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Direita e esquerda em perspectiva anti-coletivista

Iniciado por leonardo_15 em 03/09/2008 · 6 mensagens

leonardo_15#1
Caros, gostaria de submeter a vossa crítica os que acredito terem sido, até o momento, mais abrangentes (não uso o vocábulo "importantes" pois obviamente não sou uma autoridade acadêmica) textos em meu blog.

É que se tratam, expressamente e em boa medida, de um apanhado de considerações advindas de minha audiência ao trabalho recente (últimos dois anos) do professor Olavo, no tocante a uma possível definição da esquerda e da direita políticas.

Ao contrário de "Esquerda e direita" de Murray Rothbard, por exemplo, que buscou uma continuidade substantiva, direta, entre os estados-gerais franceses e as agremiações políticas contemporâneas, preferi lidar com as percepções difusas dos que cogitam a dualidade atual, e retornando até os procedimentos como organizados pelo marxismo e pelo gramscismo. Isso pois, tenho de admitir, sou ainda um entusiasta da "coalisão da guerra-fria", numa perspectiva paleoconservadora da realpolitks.

De qualquer forma, como estamos entre entusiastas do pensamento de Olavo - e os textos rendem declarado tributo a reflexões dele - bom seria julgarem a fidelidade por si mesmos. Via meu blog, pois ( http://www.faccioni.blogspot.com/ ), refiro-me às seguintes postagens:

- Vinho, mulheres e música - I:http://faccioni.blogspot.com/2008/07/vinho-mulheres-…parte-1.html- Vinho, mulheres e música - II:http://faccioni.blogspot.com/2008/08/vinho-mulheres-…parte-2.html
leonardo_15#2
Vinho, mulheres e música - parte 1

Conservador!
Direitista!
[Neo]Liberal!

Tirem as crianças da sala. Acabo de relacionar as mais escabrosas ofensas em língua portuguesa, ao menos neste lado do Atlântico. Pessoas sensatas afastam-se de tais classificações, como se portadoras da lepra. Os mais recatados preferem negar sua existência. “Os tempos são outros”, dizem, “as divisões sucumbiram”.

A última reação traz respingos do paradigma de Fukuyama, abordagem introduzida pela obra “O fim da história e o último homem”. Por sua vez, a primeira é produtotipicamente tupiniquim: nas demais democracias, eleitores de direita contam com grandes partidos liberal-conservadores, encarados com a mesma naturalidade conferida aos partidos de esquerda.

São os planos A e B para uma civilização monocórdia, refém de esquemas políticos cíclicos, acríticos, cuja aparência consensual permite confundirem-se à própria burocracia do estado. Um tem como alvo a direita em si, a fim de desmobilizá-la. O outro, a população em geral, afastando-a de seus valores corriqueiros – demasiado “caretas” para nossa intelectualidade avant-garde.

[...]

Esperem aí: se, do formador de opinião ao presidente da República, estamos todos entre progressistas, cadê o diabo das forças ocultas conservadoras a impedir a felicidade geral?

Questionar discursos obriga-nos a redescobrir o mundo dos fatos. Direita e esquerda têm sido usados como rótulos que aderem a qualquer superfície, com a mesma racionalidade de um “você é feio” e “você é legal”. Estar à esquerda é ser admitido no clube dos bem-pensantes, que desejam o melhor para a espécie humana. São o tribunal que define os vilões – e o vilão é o direitista.
leonardo_15#3
Vinho, mulheres e música - parte 2

O discurso amoroso da esquerda lhe escusa tudo, enquanto a simples existência da direita, inclusive a imaginária, remete ao inferno qualquer boa intenção desse lado do muro. Ann Coulter, colunista americana, sintetiza a situação da seguinte maneira: após fazerem tudo o possível para destruir sua carreira, os esquerdistas lhe acusarão de ter virado conservador com o intuito de... promover a própria carreira!

Urge implodir o castelo de cartas no qual a esquerda guarda tais mitos. O passo fundamental é restaurar o significado preciso de direita e esquerda, sem temer a patrulha.

Para tanto, peço que obliterem Direita e esquerda de Bobbio. O autor foi um desastre ao estudo da política no Brasil. A distinção que estabeleceu entre os campos ideológicos limitou-se exatamente ao terreno da esquerda, a retórica. Seu dicionário é o da política em papel. Se direita e esquerda fossem modalidades de discurso, bastaria um dos grupos assumir o vocabulário do outro, e as eleições para cargos públicos restariam sem sentido. Estaríamos à mercê de ilusionistas.

[...]

Delineado um padrão já se clarificam as fronteiras, com limiar no advento do economista alemão Karl Marx. Claro que a peleja é mais antiga: a terminologia, reza a lenda, nasceu nos estados gerias franceses; a divisão entre os iluminismos anglo-americano e francófono deu-lhe fôlego; as heresias medievais a prenunciaram. No entanto, foi o marxismo quem emprestou consciência aos procedimentos da irresponsabilidade.

Doravante, buscaremos das frentes de batalha as mais dinâmicas, dispersas em leituras de Hayek, Ayn Rand, Milton Friedman e Olavo de Carvalho, a fim de consolidarmos uma linguagem comum em nossos debates. A depender deste blog, os rótulos não mais se submeterão às conveniências.
leonardo_15#4
[...]

O discurso legitimador de esquerda fala também em liberdade, mas lhe deturpa o significado. Não se trata da liberdade de consciência, da “livre busca pela felicidade”, do livre acordo em detrimento da coação físico-moral - valores inspiradores, por exemplo, da revolução americana e posterior constitucionalismo. Friedrich Hayek, prêmio Nobel de economia, acusa a esquerda de prometer ao indivíduo a libertação de suas próprias necessidades fisiológicas – isso é, ver suprida sua carência de alimentação, vestuário, moradia e, no governo Lula, preservativos – contanto entregue ao estado a administração de sua participação político-econômica. Foi o modo como os ideólogos socialistas furtaram da direita a defesa histórica das conquistas do homem contra a força dos grupos governantes: transformando a liberdade na expansão da discricionariedade para o uso da própria força! É uma fraude ao vernáculo, o primeiro exemplar da novilíngua.

Formam a esquerda as tendências coletivistas, que retiram da pessoa como tal sua relevância, para cedê-la incondicionalmente aos grupos organizados – os sindicatos negociam salários em lugar do trabalhador; as associações de bairro votam obras a despeito do morador, ou do vereador que o representa; a classe social determina escutar ou não o pensamento; a “raça” estipula o caráter; o gênero, seus anseios; a nacionalidade, seu destino e lealdade.

Essa é a diretriz social. Psicologicamente, a esquerda é identificada pela mentalidade revolucionária. Conforme Olavo de Carvalho, trata-se de extrair de um futuro hipotético maravilhoso a autoridade para romper a lei e a ordem no presente – mesmo a elaborada em regime democrático.
juliocesar_2#5
Ótimos
guilherme_14#6
grande Faccioni

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