Penso que o Evolucionismo tal como descrito aqui deve ser tomado mais como ideologia do que ciência.
E esta é a história do conceito de “evolucionismo”, suas instrumentalização para dominação política e para legitimação da luta pelo poder na sociedade que facilmente se transforma em autoritarismo e ditaduras de esquerda ou de direita..
No plano da racionalidade democrática as leis devem ser construídas tendo em vista a liberdade dos indivíduos e o pressuposto de que estes indivíduos não são diferentes entre si sob o ponto de vista natural e biológico, muito menos que a sociedade evolua como um todo orgânico como um sentido intrínseco ou por uma ordem natural, já que, a sociedade é fruto da ação humana e a natureza humana é única e não há gradações internas nela, ou seja, nenhum indivíduo participa mais da ontologia universalista humana do que outro, nenhum indivíduo traz consigo um maior grau de natureza do que outro.
Infelizmente, quem não consegue distinguir entre ciência e ideologia dificilmente vai conseguir distinguir entre determinação mecânica e natureza ontológica.
Mas, vou procurar aplicar a sétima lei da Decadialética de Mário Ferreira dos Santos com o objetivo de associar o evolucionismo e a metafísica ou Noologia geral do ser.
A lei Setenária de Mário Ferreira dos Santos nada tem haver com as ideologias historicistas do progresso ou com nenhum tipo de determinismo biológico-social, é, na verdade, um princípio de transcendência espiritual.
Retomo aqui, como uma forma de introduzir a Lei Setenária de Mário Ferreira dos Santos, duas respostas que eu dei ao Rodrigo (menino inteligente e de futuro, embora não concorde quase nunca com ele, ou nunca mesmo e que o seu aumento de idade deverá fazer dele uma pessoa ainda melhor ) em outro tópico.
Minha Resposta: A chamada “lei da unidade” presente em todas as religiões tradicionais, em todas as místicas de todas as iniciações espirituais do mundo, presente também na metafísica a milênios e sabiamente tomada por Mário Ferreira dos Santos como o princípio da sua decadialética é a afirmação da positividade do ser dotado de existência e que positiva a si mesmo, inclusive, a positividade dos seres materiais.
Esta unidade confunde-se com a própria realidade do ser, este ser participa ainda de acordo com sua extensão, da Unidade Suprema da qual é uma emanação lógica e essencial, respeitado ainda os devidos acidentes que a constituem em seu contexto finito e existente, e, ao contrário da Unidade Suprema, não há neste a perfeita coincidência entre sua essência e sua existência.
A existências das coisas materiais no mundo são dotadas de ontologia e de participação ontológica na unidade do Ser Supremo. A ontologia da coisa é afirmada desde os gregos a Heidegger em sua análise crítica do kantismo, e pela moderna fenomenologia de Edmund Husserl em que os conceitos assumem o status de essências e não apenas de meros signos do real.
O mundo material encontra-se nesta ordem lógica e metafísica por mim demostrada, este mundo é afetado pela mesma lei ontológica que garante a sua integridade e sua participação ontológica na Sabedoria do Ser Supremo. É desta forma que o espiritual afeta o material.
Ou você vai querer negar que os acidentes das coisas materiais finitas não são reflexos invertidos da potência infinita, criadora do ato puro e das possibilidades mesmas da existência de infinitos campos fenomenológicos distintos???? Infinitos devido, é claro, não à sua acidentalidade, mas à sua verdadeira propriedade essencial que emana do princípio da unidade e que a esta pertence.
Uma leitura (para mim poética e lógica-metafísica) do Bhagavad Gita o fará perceber Visnhu como a entidade que preside o mundo material e que participa ao mesmo tempo da Unidade
"Se cerébro e mente são a mesma substância, como podem ter propriedades distintas"?
