Com o malfadado livro "Concepção Dialética de História" de Antonio Gransci em mãos defino os seguintes termos como o pressuposto de um conceito grancista de "filosofia":
• Gransci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais.
• Gransci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.
• A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.
• A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.
• Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.
• Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.
• A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.
Substância compreendida no sentido aristotélico de essência necessária e singularidade existente.
Ou: Qual a ontologia própria da filosofia para que se estabeleça a tensão essencial com o ato de filosofar que em Gransci é exclusivamente histórico???
Vou mandar uma carta para o José Dirceu para ver se ele me responde essa dúvida cruel...
Pois, infelizmente, sou levado por mera dedução lógica a pensar que em Gransci não existe filosofia nenhuma, não que o comunista italiano tenha sido incapaz de realizá-la. Ele simplesmente não acreditava na existência da filosofia e na possibilidade do surgimento de um projeto filosófico.
Para tornar mais explícita as objeções que faço a Gransci levantarei uma CONTRATESE a cada TESE sua.
TESE: “Gransci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais”.
CONTRATESE: Se a filosofia parte da consciência da historicidade dos processos sociais e ela mesma (a filosofia) é histórica então o filosofar nunca tenderia a transcender seu próprio tempo histórico. Deste modo, não há História simplesmente.
• TESE: Gransci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.
CONTRATESE:Se a filosofia não é um movimento autônomo do pensamento depende de um outro ser para existir ou ser definida, então a filosofia existe como mero predicado ou acidente de uma substância. Logo, a filosofia não existe em si mesma, é uma mera extensão de um outro processo implícito.
• TESE: A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.
CONTRATESE: Se a filosofia é especialização não existe diferença entre ciência e filosofia e esta é incapaz de promover a unidade do conhecimento. Desta forma, a filosofia não tem utilidade nenhuma e deveria ser absorvida pelos métodos científicos.
• TESE: A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.
CONTRATESE: Se o devir estabelece o campo do filosofar isto indica que o filosofar não pode vir antes do devir. Se a filosofia cria uma civilização e um outro devir é sinal que a própria filosofia é o devir e o próprio devir é a filosofia. Como pode o devir existir antes dele mesmo??? Se for um outro devir inicial e um outro conjunto de causalidades que afetam o devir atual deve-se discutir o apriori e o posteriori coisa que Gransci nunca fez.
O devir responsável pela união entre teoria e prática. Gransci inverte a idéia marxista original de que é a ação humana que produz os acontecimentos históricos.
• TESE: Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.
CONTRATESE: O devir histórico pode ser acelerado e acerela-lo é o dever dos intelectuais. O projeto filosófico se realiza neste devir acelerado e não no campo do esforço intelectual individual. A coletividade histórica é filosófica, o indivíduo não. Rasguem as Histórias das Filosofias que Gransci escreveu uma nova e definitiva.
TESE: Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.
CONTRATESE: A filosofia é a História. A ação humana no mundo histórico é a encarnação da filosofia. Mas como a História pode ser a filosofia se a ação humana (a não ser a ação de filosofar no mundo histórico) não é o filosofar em si??? Gransci faz uma contrasenso dos diabos para aproximar a filosofia da política.
• TESE: A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.
CONTRATESE: O homem é ideologia??? A realidade é ideologia??? Se a ideologia se confunde com a realidade social que é muitas vezes estrutural como a ideologia pode ser distinta da estrutura???
É Gramsci. E o objetivo dele era simplesmente submeter qualquer campo de pensamento à revolução. A filosofia se trasformaria em objeto de transformação apenas.
O problema que isso gera é a substituição do pensamento pela ação tranformadora da realidade.
Gransci acaba com a idéia de filosofia, mas a instrumentaliza de uma forma tal que muitos intelectuais nem percebem o quanto contraditório é a simples expressão: "A Filosofia de Gransci".
Por isso também fala-se tanto em reforma do senso comum e em revolução cultural em Gransci.
Somente uma alienação profunda dos cérebros coletivos para gerar o esquecimento de tudo que a humanidade produziu e a afirmação da nova sociedade como o objetivo redentor da inteligência humana.
'É Gramsci. E o objetivo dele era simplesmente submeter qualquer campo de pensamento à revolução. A filosofia se trasformaria em objeto de transformação apenas'.
David: Depois que a filosofia perde sua substância e passa a ser dissolvida na política, no devir histórico e na psicologia das massas a demolição do homem é a mais visível e direta consequência.
A sociedade comunista é uma utopia irrealizável porque dissolve a autonomia do homem perante as estruturas do tempo histórico e das lutas políticas que o arrastam,o definem e a ele se sobrepõem
Gramsci instrumentaliza TUDO: do pensamento humano até o homem físico - tudo é um instrumento para uma finalidade única.
Terrivelmente limitante, incrivelmente estúpido, monumentalmente imoral.
E, ah, chato, também.
Gramsci "descobriu" que todos estão submersos no totalitarismo, que o Estado é o instrumento de opressão ao passo que a chamada sociedade civil está à serviço da hegemonia ideológica do Estado e sobre essa ideologia fundamentada. E o Partido gera esse hegemonia e faz o link entre o Estado e a sociedad civil.
Só que, ao "descobrir" isso, Gramsci inverteu a idéia do totalitarismo. Para ele, tudo é controlado, coercivamente ou por consenso. Se tudo é controlado, então qualquer ação que subverta a sociedade burguesa é libertadora. Portanto, tudo deve ser subvertido.
Como bem disseram: tudo resume-se à sua causa, a da revolução, a do Partido. É a fórmula do totalitarismo perfeito. O homem dobrado, em todas as suas instâncias (física, mental e espiritualmente) à hegemonia comunista.
o brasileiro tem uma notória dificuldade de pronunciar consoantes em posição final da sílaba - vocaliza-as.
daí subs-tan-ti-vo se torna su-bis-tan-ti-vo, com uma sílaba a mais.
e quando tentam falar inglês, "love" [luv] vira ló-vi, com duas sílabas. E "red" fica ré-di.
De modo que "guilt" e "guilty" ou "fat" e "fatty" se tornam foneticamente indistingüíveis na boca de um brasileiro
essa aberração fonética torna o português do Brasil um dos dialetos mais bizarros que já vi.
"descomplicadas" em se tratando de mulher aí já é utopia.
mas viva as gaúchas de qualquer forma.
o RS seria perfeito não fossem os gaúchos. a existência deles é totalmente desnecessária na minha concepção. dos argentinos também
"O que é, por ser o que é, não pode ser sempre o que é, por ser o que é"...
Maníaco do Parque.
Eu já apaguei o tal post...
Tá limpo!!!
Agora, qual o problema de se misturar prazeres e teoria política??? Na Lanterna na Popa Roberto Campos fala o nome de várias mulheres que passaram pela vida dele e de outros diplomatas.
Uriel... os nomes que as mulheres me deram foram aqueles mesmos...