Hoje, depois de muito empurrar com a barriga, finalmente comprei o livro do Reinaldo Azevedo. Como hoje aqui no Rio praticamente só as livrarias dos shoppings estão abertas, fui na tal Siciliano de um desses "templos dos consumo", como diz a esquerda. Pois bem, como se não bastasse o ar-refrigerado de “clima de montanha” (montanha vulcânica!), gentalha atravancando o salão (dondocas desocupadas, desastrados que não olham por onde andam dando cotoveladas, casais de namorados tirando “piça” em público...), não achei o livro exposto e tive que pedir ajuda a um dos poucos empregados (o único que me pareceu não estar puto por trabalhar hoje) para localizá-lo. O País dos Petralhas estava escondido num canto, soterrado sob pilhas e mais pilhas de livros sobre Mao, Che e Obama, estes em grande destaque. Fora as “figurinhas fáceis” de sempre, sempre em pedestais e bem iluminados pela Siciliano: Stalin, Oscar Niemeyer, Evo, Lula, FHC, Cocô Barcelos... até livro dando vivas ao Chávez tinha!
Por curiosidade, perguntei também sobre o livro do Diogo Mainardi e (adivinhe!) também estava devidamente escondido num canto esquecido, invisível...
Livros de Olavo e Ipojuca, então, nem pensar!
Ah, detalhe: adivinha quem era o "patrono" daquela filial da Siciliano, com direito a plaquinha de bronze e tudo? Quem? Quem? Queeeem? Ele, claro, o "bengalinha", José Sarney!
Todas as livrarias que conheço são umas bostas! TODAS!! A única exceção é a Cultura e, claro, os sebos.
Nas livrarias comuns encontra-se apenas 4 coisas: livros da moda; livros esquerdistas; livros de auto-ajuda (pseudo-religião, etc) e livros técnicos. O resto não existe.
Na Feira do Livro aqui na minha cidade a coletânea comunista também ficava exposta em primeiro plano. Vários livros sobre Chê, Lênin, Mao , Stálin, Fidel...... e assim vai.
O paraíso do esquerdismo.
Tenho minhas dúvidas quanto a possível cumplicidade dessas livrarias em dar tamanha prioridade a livros esquerdistas em detrimento do material que é considerado de direita. Não tenho exatamente uma opinião formada sobre o assunto, mas me parece muito mais uma questão de colocar nas principais prateleiras aquilo que estiver mais sendo vendido, o bestseller...
Lembro quando "Lula é Minha Anta" do próprio Mainardi era exposto em todas as vitrines - até mesmo na Siciliano -, e os meus professores apareciam com o papo furado de que as livrarias estavam a serviço da mídia direitista, cospiravam a favor das idéias liberais, desrespeitavam o presidente etc.
No meu ver, as livrarias expõem o que o público quer comprar. Não vejo diferença em uma livraria americana para uma livraria brasileira senão no público que cada uma tem de atender. No Brasil, a impressão que eu tenho (posso estar engano) é a de que o politicamente correto, a visão esquerdista da realidade, as falácias marxistas e etc. tomaram conta da mentalidade do povo, levando-o a procurar os livro de Che, de Fidel etc. e rejeitar qualquer obra do Olavo ou do Reinaldo.
Não há como uma livraria colocar na vitrine um livro escrito por um autor conservador ou liberal em uma cidade onde a Luciana Genro e a Manuela viraram opções sérias de voto. (falo de minha Porto Alegre).
"Lembro quando "Lula é Minha Anta" do próprio Mainardi era exposto em todas as vitrines - até mesmo na Siciliano -, e os meus professores apareciam com o papo furado de que as livrarias estavam a serviço da mídia direitista, cospiravam a favor das idéias liberais, desrespeitavam o presidente etc."
Num primeiro momento, sim, as Sicilianos da vida estavam expondo o livro do Mainardi. Mas, passadas as primeiras duas ou três semanas, começaram a "esconder" estrategicamente em "pontos mortos", "invisíveis" das lojas. Por que, não sei. A propaganda do livro do Mainardi, que era ostensiva, também começou a "sumir", inclusive nos ônibus daqui do RJ e nos aeroportos (conforme denunciado pelo próprio Mainardi).
Aqui no RJ, Dan Brown e Sidney Sheldon até que estão "discretos", mas o Pau no Coelho e o Lelé Bofe chegam e enjoar, tão em todas! Você abre qualquer jornaleco aqui no Rio e tá lá o Coelho Picareta ao lado das colunas de palavras cruzadas e quadrinhos, dando aqueles conselhos de "cerca-lourenço" que ninguém entende...
