delcidio.amaral,volta e meia em,senador.gov.br - esse é o e-mail do tal senador do PT que fez o corte, caso mais alguém queira dizer-lhe o quanto se sentiu decepcionado
. http://www.delcidio.com.br/web/ - site do tal senador, pelo qual também se pode entrar em contato (provavelmente não com ele, mas ao menos alguém lerá o assunto do e-mail)
A verdadeira ciência é aquela que visa ao progresso científico e humano, independente dos recursos que se tem, se são estatais, privados ou o diabo a quatro. Usando a ciência como meio de se alcançar o lucro, não há nenhum espírito científico no trabalho que se faz.
Tem uma porrada de "pesquisador" metido a besta por aí que acha que sabe alguma coisa só porque possui a patente da sua descoberta, invenção ou seja lá o que for. E esses são os que ganham os créditos na mídia e na sua conta bancária, obviamente. Ao mesmo tempo em que tem muitos mais pesquisadores de verdade, dotados de um conhecimento muito maior, que contribuem para com a ciência e a humanidade sem se preocupar nem um pouco com interesses econômicos. Esses são reconhecidos, no máximo, no meio acadêmico.
Honrados devem ser aqueles que, independente da origem dos recursos que têm, colocam a ciência sempre acima, muito acima, do lucro. Essa é a verdadeira ciência. Esses são os verdadeiros cientistas. Já aqueles que objetivam o lucro como estando acima da ciência não são cientistas, são apenas business men.
A ciência, hoje, consiste - com raríssimas exceções - em perseguir metas que fazem parte da agenda política da NOM, com dinheiro obtido pelos patrocinadores da NOM.
Os laboratórios fazem, portanto, vacinas e pesquisas com embriões - naturalmente, ESTA é uma das áreas prioritárias da NOM! Outra ocupação é produzir subsídios para que a NOM implemente sua cartilha de regulamentações a respeito de comida, bebida, remédio, etc - também parte da plataforma da NOM, dentro do paradigma do Estado Dominador - como até Hussein (desde que o cara foi apresentado como Barak "Eitch" Obama, eu decidi chamá-lo de "Hussein", só pra irritar) já avisou que os EUA serão .
Então "ciência", atualmente, virou marromenos ISTO aí.
Mas Bananalândia eu acho que não está contribuindo tanto assim para a NOM neste particular aspecto, por enquanto. Eu acho que existem conjuntos mais especializados em fazer isso pelo mundo - basta conferir quem está sob as asas da WHO, na área da saúde (que ouso dizer, é a principal). De modo que, pra mim, é natural que Luifináfio tenha mefmo cortado a verba da fiênfia. Esperado. Mas como o que chamam de ciência não é ciência coisíssima nenhuma, por mim tá limpo.
numa tacada só econimisa para investir em coisas úteis como propaganda do governo e vai deixando o país menos culto mais ignorante,mais dependente dos bolsaesmolas da vida
Ok, agora a maioria dos cientistas brasileiros são "encostados" e fazem pesquisa que não interessa a ninguém. Dê-me exemplos desses cientistas. Que tipo de pesquisa que não interessa a ninguém? Não entendi essa. Que eu saiba toda a pesquisa que alguém faz de alguma maneira está sempre contribuindo para o progresso da ciência. E se isso não interessa a ninguém, eu não sei o que que vai interessar.
Eu acho que você não leu direito o meu post. Eu não estou criticando a origem dos recursos que um cientista tem para fazer as suas pesquisas. Seja qual for o meio em que esteja, privado ou público, o cientista tem que sempre trabalhar pela ciência, almejando o progresso científico.
Eu sou neto de cientista. O meu avô é uma das figuras mais notórias do meio acadêmico da medicina brasileira. Ele já trabalhou em universidades públicas e privadas. Mas independente de onde trabalhava, ele nunca colocou os interesses econômicos acima dos interesses científicos e acadêmicos. Essa é a verdadeira ciência.
"uma pessoa que defende a ciência pela ciência tem problemas mentais sérios e deveria ser objeto de estudos científicos, não pesquisador."