Minha Resposta: Eis aqui um problema lógico de linguagem. Leia as Categorias de Aristóteles e tente pensar a linguagem como um sistema lógico e ontológico (e não meramente arbitrário como o fez Saussure, por exemplo, para não falar de seus epígonos) e raciocine a partir do conceito de substância primeira ou “Ousía” as demais categorias do ser determina desde suas potencialidades os predicativos lógicos e a realidade possível deste mesmo ser, somado a isso, é claro, os acidentes que o vão constituindo.
Existe uma separação clara entre o cérebro como atividade motora e biológica e a mente: entidade abstrata e adsente (do latim adsum), algo como uma presença metafísica no ser, o que também é característico do discurso religioso e seus discernimentos espirituais.
Desta forma e neste caso, as “propriedades distintas” dizem respeito enquanto Categorias Aristotélicas a uma divisão ontológica real da substância.
Isto, partindo apenas do seu raciocínio.
Porque o meu diferencia as substâncias destes respectivos fenômenos e abre a possibilidade ontológica para o recurso à substância primeira.
É claro que quando eu recorro ao hinduísmo o faço na escala cósmica.
O orkut comeu uma palavra minha acima, havia ultrapassado a quantidade máxima de caracteres.
"Uma leitura (para mim poética e lógica-metafísica) do Bhagavad Gita o fará perceber Visnhu como a entidade que preside o mundo material e que participa ao mesmo tempo da Unidade Suprema.
Para variar, mais um embate religioso de Olavo e a sua cruzada cristã.
Cada um acredita no que quiser. Ambas as hipóteses possuem lacunas e nenhuma é definitiva.
Acredito que o grande valor deste texto do Olavo de Carvalho é perceber tanto o evolucionismo criacionista quanto o evolucionismo materialista em suas dimensões ideológicas em que as práticas articulatórias entre as classes intelectuais ganham um fim em si mesmo e a luta pela hegemonia dos seus respectivos discursos substitui o sentido da objetividade científica.
Afinal, a ideologia transforma essas visões científicas em mero “discurso” para que os intelectuais possam lutar pelo poder e interpretar e reformar a sociedade como desejam, e quanto maior for o número de participantes nas fileiras de uma corrente ideológica ou outra, seja ela espiritualista ou materialista, maior é a possibilidade de uma organização meramente política ditar os rumos da sociedade. A inteligência humana, neste caso, não ambiciona mais a verdade, mas ao poder que é a capacidade de realizar uma determinada ação coletiva.
A ideologia evolucionista-materialista diz que o espiritualismo é uma expressão do pensamento religioso burguês que há séculos mantém a dominação social, daí a necessidade da secularização da sociedade, a ideologia evolucionista espiritualista afirma que o materialismo cega o homem às realidades da vida espiritual e da causalidade divina no mundo, ao mesmo tempo em que substitui o discurso religioso tradicional dissolvendo seus princípios filosóficos na racionalidade do politicamente correto e transformando a religião numa política de Estado.
Somente um filósofo que se eleva naturalmente um pouco do padrão científico de veracidade e formação de conceitos para ir interrogar pessoalmente às essências, pode julgar essas práticas ideológicas e promover a restituição do senso de verdade à consciência humana.
Penso que os humanos se estupidificaram porque foram levados a crer que o universo, a vida e tudo o mais são somente e exatamente o que os humanos pensam que o universo, a vida e tudo o mais são.
A arrogância da idéia até tem lá sua graça.
Mas a burrice da mesma é trágica, porque gera catástrofes...
A compreensão - e a denúncia - do modelo redutor que vem sufocando o pensamento humano é, na minha opinião, o assunto mais importante para todos os que se preocupam com o destino da humanidade.
A última frase do artigo resume muito bem isso.
Sofrimento e obscuridade - não é possível ficar calado diante desse triste conjunto, que parece crescer a cada momento, e que ameaça a todos...
Eu morro de aflição por isso, e agradeço a Deus o tempo todo pela voz de pessoas como o Olavo, que falam muitíssimo melhor que eu - e em nome do mesmo BEM.
