O sociólogo Demétrio Mangnoli fez uma resenha, para o jornal O Globo, do livro de Reinaldo Azevedo, "O país dos PeTralhas".
Retirado do blog do RA.
Quando pus os olhos na capa de O país dos petralhas (São Paulo, Record, 2008), de Reinaldo Azevedo, veio-me à lembrança o episódio de anos atrás, que só tem uma relação indireta com o novo livro do autor do blog político mais polêmico do país. Em 2003, o articulista Nelson Ascher publicou na Folha de S. Paulo uma pesada crítica da obra de Edward Said, intelectual palestino-americano que acabava de morrer. Dias depois, 187 intelectuais brasileiros enviaram ao jornal um manifesto de “repúdio” ao artigo, qualificando-o como “covarde”, “difamatório”, “calunioso” e “racista”. Entre os signatários, encontravam-se nomes como Antonio Candido, Marilena Chaui, Fábio Konder Comparato e Paulo Sergio Pinheiro. O gesto, não de Ascher, mas dos 187, sintetiza aquilo que Reinaldo combate: o macartismo de esquerda, tão odioso quanto o de direita, porém mais freqüente entre nós. Posso divergir de muito do que está escrito no seu livro, mas alinho-me com o bom combate.
Na ocasião, talvez porque escrevi diversas críticas às idéias de Bernard Lewis, a fonte de inspiração do artigo de Ascher, alguém solicitou que eu subscrevesse o manifesto. O artigo não não era racista, não continha ofensas pessoais; expunha idéias. Eu não concordava com aquelas idéias, apenas isso. Perguntei o motivo pelo qual tantos intelectuais com acesso às páginas da imprensa não escreviam, individualmente, réplicas ao articulista. Não tive a resposta, que conheço: a meta era isolá-lo, desacreditá-lo, calá-lo, se possível conseguir a sua demissão – não elevá-lo a interlocutor de gente tão importante. Os 187 não subscreveram papel algum quando o governo brasileiro, violando a lei, capturou e extraditou os pugilistas cubanos. Quem falou em covardia?
Retirado do blog do RA.
Quando pus os olhos na capa de O país dos petralhas (São Paulo, Record, 2008), de Reinaldo Azevedo, veio-me à lembrança o episódio de anos atrás, que só tem uma relação indireta com o novo livro do autor do blog político mais polêmico do país. Em 2003, o articulista Nelson Ascher publicou na Folha de S. Paulo uma pesada crítica da obra de Edward Said, intelectual palestino-americano que acabava de morrer. Dias depois, 187 intelectuais brasileiros enviaram ao jornal um manifesto de “repúdio” ao artigo, qualificando-o como “covarde”, “difamatório”, “calunioso” e “racista”. Entre os signatários, encontravam-se nomes como Antonio Candido, Marilena Chaui, Fábio Konder Comparato e Paulo Sergio Pinheiro. O gesto, não de Ascher, mas dos 187, sintetiza aquilo que Reinaldo combate: o macartismo de esquerda, tão odioso quanto o de direita, porém mais freqüente entre nós. Posso divergir de muito do que está escrito no seu livro, mas alinho-me com o bom combate.
Na ocasião, talvez porque escrevi diversas críticas às idéias de Bernard Lewis, a fonte de inspiração do artigo de Ascher, alguém solicitou que eu subscrevesse o manifesto. O artigo não não era racista, não continha ofensas pessoais; expunha idéias. Eu não concordava com aquelas idéias, apenas isso. Perguntei o motivo pelo qual tantos intelectuais com acesso às páginas da imprensa não escreviam, individualmente, réplicas ao articulista. Não tive a resposta, que conheço: a meta era isolá-lo, desacreditá-lo, calá-lo, se possível conseguir a sua demissão – não elevá-lo a interlocutor de gente tão importante. Os 187 não subscreveram papel algum quando o governo brasileiro, violando a lei, capturou e extraditou os pugilistas cubanos. Quem falou em covardia?