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O império e o conservadorismo nos EUA

Iniciado por lucas_6 em 01/07/2006 · 3 mensagens

lucas_6#1
Tenho lido os artigos sobre a divisão entre os "paleocon" e os "neocon". Pelo que entendi, os primeiros, representados publicamente por Pat Buchanan, se consideram um conservadorismo mais tradicional que os segundos.

Fiquei aqui pensando se uma das principais diferenças entre estas correntes não se explica pela dualidade império/nação que caracteriza os projetos políticos ocidentais (v. Jardim das aflições).

Os paleocons se identificariam com o projeto de criar uma nação conservadora; enquanto os neocons, com a idéia de um império.
marcos_12#2
Os neoconservadores preservam um substrato revolucionário do trotskysmo, em vista que muitos de seus integrante eras trotskystas na juventude, tais como Paul Wolfowitz, Jeane Kirkpatrick, Richard Pearle, se não me engano, o Irvin Kristoll também.

Porém, essas pessoas reoriantaram-se ideologicamente, passando da extrema-esquerda revolucionária para a direita conservadora, e dão ampla ênfase na política externa com o propósito de transformar o mundo segundo seus ideários políticos e econômicos (tais quais o Bruno falou. São carregados de um idealismo wilsoniano). Portanto, o neoconservadorismo transporta o idealismo do conservadorismo americano para sua política exterior.

Porém, existe um problema: pensando em Nação e Estado na visão conservadora, o modelo de Estado americano é exportável, ao contrário da Nação. É possível transportar o modelo de Estado americano ao mundo, ao passo de que não é possível converter outras nações no modelo que é a nação americana.

Em outras palavras: pode-se democratizar o mundo, mas não é possível, politicamente e de imediato, transformar culturalmente as sociedades em que a democracia será implantada.

Portanto, colocando esses argumento em relação ao Jardim das Aflições, os neoconservadores trabalham ativamente para universalizar o modelo norte-americano de Estado, constituído pela democracia, a república e o livre-mercado. O grande desafio, porém, é saber se o Império Americano, universal e hegemônico (segundo os termos do livro) triunfará sobre as nações (e os próprios EUA), ou se ele será subjulgado pelos valores e culturas onde será implantado. Em resumo: se o Império triunfará ou se será controlado segundo os princípios e limites colocado por cada nação, preservando suas cultura, história e religião.

É exatamente por isso que eu tenho um pé atrás com o neoconsevadorismo, apesar de sua defesa dos valores tradicionais da nação americana.
marcos_12#3
Quando eu falo "no modelo em que é a nação americana" não falo em converter o mundo ao protestantismo à cultura americana. Quero dizer que não se pode criar nas outras nações, através de meios do Estado e da política, uma ação cultural que permita criar e estimular uma cultura/tradição/religião fortes segundo o qual cada país.

O modelo bem-sucedido de democracia e república que são os EUA dependem grandemente dos valores sobre o qual eles estão assentados. Cada país precisaria erguer seu próprio edifício para que o mesmo processo funcionasse.

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