Ok, você conseguiu. Essa merda conseguiu superar infinitamente a(s) outra(s) que você tinha falado.
Primeiramente, vá pesquisar (que irônico) alguns cientistas que defendem a ciência pela ciência e os feitos que eles alcançaram, daí depois você posta alguma coisa aqui. Eu posso te falar já um agora. Se você quiser que eu cite e comente a respeito de mais uns outros, sem problema, é só pedir.
Como já te disse, meu avô, Metry Bacila, é um dos pesquisadores de maior notoriedade da Medicina brasileira. Agora com 86 anos, já fez muita coisa na vida:
- Com 16 anos já era professor de Química Orgânia e de Latim em um colégio respeitadíssimo aqui de Curitiba.
- Com 18 anos entrou para a faculdade de Medicina da UFPR; com 24 anos, obteve sua graduação; NO MESMO DIA DA GRADUAÇÃO, com 24 anos, obteve seu doutorado; com 28 anos já tinha seu pós-doutorado (seu orientador foi Luis Frederico Leloir, argentino ganhador do Prêmio Nobel de Química) e sua livre-docência.
- Ainda com seus 20 e poucos anos, fez sua tese de doutrado pesquisando sobre o então recém-descoberto fator Rh, sendo, senão o primeiro, um dos primeiros cientistas brasileiros a pesquisar sobre isso.
- Com 30 anos, foi para os EUA (onde nasceu a minha mãe, inclusive), onde trabalhou com cientistas tais quais Linus Pauling (duas vezes Prêmio Nobel), Bernard Horicker (indicado ao Prêmio Nobel), entre outros, nas Universidades de Chicago, Nova York e Filadélfia, fazendo uma porrada de pesquisas sobretudo de caráter bioquímico.
- Uma de suas mais importantes contribuições científicas nos EUA foi a seguinte: naquela época, ainda se faziam pesquisas acerca do Ciclo de Krebs (elucidado por Hans Krebs, que também conheceu). E ele também passou a trabalhar com isso. Pois bem, existia uma substância participante deste processo bioquímico cuja função exata ainda era desconhecida: a acetil coenzima A.
Fazendo pesquisas sobre isso junto aos outros cientistas com os quais trabalhava, foi ele então quem indicou à comunidade científica qual era a exata participação que a Acetil CoA tinha junto ao Ciclo de Krebs (os detalhes bioquímicos disso eu não me lembro agora, mas se você quiser eu posso perguntar pra ele e te informar, sem problemas).
- Voltando ao Brasil, ele foi trabalhar na USP, onde ele realizou o maior trabalho científico de sua carreira, na década de 1970. Sabe essa história do etanol de hoje em dia? Tão comentada a nível mundial? Deve uma grande parte disso a ele. Tá aqui a história:
Entre os tipos de leveduras existentes, há as leveduras normais, que fazem a fermentação alcoólica, mas produzem somente uma pequena quantidade de álcool etílico (etanol); já as leveduras deficientes respiratórias fazem a sua fermentação alcoólica transformando praticamente todo o açúcar em etanol. E, junto ao Prof. Sérgio Costa, ele descobriu um método bioquímico de produção desse tipo de levedura. Dessa forma, a produção de etanol é inteiramente maximizada. Não só porque a sua descoberta é com certeza utilizada de forma abrangente, mas principalmente porque ela foi feita na época da crise do petróleo da década de 1970, ela tem até hoje um impacto até maior em termos econômicos do que em científicos. Depois disso, ele passou a escrever vários artigos sobre isso (eu tenho um aqui que ele escreveu na época para uma revista americana, se você quiser eu posso escanear pra você), dando palestras no mundo inteiro, mas principalmente no Brasil, sobre isso, incentivando, também, o uso de álcool como combustível ao invés da gasolina. Toda essa porra de histórias que se falam sobre etanol e bla bla devem uma grande parte a ele. O trabalho, digamos, definitivo, foi publicado no livro Biochemistry and Genetics of Yeasts, em parceria com os professores Horicker e Stopanni. E adivinha! Ele não patenteou a descoberta.
