por Manoel Carlos
Para dizer a verdade, não era meu amigo. Não chegou a ser. Eu apenas o conheci, apresentado, aí sim, por um amigo dos tempos de internato em Bragança Paulista. Foi num barzinho da Praça da República, lá em São Paulo. Naquele tempo era pitoresco ter um amigo comunista. Falava-se à boca pequena:
– Vem cá, que eu vou te apresentar um comuna. Fica natural. É gente boa.
Os comunistas que conhecíamos eram Luís Carlos Prestes e Jorge Amado. Exatamente como durante os muitos anos que se seguiram. Jorge era nosso ídolo, comunista de verdade, não apenas na ótica da nossa juventude, mas também na das pessoas mais velhas e quase tão lúcidas quanto as crianças.
Ah, agora também me lembro de uma história que me foi contada pelo Mário de Almeida, queridíssimo e velho amigo, sobre um sujeito que ficava na porta do bar paulistano Harmonia e, quando um mendigo se aproximava, na base do "uma esmolinha, pelo amor de Deus", ele não só recusava o auxílio como ainda ofendia o pobre coitado:
– Que esmola, que nada! Então você não vê que eu estou aqui, fazendo uma horinha pra tomar meu uísque e depois jantar? E você vem me atrapalhar, pedindo esmola? Quero mais é que você morra de fome e de frio, vagabundo!
Para dizer a verdade, não era meu amigo. Não chegou a ser. Eu apenas o conheci, apresentado, aí sim, por um amigo dos tempos de internato em Bragança Paulista. Foi num barzinho da Praça da República, lá em São Paulo. Naquele tempo era pitoresco ter um amigo comunista. Falava-se à boca pequena:
– Vem cá, que eu vou te apresentar um comuna. Fica natural. É gente boa.
Os comunistas que conhecíamos eram Luís Carlos Prestes e Jorge Amado. Exatamente como durante os muitos anos que se seguiram. Jorge era nosso ídolo, comunista de verdade, não apenas na ótica da nossa juventude, mas também na das pessoas mais velhas e quase tão lúcidas quanto as crianças.
Ah, agora também me lembro de uma história que me foi contada pelo Mário de Almeida, queridíssimo e velho amigo, sobre um sujeito que ficava na porta do bar paulistano Harmonia e, quando um mendigo se aproximava, na base do "uma esmolinha, pelo amor de Deus", ele não só recusava o auxílio como ainda ofendia o pobre coitado:
– Que esmola, que nada! Então você não vê que eu estou aqui, fazendo uma horinha pra tomar meu uísque e depois jantar? E você vem me atrapalhar, pedindo esmola? Quero mais é que você morra de fome e de frio, vagabundo!