Para defender essa idéia de que existe um embate ideológico envolvendo Evolucionismo x Criacionismo, e que o mesmo extrapola a objetividade, Olavo desfila um triste amontoado de equívocos nesse texto. Faz isso para botar Criacionismo e Evolucionismo no mesmo nível, para daí ser capaz de criticar ambas sob a mesma ótica.
Ora, isso é grosseiro: Há muitas maneiras de criticar tanto o evolucionismo quanto o criacionismo, mas a natureza da crítica é completamente diversa.
Olavo sempre dá um jeito de enfiar religião (ou anti-religião) e o surrado confronto direita x esquerda em tudo que é canto. Dessa vez, conseguiu enfiar até movimento gay e liberação das drogas no pacote. O que os fósseis e genes tem a ver com isso, só Deus sabe. E tome maniqueísmo, proselitismo e outros ismos.
Olavo critica ferozmente e até ridiculariza quem se mete a discutir filosofia, método, etc sem conhecimento de causa. No que tem razão, pois a quantidade de asneiras produzidas é enorme. Também concordo quando ele diz que não dá pra discutir filosofia sem queimar a pestana anos a fio debruçado sobre os originais, sem realmente digerir e assimilar o conhecimento filosófico e sem
treinar a mente para o debate. Mas paradoxalmente, ele procede exatamente da mesma maneira que tanto condena quando se mete a falar de ciência. Acusa tantos de usarem argumentos podres e rasos e faz exatamente a mesma coisa. O texto conduz o leitor ignorante em ciência a enxergar as coisas da maneira que Olavo enxerga, e no fim o leitor até considera a hipótese de que a "defesa do evolucionismo ultrapassa a objetividade científica e se torna ideológica", e portanto, está no mesmo patamar da defesa do criacionismo. Esse é o ponto. No caso do evolucionismo, há MUITA coisa técnica escrita desde Darwin, mas 99,999% disso nunca foi lido por quem o critica, estes lêem uma dúzia de artigos aqui e ali e pronto! Já se consideram aptas não só a contestar a evolução, como agora dizer que sua defesa é "ideológica", pois Olavo quer assim.
Só que Olavo é esperto o suficiente para se colocar em um patamar dito "superior" (filosófico), afim de conferir autoridade ao que diz, e daí se esquivar de adquirir conhecimento técnico do assunto, o qual evidentemente não tem. Seu texto só consegue convencer leigos, mas como 99% de seus leitores são tão ou muito mais leigos do que ele no assunto, a retórica é engolida sem problemas.
Problema parecido ocorre com o texto sobre Newton, mas aqui, a lista de bobagens é enorme:
-TE não é científica e depende de crença. Pra afirmar isso, são precisos duas coisas: Ignorância a respeito da TE e ignorância do significado de Teoria Científica e de como funciona o Método Científico, o que salta aos olhos vindo de alguém como o Olavo. Ora, ninguém acredita em evolução, e se diz que acredita, ou não sabe do que está falando ou atribui ao termo crença um significado diverso do usado por alguém que diz acreditar em criacionismo. Infelizmente, o termo crença é usado tanto no sentido de crença pessoal (acreditar em Deus) quanto no sentido de possuir informações e evidências suficientes para considerar a possibilidade de algo (acreditar que amanhã vai chover).
-TE é considerada "fato incostestável e absoluto". Ora, por definição, toda teoria científica é eternamente provisória. Pode ser continuamente reforçada pelas evidências ao longo do tempo, mas jamais será um fato, apenas resiste à falsificação. A TE é racionalmente consistente e apóia-se em fortes evidências colhidas ao longo do tempo em diversos campos (genética, biologia, molecular, paleontologia, zoologia, imunologia etc) e diversas técnicas (como datação por radioisótopos), mas ninguém pode ter 100% de certeza. Se um cientista diz isso, é um mau cientista.
E se professores dizem isso nas salas de aula, seja no ensino médio ou superior, é porque são maus professores que também não entendem o que é ciência. (E nem dá para culpá-los de todo, considerando a qualidade dos cursos de licenciatura).
