Os crentes adoram citar os EUA para corroborar sua cosmovisão. Engraçado, aquele país parece cultuar mais sua bandeira do que o crucifixo. Fossem os EUA, um país eminentemente cristão, como querem alguns, o culto à bandeira não existiria como tal. Seu nacionalismo e devoção ao símbolo nacional é mais do que mero nacionalismo, é fetichismo. É como se o objeto fosse dotado de superpoderes e esta é a maneira como muitos americanos realmente enxergam sua bandeira.
O conceito derivado da antropologia da religião guarda uma ironia, especialmente no caso americano, pois revela como o senso de nacionalismo mesclado (ôps! Olha o relativismo aí...) com a religião cria um sincretismo simbólico nos EUA.
Entender um país, exclusivamente, pela sua própria retórica formal é o primeiro passo para a ignorância e não querer enxergar além de uma mera aparência.
Este não deveria ser um argumento que incomodasse muita gente, especialmente por que para os verdadeiros crentes religiosos, o que importa é a idéia. Mas, não é isto que, inconscientemente toma a mente do cidadão comum, como se este fosse refém de algum arquétipo nacional. Isto é, no entanto, real e efetivo. Vejam que, para muitos, um carro de uma pessoa “revela” algo sobre ela, mais do que a própria pessoa à primeira vista para a maioria dos consumidores. Isto não é a realidade, mas funciona para ela. Tanto que os marqueteiros usam e abusam do expediente.
Não quero com isto desmerecer o culto. Desde a Guerra Civil que a bandeira das tiras e estrelas tem um papel significativo na simbologia da liberdade americana. É bonito, mas revela algo mais que qualquer sentido religioso formal que nossos crentes renegam.
Peixe,
Claro que sim.
Mas, não tenho como te afirmar, é apenas feeling, que outros países tenham tamanha devoção.
Explico ainda que isto não é problema nenhum. Pelo contrário, mas é um problema que conservadores fossilizados queiram crer que se trata de um país essencialmente cristão.
E eu acho que ele intepretou a antropologia relativista errado.
Já que um símbolo (como é o caso de uma bandeira), só tem valor relativo dentro de um sistema sócio/cultural, podendo ser substuído por outro que explique particularidades existentes desse sistema.
Para o intéprete individual, o símbolo passa a perder sua relatividade e diminui a possibilidade de ser trocado.
Nossos conhecidíssimos moderadores (do http://o.de/ C. e do MSM) são duas excelentes pessoas, ambos pacientes e bons, ambos inteligentes e cultos. Admiráveis, mesmo!
Grande beijo a esses bons amigos e grandes sujeitos, que mantêm as duas comunidades dentro dos melhores padrões - e justificam a nossa participação orkutiana!
É verdade, Priscila!
Sem puxação de saco, mas somos realmente privilegiados! Do jeito que há malucos no orkut, fico muito satisfeito em saber que ninguém em ambas as comunidades será sumariamente julgado arbitrariamente. Nossos moderadores são pacientes, educados e eruditos.
Uns tópicos atrás eu dei uma resposta que eu acho que o Glenwood iria concordar e como faz sentido dentro desta discussão eu trago essa opinião para cá.
"Quero deixar totalmente claro que o meu conceito de "evolução" em seu aspecto sociológico não tem absolutamente nada haver com a ideologia de Spencer ou do positivismo conteano.
Evolução está aqui como sinônimo de "desenvolver" um tipo de teleleologia interna, mas descontextualizado de um critério regular e fixo. Um critério objetivo interno à evidência do fenômeno e ao seu sentido dinâmico ante categorias como espaço e tempo.
Agora, se olharmos para a história das religiões, o catolicismo, por exemplo,veremos que seu esforço social de torna-se doutrina e uma instituição milenar passou por vários momentos de auto-crítica e de reformas interna. Vemos que num determinado século, o catolicismo não distinguia filosoficamente essência e existência, algo que começa a acontecer com os esforços filosóficos de São Tomás, que em determinado século, o catolicismo não era composto por "dogmas relativos" coisa que fica bastante evidente somente no século XX com os mistério de Fátima, que em certo século não temos a regularização das imagens da trindade, o que vai ganhando força com o concílio de trento etc, etc, etc,
Sem falar, que nenhum sociólogo ignora que a religião é um fator importantíssimo de mudança social.
O atéismo não é um fator de mudança social fixo, ou mesmo dinâmico, não se desenvolve socialmente no tempo com valores novos, qual a diferença entre o ateísmo do século XV para o século XVI ou do século IV para o século V ou VI por exemplo???
Digo, diferença substancial e não meramente episódica".
Mas este semestre eu devo começar a trabalhar como professor universitário dando aulas em algumas faculdades e vou fazer o pessoal estudar sociologia de verdade.