrorista naquelas dimensões e dentro do território americano.

"O golpe foi terrível, mas não foi "sem razão de ser". O terrorismo contra os EUA é certamente condenável, mas tem motivo. Não existe terrorismo gratuito."

Claro que não, mas você sabe como funciona a cabeça de um terrorista ? Já leu algo a respeito ? Posso garantir-lhe que a mioria dos islâmicos fundamentalistas querem uma coisa só: acabar com o Ocidente e sua cultura de liberdade (que tem os EUA como representantes supremos), segundo eles um mal para a humanidade. E como todos os terroristas são islâmicos fundamentalistas conclua se o que eles pretendem é legítimo...

"Veja a questão dos palestinos: Ora, isso já deveria ter sido solucionado há meio século atrás, e se não foi, é por causa do apoio dos EUA à Israel. Obviamente que isso gera um ódio generalizado por parte dos palestinos."

Desculpe, mas isto é puro non-sense. A questão árabes-judeus é religiosa e não tem solução fácil, pois o Corão diz que aquelas terras são dos árabes enquanto a Bíblia diz que são dos judeus. Resolva isto se for capaz...E pode acreditar que se os EUA não estivessem ali Israel já teria virado fumaça há muito tempo...
fernando_21#34
"Ou seja, mexer naquele lugar é mexer em vespeiro, qualquer país tem que ter consciência disso. Se os EUA nunca tivessem intervido no Oriente Médio, jamais seriam vítimas de terrorismo."

Isso você não pode garantir. Eu já acho que se os EUA não intervissem ali, as conseqüências para o Ocidente seriam muito mais danosas, e ataques terroristas ocorreriam do mesmo jeito, talvez com maior intensidade e em locais, digamos mais ocidentais. Terrorismo vai haver sempre que os interesses dos fundamentalistas forem contrariados e, nem seria preciso dizer, nem sempre tais interesses são legítimos.

Em suma, culpar os EUA pelo terrorismo é desconhecer por completo as raízes do fundamentalismo e a própria mecânica do radicalismo muçulmano. Aliás, é o mesmo que culpar os EUA pela pobreza do mundo, o que fica bem em um discurso retórico de um demagogo do PT, mas não na boca em quem tem compromisso com a verdade.
marco_13#35
Mas você sabe como funciona a cabeça de um terrorista ? Já leu algo a respeito ? Posso garantir-lhe que a mioria dos islâmicos fundamentalistas querem uma coisa só: acabar com o Ocidente e sua cultura de liberdade (que tem os EUA como representantes supremos), segundo eles um mal para a humanidade.

Concordo inteiramente com vc no que se refere ao terrorista islâmico fundamentalisma médio, ou o "zé povim" de lá. Mas, e quanto as lideranças?

O ponto é: Isso é aproveitado, cultivado e amplificado ao máximo pelas lideranças do islã, pois fornece um motivo excelente para manterem-se o poder e justificarem suas ditaduras. E pode apostar que o interesse dos líderes são bem mais pragmáticos que isso.

Não sejamos ingênuos: Ditadores, seja de que lugar do planeta vierem, estão interessados antes de tudo em manterem-se no poder e continuarem suas vidas bilionárias. Saddam, Kaddaf, Castro, Idi Amin Dada, Stalin, etc etc. E para cada contexto, há uma maneira de manipular melhor a situação e a população. No caso do oriente médio, quer melhor via para isso do que aproveitar o sentimento anti-americano criando um inimigo externo e pintando-o como o diabo encarnado, a maior ameaça para o povo islã da face da terra? Os líderes islâmicos pintam os EUA como anticristos pois isso serve muito bem aos interesses deles: Isso é a versão do médio oriente do populismo, nacionalismo e da demagogia.

Pergunte-me se estes líderes teriam condições de manterem o poder se seus países fossem democracias e/ou se as atenções da população estivesse voltadas para os problemas internos.
inocncio#36
Eu sou anti-Russia e anti-China.
O Brasil é um pais comunista.
bea_orkut#37
Marco, justamente por isso é que fica difícil de acreditar que tenha sido tão somente a manobra de trocar dólares por euros; Saddam não desconhecia o risco e acredito que não incorreria em riscos desnecessários, a não ser que lhe tivessem sido dadas garantias “reais”. No final das contas, parece que funciona o raciocínio inverso, e quem está perdendo tudo, inclusive credibilidade, são os USA.

