Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Campanha na lama

Iniciado por constantor em 11/10/2008 · 23 mensagens

constantor#1
...

Na lama com Obama

.Pressionado por maus resultados nas pesquisas,
McCain opta por manobra de risco: desferir golpes
baixos contra o oponente, que já é acusado até de
"andar por aí com terroristas"


André Petry, de Nova York

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Quem presta atenção à campanha presidencial nos Estados Unidos apenas nos grandes momentos – a festa numa convenção partidária, o principal discurso de um candidato, a melhor cena de um debate eleitoral – perde o que ela tem de pior. Ou, para muitos, de melhor. Nem tudo transcorre em ambiente civilizado e previsível. Aliás, quando se olha a história, quase nada. Em 1800, quando o país votou pela quarta vez para presidente, os adversários diziam que Thomas Jefferson, se eleito, legalizaria a prostituição e queimaria todas as bíblias. Em resposta, os paus-mandados de Thomas Jefferson respondiam que o oponente, o então presidente John Adams, era "mentalmente perturbado", tinha um "caráter hermafrodita", porque, a um só tempo, carecia da "força do homem" e da "sensibilidade da mulher", e, caso fosse reeleito, se autocoroaria rei da América. Como se sabe, eles passaram pela Casa Branca e, claro, não cometeram nenhum desatino. As acusações eram apenas mentiras de ocasião assacadas com o objetivo único de desqualificar o adversário perante os olhos do eleitorado. Tem sido assim desde então. Foi assim na semana passada.

Pressionado pelas pesquisas que apontam crescente vantagem do democrata Barack Obama, o republicano John McCain apostou numa saída arriscada – jogar lama no adversário. Nos comerciais televisivos divulgados pelos republicanos, ou por grupos a eles vinculados, Obama é apresentado como um sujeito que foi "abandonado" pelo "pai africano" e pela "exótica mãe branca", entregou-se na adolescência "à maconha e à cocaína" e defende o ensino de "educação sexual para crianças no jardim-de-infância". O comercial sobre educação sexual termina assim: "Ensinar sexo antes de ensinar a ler?".
constantor#2
Obama é apresentado como um político que anda com "corruptos", "terroristas", "comunistas", "radicais" e "negros muçulmanos". As acusações vão da meia-verdade à mentira inteira. Até agora, Obama tem se mantido mais frio. Na sua única resposta, divulgou um comercial lembrando o caso em que McCain e outros quatro senadores foram acusados de tentar beneficiar um milionário nos anos 80. Nesse comercial, Obama deixa de informar que McCain não foi condenado pelo caso. Ele foi apenas censurado pelo Senado.

A reação menos agressiva de Obama não é um sinal de ética elevada. É tática: não quer mexer em time que está ganhando. Já os republicanos têm vasta experiência em girar a máquina de moer reputações. Ela foi brilhantemente azeitada por Lee Atwater, que morreu de câncer aos 40 anos, em 1991, mas viveu o bastante para deixar seguidores afiados. O próprio McCain foi uma das vítimas do moedor. Em 2000, quando perdeu a candidatura presidencial para George W. Bush, McCain foi acusado de ter uma "filha negra" fora do casamento (ele e a mulher adotaram uma menina bengali) e de ter sido libertado da prisão no Vietnã por delatar seus companheiros, o que é mentira. Era tudo coisa de republicano contra republicano. "Levamos as conseqüências de uma eleição muito a sério. Por isso, somos sempre agressivos", disse a VEJA o cientista político Alan Gitelson, da Universidade Loyola, em Chicago. "Mas, com freqüência, os ataques são exagerados ou sem substância." Em geral, a pancadaria fica restrita aos comerciais na TV. Agora, com a disputa tão apertada, chegou aos discursos.

A temporada foi aberta por Sarah Palin, que conclamou McCain a "tirar as luvas". Fazendo jus ao apelido de "Sarah Barracuda", ela disse que Obama "anda por aí com terroristas". Na política brasileira, chamar um adversário de "terrorista" pode ser tão ofensivo quanto xingá-lo de "bobo". Nos Estados Unidos, sobretudo depois do 11 de Setembro, é um insulto que rouba voto. Sarah Palin quis chamar atenção para a relação de Obama com Bill Ayers,
constantor#3
professor universitário que, nos anos 70, foi do Weather Underground, grupo da esquerda terrorista responsável por uma dúzia de atentados a bomba para protestar contra o racismo e a Guerra do Vietnã – e matou um policial. Obama foi mais próximo de Ayers do que admite, e mais distante do que o acusam.

