Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Arnaldo Jabor

Iniciado por jliocsar em 05/09/2006 · 19 mensagens

jliocsar#1
Veja – O senhor já disse que a eleição de Lula foi resultado da ignorância do eleitorado e da utopia dos intelectuais. A cada vez mais provável reeleição do presidente seria fruto de quê?

Jabor – Das mesmas coisas. Acho que a grande massa da população não consegue entender as filigranas do que considero que deva ser a mudança política e administrativa do país e também não conseguiu compreender em detalhes o escândalo que ocorreu. A população não sabe o que é sigilo bancário, fundo de pensão, emenda ao Orçamento – acha que o Lula foi injustiçado, que é uma vítima da pancada das elites. Já os intelectuais, grande parte deles não consegue entender o país e continua tendo uma visão utópica do Brasil.
jliocsar#2
Veja – Em que consiste essa utopia?

Jabor – É uma visão antiga do que seria "progressismo". Quando o Roberto Jefferson abriu a porta do bordel do Ali Babá e mostrou os 40 ladrões, nós tivemos uma visão de como o atraso, o clientelismo e a corrupção funcionam no Brasil. Também vimos como é utópica, frágil e louca, na minha opinião, essa idéia do que seria "progressista". É um ensopadinho feito de leninismo, de getulismo, de desenvolvimentismo, estatismo e sindicalismo. Esse ensopadinho nos joga de volta a um tempo de utopias irrealizáveis e impede uma agenda modernizadora, que é feita de mudanças óbvias. Óbvias, mas áridas para o gosto da velha esquerda: reforma tributária, reforma da Previdência, enxugamento do Estado. O que me dói no Brasil não é que seja difícil mudá-lo: é que me parece que seria fácil. VEJA, outro dia, deu uma matéria com sete prêmios Nobel. Todos, praticamente, receitavam a mesma coisa. As mudanças que têm de ser feitas no Brasil estão catalogadas cientificamente. Só que não têm a grandeza épica com que tantos intelectuais sonham. São um pouco mais sem graça. Com a diferença de que funcionam.
jliocsar#3
Veja – O senhor acha que Geraldo Alckmin, em quem o senhor já disse que votará, seria capaz de executar essa agenda modernizadora?

Jabor – Eu não sei em quem vou votar ainda. Gostaria de votar em um terceiro candidato que não existe. Porque é difícil: como é que você vai mobilizar partidos, opinião pública, pessoas em função de coisas não muito atraentes? Coisas que não têm a clareza de um belo slogan: "Proletários, uni-vos" ou "O imperialismo americano nos destruiu"? Esses slogans são muito mais legíveis do que "reforma disso, reforma daquilo". É muito fácil dizer, por exemplo: "Vou distribuir dinheiro no Bolsa Família, sim, qual é o problema?". Eu não tenho nada contra dar comida às pessoas, mas é que isso é fácil. Difícil é lidar com a complexidade, com aquilo que não atrai, que é difuso, que não é tão legível. Eu tenho medo do simplismo. Acho que a solução está no complexo. Eu votaria em um candidato que tivesse condições de lidar com essa complexidade. Votaria no Serra se ele tivesse sido candidato.
jliocsar#4
Veja – Se o Serra tivesse sido candidato, o senhor acha que a situação eleitoral seria diferente hoje?

Jabor – Acho que o Serra perderia também. Ninguém ganha do Lula. Ele continua sendo o Messias. Para o povo e para os intelectuais. Eu não tenho problema com o Lula. Se ele fizer um governo pragmático, de reformas institucionais, se fizer o óbvio que precisa ser feito, eu vou achar ótimo. O problema é que as pessoas que estão no governo detestam a administração porque ela é antiutópica. Quando o Brizola era governador, no Rio, tinha um secretário que dizia assim: "Eu não consigo me reunir com ele, ele só quer conversar sobre política". Brizola odiava ter de administrar o estado. O ideólogo odeia o concreto. O ideologismo me dá medo porque prescinde do estudo, da técnica, da análise. O sujeito nomeia o presidente do Instituto Nacional de Câncer só porque ele é de esquerda – e não existe câncer de direita, câncer de esquerda. Eu tenho medo dessa falta de objetividade que o ideologismo estimula. O agronegócio é um bom exemplo. O agronegócio foi o que sustentou o Brasil nos últimos três anos, mas, como é capitalista, pensam os comunas, então a gente tem de ser contra. Os ministros entram e começam a dar força ao MST. O governo dá dinheiro para aquele maluco milionário, o Bruno Maranhão, invadir o Congresso. Aquilo, aliás, foi um indício muito precioso do que está por trás desse pensamento da esquerda: "Vamos parar com essa farsa de democracia burguesa e vamos botar pra quebrar".
jliocsar#5
Veja – Mais ou menos o que alguns artistas disseram em reunião com Lula há duas semanas...