Mas é certo que tudo revolve em torno de poder e dinheiro.
marco_13#38
Marco, justamente por isso é que fica difícil de acreditar que tenha sido tão somente a manobra de trocar dólares por euros; Saddam não desconhecia o risco e acredito que não incorreria em riscos desnecessários, a não ser que lhe tivessem sido dadas garantias “reais”.

Será que não? Saddam já mostrou muito pouca inteligência ao invadir o Kwait, esperando que não houvesse reação mundial significativa à tomada de um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

A reação não só veio, como foi violenta e pior ainda, ele tornou-se inimigo declarado do ocidente, tendo que conviver com o problema do embargo e tudo o mais.

Foi portanto um erro de cálculo grosseiro e abissal.

Já a manobra do euro era mais sensata, pois nenhum país democrático do mundo iria conseguir aprovar uma guerra usando tal justificativa. Mas nesse caso, foi o 11 de setembro que, muito oportunamente, deu a desculpa necessária.

Aliás, se Saddam teve participação nisso, isso só comprova sua extrema estupidez em avaliar os desdobramentos de suas ações. Se não teve, digamos que ele foi muito azarado.

No final das contas, parece que funciona o raciocínio inverso, e quem está perdendo tudo, inclusive credibilidade, são os USA.

Os EUA certamente ficaram muitos meses analisando profudamente a questão, de fato, extremamente espinhosa: Ou arcavam com as potenciais consequências de um enfraquecimento do dólar, ou arcavam com as consequências de uma guerra e invasão. Optaram pela última alternativa.
marco_13#39
Eu já acho que se os EUA não intervissem ali, as conseqüências para o Ocidente seriam muito mais danosas, e ataques terroristas ocorreriam do mesmo jeito, talvez com maior intensidade e em locais, digamos mais ocidentais

Não faz sentido: Se os EUA ou qualquer outro país jamais tivessem metido o dedo por lá, qual seria a motivação para terrorismo? Ou seja, por que terroristas não atacam o Brasil, a Austrália ou a Finlândia?

Para entendermos o que acontece ali e o motivo do ódio ao EUA e Europa, temos que analisar com cuidado a história daquela região. Note que não estou justificando ou legitimando o terrorismo ou o anti-americanismo, apenas estou buscando as origens históricas.

Na verdade, a disputa entre oriente médio e europa já é milenar, vem desde a época das cruzadas (e já naquela época, era disputa econômica travestida de disputa religiosa). Na história moderna, a contínua intervenção européia (principalmente inglesa) e depois norte-americana no oriente médio e norte da
África por questões econômicas já se esboça desde princípios do século XIX, durante as guerras napoleônicas, quando França e Inglaterra disputavam o domínio na região.

(continua)
marco_13#40
Aqui vai um breve resumo só do século XX:

-A inglaterra está no negócio de Petróleo no Oriente Médio desde 1909. Procurando evitar a expansão alemã e interessado no petróleo da região do Golfo Pérsico, o governo britânico impôs seu domínio ao Kuwait, pequeno reino independente criado em 1756. O país tornou-se protetorado britânico quando do início da Primeira Guerra e somente obteve a independência em 1961.

-Finda a Primeira Guerra Mundial, Alemanha e Itália perderam suas colônias e as principais decisões do pós-guerra ficaram nas mãos da Inglaterra e França. A derrota do Império Turco fez com essas duas grandes potências redesenhassem o mapa do Oriente Médio segundo seus interesses, gerando o acordo Sykes-Picot (devido aos sobrenomes dos dois principais negociadores, o inglês Mark Sykes e o francês Georges Picot) e a principal preocupação foi definir as áreas de influencia que caberia a cada país. À Inglaterra coube a Palestina (nela ncluídos os territórios da atual Jordânia e de Israel), a Mesopotâmia (que correspondia aproximadamente ao Iraque de hoje) e a Península Arábica enquanto à França ficaria com a Síria (que na época abrangia o Líbano) e a Cilícia (parte da atual Turquia).

-Ao mesmo tempo a Inglaterra apoiava as guerras árabes do príncipe Hussein contra os turcos e prometia aos judeus, representados pelo banqueiro Rothschild, apoio para a formação de um Estado judeu na Palestina.

-Foi tentando minimizar os problemas advindos desses acordos que a Inglaterra criou a Transjordânia e o Iraque, territórios cedidos aos filhos de Hussein. A Abdullah coube a Transjordânia, enquanto a Faiçal coube o Iraque. A tutela britânica manteve-se sobre a Jordânia até o final da Segunda Guerra Mundial, enquanto que o Iraque tornou-se oficialmente independente em 1932.
marco_13#41
-Entretanto, a vida política no Iraque foi marcada desde então por grande instabilidade: Primeiro por ser um país geograficamente artificial, com fronteiras
criadas pelos ingleses e englobando povos de diferentes nacionalidades e religiões, como curdos e armênios, depois devido às rivalidades entre grupos étnicos e religiosos e por último devido aos interesses relativos ao petróleo.