- Outra coisa magnífica que ele pesquisou foram as propriedades anti-cancerígenas de uma substância chamada interferon. Se não me engano havia uns pesquisadores alemães ou americanos, não me lembro agora, que estavam pesquisando essa substância. E o meu avô, então, também trabalhando com isso na USP, indicou a eles essa propriedade anti-cancerígena do interferon, sugerindo que fosse utilizada no tratamento do câncer. Hoje essa substância é usada no tratamento do câncer (hehehe). Ah, adivinha! Ele não patenteou, mais uma vez.
Essas foram só as três principais pesquisas que ele realizou. Tem mais uma porrada de descobertas de substâncias bioquímica, biofísicas, suas propriedades até então desconhecidas e o uso que poderiam ter, enfim, muito mais coisa.
- Aqui vai uma outra parte do trabalho dele: as pesquisas antárticas. Com certeza você já deve ter visto alguma reportagem no Globo Repórter ou no Fantástico sobre as pesquisas que o Brasil faz na Antártica. Pois é, cidadão, sabe quem foi que iniciou as pesquisas brasileiras da área biológica na Antártica? Enfim, você já deve ter uma noção de quem foi:
No começo da década de 1980, o meu avô fundou no litoral do Paraná o Centro de Biologia Marinha da UFPR. Nessa época, então, ele passou a ter vínculos com assuntos que diziam respeito à pesquisa marinha, no caso de Biologia. O Brasil tinha acabado de entrar no Tratado da Antártica (de Washington D.C.). Já ouviu falar no Comandante Luiz Ferraz? É o cara que daria nome pra Estação Antártica Brasileira (Estação Comandante Ferraz). Esse cara veio pra Curitiba, jantou na casa do meu avô, e discutiram uma futura implantação da pesquisa biológica do Brasil naquele continente.
E assim se sucedeu. O meu avô tornou-se o coordenador de todo o projeto de implantação da pesquisa biológica do Brasil na Antártica. Se não me engano em 1982 (ou 81), ocorreu a I Expredição Antártica Brasileira. Algumas pessoas foram até a Antártica procurar o lugar para instalar a Estação. Decidiram-se pela Ilha do Rei Jorge, na Península Antártica. Um ano mais tarde, ocorreu a II Expedição Antártica Brasileira, em que eles foram para lá para instalar a Estação Comandante Ferraz (o mesmo Ferraz citado a pouco). Todos os laboratórios de biologia da Estação foram programados e elaborados aqui em Curitiba, nos laboratórios do meu avô da Univesidade Federal do Paraná. E então, se não me engano em 1984, ocorreu a III Expedição Antártica Brasileira, em que o grupo de 5 pesquisadores - coordenado por ele - (Dr. Metry Bacila, Dr. Edson Rodrigues, Dr. Hélio Lucchiari, Drª. Edith Fanta e Dr. Rubens Rosa) foi até a Estação pelo navio Ary Rangel (se não me falha a memória era esse) e lá inauguraram toda a pesquisa biológica que o Brasil realiza na Antártica. Tem uma foto célebre aqui em casa em que estão esses 5 pesquisadores embarcando no avião da FAB no Rio de Janeiro para ir para o Chile, e de lá para a Estação. Se você quiser, vou ver se consigo te mandar. E, finalmente, na IV Expedição Antártica Brasileira, ele foi novamente (na época ele já tinha mais de 60 anos). Hoje ele chefia o grupo de pesquisadores antárticos da PUC-PR.
Ele escreveu um livro de espécie de crônicas sobre a pesquisa que foi feita na Antártica, enquanto estava lá mesmo, chamado "Cartas da Antártica". Esses dias eu emprestei para a minha professora de Química Orgânica ler. E desde então, ele já publicou cerca de 200 trabalhos científicos somente sobre as pesquisas antárticas, abordando os mais variados temas de estudo.
- Juntamente com os professores Vilella e Tastaldi, é o autor do primeiro livro de Bioquímica do Brasil (quando eu fiz um trabalho da escola sobre ele, ele me disse que tinha quase certeza de que era também o primeiro da América Latina inteira, mas preferi não citar isso pela dúvida). E também, desta vez sozinho, autor de um dos primeiros livros de Bioquímica Veterinária de toda a literatura mundial (também o primeiro do Brasil).
