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Como se dá a atuação de Deus no mundo?

Iniciado por alisson em 08/12/2008 · 12 mensagens

alisson#1
Gostaria da ajuda dos colegas da comu para me tirar uma dúvida teológica. Qual é a ação de Deus no mundo, segundo a doutrina cristã? O que ouço, através do senso comum, é que tudo que acontece, se dá com a permissão divina e em certos casos, acredita-se que Ele realmente interferiu nos acontecimentos. Vejo pessoas orando pela cura de uma doença, para passar no vestibular, para sair de um sufoco, até para o resultado de um jogo e fico me perguntando quando há e quando não há (e porque não há) essa ação. Não tenho religião, mas também não sou ateu. Gostaira de ter uma idéia de Deus sem os enganos do senso comum. Vcs poderiam me ajudar? Recomendações de sites e livros são bem-vindas.
pauloantonio#2
Deus é capaz de predizer o futuro. Ele descreve a si mesmo como “Aquele que desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram; Aquele que diz: ‘Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado’.” (Isaías 46:10) No decorrer da história humana, Deus mandou registrar suas profecias para mostrar que é capaz de usar sua presciência e predizer eventos antes de ocorrerem.
Assim, nos dias de Belsazar, rei de Babilônia, quando o profeta Daniel teve um sonho sobre duas feras, uma tomando o lugar da outra, Jeová deu-lhe sua interpretação: “O carneiro que viste, tendo dois chifres, representa os reis da Média e da Pérsia. E o bode peludo representa o rei da Grécia.” (Daniel 8:20, 21) É óbvio que Deus exerceu sua presciência para revelar a sucessão de potências mundiais. O então predominante Império Babilônico seria sucedido pela Medo-Pérsia e depois pela Grécia. As profecias podem referir-se também a uma só pessoa. Por exemplo, o profeta Miquéias declarou que o Messias nasceria em Belém. (Miquéias 5:2) Novamente, neste caso, Deus usou de presciência. Todavia, este evento foi anunciado com um objetivo específico: a identificação do Messias. Este caso não justifica a generalização duma doutrina de predestinação, que inclua todas as pessoas. Ao contrário, as Escrituras revelam que há situações em que Deus prefere não conhecer de antemão o resultado. Pouco antes da destruição de Sodoma e Gomorra, ele declarou: “Estou de todo resolvido a descer para ver se de fato agem segundo o clamor sobre isso, que tem chegado a mim, e se não for assim, ficarei sabendo disso.” (Gênesis 18:21) Este texto nos mostra claramente que Deus não teve conhecimento antecipado do alcance da depravação naquelas cidades antes de investigar o assunto.

É verdade que Deus pode prever certos eventos, mas, em muitos casos, ele decide não usar sua presciência. Visto que Deus é todo-poderoso, está livre para exercer sua capacidade conforme ele quer.
pauloantonio#3
Assim como Calvino, alguns dizem que Deus predeterminou antes da criação do homem que este incorresse no pecado, e que predestinou os “escolhidos” antes desta queda no pecado. Mas, se isso fosse verdade, não seria hipocrisia da parte de Deus oferecer a Adão e Eva a perspectiva de vida eterna, quando estava plenamente apercebido de que não poderiam alcançá-la? Além disso, as Escrituras, em parte alguma, negam que o primeiro casal humano recebeu uma escolha: ou seguir as orientações divinas e viver para sempre, ou rejeitá-las e morrer. — Gênesis, capítulo 2.

Mas, será que o pecado de Adão e Eva realmente frustrou o propósito de Deus? Não, porque logo depois de eles terem pecado, Deus anunciou que suscitaria um “descendente [lit.: semente]” para destruir Satanás e seus agentes, e que resolveria as questões na terra. Assim como uns poucos insetos não podem impedir que o horticultor obtenha bons resultados, assim a desobediência de Adão e Eva não impedirá que Deus transforme a terra num paraíso. — Gênesis, capítulo 3.

Deus revelou posteriormente que haveria o governo dum Reino confiado a um descendente do Rei Davi e que outros estariam associados com ele neste Reino. Estes outros são chamados de “os santos do Supremo”. — Daniel 7:18; 2 Samuel 7:12; 1 Crônicas 17:11.
pauloantonio#4
O fato de que Deus preferiu não saber que proceder a humanidade adotaria não o impediu de profetizar as conseqüências das ações boas ou das más do homem. O mecânico que avisa o motorista sobre a condição péssima do seu carro não pode ser responsabilizado quando ocorre um acidente, nem pode ser acusado de predestiná-lo. Do mesmo modo, Deus não pode ser acusado de predestinar as conseqüências lamentáveis das ações das pessoas.

O mesmo se deu com os descendentes do primeiro casal humano. Antes de Caim matar seu irmão, Jeová deu a Caim uma escolha. Dominaria este o pecado ou deixar-se-ia dominar por ele? Nada no relato indica que Jeová predeterminou que Caim fizesse uma escolha péssima e assassinasse seu irmão. — Gênesis 4:3-7.