O Boff também dominou tudo, inclusive o JB exterminou a coluna semanal do professor Ubiratan Iorio para dar mais espaço para o "frei". Creio que o JB achou que ele estava aparecendo pouco, coitado...
Mas os donos das livrarias não colocam os livros esquerdistas nas vitrines como propaganda intencional do esquerdismo. Eles não estão nem aí pra ideologias. Eles só querem é ganhar dinheiro, porque sabem que aqueles livros são os mais procurados.
Se eu tivesse uma livraria eu colocaria em evidência o que vende mais. Lógica de mercado. Vocês querem que os caras morram de fome?
Se algum livreiro ignora o Heitor de Paola e perde dinheiro com isso é simplesmente burro. Esquerdistas adoram dinheiro já se afirmou e se "provou" isso aqui, então há uma contradição interessante nesse caso. Ou é os livreiros que boicotam H de Paola ou ele vende pouco por razões de desinteresse cultural da direita?
No mercado editorial a situação é bem diferente, segundo consta. Literatura de esquerda é incentivada, tanto pelo governo, como pelos capitalistas. Aí chegamos a uma conclusão óbvia, que ser capitalista não significa ser de direita e muito menos conservador.
"Mas os donos das livrarias não colocam os livros esquerdistas nas vitrines como propaganda intencional do esquerdismo."
No caso da Siciliano, claro, lógico, é evidente que ela quer grana, por isso estampa um Paulo Coelho na vitrine, mas eu não afirmei o contrário. Agora, acho que você está enganada, tem muito dono de livraria "radical-chic" aqui no RJ (leia-se Zona Sul, Ipanema) que cansa de dar entrevista em jornal dizendo que é marxista. Leia a entrevista do dono da livraria Argumento, o sr. Marcus Gasparian, daqui de Ipanema, que saiu este domingo no JB (no encarte Revista Domingo, pág. 22), e tu vai ver que o negócio dele não é só grana...
Mateus Boa observação. Concordo com vc , que as
livrarias expõem o que os clientes que freqüentam
querem encontrar , para isso gastam em pesquisas...
etc e tal
Quando não encontro o que procuro envio e-mail
sugerindo , ou então converso com algum vendedor
alias , tem alguns que são ótimos , interessados em
achar o que vc procura.
com certeza neste templo de consumo ,
haviam intelectuais passeando e conversando
equilibradamente....afinal vc estava ali não ?
Juntou-se a fome com a vontade de comer. A mesma regra vale para com as livrarias evangélicas. Em todo caso, esses estabelecimentos dão lucros e se mantêem porque o nicho é bem explorado (e viável) comercialmente. Casar ideologia com negócios pode dar certo ou errado, vê-se que nesse caso deu certo.
Só acho ingenuidade esse papo de que dono de livraria "só quer vender livros, não tá nem aí pra ideologia", a coisa não é bem assim... Tem muito dono petista por aí.
Depois que vi a "homenagem" da Siciliano (em forma de placa na porta) ao homem que deixou o Brasil com uma das maiores inflações do mundo, sem poupança e com a economia arrasada, ou seja, o tal do Sarney, decidi nunca mais pôr os meus pés e nunca mais comprar naquela merda de livraria.
Quem homenageia burro não pode querer ser um centro de cultura.
Essa tal Siciliano, além de bajular políticos oligárquicos, ainda rouba descaradamente os autores locais.
Primeiramente, os funcionários são quase todos metidos a importante, com um jeitão arrogante e abusado.
Depois, quando os autores locais entregam-lhes livros ou revistas para expor e vender, NUNCA recebem o dinheiro das vendas.
Posso dizer isso com todas as letras, pois aconteceu comigo. Coloquei para venda livros e revistas em quadrinhos, que foram todos vendidos (pois pediram MAIS para expor), mas, após insistentes cobranças, NUNCA me pagaram o que era devido. Sempre diziam que "iam depositar na minha conta bancária", e não passava de mais enrolação para ganhar tempo e matar pelo cansaço.
Quero ver se eles tem um papel assinado por mim dando a quitação das vendas. mas eu tenho um papel timbrado deles, recebendo meus exemplares.
Porque não aciono judicialmente? Porque não vale o gasto e nem o desgaste.
Outros autores também reclamaram da mesma gatunagem.
Só sei que depois dessa pilantragem, não compro naquela merda nem folheto impresso em papel higiênico.
Emir