No festival de lama, o democrata já foi denunciado por uma coisa e por seu contrário. Sarah diz que ele é opositor do sistema: "Nosso adversário vê tantos defeitos nos EUA que anda por aí com terroristas que jogavam bombas contra o seu próprio país". E McCain diz o inverso: "Ele é o candidato da mudança ou o político que concorda com todos os erros de Washington? Não se muda o sistema com alguém que nunca lutou contra o sistema". Até a mulher de McCain, Cindy, normalmente silenciosa, abriu a boca. Disse que sentiu "um frio na espinha" quando Obama votou contra o aumento da verba para a guerra no Iraque. Com isso, Cindy, que teve um filho na guerra, tenta pintar Obama como antipatriótico. Com as baixarias, McCain quer transformar a eleição num plebiscito sobre Obama e desviar a atenção da crise econômica, que tem turbinado o democrata nas pesquisas. A manobra é um risco para McCain. Pode recuperá-lo ou afundá-lo de vez. Todo mundo critica golpes abaixo da cintura. Mas eles só são usados porque nem sempre falham.

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constantor#4
Fonte: VEJA
gbschmitt#5
Como um sujeito pode escrever tanta besteira?!
Não foi esse André Petry que disse que a oposição dos evangélicos à lei da homofobia lembrava à resistência da Ku Klux Klan aos direitos civis dos negros americanos?
fbio_6#6
Alguém leva à sério esse merda desse Petry?
constantor#7
Parece que pelo menos uma acusação foi mesmo demonstrada:

"(...)Ontem, uma comissão de ética da Assembléia Legislativa do Alasca concluiu que Sarah Palin cometeu abuso de poder, durante sua gestão como governadora do estado, ao mandar exonerar um chefe de polícia que resistira em demitir um ex-cunhado seu que estava em divórcio litigioso com uma de suas irmãs."

Fonte: O GLOBO
vandic#8
André Petry não existe.
leandro_13#9
Eu faço o mesmo, Aureliano.

Ele é muito fraco para o nível (mais-ou-menos) da Veja.
Acho que poderia ir para algum pasquim interiorano, revista de produtos de beleza ou revistinha de horóscopos.
Não faria falta nenhuma na Veja, já que tudo o que ele informa é apenas um reflexo do conceito comum elaborado por décadas de má indução jornalística.
antnioluiz#10
Vocês estão escrevendo o nome do cara errado. O certo é André PTry...

A f� dos homof�bicos por Andr� Petry
antnioluiz#11
“A Igreja Católica talvez seja a instituição mais intolerante do mundo à liberdade sexual.”
André Petry, na Veja de 23/08/06, esquecendo do Islã.
constantor#12
É, parece que a denúncia sobre Palin é verdadeira mesmo. E parece que McCain vem achando a campanha um tanto quanto suja também.

Sarah Palin nega acusações de abuso de poder

.Candidata republicana a vice é considerada culpada em investigação; Obama abre 11 pontos de vantagem

.WASHINGTON. A candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, responsabilizada numa investigação parlamentar por abuso de poder no Alasca, garantiu ontem não ter feito nada indevido como governadora do estado. Os republicanos passaram o dia tentando minimizar os danos causados por mais um revés em sua campanha enquanto novas pesquisas de opinião mostravam uma ampliação considerável da vantagem de Barack Obama sobre John McCain. Pela primeira vez, o democrata abriu 11 pontos percentuais sobre o adversário.

A investigação contra Palin feita pelo legislativo do Alasca foi baseada na lei de comportamento ético e declarou a governadora culpada de abuso de poder no episódio de afastamento de um funcionário.

(...)

Em um documento de 263 páginas apresentado ao Congresso pelo Conselho Legislativo do Alasca, o relator Steve Branchflower declarou Palin culpada de violar as regras éticas do estado para autoridades públicas. Branchflower considerou que Palin cometeu abuso de poder ao pressionar para obter a demissão de um funcionário do Estado.

O caso envolve um alto funcionário do governo do Alasca, que afirma ter sido demitido arbitrariamente por Palin após se negar a mandar embora um colega que, naquele momento, estava se divorciando da irmã da governadora.

(...)A crescente agressividade dos republicanos em atos de campanha -- que ao longo da semana tentaram ligar a imagem do adversário à de terroristas -- forçou o próprio McCain a sair em defesa de Obama ontem.

Num comício de Wisconsin, ele afirmou que seu adversário é um "homem de família" e "um bom cidadão". ...

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Fonte: O GLOBO
constantor#13
Adendo: Petry poderia ser anti-católico, aborteiro e petista. O tema não é o André Petry.
guilherme_14#14
É André Petralha
constantor#15
A notícia é de um mês atrás, Leonardo. E não descaracteriza o abuso de poder cometido por Palin. Não se pode confundir a esfera pública com a privada. De qualquer forma, parece que o argumento de que "não há nada contra Palin" caiu, derrubado por uma comissão de ética da assembléia legislativa do próprio estado da candidata.
constantor#16
Não sabia, e ela não tinha relevância para descaracterizar o abuso de poder da senhora Palin.
emanuelmiranda#17
O pior cego é o esquerdista anti-americano...
constantor#18
Leonardo,

Não sei se abuso de poder é uma cousa pequena ou grande para você. Mas Palin cometeu abuso de poder. além de ser anti-ético, não está pegando bem na corrida eleitoral, por motivos óbvios.