- Escreveu aproximadamente 500 artigos científicos, publicados em periódicos do mundo inteiro, sendo até hoje um dos pouquíssimos brasileiros com artigos publicados na revista Nature.
- Participou da fundação da PUC-PR e, junto com mais dois professores, formou o primeiro corpo docente da Faculdade de Medicina da PUC-PR, 50 anos atrás.
- Professor Emérito e Catedrático da UFPR (com 28 anos já ocupava a Cátedra).
- Professor Emérito e Catedrático da USP (com 30 anos já ocupava a Cátedra).
- Doutor Honoris Causa da Universidade de Sergipe.
- Membro da American Society for Advancement of Science.
- Membro da Biochemistral Society (ING).
- Membro da New York Academy of Sciences (USA).
- Membro da Federação Brasileira das Academias de Medicina.
- Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
- Membro da Sociedade Brasileira de Bioquímica.
- Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências.
- Membro Honorário da Academia Paranaense de Medicina.
- Membro Titular da Academia Paranaense de Letras.
- Illuminated Diploma of Honour in Biochemistry - The 20th Century Award for Achievement (Cambridge - ING)
- Diploma de Honra e Louvor da Câmara Municipal de Curitiba.
- Cidadão Benemérito do Estado do Paraná.
- Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico (agraciado pelo Pres. Fernando Henrique Cardoso no Palácio do Planalto, em 2002).
Foi esse cara que me disse uma vez que quando faz-se a ciência pelos interesses econômicos, não há espírito científico. Esse cara fez ciência pela ciência, sempre. Fora os livros que ele escreveu, ele nunca, repito, nunca patenteou porra nenhuma. Como disse um tio meu uma vez... "se ele tivesse patenteado qualquer coisa que ele fez na vida, ele já estaria milionário até a décima-quinta geração depois dele".
Mas enfim, aí está um exemplo de uma pessoa com problemas mentais sérios. Se você quiser que eu cite inúmeros outros pesquisadores que defendem a ciência pela ciência, ou seja, que também possuem problemas mentais seríssimos, eu o faço sem problema nenhum. Mas daí nós fazemos melhor, eu chamo o meu avô aqui no teclado, e ele mesmo digita pra você incontáveis outros cientistas mentalmente prejudicados, com os quais trabalhou e ainda trabalha, e daí ele pode te dar muitos mais detalhes do que eu.
Mas, meu caro amigo, esta é justamente o tipo de pesquisa que interessa pouco à NOM - não, na verdade não é exatamente que interesse pouco: é que a NOM ainda não achou um lugar pragmático, prático, rentável, OBJETIVO, para usar esta pesquisa. Se encontrar, vai investir o dinheiro, não tenha dúvida! " Investir", verbo essencial!
Só espero que seu avô não se sinta aflito por ver a aplicação prática de suas pesquisas e descobertas ser desviada para rumos estranhos a ela, de todo coração. Deus permita que isso não ocorra NUNCA!
Mas veja, as opções parecem terríveis: OU a coisa SERVE OU a coisa NÃO SERVE, caso em que não se dá dinheiro, "não há interesse". Talvez seja melhor assim. O "interesse" está parecendo conduzir sempre a uma catástrofe.
Mande meus melhores votos a seu avô.
E os meus parabéns pelo neto! !
Ah, fiquei tão empolgado que já estava esquecendo de responder à sua outra pergunta, hahaha.
Não, não tenho absolutamente nada contra os business men, muito pelo contrário. Só tenho muita coisa contra os business men que se acham cientistas, hahauhahuahau.
Que nem um colega meu falando comigo esses dias. Ele adora se achar porque tem dinheiro e todos os artefatos que o mesmo pode trazer. E o pai dele é médico, assim como o irmão do meu avô (meu avô é somente cientista e pesquisador, nunca foi médico, apesar de formado em Medicina). Daí ele veio pra cima de mim com um papo de que o pai dele tinha quase comprado a clínica do meu tio-avô. Bem assim: "meu pai é influente, ele quase comprou a clínica do teu tio lá, você não sabia?". Por dentro eu ri demais, por fora eu só me contive com um "nossa", pra não humilhar o coitado. O cara se achando "o importante" porque o pai dele é influente economicamente falando, huahuauha, pelo amor de Deus... .