1) Não se esqueça de um detalhe, Marco: o debate entre evolucionistas e criacionistas é enorme e extremamente complexo, e o Olavo tem pocuo espaço para escrever o que realmente necessita escrever e dar a sociedade, em geral, uma visão mais próxima o possível do que realmente está acontecendo. A propósito, o Olavo já "reclamou" disso várias vezes, seja em artigos, aqui no orkut e até mesmo pessoalmente.
2) De modo geral, faço as palavras da Priscila as minhas (permita-me!!). O mundo está tão carente de sentido nos dias de hoje que, na angústia e no desespero, milhões de pessoas abraçam novos ideais para sentirem-se confortadas. O problema é que a grande maioria quer abraçar algo fácil de se deglutir espiritualmente, e aí entre todo o tipo de lixo ideológico e banalidade "religiosa".
3) Indo direto na questão do texto do Olavo, como dizia Hannah Arendt: a ideologia não explica a realidade, ela diz como gostaria que a realidade fosse.
-Olavo também recusa aceitar a noção de que sistemas complexos podem surgir espontaneamente de sistemas simples, ou seja, que o simples pode gerar o complexo sem nenhum elemento organizador ou gerenciador. Para ele, isso é impossibilidade óbvia, que desafia não só a lógica como o bom senso. Mas a despeito da lógica e bom senso, acontece que muita coisa no universo funciona exatamente dessa forma, INCLUSIVE sistemas vivos, e negar isso é tapar os olhos, além de revelar ignorância de coisas como Teoria do Caos, Sistemas Emergentes, Autopoiese e sub-produtos como os Algoritmos Evolutivos, Programação Genética e etc.
-O mais triste é quando Olavo insiste em alimentar esse papo que a "TE é "anti-religiosa", e pior, "fomenta ódio anti-religioso". Isso é tão ridículo quanto foi acusar Galileu Galilei de anti-religioso por ter dito que a Terra orbita o Sol. Como Galileu, cientistas apenas tentam interpretar e descrever o mundo, e se tudo indica que a terra orbita o sol ou espécies evoluem, sabe-se lá Deus porque isso é anti-religioso. (Pode ser anti-Bíblico, mas aí estaremos reduzindo todos os religiosos aos literalistas Bíblicos?). Ser físico, astrônomo, geólogo ou biológo evolucionista é ser anti-religioso? Dizer que a terra gira em torno de sol, que uma camada geológica tem 10 milhões de anos ou que espécies evoluem e sofrem pressão do ambiente é extrapolar a objetividade científica e virar ideólogo?
-Finalmente, dizer que a evolução cai no problema da regressão infinita só pode ser piada.
o debate entre evolucionistas e criacionistas é enorme e extremamente complexo, e o Olavo tem pocuo espaço para escrever o que realmente necessita escrever
Isso não é desculpa para escrever bobagens, isso só PIORA as coisas. Melhor seria não escrever nada.
O mundo está tão carente de sentido nos dias de hoje que, na angústia e no desespero, milhões de pessoas abraçam novos ideais para sentirem-se confortadas. O problema é que a grande maioria quer abraçar algo fácil de se deglutir espiritualmente, e aí entre todo o tipo de lixo ideológico e banalidade "religiosa".
Mas a ciência não tem nada a ver com isso. Se alguém quer fazer proselitismo pró ou anti-religioso, sinta-se à vontade, mas não use tubos de ensaio para isso.
a ideologia não explica a realidade, ela diz como gostaria que a realidade fosse.
Perfeito. Vide o exemplo do Einsten: Ao idealizar um mundo determinista, Einsten foi incapaz de aceitar a mecânica quântica, e viveu os 25 últimos anos da sua vida ignorando as evidências e perseguindo o mundo como ele queria que fosse, com sua teoria de Campo Unificado.
Felizmente, por ser um cientista, Einsten não podia defender sua idéia exceto com equações, e por isso, pelo menos poupou o mundo de toneladas de retórica.