-De fato, o Iraque foi palco, nos anos 50 e 60, de golpes e reviravoltas. Finalmente, com apoio do ocidente, Saddam Husseim sobe ao poder, sendo apoiado pelos EUA e Inglaterra.

-Durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o Irã, de modo garantir os recursos petrolíferos iranianos. Os aliados forçaram o xá a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, em quem enxergavam um governante que lhes seria mais favorável.

-Em 1953, após a nacionalização da Anglo-American Oil Company, um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh levou à deposição e prisão deste último. O reinado do xá tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970, mas tinha o apoio americano e britânico.

-Em 1979, islamistas, comunistas e liberais tomaram o poder em nome do Aiatolá Ruhollah Khomeini como chefe máximo do país, estabelecendo uma república islâmica conservadora, nacionalista e totalmente anti-ocidental. Posteriormente, houve tentativas de exportar a revolução islâmica e apoio a grupos militantes anti-ocidente como o Hezbollah do Líbano.

-Pouco depois, o Irã entra em guerra com o Iraque. Diante disso, os EUA e Inglaterra deram apoio a Saddam Hussein até que este resolve invadir o Kwait em 1990 e de aliado, torna-se inimigo.
marco_13#42
Assim sendo, o oriente médio tem sido palco de frequentes e borbulhantes disputas, primeiro por parte da europa, e mais recentemente, por parte dos EUA. De fato, fica difícil até estabelecer um período na história recente em que alguma potência externa não tenha intervido na região, motivada exclusivamente por seus interesses.

Com o fim da segunda guerra mundial, veio também o fim dos grandes impérios europeus. Boa parte de ex-colônias e protetorados declararam independência. Isso foi uma oportunidade e tanto para o afloramento de fortes lideranças locais nacionalistas, que de imediato fomentavam o repúdio extremo a qualquer coisa ocidental, em virtude do passado histórico.

O anti-americanismo, portanto, é a cola que mantém muitos dos governos islâmicos. Justificado ou não, legítimo ou não, tem bases bem sólidas. E isso vai ao encontro de:

Terrorismo vai haver sempre que os interesses dos fundamentalistas forem contrariados e, nem seria preciso dizer, nem sempre tais interesses são legítimos.

Interesses são interesses, e geralmente só são legítimos para aqueles que os defendem. Em política internacional não faz muito sentido adotar uma visão maniqueísta, pois tudo não passa de choque de interesses.

Para o islã, o terrorismo é legítimo. Para os EUA, atacar o Iraque é legítimo.
i_orkut_2#43
Já a manobra do euro era mais sensata, pois nenhum país democrático do mundo iria conseguir aprovar uma guerra usando tal justificativa.

Marco, todos os países do mundo, sejam eles democréticos ou não, sabem que após a 2ª Guerra Mundial, Os principais desafios a serem enfrentados consistiam em: resguardar as economias de crises cambiais; financiar a reconstrução européia e o desenvolvimento; e regulamentar os fluxos comerciais. As negociações quanto ao novo sistema financeiro mundial prosperaram rapidamente, ao contrário das que envolviam o comércio internacional. Assim, em 1944, o Acordo de Bretton Woods cria o FMI e BIRD (ou Banco Mundial).
O Fundo Monetário Internacional – FMI foi criado com a finalidade de promover a estabilidade do sistema monetário internacional, tendo como objetivo evitar que desequilíbrios nos balanços de pagamentos e sistemas cambiais nacionais prejudicassem a expansão do comércio e dos fluxos de capitais internacionais. A regulação das paridades monetárias foi um relevante tema discutido na Conferência de Bretton Woods e, embora houvesse profundas divergências quanto ao FMI ter como pilar uma moeda escritural administrada supranacionalmente ou fundar-se na principal moeda da época (o dólar)
i_orkut_2#44
havia consenso quanto à necessidade de criar-se um fundo de estabilização, gerido por uma agencia supranacional, que fizesse face às crises temporárias de balanço de pagamento. Não obstante, a proposta de Keynes, quanto a uma moeda internacional emitida e gerida por um Banco Central, ao qual competiria regular a liquidez internacional estabilizando os padrões de pagamento, gozasse de grande racionalidade, prevaleceu a manutenção do dólar norte-americano com o seu valor fixado a partir do ouro.
A crise monetária internacional de 1971 com o conseqüente abandono da manutenção da paridade do dólar frente ao ouro, dá origem ao padrão dólar puro, e, ao transformar o sistema monetário internacional em um regime do padrão dólar, dota os Estados Unidos de um poder monocrata sobre os negócios monetários internacionais.

