. http://www.cpihts.com/MGF/1_parte.htm
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Mutilação Genital Feminina*
Mafalda Sofia Félix dos Santos **
Paulo César Lino Belchior de Matos **
Prevalência
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A circuncisão feminina é praticada em pelo menos 28 países. Não se encontra no sul da África nem nos países muçulmanos do Norte de África, com excepção do Egipto. A circuncisão feminina ocorre entre muçulmanos, cristãos, animistas e judeus, apesar de nenhuma religião o exigir.
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A tabela que se apresenta seguidamente sobre a prevalência da MGF é baseada em dados da AI e do governo norte-americano:
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[TABELA]
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A OMS também apresenta uma tabela com valores relativos à prevalência da MGF:
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[TABELA]
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-Burkina Faso (70%): A MGF está espalhada por grupos cristãos, muçulmanos e animistas das províncias de Comeo, Ganzourgou, Houet, Kenedougou, Kossi, Kadiogo, Mouhoun, Nahouri, Yatenga e Zounweogo. Todos os grupos praticam os tipos I e II. .
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-Costa do Marfim (43%): Prática mais comum nas populações muçulmanas do país do que nas cristãs e protestantes. A maior parte das raparigas sujeita-se à intervenção antes dos 10 anos de idade. . (...)
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-Egipto (97%): Praticado por muçulmanos e cristãos, o tipo I é o mais comum, embora zonas do sul do país, mais perto do Sudão, pratiquem o tipo III. . (...)
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-Eritreia (90%): Praticado por cristãos e muçulmanos, os tipos I e II são mais usuais, excepto nas áreas junto à fronteira com a Somália, onde é praticado o tipo III (em particular na região de Hararghe).
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-Libéria (60%):
O tipo II de MGF faz parte da iniciação para entrar numa escola especial.
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-Mali (94%):
Predominam os tipos I e II, sendo rara a prática do tipo III. A MGF é realizada tanto por cristãos como por muçulmanos.
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-Nigéria (40%):
Praticam-se os tipos I, II e III um pouco por todo o país, com destaque para as 3 maiores tribos – Hausa, Ibo e Yoruba.
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-Serra Leoa (90%):
São realizados os tipos I e II como parte de rituais de iniciação em sociedades secretas. A MGF é praticada tanto por grupos étnicos muçulmanos como por cristãos.
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-Somália (98%):
Prática quase universal, com predomínio claro do tipo III, sendo as restantes mulheres vítimas do tipo I de MGF.
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-Uganda (5%):
Apenas uma ou duas tribos praticam a MGF, em cerimónias da aldeia a raparigas com idade superior a 16 anos.
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A MGF é defendida como prática tradicional por motivos:
1) psico-sexuais ==> o clítoris é considerado um órgão agressivo; protecção da castidade; a crença de que uma mulher não mutilada não pode dar à luz
2) religiosos ==> são resultados da crença que é exigida pela fé islâmica (apesar de também ser praticada por católicos, protestantes, coptas, animistas e não crentes dos vários países em questão)
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3) sociológicos ==> são actos de iniciação e passagem para a idade adulta
4) higiénicos/saúde ==> porque os órgãos genitais femininos exteriores são “sujos”
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As justificações que se encontram nos vários autores que escreveram ou estudaram esta problemática aponta para um motivo primordial: a cultura. Desde o rito de passagem para a fase adulta até à simples sobrevivência da tribo, todos os argumentos parecem ser válidos.
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-entre os “Samburu” no Quénia, as raparigas não circuncisadas são consideradas sujas, promíscuas e imaturas, sendo geralmente circuncisadas por volta dos 14 ou 15 anos, normalmente antes de se casarem. Uma rapariga com um irmão mais novo pode ser sujeita à circuncisão, se ela permanecer sem se casar até ao final da adolescência, já que o costume dita que um rapaz com uma irmã mais velha não circuncisada não pode ser iniciado na classe guerreira
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"-a circuncisão é encarada de modo peculiar nas populações africanas dos Dogon, Bambara e Lobi do Mali (nordeste africano). Entre estas populações, a lei fundamental da criação é a “regra dos gémeos”. Ao nascer, cada criança é “gémeo” – duplo, equipado com almas gémeas de diferentes sexos. Na rapariga, a alma masculina reside no clítoris, que é considerado o seu órgão masculino. No rapaz, a remoção do prepúcio, onde reside a alma feminina, confirma o rapaz ao sexo a que estava destinado. A excisão, com o corte do clítoris, livra a rapariga do elemento masculino.
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Religião e MGF
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Apesar de se praticar em muitos países de maioria muçulmana como o Egipto, Sudão, Somália, Senegal, Gâmbia, Mali a MGF não é um costume exclusivamente muçulmano pois também é praticada por comunidades animistas, cristãs, judias.
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“A MGF é mais antiga que o surgimento do Judaísmo, Islamismo e Cristianismo”[22] por isso é fácil apercebermo-nos da profundidade das raízes culturais que tal sistema produz.
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O Judaísmo e o Cristianismo implantaram as suas ideologias e, com elas, as práticas de circuncisão feminina espalharam-se pelo Sudão, Egipto, Eritreia, Somália e África.
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"A circuncisão feminina ainda é praticada em parte pela influência que as crenças ancestrais africanas exercem sobre a prática religiosa dos habitantes destes países.
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As duas fontes principais religiosas do islamismo são o Corão e o Hadith (ou Sunnah, como é designado por alguns autores).