Como não conheço o assunto a fundo, não sei dizer se ele escreveu bobagem ou não, mas vejo claramente no texto dele uma condenação da polarização reducionista na qual se tornou o embate evolucionismo X criacianismo. Nesse ponto, ele com certeza não piora as coisas, pelo contrário: as melhora, tanto é que o texto "exige" do leitor uma investigação mais sincera do assunto em debate.
Quanto ao uso da ciência como fórmula pronta e reducionista, de fato, a pobre coitada não tem nada a ver com isso. A ciência é manipulada de forma a jogá-la contra a religião, entronizando-a como a nova fé e absolutizando aquilo que ela tem a oferecer à humanidade.
No próprio Jardim, o Olavo cita a figura dúbia do iogue-comissário, contemporizando a luta atual entre a "Nova Era" e a "Revolução Cultural". A ciência aparece como o braço do iogue, a Nova Era, o endeusamento do espaço, do "mundo" natural, do Cosmos, etc.
Bom, varios ateus como o Dawkins são anti-religiosos e agem como se a TE fosse anti-religiosa, então o erro não é só dele. Ele apenas vai no mesmo erro que já existe.
Os erros são de Dawkins, e não da TE. Se Dawkins é ateu e anti-religioso, isso não torna a TE necessariamente anti-religiosa e muito menos, faz dela uma não-ciência ou uma crença.
O problema é que, ao invés de atacar os ideólogos e os anti-religiosos que corrompem a objetividade da ciência, Olavo ataca a TE transformando-a em algo que ela não é, e aí é ele quem corrompe a objetividade do tema.
Olavo poderia até sustentar afirmações como "usam a TE como plataforma ideológica anti-religiosa", seria difícil negar. Mas dizer coisas como "A TE não é ciência", "A TE é uma crença", "A TE esbarra no problema das regressões infinitas" e etc não tem o mínimo fundamento.
É o mesmo que sustentar, por causa dos maus motoristas, que "carros não um meio de transporte". Ora, pode-se dizer que carros são perigosos, que carros são uma arma e até defender que carros não deviam ser fabricados por uma série de razões, mas dizer que carros não são um meio de transporte seria absurdo.
Lamarckismo é evolucionista. DI é evolucionista. Podem ser erradas, mas elas pressupõe que evolução aconteceu, por mecanismos diferentes do darwinismo. Existem várias TE desde antes de Darwin. O pai do darwin era evolucionista, mas não era obviamente darwinista.
Correto sobre Drawin e Lamarck, mas o DI é considerado como um tipo de criacionismo, pois afirma que um elemento dirigiu/planejou/assistiu/calculou/interferiu (ou qualquer que seja o termo) a evolução. De qualquer forma, é não-científico.
Já Lamarckismo é uma teoria científica, que se mostrou falha e por isso foi abandonada.
É nesse ponto que as críticas não podem ser da mesma natureza.
O que eu discordo, por exemplo, é quando chega um cientista e diz que a TE é uma prova que Deus não existe e religião é algo absurdo. Ora, bolas, isso é uma afimração, antes de tudo, completamente não-científica.
Certíssimo. Nesse ponto, virou ideologia e a objetivide foi "pras bicas".
Ciência não é uma religião, não é uma filosofia, uma visão de mundo, é um método. Qualquer pessoa, de qualquer religião, pode ser cientista, e ter resultados tão bons quanto qualquer ateu, agnostico, materialista, etc. Essa atitude acaba alienando boa parte das pessoas religiosas que passam a achar, erradamente, que religião e ciência são imcompatíveis.
Perfeito! I agree!
Não sei se ele faz isso, mas eu concordo que devemos atacar os ideóligos anti-religioso que corrompem a objetividade da ciência. Esse é o grande problema.
Também concordo que devemos atacar os tais ideólogos. Mas o que Olavo faz no texto é atacar o evolucionismo, e com argumentos pra lá de podres.
Talvez seja boa-vontade minha com o OdeC, mas o que entendo é que ele não aceita que este tipo de fenômeno prescinda de uma estrutura prévia ou seja praticamente indiferente com relação a ela.