Mais tarde, a Lei mosaica advertiu os israelitas do que aconteceria se eles se desviassem de Jeová, por exemplo, por tomar esposas dentre as nações pagãs. O que foi predito aconteceu mesmo. Isto se pode ver no exemplo do Rei Salomão, que na sua idade avançada foi influenciado pelas esposas estrangeiras a praticar a idolatria. (1 Reis 11:7, 8) Sim, Deus advertiu seu povo, mas ele não predestinou quais seriam as suas ações individuais.

Os eleitos, ou escolhidos, cristãos, são incentivados a perseverar, se não quiserem ficar privados da recompensa prometida, de reinar com Cristo nos céus. (2 Pedro 1:10; Revelação [Apocalipse] 2:5, 10, 16; 3:11) Conforme alguns teólogos do passado perguntaram: por que se deram tais advertências, se a chamada dos escolhidos já era definitiva?
pauloantonio#5
O homem recebeu livre-arbítrio, tendo sido criado “à imagem de Deus”. (Gênesis 1:27) O livre-arbítrio era indispensável, se os humanos deviam honrar e servir a Deus por amor, não como robôs, cujos movimentos são todos predeterminados. O amor demonstrado por criaturas inteligentes e livres habilitaria Deus a refutar acusações injustas. Ele diz: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.” — Provérbios 27:11.

Se os servos de Deus fossem predestinados — ou, por assim dizer, programados —não se poderia duvidar da genuinidade do seu amor ao Criador? Também, não seria contrário à imparcialidade de Deus fazer ele uma escolha predeterminada de pessoas destinadas a ter glória e felicidade, sem tomar em conta os méritos individuais delas? Além disso, se alguns recebessem tal tratamento preferencial, ao passo que outros fossem destinados à punição eterna, isso dificilmente criaria sentimentos sinceros de gratidão nos “eleitos”, ou “escolhidos”. — Gênesis 1:27; Jó 1:8; Atos 10:34, 35.

Por fim, Cristo mandou seus discípulos pregar as boas novas a toda a humanidade. Se Deus já tivesse escolhido os que hão de ser salvos, não diminuiria isso o zelo dos cristãos na evangelização? Não tornaria isso a pregação essencialmente sem sentido?

O amor imparcial da parte de Deus é a maior força a induzir os homens a amá-lo por sua vez. A maior expressão do amor de Deus foi sacrificar seu Filho a favor da humanidade imperfeita, pecadora. A presciência de Deus a respeito do seu Filho é um caso especial, mas assegura-nos que as promessas de restabelecimento, baseadas em Jesus, serão deveras cumpridas. Portanto, tenhamos fé neste Filho e acheguemo-nos a Deus. Mostremos nosso apreço por aceitar o convite de Deus, de entrar numa relação excelente com o nosso Criador. Atualmente, Deus faz o convite a todos os que querem exercer seu livre-arbítrio e mostrar seu amor a Ele.
alisson#6
Valeu pelas respostas Caio e Paulo, mas um adúvida persiste: Se acontece algo muito bom as pessoas agradecem a Deus pela benção, porém se é algo muito ruim, dizem que se Deus permitiu foi por algum propósito. Enquanto um nasce pobre , feio, deficiente, outro nasce com uma vida invejável. Enquanto em um país reina a paz e prosperidade, outro padece com guerras, pestes, catástrofes. Enquanto pessoas mesmo religiosas morrem de doenças degenerativas, outros vão à Igreja agradecer a graça da cura. Oonde há realmente a ação de Deus em tudo isso? Nosso mundo é orientado em torno de um proposito divino ou esta à mercê do acaso?
priscila#7
Bem, eu tenho certeza de que orientado por um propósito divino, e como tal incognoscível.
E acho que o ato de rezar cabe na intenção expressa em
Dirigatur, Domine, oratio mea sicut incensum in conspectu tuo - ou seja, um ato de glorificação e fé, uma expressão de humildade e devoção.

Ainda da missa católica, o lindo
Domine, non sum dignus ut intres sub tectum meum: sed tantum dic verbo, et sanabitur anima mea, uma oração cheia da confiança em Deus, e pela qual tenho especial predileção.
olga#8
Quero ter um tempo pra falar um pouco sobre esse assunto, que é muito interessante.
A soberania de Deus e o livre arbítrio do homem:
http://www.estudosdabiblia.net/d150.htm
pauloantonio#9
Ocorrências imprevistas, resultantes de desconhecimento, descuido ou eventos inevitáveis, e que causam perdas ou danos, costumam ser chamados de acidentes. A palavra hebraica ’a·sóhn evidentemente tem o sentido literal de “uma cura”, e é usada como eufemismo de “acidente fatal”. (Veja Gên 42:4 n.) A palavra hebraica miq·réh, que deriva duma raiz que significa “ir ao encontro; sobrevir” (Gên 44:29; De 25:18), não é somente traduzida “acidente”, mas também “evento conseqüente” (Ec 2:14, 15; 3:19) e “acaso”. — Ru 2:3; 1Sa 6:9.