Não existe sensatez em achar que o País que detém o poder monocrata sobre os negócios monetários internacionais. Ou seja, o País que pode manipular elementos macroeconômicos, se lançaria em uma empreitada militar.
i_orkut_2#45
Mas nesse caso, foi o 11 de setembro que, muito oportunamente, deu a desculpa necessária.

Seguindo esse raciocínio... se algum dia o Hugo Chávez & Cia. promoverem um "11 de Setembro", a resposta dos EUA se dará em função do petróleo venezuelano e alguma caça ao Chávez não se justificará, pois, se eles não houvessem se metido com a América latina, o Chávez nunca teria promovido qualquer rebelião anti-americana. E, como a revolução bolivariana é legítima para o Cházez, a invasão da Venezuela tb será legitima para os EUA. (?)

Só trazendo para perto o exemplo, como vc gosta , Marcos.
leandro_13#46
Não acredito que a administração Bush tenha decidido invadir o Iraque por causa de armas proibidas (mesmo com relatórios que apontassem isso). Como também não acho que tenha ido para estabelecer a democracia, ainda mais quando há um ditador renitente a apenas 100km de Miami...

Em setembro de 2001, os Estados Unidos foram atacados unitaralmente, sem declaração de guerra, e desde então entende que foi envolvido em uma luta mundial contra o terrorismo.

Observe que, estando Bush no começo de seu mandato, o atentato da al-Qaeda teve como alvo a nação e não seu presidente, e teria acontecido mesmo com Al Gore na presidência, e este teria sido levado a uma política externa não muito diferente da de Bush em sua fase inicial.
Um atentado daquele porte não se executa em 6 meses...

Também o motivo não foi dinheiro.
Bush assumiu com recessão e, seguindo a política interna tradicional dos republicanos, devia apertar o cinto por quatro anos com políticas sociais assistencialista até recuperar o nível de crescimento.
A deflagração da guerra quebrou todo esse plano. O Tesouro está em déficit e já estamos em 2006 sem que a economia tenha recuperado o nível de crescimento da era Clinton.

Isso sem contar a disparada do preço do petróleo.
leandro_13#47
É fato que o Saddam ainda era em 2003 um ditador hostilizado pela opinião pública americana (desde a guerra de 1991), mas após 10 anos de isolamento, era um governante enfraquecido, e já acompanhado por tiranos bem mais histriônicos e odiados (desde Chávez até Milosevic).
A tese que a intervenção no Iraque serviu para "levantar a moral" masculina do povo americano também não encontra eco na realidade.

Só posso concluir que o único objetivo do aumento do poder intervencionista dos Estados Unidos foi a guerra mundial contra o terrorismo,
Isso se justifica plenamente na intervenção no Afeganistão (que contou com amplo apoio mundial, apesar de já condenada pela esquerda), mas não era tão evidente na questão do Iraque.

Foram encontrados alguns indícios que apontavam ligações do governo iraquiano com contas secretas na Europa. A própria política da al-Qaeda no Iraque, apoiando os sunitas, deixa claro que esses vínculos eram anteriores à queda de Saddam.
Bush e seu governo jamais tiveram dúvida desses vínculos.

O problema é que os sunitas do Iraque são também o grupo mais ocidentalizado e o único que poderia ser capaz de oferecer um real suporte a uma ocupação estrangeira.
Só que o Baath chegou antes e levou os sunitas para o nacionalismo esquerdista.

É falso que Saddam foi aliado dos Estados Unidos nos anos 80.
O Iraque teve muito pouca ajuda dos americanos; talvez menos ajuda que o próprio Irã (que "ganhou" a força aérea do Iraque em 1991). Só houve ajuda de empresas privadas, a serviço dos governos francês e alemão, todas acabando no prejuízo.
marco_13#48
Os EUA realmente deram um discreto apoio a Saddam no anos 80 pois temiam um alastramento da revolução Iraniana, que na época representava a posição mais anti-americana na área. Na guerra Irã x Iraque, era preferível apoiar o segundo.
christiano#49
Chaves é tão democrata como um coronel que mandou 30 anos no meu interior, ele tinha controle até das urnas eletronicas (o funcionario do forum que programava a urna eletronica era militante do partido dele)...

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