Quer o Olavo aceite ou não, tal tipo de fenômeno efetivamente acontece sem qualquer estrutura prévia, em tudo que é canto.
Vejamos um tornado. O que temos ali são as apenas as moléculas dos gases que compõe o ar, interagindo de acordo com as leis conhecidas da química e física. É muito fácil entender a interação entre duas ou três destas moléculas. De fato, não há mais nada ali. Isso é o sistema denominado simples.
Entretanto, quando temos bilhões destas moléculas, pode-se formar uma estrutura complexa como um tornado, o qual possui uma mecânica mecânica toda própria extremamente sofisticada a ponto de extrapolar totalmente as ditas leis e se comportar como uma entidade diferenciada das suas partes constituintes (as moléculas). De fato, para entendermos os tornados precisamos estudá-los em um nível diferente do nível de suas partes constituintes. Isso seria o sistema complexo.
Daí, dizemos que um comportamento mais complexo emergiu de um comportamento simples (Ou que o todo é maior que a soma das partes).
Mas não há nenhuma "estrutura prévia" regendo o aparecimento de um tornado. Em momento algum é possível, com base nas leis que regem a interação de tais moléculas, explicar porque bilhões delas interagindo são capazes de formar um tornado.
Isso também pode ser feito em laboratório. Muitos devem conhecer o algoritmo Life, que usa 3 regras muito simples para controlar uma grade de pontinhos. Se vc roda o algoritimo e tiver paciência, podem surgir grupos de pontinhos que se comportam como entidades únicas, seguindo regras e leis que não foram descritas pelo programador. Vc consegue observar padrões e daí, derivar tais regras, mas o ponto é: As mesmas não foram planejadas ou programadas, não houve "estrutura prévia" nenhuma. As regras mais complexas "emergiram" das regras simples.
Não se trata do Olavo, Marco.
Não se trata mesmo...
Trata-se do fato de que você não é filho do acaso. Ninguém é, e nada é.
O Olavo só está fazendo esse importante lembrete.
Depende do que se entende por "acaso". Se pensar em termos de senso comum, o acaso soa como algo caótico que tende sempre ao desiquilíbrio, contudo, o acaso está sujeito ás limitações do meio, assi como as ações planejadas.
As teorias científicas mais atuais dão conta que mesmo o DNA é fruto da evolução, e não agente desta. O Antecessor do DNA seria uma substância mais simples, que posteriormente gerou o RNA, e aí então o DNA.
Estatísticamente é possível sim a vida ter originado-se ao acaso. Supondo que ela surgiu em grandes profundidades no oceano, onde a variação de temperatura é quase inexistente, a presença das substância no local correto e a ondulação causada pela maré, acrescentando a isso um período de milhões de anos, tem-se um probabilidade concreta de a vida ter sim surgido do acaso.
Desculpem, mas esse "acaso" limitado por isso e por aquilo e dependente disso e daquilo é um oxímoro evidente.
Mas é até engraçadinho:
O acaso menos casual possível...
A noção de imprevisível é absolutamente diferente daquela de acaso.
"Acaso" não é aquilo que você não pode, ou não sabe, prever.
Quanto à física quântica, ela igualmente não diz o que voc6e pensa que ela diz - o fato de que determinado evento tem tal ou qual probabilidade, ou tendência - definida - de acontecer justamente é uma idéia CONTRÁRIA à de acaso, uma vez que o "acaso" eliminaria a possibilidade do cálculo da tendência.
Acho que você está confundindo "imprevisível" com "indeterminado".
Note que eu não me preocupei em momento algum em postular se se era imprevisível ou indeterminado.
Mas concordo, tanto o Life quanto o ar podem ser um sistema imprevisível porém determinado. Mas isso em nada muda o fato de que comportamentos complexos surgem de comportamentos simples, sejam imprevisíveis ou não, indeterminados ou não. Estou me atendo ao fato.