Jabor – É, eles disseram a mesma coisa: "Esse negócio de ética é besteira e tem de botar pra quebrar, porque o jogo político é assim mesmo". Quando esse cara diz isso, ele está denunciando o pensamento secreto dos velhos comunas. Porque, na realidade, esse papo de democracia, para a maioria dos petistas, é um papo que eles consideram burguês. Quando dizem que a ética não importa, que o que importa é o resultado, que em política tem de jogar sujo mesmo, na realidade eles estão dizendo que os fins justificam os meios, sim. Eles têm uma visão "revolucionária" da vida brasileira, quando é impossível fazer a revolução clássica num país como o Brasil.
jliocsar#6
Veja – O senhor costuma dizer que o Brasil evolui por desilusões. A desilusão de muitos com o governo petista ensinou alguma coisa ao Brasil?

Jabor – Acredito mesmo na evolução pela desilusão. Acho que a desilusão constrói mais do que a ilusão e os auto-enganos. Hoje, por exemplo, acho que estamos sabendo muito mais do Brasil do que sabíamos quatro, cinco anos atrás. Acho que os problemas brasileiros estão mais visíveis. Acredito que os acontecimentos dos últimos anos enterraram a idéia de solução e inauguraram a idéia de processo. Enterraram a idéia de revolução – clássica, tradicional – e colocaram a idéia de administração e de reforma. Enterraram também a idéia de uma velha esquerda – que não funcionou, que meteu os pés pelas mãos. Acho que já existe uma mudança no país, embora ela ainda não seja clara, palpável.
jliocsar#7
Veja – Onde se percebe essa mudança?

Jabor – Na compreensão maior dos problemas por parte da opinião pública, na desqualificação de velhas roubalheiras e velhos métodos, na contemplação dos nossos vícios tradicionais. Essa evolução ainda é meio difusa, mas, se ela não for obscurecida pelos petistas, vai se tornar uma coisa concreta.

Veja – O senhor é um admirador de Freud. Do ponto de vista da psicanálise, como descreveria Lula?

