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Versões, Fatos e Mentiras

Iniciado por hlio em 08/09/2006 · 4 mensagens

hlio#1
por Hélio Rodrigues Pereira

As grandes revoluções dramáticas do passado são entendidas pelo senso comum como fenômenos claramente reconhecíveis, precedidos por ampla divulgação que anuncia a todos a verdadeira natureza dos acontecimentos.

A leitura superficial fornecida pelos livros de história incute-nos esta impressão, de que a ascensão do nazismo e a revolução cubana, entre outras coisas, já nasceram devidamente identificadas, sugerindo que tais propósitos fossem didaticamente explicados pelos seus líderes nos meios de comunicação.

A verdade é que Hitler não avisou aos alemães que iria fazer a guerra ou exterminar os judeus em seus discursos de campanha, e Castro muito menos avisou publicamente que possuía ideais comunistas. Ambos agiram de maneira dúbia, procurando amenizar os anseios das expectativas públicas que buscavam em suas palavras os esperados sinais de moderação.

Para se ter uma idéia mais exata da ilusão com que o senso coletivo estava mergulhado, e do correspondente grau de cinismo adotado por esses líderes, o primeiro ministro Chamberlain afirmou ser Hitler um homem sensato, sinceramente interessado na paz. O próprio Hitler, por sua vez, dizia que suas intenções eram pacíficas e que repudiava a idéia de guerra na Europa. No mesmo erro incorreu Ghandi, Keynes, e muitos pacifistas que confiavam totalmente nas promessas pacíficas do nazismo. Testemunhos da época dão conta que até mesmo judeus duvidavam das sinistras intenções de Hitler, alguns achavam que pelo fato de este ou aquele membro das SS ter namorada judia era prova de que não iria acontecer nada. Outros de tão incrédulos consideravam esta hipótese absurda.

O Caderno B do Jornal do Brasil no ano de 1936 retratava o nazismo como uma corrente filosófica em busca da perfeição humana.

http://bc-es.blogspot.com/2006/09/verses-fatos-e-mentiras.html
priscila#2
Fui lá, e encontrei a seguinte (adequada) pergunta:
Como distinguir no meio desse caos, os elementos que verdadeiramente compõe um quadro coerente dos acontecimentos em marcha ?

E a seguinte (igualmente adequada) resposta:
Basta prestar atenção nos sinais que realmente provaram ser fidedignos ao longo do tempo.
[...] Atas de reuniões, acordos assumidos entre organizações, material interno de partidos, confissões públicas de interesses escusos, atividades parlamentares, dados estatísticos, informes técnicos de autoridades militares, cartas de intenções, depoimentos de dissidentes, e todo tipo de coisa que não se apresenta isoladamente como algo perdido no espaço, mas que complementa um sentido de coerência que se ajusta a um passado histórico sem lacunas, formada por nexos de causalidade resultante de um esforço em não omitir nada.


Basicamente, juntar dois mais dois:
E não acreditar quando disserem que dá cinco...
hlio#3
Oi Priscila

Foi justamente esta questão que motivou todo o artigo.
Mas para fazer o leitor captar o realismo e a pertinencia do tema proposto, optei por aquilo que pensei ser o melhor: trazer o ambiente de desinformação típica daqueles tempos agitados e mostrar o grau de incredulidade com que as pessoas reagiam diante daqueles que previam estes cenários tão catastrróficos.

Oi Glenwood

Pois é...! Analisar livros como Mein Keimpf é fundamental para que se entenda o que de fato era dito aos alemães, e não supor o que eles podiam ter sabido. Hoje é muito fácil apontar o dedo acusador e culpar aqueles que aderiram a esta corrente sinistra, mas muitos que fazem isso não teriam capacidade intelectual suficiente para identificar os perigos envolvidos com o nazismo, principalmente estando no centro do furação, como na Alemanha.

Quando tinha uns 17 anos, a leitura do Ascenção e Queda do Terceiro Reich, me fez indagar sobre se eu cometeria o mesmo erro moral que muitos cometeram e começei a imaginar se situação assim não poderia acontecer novamente.

De fato, ao ler sobre isso, tive a mesma impressão, Hitler tinha um discurso bem "vaselina", pelo menos bem mais do que se supõe quando ele é retratado berrando em alemão nos filmes e documentários. Ele não era nada burro, sua anotações de estudo demonstravam sua capacidade de se abstrair dos preconceitos ideológicos para entender os motivos do porquê que o partido que ele desprezava (Social Democracia )era bem sucedido e partido no qual ele simpatizava era um fracasso (Partido Pan Germânico ).
priscila#4
Foi muito bom, Helio, gostei muito!
Abraço!

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