O ponto é que Olavo insiste em pregar que "uma causa inteligente os impele a tanto", e daí, ele mesmo dá um chute na objetividade do debate, pois tal afirmação está totalmente fora do escopo da ciência. Ou seja, ele mesmo começa a filosofar onde não devia.
Um cientista pode olhar para a natureza ou o Life, e enquanto cientista, só pode afirmar que observa padrões complexos surgirem a partir de padrões simples. Se ele acha que há uma inteligência ou não por trás disso, é problema dele, pois NINGUÉM sabe disso realmente.
Fazer disso uma causa pública ou científica é justamente perder a objetividade, e é o que ele justamente faz, embora paradoxalmente condene isso.
Desculpem, mas esse "acaso" limitado por isso e por aquilo e dependente disso e daquilo é um oxímoro evidente.
Ou seja: "acaso" e "tendência" são idéias excludentes.
Na prática não. Vc talvez esteja se perdendo por fixar-se na semântica.
Se eu peço para vc lançar um dado, o resultado é "determinado" ou "indeterminado"? É "acaso" ou "tendência?"
Pode ser as duas coisas. Como vc está lançando apenas um dado, já determinou que o resultado vai de 1 a 6. Não será nunca 7 ou 10. Mas por outro lado, não pode saber qual o resultado entre 1 e 6. Dentro dessa faixa limitada, vc tem o acaso.
Não é questão de "pode ser". O estado do Life daqui há 1500 anos é determinado pelas condições iniciais e as regras do jogo.
E eu concordo absolutamente com vc que Life é 100% determinista, apenas usei "pode ser" no sentido "tanto faz se é determinado ou não", considerando que continua para nós imprevisível (seja por insuficência computacional ou qualquer motivo).
Exemplo: Jogar na Sena é indeterminado e imprevisível, saber como vai estar o Life daqui a 1500 anos é determinado mas imprevisível para as minhas capacidades, então para mim ambos se equivalem na prática.
O que o Olavo diz me parece perfeitamente compatível com a idéia de um universo determinístico sem um "Deus interventor". A "inteligência" -- isto é, a força por trás do acaso -- não é necessariamente o Deus abraãmico; ela só requer a existência de um universo físico ordenado, ou seja, de leis físicas
Tudo bem, mas o que estou tentando dizer o tempo todo é que isso está fora do escopo da teoria da evolução. A datação por radioisótopos, os fósseis e os genes não vão mudar em nada se isso for correto ou não. Isso é irrelevante para a questão, portanto Olavo jamais deveria ter mencionado tal coisa.
Mesmo pq a maioria vai interpretar "inteligência" da maneira mais usual. Einsten, por exemplo, também concebia Deus mais ou menos dessa forma, mas quase todo interpreta outra coisa quando Einsten se refere a Deus.
Existe uma diferença entre a computabilidade do futuro a partir do presente e a determinação do futuro a partir do presente.
Computabilidade e determinismo não são, é claro, a mesma coisa. O chamado salto quântico - parte integrante da teoria quântica - introduz um elemento não-computável na equação. Ou seja, a "incomputabilidade" seria intrínseca às leis dinâmicas, que teriam uma natureza não algorítmica.
Dessa forma, de acordo com a teoria quântica, a determinação do futuro (de qualquer sistema) não poderia ser total, pela introdução do fator randômico (ou desconhecido, se vcs preferirem - eu prefiro!) representado pelo dito cujo salto quântico.
Roberto, a física quântica diz que as regras o modo como o universo funciona são não-algorítmicas! O salto-quântico é NÃO-DETERMINÍSTICO por sua própria natureza. Se o que você está discutindo são as probabilidades de conhecer a evolução temporal de um sistema, posso aceitar como parte de um exercício mental, que vai daqui até ali - e não serve para nada separado por uma distância temporal maior - já que aí você tem que introduzir a probabilidade (eu diria que elevada, e cada vez mais, ao longo do decorrer do seu eixo de tempo) da ocorrência do salto quântico aleatório como termo da equação.