Jabor – O Lula é muito mais deslumbrado com o poder do que eu imaginava. É uma pessoa que, de certa forma, queria subir na vida e conseguiu, e está um pouco deslumbrado com isso. Ele tem um complexo de inferioridade em relação à cultura, à inteligência. Está sempre falando do Fernando Henrique de uma forma crítica, mas você vê que ele é fascinado pelo Fernando Henrique. O Lula estabelece sua diferença para com o Fernando Henrique inclusive quando exercita uma certa grossura proposital. E agora, mais sozinho como ele está, o perigo é que fique mais truculento, mais autoritário. Ele está encantado com a própria solidão. Acha que, sozinho, pode, enfim, fazer as coisas. A soma de solidão com falta de solidez ideológica é preocupante. Uma vez que desapareceu o programa imaginário dos que o cercavam, ficou um homem sozinho com uma tentação populista e personalista.
jliocsar#8
Veja – Um segundo mandato não pode arrefecer isso?
Jabor – Eu acho que pode é reforçar. O Lula vai ficar num delírio de grandeza extraordinário, ainda mais se eleito no primeiro turno. Eu tenho medo do voluntarismo, do machismo, do populismo, de um certo chavismo cordial. Você pega um cara como o Carlos Lessa (ex-presidente do BNDES) falando que tem de revitalizar o getulismo. Um neogetulismo hoje seria catastrófico no Brasil. Catástrofes acontecem. Ainda mais em um país onde a Previdência tem um déficit de 50 bilhões de reais, onde os tributos estão na faixa de 37%, onde 40.000 cargos foram ocupados e aparelhados. É muito fácil arrebentar o país. Qualquer imprudência voluntarista pode nos jogar em uma rota bolivariana, em uma rota que não nos serve, porque é estreita e nós somos um país muito mais complexo.
Veja – O cenário atual da América Latina contribui para aumentar esse risco?
Jabor – Por um lado, sim. Eu acho que o simplismo hispânico do chavismo e do bolivarianismo – que tem origem no Bolívar mesmo, que era um Napoleão ridículo da América Latina, um sub-Napoleão – está presente e é uma ameaça. Mas, por outro lado, isso pode ser até bom. Acho até bom que o Hugo Chávez e o Evo Morales nos provoquem para que se estabeleçam diferenças. Quando se tem uma tribo de índios pedindo 9 milhões de dólares de pagamento para não destruir o gasoduto, isso é de um ridículo tal que nos obriga a estabelecer uma diferença. O Brasil é um país muito mais desenvolvido do que essa coisa hispânica, atrasada, a nosso redor.
jliocsar#9
Veja – O senhor apoiou Lula no primeiro ano de governo e chegou até a defender o ex-ministro José Dirceu no caso Waldomiro...
Jabor – Eu defendi o Zé Dirceu um pouco no início. Eu entendia que ele pensava: "Esse cara aí, esse Waldomiro, é meio ladrão, mas tudo bem, ele é útil". Só que o projeto era muito mais sinistro – era um projeto que vinha sendo planejado havia 25 anos: entrar no governo para, por dentro, reformar o Estado e ficar vinte anos no poder. No caso do apoio ao Lula, não acho que foi um erro de análise, porque acredito que esperança é fundamental. O Lula é uma pessoa muito interessante. Ele foi a grande novidade da esquerda brasileira nos últimos trinta anos. A esquerda vivia de ideologias. O Lula, quando surgiu, trazia a novidade de um "pragmatismo operário". O "novo" era justamente a ausência de ideologias. Depois, ele foi cooptado pelos "dirceuzistas-genoínicos-gushikênicos", não sei o nome que se pode dar a isso. O Lula foi cooptado por um ideologismo que ele já tinha transposto.
Veja – Quem é cooptado também tem sua culpa, não?
Jabor – O que eu quero dizer é que ideólogos, intelectuais desempregados e comunas vencidos em 1964, 1968 se aproximaram do Lula para usá-lo como símbolo e foram transformando o PT num partido com alma leninista, contrariando sua vocação espontaneamente social-democrata. Ele, aos poucos, embarcou nessa canoa e fez vista grossa às manobras "revolucionárias" e clandestinas do "dirceuzismo-genoínico" que foi destroçado 25 anos depois pelo Ali Babá Jefferson.
Veja – O senhor acha que o presidente sabia de tudo?
Jabor – Sabia, claro.
Veja – Qual foi seu maior equívoco de análise?
Jabor – Acho que o maior erro da minha geração foi achar que resolveria os problemas do país de forma unilateral e voluntarista. A idéia de que somos sujeitos da história e vamos resolver o país não é democrática.
jliocsar#10
Veja – O senhor está se referindo a sua experiência no Partido Comunista?
Jabor – É, a gente achava que era tudo fácil, a gente achava que o mundo mudaria apenas pela nossa vontade. Hoje eu tenho horror da visão quixotesca, da visão idílica e utópica. A coisa é muito mais intrincada. A contemplação dessa dificuldade é essencial. O que vai surgir daí eu não sei. Mas o que não dá mais pé é se contentar com um sonho.
priscila#11
É.
Esse sujeito se definiu perfeitamente com poucas palavras:
"Eu defendi o Zé Dirceu um pouco no início. Eu entendia que ele pensava: "Esse cara aí, esse Waldomiro, é meio ladrão, mas tudo bem, ele é útil"

Por mim, tá de bom tamanho, e nem adianta tentar me convencer que ele é um cara "ótimo"... Ótimo, como diz a minha neta, é os quindim do barulete - ou seja: mentira, farsa, fingimento!!!!!
armando#12
Olha, ninguém me contou, EU MESMO ouvi da boca do próprio Olavo de Carvalho após uma palestra ministrada por ele na Hebraica, em São Paulo.

Ao ser informalmente questionado sobre o que pensava a respeito de Arnaldo Jabor, o professor Olavo respondeu: "IH! ESSE CARA FALA TANTA BESTEIRA... A GENTE ESTUDA TANTO E AÍ VEM ESSE CARA E JOGA INFORMAÇÃO NO AR!"

Como já foi dito, ninguém me contou, EU MESMO ouvi. Basta.
christian#13
1) Demorou, mas parece que a ficha dele finalmente caiu. Parece.

2) A entrevista faz lembrar da frase atribuída a Camus que diz que o homem é um incendiário na juventude e um bombeiro depois de maduro.

3) Se o problema fosse apenas jogar informação, estaria ok. O problema é que quem trata a informação dessa forma acaba desinformando...
lucas_6#14
É uma besta. É o tipo de cara que lê um monte de coisa, não entende nada, e acha que entende tudo. E como faz a maior pose, todo mundo acredita.

O texto dele sobre Brokeback Moutain é uma prova exemplar disso: o sujeito tem a ousadia de comparar o filme a um "épico grego". Ou seja: ele deu uma lambida na Odisséia, aprendeu o nome dos personagens, fez posse de helenista, e convenceu todo mundo que sabia de alguma coisa.
leandro_13#15
Arnaldo Jabor não representa, de forma alguma, o pensamento da direita.

Ele é apenas um opositor do PT, e como esse partido detém há décadas o privilégio de dizer quem é de esquerda (pró-PT) ou de direita (anti-PT) no Brasil, muitas vezes ele figura como tal. Ultimamente, conseguiram até pintar Brizola como grande direitista!