Creio não precisar dizer que "objetivo", nos critérios da Nova Ordem, significa útil aos seus propósitos políticos. O homem não é o dono do universo, mas sua curiosidade, empenho e esforço em descobrir o que puder descobrir a respeito das maravilhas que nos cercam fazem parte, COM CERTEZA, de sua melhor natureza.
Apesar de todos os méritos do seu avô, eu fico aqui pensando (talves até mesmo por causa desses méritos) o que ele não diria se entrasse - para não sair muito da área dele - num departamento como o da Microbiologia da UNICAMP, que tomo como exemplo porque conheci um pouco através de minha senhora. Tem muita gente encostada e esses caras fazem de tudo para atrapalhar os coitados que pensam como seu avô e tentam fazer um trabalho decente. Pior é que a UNICAMP é uma das universidades que mais probuz no país. Imagina o resto. Que existem pesquisadores sérios no Brasil eu não tenho dúvida, mas suspeito que os melhores deles tenham acabado por procurar respirar ares melhores do que o da pesquisa científica nacional.
O modelo estatal falha na medida em que não respeita, não digo as leis de mercado, mas a psicologia humana: é preciso incentivar as pessoas a conseguir avanços por necessidade e não a prestar concurso e encostar. Aqui nos EUA vale a lei - com todo respeito - do quem tem cu tem medo; se você pesquisa micro, ou bioquímica em uma universidade pública a coisa funciona bem diferente do que se vê no Brasil. Os pesquisadores são cortejados pela universidade na medida em que conseguem escrever grants que tragam dinheiro de fundações e institutos de pesquisa para a universidade. Parte do dinheiro fica no laboratório, parte vai para a universidade. Se você produz e traz dinheiro, vale mais e ganha salário melhor, mais espaço; se não, eles vão te minando, te enterrando em trabalho burocrático, reduzindo salário nos anos de renegociação do contrato, tirando seu espaço, até você cair fora. Isso não obstante fato do principal financiador de pesquisa da área ser um órgão governamental, o NIH. Esse tipo de concorrência criada pelo sistema mantém o pessoal alerta e trabalhando. A pesquisa aqui só piorou recentemente por que teve menos verbas durante os anos Bush, no mais, a coisa funciona bem, gera uma produção tremenda.
Então, Priscila, essa é a minha crítica. No seu post, você citou que a ciência está sendo feita movida a interesses políticos, não é? Os interesses políticos ditam os rumos da ciência (e eu vou além, citando também os interesses econômicos). E é justamente contra esse tipo de coisa que eu me refiro. Principalmente pelo que o Rafael citou ali. Sinceramente, aquele comentário "ciência é meio, não é fim. uma pessoa que defende a ciência pela ciência tem problemas mentais sérios e deveria ser objeto de estudos científicos, não pesquisador" foi um dos comentários mais infelizes que eu já tive o desprazer de ler.
Vou te dar um outro exemplo de como está sendo feito o negócio hoje em dia. Quem sabia bem dessa história era o meu tio, irmão da minha mãe, que infelizmente já faleceu, mas o que eu sei é isto: uma vez um chinês pegou uma descoberta que o meu avô havia feito e, como ele nunca patenteou nada, o oportunista patenteou no nome dele. O objetivo de lucro é posto acima do objetivo científico (que na verdade nem tinha sido feito pelo cara que patenteou).