Com a introdução desse novo elemento, essencialmente não-algorítmico, a computabilidade vai pra cucuia, ou seja - o determinismo (embora possa existir) é non-effective!!!!!
A Física Quântica veio quebrar a idéiazinha (arrogante - e meio burrinha, não?) de que o homem PODE CONHECER motivos e leis que são, por sua natureza, "inconhecíveis"...
Nada contra as explicações sobre o universo e a busca de conhecimento sobre ele! Mas se tal princípio - básico, e cuja confirmação é dada pela dita FQ - for esquecido, ou não levado em conta, a coisa deixa de ser ciência, porque vai ignorar uma verdade.
Eu hoje estou meio confusa, Roberto, desculpe.
Relendo o que escrevi, acho que não ficou nada claro o que eu quis dizer: Minha opinião não é que não exista determinismo, é que - não sendo esse determinismo computável - tudo, em resumo, permanece (e permanecerá) como um profundo mistério.
Já que, como você mesmo diz, o pensamento correto seria - não que "não valesse a pena", por causa da incomputabilidade, probabilizar o estado futuro de qualquer sistema - mas sim reconhecer a existência do termo não-computável da equação.
E, ah, last but not least, aqui vai uma idéia que é minha, pessoal:
O termo incomputável estaria SEMPRE PRESENTE, mas em determinados sistemas (dependendo, como você disse, da complexidade), ele tenderia a ser "ínfimo" (não posso usar a expressão "zero").
No momento em que se compreende que o fator incomputável - embora possa ser mínimo - está SEMPRE lá (já que não pode ser "zero"), a ciência passa a ter um sentido muitíssimo mais claro (sai fora da arrogância) e uma amplitude intelectual muito maior.
“Para defender essa idéia de que existe um embate ideológico envolvendo Evolucionismo x Criacionismo, e que o mesmo extrapola a objetividade, Olavo desfila um triste amontoado de equívocos nesse texto. Faz isso para botar Criacionismo e Evolucionismo no mesmo nível, para daí ser capaz de criticar ambas sob a mesma ótica”.
Minha Resposta: É perfeitamente possível e mais do que isso: necessário, criticar tanto o Criacionismo quanto o Evolucionismo sob o ponto de vista do discurso ideológico e de suas instrumentalizações políticas sempre obscurantistas que visam transformar o discurso em poder e o poder em capacidade de agir sobre a sociedade moldando deste baixo à suas estruturas, suas instituições e valores.
Afinal, a ideologia ainda é um espectro vivo que assombra à inteligência filosófica e que habita as lacunas da realidade, imitando a realidade até substituí-la e falsear as explicações dos fenômenos até serem transformados em retórica valorativa, as práticas políticas fazem o resto e conduzem o discurso à hegemonia onde ganha a teoria que possui o maior número de adeptos, independente de sua relação com a realidade objetiva dos fatos,
Mas, concordo com você, de certa maneira, no que diz respeito a algumas críticas que o Olavo faz ao homossexualismo, estas críticas, para mim, devem ser motivo para um tópico especial.
Alvaro, deixei bem claro que também julgo necessário criticar tanto o Criacionismo quanto o Evolucionismo sob o ponto de vista do discurso ideológico.
Mas o Olavo se perde no texto, quando passa a criticar a TE em si, e não o discurso ideológico baseado na mesma. Argumentos como "TE não é ciência", citar o caso de regressões infinitas e etc (já mencionados) não são direcionados à ideologia, mas à própria TE, e falhos. Daí ele próprio perdeu a objetividade.
Ele tenta descaracterizar a TE como teoria científica, ao invés de atacar a TE travestida de ideologia.
E os valores são em sua essência e singularidade eminentemente subjetivos.
Uma subjetividade que se objetiva no âmbito da declaração, afirmação ou negação. Ou seja, do logos aphofânticos...
Assim, o Olavo não perde a objetividade, o esquema dialético que se apresenta aí como possível é constratar esses valores com outros, relativizá-los ou mesmo substituí-los.