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O Corão é o agente religioso mais influente, porque é nele que estão compiladas todas as palavras que Deus revelou ao profeta Mohammed. No Hadith estão compilados os feitos, palavras e acções de Mohammed e é, de resto, a única fonte que encerra várias alusões à circuncisão feminina, não havendo uma única passagem no Corão que a mande executar[23].
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Uma das indicações do profeta [ATRIBUÍDA A ELE E FORA DO CORÃO, NO HADITH] é a de que as mulheres devem ser ligeiramente circuncisadas [OU SEJA, RESTRINGIU E LIMITOU A PRÁTICA PRÉ-ISLÂMICA] pois assim será mais agradável para o respectivo marido [24]. O Corão, por sua vez, bane toda e qualquer alteração que se faça ao corpo humano e proíbe os seus seguidores de fazer mal a si próprios.
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A Bíblia encerra uma alusão à circuncisão em que Deus diz a Abraão que todos os rapazes de 8 anos devem ser circuncisados pois a remoção do prepúcio seria um sinal de ligação entre Deus e os circuncisados e aqueles que não o fossem violavam a aliança estabelecida[25].
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"O trabalho desenvolvido por Sami Abu-Sahlieh[26] acrescenta mais duas passagens na Bíblia, a favor da circuncisão, em que esta é um sinal de aliança: no Exodus 12:44 e no Leviticus 12:3 e outras em que a prática é um rito de iniciação: Genesis 34:14, Exodus 4:24-26 e Leviticus 19:23. Para os homens a circuncisão era sunnah e para as mulheres era makrumah (que pode ser traduzido como um dever de honra).
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Mohammed definiu normas, fitrah[28], que todos os que almejavam a perfeição deveriam seguir e a circuncisão era obrigatória.
Apesar de a circuncisão ter bases frágeis no Corão e no Sunnah (Hadith) outros seguidores tentam fazer prevalecer esta prática através de argumentos como os costumes e, na medida em que é uma prática com largos anos de existência, não deve ter fim porque não contraria quaisquer textos religiosos e o que não é expressamente proibido, é permitido[29].
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. O verso 4:119 do Corão condena a alteração de toda e qualquer obra de Deus o que inclui a criação de falsos desejos e a alteração do corpo, ou seja, a circuncisão.
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A circuncisão de raparigas, qualquer dos tipos, é anterior ao Islão em muitos séculos. Era praticado em algumas partes da Arábia no tempo do Profeta Mohammed e era um costume da época que era praticado por algumas tribos locais, mas não todas. Era já uma tradição pré-estabelecida, portanto a circuncisão feminina não foi introduzida pelo Profeta às primeiras comunidades muçulmanas.
“Norton é filho de um lisboeta da Rua das Janelas Verdes, Júlio Alves Silva, capitão de Cavalaria que, no final do século passado, veio para Angola, Júlio Silva levou o filho com ele quando, anos depois, foi transferido de Benguela para o Alto Zambeze angolano, no enclave do Cazombo. Foi lá que o menino Norton iniciou a sua vida sexual, tirocinando também as suas preferências étnicas:
A mulher luena é mais sensual porque, número um, circuncida o clítoris e porque pratica o requebro das ancas.”
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É assim que se inicia a descrição que Pedro Rosa Mendes faz referente às mulheres de Luena, uma cidade de Angola, onde é costume circuncisar as mulheres, não excisá-las como acontece noutros países já identificados no presente trabalho.
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Segundo o autor, na circuncisão que acontece no Alto Zambeze o “clítoris às vezes está coberto pelo prepúcio (...) a mulher fica mais sensível [SEM O "CAPUZ" QUE ENVOLVE O CLITÓRIS]. Depois começa a exercitar o clítoris na puberdade e ele cresce um bocado. De forma que às vezes há clítoris tão compridos que tapam a entrada da vagina (...)”.
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Qualquer destas mulheres não aceita homens que não seja circuncisados, por uma questão de higiene e para evitar doenças.
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"Há também uma alusão à tribo bantu: “as melhores – não as mais sensuais, frisa Norton – as que têm um grande “volume” vaginal, são as mulheres cuanhama e mumuíla (...) têm a vagina larga(...)”.
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Ao contrário das outras formas de excisão, mais ou menos gravosas até mencionarmos a infibulação, as mulheres bantu, cuanhama, mumuíla e luena têm uma filosofia sexual diferente que se estende ao longo de várias gerações, enraizando-se na história e possibilitando um acréscimo de prazer para estas.
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Num continente tão vasto como o angolano consegue-se verificar a perpetuação de tradições tão díspares e com consequências muito diferentes na vida sexual das mulheres, de locais como a Somália onde se pratica a infibulação para o Alto Zambeze onde a circuncisão possibilita uma vida sexual mais satisfatória.
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FONTE:
. http://www.cpihts.com/MGF/1_parte.htm
O site soh joga a informacao(?), mas nao da nenhuma fonte ou algo que prove que judeus e cristaos tb pratiquem GMF ( nao que faca diferenca, mas soh de bater o olho da pra ver que o trecho de Genesis ta errado. E olha que justo pra isso o site trouxe a fonte.
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Uriel, vi um topico em que vc fala da diferenca entre asquenazes/sefarditas e que da a entender ser contra a cultura yiddish (alem de falar da participacao que estes tiveram nos movimentos revolucionarios)... tem alguma fonte pra passar sobre os assuntos?