O meu vô, que é quem eu obviamente tomo como exemplo, nunca esteve nem aí para o que ele ia ganhar, tendo já trabalhado em universidades públicas e privadas, como já citei. Todos aqueles prêmios e títulos, por exemplo, ele nunca se preocupou com o reconhecimento que ele teria (ou não) posteriormente. Ele não baseava ou direcionava a pesquisava que ele fazia visando ao que ele ganharia, que é exatamente a crítica da Priscila nos seus posts (só que no caso, sobre os interesses políticos: direcionar a ciência visando a interesses políticos). Ele trabalhou sempre com o que ele achava importante para a ciência, com o que traria benefícios para a mesma e para a humanidade. Como eu disse, a ciência pela ciência, não a ciência como um meio. Tudo o que ele ganhou veio como uma conseqüência digamos, natural, do seu trabalho. Por isso que eu acredito até hoje no que ele sempre me ensinou: nunca sobrepor o interesse privado ou estatal sobre o interesse científico.
Tiago, eu acho que eu e a Priscila compartilhamos a mesma opinião, pois nesse comentário "mas o OBJETIVO da ciência não é trazer dinheiro, meu amigo" ela conseguiu sintetizar em uma frase tudo o que eu quis dizer em 8 posts, hahahah, valeu Priscila! : )
Enfim, há os que acham que a ciência deve ser utilizada como um meio (que é exatamente o que está sendo feito no que a Priscila comentou em seu post). Eu discordo totalmente dessa opinião. Como muito bem postado por ela, quem deve guiar a ciência é a curiosidade do ser humano (com certeza uma das maiores virtudes do meu avô e que procuro sempre manter acesa em mim), o seu empenho e esforço não só em descobrir, mas principalmente em agir em benefício da humanidade com a descoberta. Esse é o verdadeiro cientista, aquele que não se preocupa com o que vai ganhar, que faz o seu trabalho simplesmente pela ciência (mais uma vez, independente de onde e em qual meio ele trabalhe).
******Não se trata de produzir ou deixar de produzir, se trata do CONHECIMENTO! ! [2]******
(Eu espero não ter que falar que o "meio" ao qual eu me refiro é o de se atingir interesses particulares, econômicos, políticos, enfim, só pra evitar confusão).
- Você falou primeiramente que: "verdadeira ciência é a com fins particulares, que visa lucro e é financiada pelos próprios interessados".
Ou seja, a ciência é direcionada, ditada, movida, baseada (escolha o termo que preferir) de acordo com os fins particulares (econômicos e políticos - detalhe que eu estou me referindo tanto ao meio privado como o estatal) e com o lucro posterior.
Mas a ciência não pode ser utilizada como um meio para se atingir estes objetivos. Quero dizer, a razão, o motivo, de se fazer uma pesquisa, não pode ser o de se atingir estes objetivos, entende? Digamos que os objetivos particulares devam vir como uma "conseqüência natural" do trabalho (desculpe pelo termo, mas é o único que eu encontrei para me expressar, por mais ridículo que possa parecer). Por isso que eu disse que é a "ciência pela ciência" (faz-se ciência para se atingir o desenvolvimento científico, o progresso científico e, dessa maneira, o desenvolvimento da humanidade, UNICAMENTE). Nesse caso, se você quiser encarar a ciência como um meio de se atingir o desenvolvimento da humanidade, aí eu concordo com você. Mas um meio de se atingir fins particulares e lucro, aí já não é mais ciência, é um negócio.
E eu volto a tomar como exemplo o meu avô (e o de inúmeros outros cientistas com quem ele trabalhou e os quais eu conheço): independente de se trabalhavam em uma entidade pública OU privada (isso que eu quero que fique claro), eles nunca direcionaram as suas pesquisas baseando-se em interesses particulares. Ao contrário, sempre as direcionaram baseando-se no que seria importante para a ciência, para o desenvolvimento da mesma e o da humanidade, entendeu? Eu cito tanto o meu avô porque eu cresci vendo o trabalho dele, com pessoas e ele mesmo me contanto inúmeras histórias dos seus trabalhos, e eu te afirmo com absoluta certeza, novamente: ele nunca dava a mínima para o que ele ia ganhar, sobretudo os méritos dele, que são tantos. Ele fazia o que fazia e faz o que faz pensando na ciência e na humanidade!
- Em segundo lugar, eu te garanto que você não precisa me ensinar como que se faz uma pesquisa, pqp.. huahahuahua.
