Na Veja desta semana:
Da Rússia, sem amor
Terapia com células-tronco sem comprovação
científica fez com que um garoto desenvolvesse
tumores no cérebro e na medula espinhal
Anna Paula Buchalla
Pela primeira vez, um estudo científico associou o uso de células-tronco fetais ao surgimento de tumores em um ser humano. A vítima é um garoto israelense, de 17 anos, portador de uma doença neurodegenerativa rara, a ataxia-telangiectasia. De origem genética, o distúrbio compromete os movimentos, a fala e tende a evoluir para a paralisia e a morte. Em 2001, aos 9 anos, contrariando a opinião de seus médicos, o menino foi levado por seus pais a Moscou para se submeter a um tratamento sem nenhuma comprovação científica, para conter o avanço da doença: o uso de células-tronco de fetos abortados. Sem apresentar melhoras significativas em seu quadro clínico, ele voltaria ao hospital russo mais duas vezes – uma em 2002 e outra em 2004. No ano seguinte, por causa de fortes dores de cabeça, o menino foi submetido a uma ressonância magnética. Os médicos do Centro Médico Sheba, de Tel-Aviv, encontraram um tumor no cérebro e outro na medula espinhal – justamente os locais onde foram implantadas as células-tronco fetais. Em artigo publicado na última edição da revista científica PLoS Medicine, os médicos relatam que, mediante a análise dos genes dos tumores, encontraram pelo menos duas linhagens diferentes de células. Uma delas era de origem feminina e a outra não apresentava a mutação característica da ataxia-telangiectasia. Ou seja, ambas são fruto das células fetais transplantadas. "Ao que tudo indica, esse rapaz recebeu um coquetel de células-tronco de origens diversas", diz a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo.
Da Rússia, sem amor
Terapia com células-tronco sem comprovação
científica fez com que um garoto desenvolvesse
tumores no cérebro e na medula espinhal
Anna Paula Buchalla
Pela primeira vez, um estudo científico associou o uso de células-tronco fetais ao surgimento de tumores em um ser humano. A vítima é um garoto israelense, de 17 anos, portador de uma doença neurodegenerativa rara, a ataxia-telangiectasia. De origem genética, o distúrbio compromete os movimentos, a fala e tende a evoluir para a paralisia e a morte. Em 2001, aos 9 anos, contrariando a opinião de seus médicos, o menino foi levado por seus pais a Moscou para se submeter a um tratamento sem nenhuma comprovação científica, para conter o avanço da doença: o uso de células-tronco de fetos abortados. Sem apresentar melhoras significativas em seu quadro clínico, ele voltaria ao hospital russo mais duas vezes – uma em 2002 e outra em 2004. No ano seguinte, por causa de fortes dores de cabeça, o menino foi submetido a uma ressonância magnética. Os médicos do Centro Médico Sheba, de Tel-Aviv, encontraram um tumor no cérebro e outro na medula espinhal – justamente os locais onde foram implantadas as células-tronco fetais. Em artigo publicado na última edição da revista científica PLoS Medicine, os médicos relatam que, mediante a análise dos genes dos tumores, encontraram pelo menos duas linhagens diferentes de células. Uma delas era de origem feminina e a outra não apresentava a mutação característica da ataxia-telangiectasia. Ou seja, ambas são fruto das células fetais transplantadas. "Ao que tudo indica, esse rapaz recebeu um coquetel de células-tronco de origens diversas", diz a geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo.