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Qual a substância da filosofia em Gransci???

Iniciado por lvaro_4 em 17/09/2006 · 29 mensagens

lvaro_4#1
Com o malfadado livro "Concepção Dialética de História" de Antonio Gransci em mãos defino os seguintes termos como o pressuposto de um conceito grancista de "filosofia":

• Gransci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais.
• Gransci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.
• A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.
• A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.
• Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.
• Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.
• A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.
lvaro_4#2
Diante isso, eu pergunto:

Qual a substância da filosofia em Gransci???

Substância compreendida no sentido aristotélico de essência necessária e singularidade existente.

Ou: Qual a ontologia própria da filosofia para que se estabeleça a tensão essencial com o ato de filosofar que em Gransci é exclusivamente histórico???

Vou mandar uma carta para o José Dirceu para ver se ele me responde essa dúvida cruel...

Pois, infelizmente, sou levado por mera dedução lógica a pensar que em Gransci não existe filosofia nenhuma, não que o comunista italiano tenha sido incapaz de realizá-la. Ele simplesmente não acreditava na existência da filosofia e na possibilidade do surgimento de um projeto filosófico.
lvaro_4#3
Para tornar mais explícita as objeções que faço a Gransci levantarei uma CONTRATESE a cada TESE sua.

TESE: “Gransci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais”.

CONTRATESE: Se a filosofia parte da consciência da historicidade dos processos sociais e ela mesma (a filosofia) é histórica então o filosofar nunca tenderia a transcender seu próprio tempo histórico. Deste modo, não há História simplesmente.

• TESE: Gransci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.

CONTRATESE:Se a filosofia não é um movimento autônomo do pensamento depende de um outro ser para existir ou ser definida, então a filosofia existe como mero predicado ou acidente de uma substância. Logo, a filosofia não existe em si mesma, é uma mera extensão de um outro processo implícito.

• TESE: A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.

CONTRATESE: Se a filosofia é especialização não existe diferença entre ciência e filosofia e esta é incapaz de promover a unidade do conhecimento. Desta forma, a filosofia não tem utilidade nenhuma e deveria ser absorvida pelos métodos científicos.
lvaro_4#4
• TESE: A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.

CONTRATESE: Se o devir estabelece o campo do filosofar isto indica que o filosofar não pode vir antes do devir. Se a filosofia cria uma civilização e um outro devir é sinal que a própria filosofia é o devir e o próprio devir é a filosofia. Como pode o devir existir antes dele mesmo??? Se for um outro devir inicial e um outro conjunto de causalidades que afetam o devir atual deve-se discutir o apriori e o posteriori coisa que Gransci nunca fez.

O devir responsável pela união entre teoria e prática. Gransci inverte a idéia marxista original de que é a ação humana que produz os acontecimentos históricos.
lvaro_4#5
• TESE: Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.

CONTRATESE: O devir histórico pode ser acelerado e acerela-lo é o dever dos intelectuais. O projeto filosófico se realiza neste devir acelerado e não no campo do esforço intelectual individual. A coletividade histórica é filosófica, o indivíduo não. Rasguem as Histórias das Filosofias que Gransci escreveu uma nova e definitiva.

TESE: Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.
lvaro_4#6
CONTRATESE: A filosofia é a História. A ação humana no mundo histórico é a encarnação da filosofia. Mas como a História pode ser a filosofia se a ação humana (a não ser a ação de filosofar no mundo histórico) não é o filosofar em si??? Gransci faz uma contrasenso dos diabos para aproximar a filosofia da política.

• TESE: A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.

CONTRATESE: O homem é ideologia??? A realidade é ideologia??? Se a ideologia se confunde com a realidade social que é muitas vezes estrutural como a ideologia pode ser distinta da estrutura???

Quer saber??? Cansei desse pensador maluco!!!
david_7#7
É Gramsci. E o objetivo dele era simplesmente submeter qualquer campo de pensamento à revolução. A filosofia se trasformaria em objeto de transformação apenas.
lvaro_4#8
O problema que isso gera é a substituição do pensamento pela ação tranformadora da realidade.

Gransci acaba com a idéia de filosofia, mas a instrumentaliza de uma forma tal que muitos intelectuais nem percebem o quanto contraditório é a simples expressão: "A Filosofia de Gransci".

Por isso também fala-se tanto em reforma do senso comum e em revolução cultural em Gransci.

Somente uma alienação profunda dos cérebros coletivos para gerar o esquecimento de tudo que a humanidade produziu e a afirmação da nova sociedade como o objetivo redentor da inteligência humana.
lvaro_4#9
'É Gramsci. E o objetivo dele era simplesmente submeter qualquer campo de pensamento à revolução. A filosofia se trasformaria em objeto de transformação apenas'.

David: Depois que a filosofia perde sua substância e passa a ser dissolvida na política, no devir histórico e na psicologia das massas a demolição do homem é a mais visível e direta consequência.

