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FHC, desenvolvimento econômico e gobalização

Iniciado por lvaro_4 em 28/06/2006 · 2 mensagens

lvaro_4#1
O livro Dependência & Desenvolvimento na América Latina", cuja primeira versão mimeografada foi publicada em 1969 e contou ainda com a participação do sociólogo chileno Enzo Falleto, ainda pode ser pensado como um referencial para o nosso pensamento econômico.

Nesta obra, Fernando Henrique faz uma interessante defesa da modernização e do desenvolvimento econômico em países latino-americanos, baseado na integração entre o centro e a periferia e na industrialização de estruturas econômicas e sociais junto a burguesia urbana e nacional e ao capital estrangeiro.

Fernando Henrique nunca se esqueceu desta obra, pelo contrário, nos últimos 10 anos vem reformulando e atualizando seu pensamento, principalmente no que diz respeito ao macro/capital econômico e ao impacto do globalismo nas economias nacionais e no contexto da integração hemisferial e regional.

Quanto ao impacto político e modernizante desta estrutura socio/econômica, Fernando Henrique tratou deste problema em livros como: "O Modelo Político Brasileiro" e "Autoritarismo e Democratização".

Temas levantados por Fernando Henrique Cardoso há mais de 40 anos continuam atuais e nos ajudam a pensar o contexto marcoeconômico, temas como: a realização da aliança com o capital internacional, a modernização através da relação e integração entre periferia e centro, os fundamentos do capitalismo estrutural, as características e os dilemas do desenvolvimento social internacional, e a sustentação do sucesso do macro capital periférico pelas economias nacionais.

Como pensar a reflexividade da globalização perante o novo (e velho) processo econômico brasileiro???
lvaro_4#2
Exato, Glenwood.

A economia brasileira só vai sair de sua condição periférica e se integrar às maiores estruturas de mercados internacionais e macroeconômicos, se a poderosa burocracria estatal (que no atual governo Lula chegou a índices inimaginavéis) for relatizada pela ação prática dos grandes fluxos econômicos da iniciativa privada e da competitividade.

Enquanto o nosso monopólio estatal for ciumento e centralizador o bastante para exercer o protecionismo (que revive com força total na América Latina, vide as barreiras argentinas, por exemplo) por decretos-leis e a ação econômica individual perder espaço, estaremos muito longe de nossa tão sonhada integração com o mundo.

Quando me refiro a aliança com o capital internacional, refiro-me, obviamente, ao papel dos mercados nacionais e do Estado Nacional como agente indispensável deste modelo de modernização e desenvolvimento.

Mas penso um tipo de Estado que não se outorge o núcleo das ações econômicas racionais e muito menos o seu fim último.

O problema ainda maior é que o modelo de desenvolvimento estatal geralmente supera a esfera econômica e se dirige ao monopólio das consciências e da vida privada dos indivíduos.

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