Jabor situa-se no campo de uma esquerda que já foi revolucionária no passado e se desiludiu nos anos 80 e assumiu aos poucos um programa parcialmente liberalizante (em suas palavras, "modernizador") para a economia, mas continuou com uma agenda esquerdista para outros campos, como a cultura e a sociedade. Essa esquerda (mais próxima ao Serra que ao Alckmin) rejeita os pândegos da ideologia antiimperialista, mas ao mesmo tempo é contrária à guerra dos Estados Unidos contra o terror mundial.

A maior parte dessa esquerda veio do antigo PCB (na época, o partidão), e alguns no PCdoB ou AP.
Passaram a maturação da década de 70 e 80 dentro do MDB/PMDB, e alguns acabaram mesmo no PSDB, onde ainda dirigem a cúpula. Alguns também circulam no PPS, partido-gêmeo dos tucanos.

Essa esquerda "convertida" há anos vem disputando o poder com uma esquerda mais "arcaica", que preferiu continuar com a mobilização voluntária, e seguir mais à risca a agenda gramsciana, coordenada minuciosamente pelo PT.
Essa outra esquerda veio de outros movimentos militantes, menos políticos e mais armados (como a ALN, MR-8 ou VPR, alguns após um breve namoro com o PDT do início dos anos 80), mais os trotskistas, que se juntaram para fundar o PT.
leandro_13#16
Por anos, a esquerda "arcaica" pregou no deserto, mas a partir de eleição de 1989 esta firmou-se com um projeto real de poder, passando a colher os frutos que há anos estão sendo plantados no sistema educacional e nas bases infiltradas na imprensa.
Como esse projeto teve sucesso, veio logo o PCdoB e algumas seções do PSB na mesma trajetória, procurando também se beneficiar.

Não adianta se iludir.
A disputa PT x PSDB, que parece representar toda a luta política brasileira, é na verdade uma disputa entre duas correntes advindas da esquerda, mas com objetivos diferentes. Há anos, esses grupos vem combatendo entre si em círculos internos, seguindo a mesma lógica que opunha o PCB aos grupos da luta armada. É uma luta endógena.
Nos últimos anos, o PSDB, por representar o principal pólo de oposição ao PT, já não pode se configurar com um partido hegemônico de esquerda. Há muita disputa interna e novos grupos de pressão, vindos da base, sem qualquer vínculo com a cúpula de esquerda.

Alckmin tem o apoio do Olavo porque é um tucano que não se alinha com a cúpula ideológica de esquerda (ele mesmo não é dos fundadores, e só saiu do PMDB dois anos depois da fundação do PSDB.
Não chega a ser um direitista, mas é um centrista simpático à contra-insurreição.
lvaro_4#17
Arnaldo Jabor é um chacrinha metido a intelectual, combina seu jeito clownesco com a o entretenimento,não representa pensamento nenhum, nada.
hall#18
Por que escrevo essas coisas antigas, estimado leitor? Porque muita gente que está aí, gritando slogans, não quer entender que a via mais revolucionária para o Brasil de hoje é justamente o que chamávamos de "democracia burguesa", com boquinha de nojo.

Muita gente sem idade e sem memória não sabe que o caminho para o crescimento e justiça social é o progressivo aperfeiçoamento da democracia, minando aos poucos, com reformas, a tradição escrota de oligarquias patrimonialistas. Escrevo isso porque acho que a luta de hoje é entre a verdadeira esquerda que amadureceu e uma esquerda que quer continuar a bobagem, não por romantismo, mas porque o
Lula abri-lhes as portas para a lucrativa pelegagem. Vejo, assustado, que querem substituir o patrimonialismo "burguês" pelo sindicalista, claro que numa aliança de metas e métodos com o que há de pior na política deste país.

Vão partir para um controle soviético e gramsciano vulgar do Estado para ter salvo-condutos para suas roubalheiras num país sem oposição, entregue a inimigos da liberdade de opinião. Escrevo isso enojado pela mentira vencendo com 80% de Ibope, apagando como da história brasileira o melhor governo que já tivemos de 94 a 2002, com o Plano Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com a telefonia moderna de hoje, com o Proer que limpou os bancos e impediu a crise nos atingir, com privatizações essenciais que mentem ao povo que "venderam nossos bens...", com a diminuição da pobreza em 35% e que abriu caminho para o progresso econômico de hoje que foi apropriado na "mão grande" por Lula e seus bolchevistas. Ladroeira pura, que o povo, anestesiado pelo Bolsa-Família e pelas rebolations do Lula na TV, não entende. Também estou enojado com os vergonhosos tucanos apanhando na cara por oito anos sem reagir. O governo Lula roubou FHC e o mais sério período do País e seus amigos nunca o defenderam nem reagiram. São pássaros ridículos em extinção.
hall#19

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