- Em terceiro lugar, quanto a "seus argumentos são ad hominen... o fato do seu avô ter sido um grande cientista não invalida nada do que eu disse".
Não é o fato simplesmente de ele ter sido um grande cientista. É o modo como um grande cientista como ele sempre procurou realizar as suas pesquisas, independente de onde trabalhava. E, obviamente, de todos os outros com quem ele trabalhou, muitos dos quais eu te afirmo com certeza pois eu mesmo os conheço. Como disse a Priscila, "o homem não é o dono do universo, mas sua curiosidade, empenho e esforço em descobrir o que puder descobrir a respeito das maravilhas que nos cercam fazem parte, COM CERTEZA, de sua melhor natureza". Se isso não te faz pensar sobre o REAL objetivo da ciência, que definitivamente não é o de fins particulares, aí já é com você.
- Em quarto lugar, quanto a "a ciência que visa a própria ciência por objetivo é uma contradição lógica e nada do que vc diga vai mudar isso".
1 - O da "ciência pela ciência" já foi explicado e espero que você tenha entendido.
2 - Bom... eu tenho aqui na minha casa um notório cientista com 70 anos de carreira (sinta incluso neste espaço os meus 7 posts sobre a vida dele e mais umas centenas de páginas de Curriculum Vitae). Sem nem levar em conta a existência de todos os outros grandes cientistas brasileiros e estrangeiros que trabalharam com ele e cuja conduta científica eu conheço, esse senhor de 86 anos já me ensinou muita coisa na vida, sobre o que é ciência e o real valor da mesma. E daí eu fico pensando... será que eu desconsidero as coisas que ele sempre me disse e dou valor para as considerações do Rafael? Hahahahahhahaahhaahha, cara... é você que, independente do que diga, não vai mudar o que eu penso, ahuhauuha.
De nada. Eu sei bem o que pensa um cientista de verdade, meu pai também era um. Eu trabalhei muitas vezes com ele.
É semelhante ao trabalho do artista, o modelo é igual. O fato de ganhar dinheiro é irrelevante - a gente ganha porque precisa ganhar e de repente alguém paga alguma coisa, mas aquilo seria feito de qualquer modo, independentemente disso.
Mesmo os pintores pagos para realizar trabalhos específicos foram movidos por muito mais do que o dinheiro. A obra sempre foi muito maior do que qualquer dinheiro poderia pagar, e o artista evidentemente pintou sobretudo por causa desse "muito mais" que não foi pago. Achando uma sorte receber alguma coisa para sobreviver, já que faria aquilo de qualquer jeito, mesmo. O cientista também trabalha movido pelo "muito mais"que não é pago. Nem o cientista e nem o artista estão pensando nisso, enquanto trabalham.
É exatamente isso, Priscila. Foi em relação a isso que eu mencionei o "espírito científico" em um dos meus primeiros posts.
Lembro até hoje quando o meu avô contou pra mim (e volte e meia ainda o faz) a história de quando ele e a equipe dele trouxeram tecidos de organismos antárticos aqui para o Brasil, mais ou menos assim: "nós trouxemos aqueles tecidos e fizemos a cultura de suas células aqui no laboratório de Biologia Marinha da UFPR; um tempo depois, eu vi que houve um crescimento celular na cultura que nós estávamos fazendo; então, eu coloquei as células em um instrumento para medir o consumo de oxigênio e apareceu aquela linha ascendente indicando que havia um consumo crescente de oxigênio; agora você imagine a minha emoção, aquela sensação maravilhosa que eu tive, ao ver aqueles tecidos de organismos ANTÁRTICOS, operando, tendo um crescimento celular e com consumo de oxigênio aqui em CURITIBA!". Exatamente como descrito por você.
Mas é só sendo um cientista de verdade pra conseguir entender perfeitamente nós estamos falando, ou então tendo passado a vida inteira ao lado de um, como você com o seu pai e eu com o meu avô.
No meu caso, eu convivi todos os dias da minha vida com um, não só em casa mas algumas vezes em laboratório e em inúmeros congressos, e foi assim que eu soube como que funciona a coisa e, sobretudo, como que ela deve funcionar.