A palavra de origem grega significa separação, abismo, etc, e é uma constante na nossa existência. A primeira crise na história da humanidade foi quando o primeiro casal de humanos quis viver de forma independente, afastando-se de Deus. A árvore do bem e do mal representava o direito do Criador estabelecer o que é certo e o que é errado. A crise está também no nosso modo de conhecer, pois quando conhecemos abstraímos partes das coisas, isolamos e separamos para poder conhecer. É por isso que toda posição extrema é equivocada, pois ela atualiza (afirma) uma característica e virtualiza (nega) muitas outras existentes no mesmo objeto. Os empiristas afirmam que todo o conhecimento provém da experiência, enquanto os racionalistas sustentam que provém da razão, ambos estão errados por causa da atitude extrema, pois tanto a intuição quanto a razão estão presentes no ato de conhecer. O que está em crise se isola e se separa. O homem em crise está distante de Deus e de seus semelhantes, incapaz de realizar a plenitude de seu próprio ser. A Política em crise é incapaz de reconhecer o bem comum. A Religião em crise não leva os homens a conhecer a Deus e por aí vai. O que toda crise tem em comum é o processo crescente de abstração, que apresenta uma pequena porção da realidade, geralmente a mais insignificante, como sendo a realidade inteira. Para conhecer temos que respeitar o ser, compreendê-lo do modo como ele é, antes de tentar destruí-lo ou modificá-lo. A crise atual reside nesse ponto: todos querem modificar e destruir antes de conhecer.