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Adendo: o conservadorismo norte-americano está à minha esquerda. (se dividirmos o campo político em dois pólos.) Portanto, estou longe de ser o esquerdista aqui. É preciso avisar que as idéias de que "crítica aos republicanos"="crítica aos EUA" e que "crítica aos EUA=anti-americanismo" e que "anti-americanismo=esquerdismo" são totalmente falsas e simplistas.
constantor#19
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[http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,584021,00.html]

Is Sarah Palin Playing with Fire?

.The McCain campaign insists it is not fanning the flames of racism. But has Sarah Palin gone too far in painting Barack Obama as "the other?" SPIEGEL ONLINE blogger Peter Ross Range thinks she might have.

It's been almost more than a committed news junkie can bear: What a blizzard of news, views and counter-attacks have swept through the presidential election campaign in the past few days.

First we have Republican vice presidential candidate Sarah Palin flinging around reckless accusations against Democratic nominee Barack Obama. Then a flood of negative media reactions, comparing Palin’s hate-mongering with the civil rights era and worse.

Finally, like a bombshell, the statement of Rep. John Lewis, one of the great heroes of the civil rights movement. He said the campaign of Republican candidate for president John McCain was “sowing the seeds of hatred and division.” Lewis was reminded of segregationist Gov. George C. Wallace of Alabama, who helped create “the climate and the conditions that encouraged vicious attacks against innocent Americans” during the 1960s.

Of course the McCain campaign reacted with righteous indignation to Lewis’s statement. Even the Obama folks felt obliged to say that "Sen. Obama does not believe that John McCain or his policy criticism is in any way comparable to George Wallace or his segregationist policies." At the same time, they added: “John Lewis was right to condemn some of the hateful rhetoric that John McCain himself personally rebuked just last night."
constantor#20
What we have here is a generation gap -- and a geography gap. It’s impossible for either McCain or Obama to imagine the atmosphere of hatred and potential violence that prevailed around matters of race in the Deep South in the 1960s and 1970s. McCain was not only temperamentally far removed from such cataclysmic social upheaval as civil rights and all its tragic distempers; he was also geographically removed, fighting a war in Southeast Asia, then becoming a prisoner of that war.

Obama, on the other hand, was a generation behind. The civil rights movement was in its heyday when he was five to 10 years old. By the time he was 12, civil rights had matured and tuned into a political movement -- blacks being elected to city halls, the sheriff’s office, and the US Congress. For all his sympathetic writing about the period in his books, Obama personally experienced none of it and, in my view, underestimates its dark power and the lessons it brings.

John Lewis -- and I -- come from the earlier generation. I've known and admired Lewis for 35 years. As the courageous young man who took the harshest blows to his head during the infamous Selma Bridge March of 1965, Lewis is today one of the living bridges to that execrable past. That’s why it is important for him to speak as he did over the weekend, reminding the political jousters of the “atmosphere of hate” that produces “toxic language that can lead to destructive behavior.” Those are, in my view, relatively mild words, not “shocking and beyond the pale,” as John McCain claims.

Obama, too, misses the point when he denies that McCain can “in any way” be compared to George Wallace. It was Wallace’s stirring up and tolerance of the mob mentality that remains his legacy. Lewis only wanted to warn McCain and Palin that they, too, run the risk of "playing with fire, and, if they are not careful, that fire will consume us all."
constantor#21
Some commentators think "brownness" (immigrants) has replaced blackness as the new racial scarecrow in American politics. I think it is also true that as people have gotten used to Obama, they increasingly see not a black man, but a post-racial person (white and black, by birth) who calmly and coolly embodies the swirling ethnic mix that is modern America.

But Palin, with plenty of abetment from McCain, has gotten it going again with the theme that Obama “is not a man who sees America like you and I see America." She’s selling Obama not as the black, but as the other. This obviously can appeal to racial fears and antagonisms.

It now remains to be seen whether or not the McCain campaign has been sufficiently chastened by the tsunami of criticism of recent days to pull back the attack. He has a chance to do it today in Virginia with the new, "retooled" stump speech he has announced. If he doesn't, however, he should quake in fear of what his legacy will be, no matter how this campaign ends.

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constantor#22
antnioluiz#23
André Petry é um viadinho. Babou ovo do queniano a companha inteira. Agora, na Veja desta e da semana passada, posa de "traído", se dizendo "surpreso": "Quando tudo parecia ir tão bem, apesar de a economia ir mal, Obama se equilibra no meio de um caso de corrupção no seu berço político". Ora, qual o problema, viado? Não era o negão sinônimo de "mudança"? Tome, filho da puta!

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