Jacó temia que pudesse sobrevir um acidente fatal ao seu amado filho Benjamim, se lhe permitisse acompanhar seus irmãos ao Egito. (Gên 42:4, 38) Os filisteus devolveram a arca de Jeová para testar se a praga das hemorróidas que sofriam realmente procedia de Jeová ou era apenas “um acaso”. (1Sa 6:9) Salomão reconhecia que todos podem tornar-se vítimas dum imprevisto. — Ec 9:11.

A Lei mosaica fazia uma distinção entre um acidente fatal e um que não era fatal. (Êx 21:22-25) Distinguia também o homicídio intencional do desintencional. Para o assassinato deliberado exigia-se a pena capital; para os culpados de homicídio acidental estabeleceram-se cidades de refúgio. (Núm 35:11-25, 31; veja CIDADES DE REFÚGIO.) A lei aplicava-se tanto ao israelita nativo como ao residente forasteiro, e proveram-se instruções para os sacrifícios necessários para expiar pecados acidentais ou desintencionais. — Le 4:1-35; 5:14-19; Núm 15:22-29.
pauloantonio#10
Estamos sujeitos a acidentes, ao acaso e a imprevistos. Algumas coisas podem ser evitadas, como no caso de um atropelamento, o pedestre poderia ter sido mais atento. No caso de um acidente de automóvel, se o motorista estivesse com cinto não teria morrido. Note que existe um conjunto de circunstâncias às quais estamos sujeitos e que não dependem da vontade divina.
Como vimos anteriormente, Deus intefere em alguns assuntos para assegurar o cumprimento de seus propósitos, que todas as profecias sobre Cristo se cumprissem (ser descendente de Davi, nascer em Belem, ser traído, não ter nenhum osso quebrado, etc,) é um exemplo do que estou dizendo. Agora, se um país é mais rico do que outro, trata-se de questões culturais e economicas inerentes à sociedade humana. O próposito de Deus era um só: que todos tivéssemos uma vida excelente e que a Terra inteira se tornasse um lindo jardim, tal qual o Jd. do Édem, preparado por Deus para hospedar o primeiro casal humano.

"Não sejais desencaminhados, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima" Tiago 1:16,17

"Donde procedem as guerras e donde vêm as lutas entre vós? Não vêm disso, a saber, dos vossos desejos ardentes de prazer sensual, que travam um combate nos vossos membros? 2 Desejais, e ainda assim não tendes. Prosseguis assassinando e cobiçando, contudo, sois incapazes de obter" Tiago 4:1,2

"Quando posto à prova, ninguém diga: “Estou sendo provado por Deus.” Pois, por coisas más, Deus não pode ser provado, nem prova ele a alguém." Tiago 1:13
catia#11
Orar a Deus é nossa obrigação, pois somos totalmente dependentes dEle. E, independente da resposta que Ele nos dê, o que importa a Ele é a permanência do nosso amor a Ele, é o nosso amor verdadeiro a Ele que nos salva, isso é colocá-lo em primeiro lugar de todas as coisas. Com certeza há propósito de Deus em tudo o que acontece; pois, não é à toa que Ele nos colocou neste mundo. Você acha que Paulo pediu para ser apedrejado, para levar cinco sessões das chibatadas que Jesus levou, para ser preso, para ser perseguido e para ser morto provavelmente decapitado? Mas o que importa para Deus é o amor que Paulo manteve a Ele, não obstante haver passado por tudo isso até o fim. Mas é evidente que ele também atende às orações, e igualmente com propósito. Portanto, não podemos submeter nosso amor a Deus, nem nossa fé nEle à resposta positiva de nossas orações.
O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.
Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.
Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, (Romanos 8:17-20)
fabio_7#12
A pergunta "como Deus atua no mundo" não provê a resposta que se pretende.

A verdade é que o mundo *é* um ato de Deus: "No início Deus criou os céus e a terra".

Os males do mundo são setores nos quais o mundo se afasta do Espírito Vivificante de Deus. Após a queda, assim como o homem tende para longe de Deus, para a morte, o mundo tende para o mal.

A oração é um ato do homem, vivificado pelo Espírito, no qual o ser humano volta a se aproximar do Pai. Sendo assim ele arrasta consigo um pouco do mundo. Quando milagres ocorrem pela oração, é simplesmente a ordem das coisas retornando a despeito da tendência para a morte e mesmo triunfando sobre ela no caso de ressurreição.

Ou seja, o mundo é atuação de Deus e milagres são o restaurar da ordem.

Alguns milagres não acontecem porque não é a oração em si quem os provoca, mas a Graça de Deus. Nenhuma oração se perde entretanto. O simples ato de orar é regenerativo. Ocorre que muitas vezes Deus permite que o mal prossiga porque esse mal acontece inserido num contexto infinitamente maior que só o próprio Deus compreende. O livro de Jó é todo sobre a incapacidade de compreender porque Deus permite o mal e a ressurreição de Lázaro nos mostra que Ele, mesmo quando deixa, sofre este mal conosco.

E é isso que importa. Em cada sofredor, em cada morte, em cada dor, Jesus Cristo está sofrendo, morrendo e sentido a dor conosco.

porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.
S. Mateus 25:35-40

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