Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Conservadores são mais felizes que esquerdistas?

Iniciado por lucas_6 em 18/09/2006 · 5 mensagens

lucas_6#1
Desta vez, uma tradução de um texto do Brad Edmonds:

"Pesquisadores do Pew Research Center descobriram recentemente que os “conservadores” se declaram mais felizes que os “esquerdistas” (liberals) *. Coloco os termos entre parênteses porque seus significados mudaram ao longo dos tempos: Hoje, “conservador” significa Republicano e “esquerdista” significa Democrata. Mas o que explicaria que um grupo seja estatisticamente mais feliz que o outro?"

http://www.lucasmafaldo.contracorrente.com.br/index.…squerdistas/
lucas_6#2
Tudo isso é verdade, mas veja que o próprio Brad Edmonds passa rapidamente por estas questões e procura ir um pouco além da pesquisa.
priscila#3
Na verdade, o debate interessante - por importante - é quanto a consciência tem a ver com o atual conceito de "felicidade".
Quero dizer, bem simplesmente: existe uma satisfação íntima, maior e mais fundamental do que o que o termo "felicidade" passou pouco a pouco a significar, nascida em conseguirmos de fato aceitar nossas próprias responsabilidades, e em procurarmos de fato enfrentar nossos próprios problemas, ou aqueles que nos causam aflição (estou tentando dizer que não se trata de problemas pessoais, mas de problemas que, mesmo não sendo a rigor nossos, passam a ser porque assim vemos, e assim escolhemos que seja. Estou falando, enfim, de compaixão). E isso, é claro, é um assunto nosso, não do "governo" - mesmo que tal governo nos "represente" - já que representar não é a mesma coisa que substituir - e a diferença nem sutil é...

A compreensão da felicidade fora desse entendimento não me parece lá muito satisfatória, e sim meio mandrake: o artigo justamente confirma as minhas suspeitas.

Ou não?????

Bem, eu estou no grupo dos felizes cuja felicidade inclui essas coisas todas. E isso é tão fundamentalmente avassalador que não me lembrei de parar pra pensar se essa noção faz de mim uma liberal ou uma conservadora. Provavelmente, um pouco de cada coisa.

Mas gostei do artigo. Certamente eu penso que a questão do controle (como motivo pra explicar a sensação de felicidade, e motivo correto, na minha opinião) podia ter sido mais fundamente explicada, até porque tal controle tem (ou deveria ter, senão ele não será um controle verdadeiro, e caímos no caso oposto, etc) muitíssimo a ver com a idéia de "consciência tranquila" (o termo é velho, mas é adequado).

Obrigada mais uma vez, Lucas!
bey_orkut#4
Nigerianos também se dizem mais felizes do que os americanos... Se dizer feliz não quer dizer muita coisa...
i_orkut_2#5
A filosofia, sociologia, psicologia, história e talvez a minha área (ciência política) podem dar respostas mais satisfatórias (ou todos estes campos, em conjunto, podem nos dar uma resposta mais satisfatória, como peças que se encaixam formando um retrato maior).

E a economia, Bruno??

Veja só...

"O prêmio Nobel de economia Daniel Kahneman uniu-se a neuropsicólogos na conferência da Associação Americana de Economistas para investigar a viabilidade de elaborar um indicador quantificador da felicidade, um complemento de indicadores como o Produto Interno Bruto, que mede o volume de uma economia, ou os salários. Até a revista "Time" anuncia em sua capa a nova ciência da felicidade.

Mas permanecia a questão: como se mede algo tão subjetivo quanto a felicidade?

Agora, Kahneman, em colaboração com Alan Krueger, da Universidade Princeton, e o neuropsicólogo Ed Diener da Universidade de Illinois --conhecido como Doutor Felicidade--, está prestes a lançar um índice de felicidade.

Ele descobriu a mesma coisa em seus estudos da satisfação com a vida cotidiana nos Estados Unidos. Em seus chamados métodos de "reconstrução do dia", ele faz uma série de perguntas sobre o estado anímico durante cada atividade, desde as ligações telefônicas até o exercício físico, desde ver televisão até rezar.

Conclui que fatores como a qualidade do sono ou o estado emocional "são muito mais importantes para a felicidade do que circunstâncias gerais como a renda ou a educação".

O neuropsicólogo Brian Knutson, de Stanford, logo haverá uma medida da felicidade afetiva que é alheia à interpretação humana.

Graças aos avanços no estudo de atividades cerebrais --notadamente imagens de ressonância magnética e eletroencefalogramas--, será possível medir as "reações hedonistas" sem consultar os que as experimentam.

"Vai ser apaixonante para os economistas. Vamos medir se vale mais uma nota de cem dólares ou o sorriso de um membro do sexo oposto", afirma Knutson ao La Vanguardia."

‹ Voltar para a lista de tópicos