A sociedade comunista é uma utopia irrealizável porque dissolve a autonomia do homem perante as estruturas do tempo histórico e das lutas políticas que o arrastam,o definem e a ele se sobrepõem
priscila#10
Gramsci instrumentaliza TUDO: do pensamento humano até o homem físico - tudo é um instrumento para uma finalidade única.
Terrivelmente limitante, incrivelmente estúpido, monumentalmente imoral.
E, ah, chato, também.
marcos_12#11
Gramsci "descobriu" que todos estão submersos no totalitarismo, que o Estado é o instrumento de opressão ao passo que a chamada sociedade civil está à serviço da hegemonia ideológica do Estado e sobre essa ideologia fundamentada. E o Partido gera esse hegemonia e faz o link entre o Estado e a sociedad civil.

Só que, ao "descobrir" isso, Gramsci inverteu a idéia do totalitarismo. Para ele, tudo é controlado, coercivamente ou por consenso. Se tudo é controlado, então qualquer ação que subverta a sociedade burguesa é libertadora. Portanto, tudo deve ser subvertido.

Como bem disseram: tudo resume-se à sua causa, a da revolução, a do Partido. É a fórmula do totalitarismo perfeito. O homem dobrado, em todas as suas instâncias (física, mental e espiritualmente) à hegemonia comunista.
uriel#12
.

"Liberdade é escravidão" (Orwell).

é isso

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e é Gramsci com M
lvaro_4#13
Eu sei que é com m...

Mas eu prefiro escrever com n...

Como eu prefiro escrever Euclydes da Cunha e não Euclides da Cunha e Gilberto Freyre e não Gilberto Freire.

Assim como Mário Ferreira dos Santos preferia escrever Dialéctica e não dialética, apodíctico e não apodítico... etc...

Mas não tenho nada contra o m não...
uriel#14
.

Ok, Albaro.

lvaro_4#15
Ou: "Auvaro"...

Já que no Brasil ninguém pronuncia o "L" mas pronunciam "U".

Mas sempre gostei de pronunciar "machista leninista"...

Ou pronunciar Lukcácxi e não "Luckács"...

De qualquer forma, eu falo como escrevo, e valorizo a herança regional e o meu sotaque...
lvaro_4#16
Se o Uriel viesse pra cá pra Pernambuco iria vira "Urel"...

O "i" ia sumir...

Se fosse pro Rio Grande do Sul talvez virasse "Uriell"

As gaúchas que conheci dobravam o "l" no fim da frase...

Elas escapavam à regra do "L" com som de "u"...
uriel#17
.

idiossincrasias, quem as não tem?
uriel#18
.

acho que é por isso que elas beijam bem (gaúchas e sulistas em geral)
lvaro_4#19
Eu já tive várias garotas gaúchas...

Pelo menos duas delas me marcaram muito...

E são todas descomplicadas...
uriel#20
.

o brasileiro tem uma notória dificuldade de pronunciar consoantes em posição final da sílaba - vocaliza-as.

daí subs-tan-ti-vo se torna su-bis-tan-ti-vo, com uma sílaba a mais.

e quando tentam falar inglês, "love" [luv] vira ló-vi, com duas sílabas. E "red" fica ré-di.
De modo que "guilt" e "guilty" ou "fat" e "fatty" se tornam foneticamente indistingüíveis na boca de um brasileiro

essa aberração fonética torna o português do Brasil um dos dialetos mais bizarros que já vi.
lvaro_4#21
Parodiando Guimarães Rosa...

É questão de opiniões e o senhor me desculpe, mas aqui é o Nordeste...

Peixeira e caco pra todo lado...
uriel#22
.

"descomplicadas" em se tratando de mulher aí já é utopia.
mas viva as gaúchas de qualquer forma.
o RS seria perfeito não fossem os gaúchos. a existência deles é totalmente desnecessária na minha concepção. dos argentinos também

lvaro_4#23
Muito interessante...

[url]/Community.aspx?cmm=101660[/url][url]/Community.aspx?cmm=10042922[/url][url]/Community.aspx?cmm=7950209[/url]
uriel#24
.

esses nomes que você citou acima me soam deveras familiares.
lvaro_4#25
Hummm...

Você já as conheceu???

Nesse mundo pequeno até as pedras se encontram...
uriel#26
.

O Sr. também deve conhecer as senhoritas citadas pelo Alvaro, Glenwood - me parece que são atrizes globais.

eu estava elogiando as gaúchas em geral..
marcos_12#27
Gramsci, mulher, Gramsci, mulher... qual será o mais atraente?
lvaro_4#28
Bom...

"O que é, por ser o que é, não pode ser sempre o que é, por ser o que é"...

Maníaco do Parque.

Eu já apaguei o tal post...

Tá limpo!!!

Agora, qual o problema de se misturar prazeres e teoria política??? Na Lanterna na Popa Roberto Campos fala o nome de várias mulheres que passaram pela vida dele e de outros diplomatas.

Uriel... os nomes que as mulheres me deram foram aqueles mesmos...
inocncio#29
"Novilíngua" - Orwell

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