Trechos das entrevistas concedidas por Paul Johnson ao jornalista Geneton Moraes Neto e a Revista "Veja"GMN – Qual foi o pecado capital do século XX?Paul Johnson – É o que chamo de relativismo moral:a negação de que haja valores absolutos. Acontece que há coisas que são absolutamente certas e outras que são absolutamente erradas, sim! O relativismo moral afirma – pelo contrário - que todo bem ou todo mal é relativo. Todos os valores seriam relativos, portanto.
Vejo o relativismo moral sob toda maldade totalitária e todo tipo de pecado do século XX. Precisamos voltar - acho que já estamos voltando - a cultivar valores absolutos.GMN – O senhor diz que já não há uma idéia absoluta sobre o que é errado e o que é certo. Pode dar um exemplo do que é certo e do que é errado, no mundo de hoje ?Paul Johnson – O exemplo mais comum é o da sexualidade humana. A maioria das pessoas da minha geração - que viveu a década de trinta - foi educada para acreditar que havia certos e errados absolutos na sexualidade humana. É um fato que o relativismo moral esconde e ofusca. Crianças de hoje não aprendem que há certos e errados! Aprendem que devem fazer o que os outros fazem. Isso é relativismo moral! É um grande mal. Devemos lutar contra ele.
GMN – O senhor se declara um combatente na guerra das idéias. Qual foi a pior e a melhor idéia política do século XX? Paul Johnson – A pior idéia - que começou antes da Primeira Guerra,ainda por volta de 1910 - é a de que o Estado faz as coisas de uma maneira melhor do que os indivíduos. Mas há poucas coisas em que o Estado é melhor que o indivíduo. A verdade é que a idéia de que o Estado age bem é a pior de todas. Aprendemos agora esta lição. A melhor idéia é a seguinte: sempre que possível, os indivíduos devem ser deixados sós para fazerem o que puderem com os próprios recursos. Quanto maior a liberdade, maior a justiça, maior a eficiência e maior a felicidade humana.
O Brasil é um desses países que têm um futuro incrível. Chegará a esse futuro, dourado e glorioso, se acreditar mais em liberdade individual e menos no Estado.GMN – Por que o senhor diz que a mentalidade politicamente correta é uma nova forma de totalitarismo? Paul Johnson – Não gosto que venham me dizer como pensar,que palavras e expressões devo ou não usar. Para mim, esta é a origem do totalitarismo. Hoje,o totalitarismo vem começando de novo, no campus das universidades, nos Estados Unidos, sob o disfarce politicamente correto. Temos de lutar – muito! - contra este fenômeno, antes que o totalitarismo disfarçado de posições politicamente corretas se estabeleça de verdade.GMN – Quanto o senhor pagaria por um quadro de Picasso? Por que o senhor é tão rigoroso na hora de julgar mestres da arte moderna, como Picasso e Cézanne? Paul Johnson – A arte precisa ter um propósito moral. Acontece que nunca pude detectar qualquer propósito moral claro na obra de Picasso. Era um homem perverso e imoral. Não vejo,em nenhuma de suas obras, um esforço para mostrar a arte com um propósito moral. Tal esforço é a essência do grande artista. Então, desconsidero Picasso completamente.
GMN – A obra mais famosa de Picasso, "Guernica", é uma denúncia contra a violência do totalitarismo. Por que é,então, que o senhor diz que não havia nenhum sentido moral na obra de Picasso?Paul Johnson – Porque Picasso não lutava contra o totalitarismo! Picasso não era comunista: era stalinista! Ficou do lado da União Soviética totalitária, durante quase toda a vida. É um escândalo! Não acreditava na liberdade, exceto para si próprio.GMN – O senhor diz que a religião aprendeu a absorver todos os impactos da ciência. Agora que até seres humanos podem ser criados em laboratório, o senhor acredita que a fé religiosa vai sobreviver?Paul Johnson – A rapidez no avanço da ciência, especialmente nas ciências da vida – aquelas que afetam os seres humanos – vem tornando a religião mais importante do que nunca. Porque, em cada estágio do avanço da ciência, devemos trazer Deus à discussão. Devemos dizer: "Isso é moral? É Justo? É algo que se encaixa no plano divino para a Humanidade? Ou é algo que vai contra ele?". O fator "Deus" na ciência é, hoje,mais importante do que nunca.GMN – O senhor consegue irritar as feministas e os esquerdistas com suas opiniões. Os dois são seus inimigos prediletos?Paul Johnson – Não sou,certamente,um inimigo das feministas. Sou pró-mulher : acredito que o século XXI será o século das mulheres. Dei palestras em Londres para milhares de senhoras japonesas : disse que elas têm o dever de tomar o poder que hoje parece disponível para elas no Japão – que era uma sociedade muito machista. Sou muito a favor das mulheres. Quanto à esquerda, não gosto de dividir pessoas em setores rígidos - esquerda e direita. Posso até dizer que sou radical - especialmente nas questões femininas,por exemplo. O meu ponto de vista é o de que todos os assuntos devem estar abertos à discussão. Não estou do lado da esquerda ou da direita : estou do lado da razão e da justiça.
Veja – O senhor escreveu que o desenvolvimento social e tecnológico humano não avançou tanto quanto poderia por causa da eterna batalha entre duas forças antagônicas do homem: sua criatividade e sua capacidade de crítica e destruição. Como assim?Paul Johnson – Os seres humanos são naturalmente criativos. Amam criar. Também são apaixonados pela destruição e pela crítica. Acredito que todas as artes – sendo que considero formas de arte a política, o desenvolvimento tecnológico, econômico e social, assim como a pintura e a literatura – necessitam dessas duas forças antagônicas. É a tese, a antítese e a síntese. Mas é vital que a criatividade, a tese, supere seu adversário e vença, pois só ela pode garantir o progresso. Não tenho dúvida de que, se houvesse apenas a criatividade, a humanidade teria avançado muito mais rapidamente.Veja – O senhor poderia citar exemplos de forças destrutivas que impediram um avanço maior da nossa civilização?Paul Johnson – O exemplo mais primário disso é o marxismo. Marx compreendeu mal o capitalismo, foi desonesto com as evidências e sua contribuição para o mundo foi totalmente negativa. Graças a ele e a outros pensadores, por mais de um século muitos países perderam a chance de crescer economicamente. Seus povos deixaram de ter acesso à informação e à liberdade, fundamentais para o processo criativo, milhares de pessoas foram mortas injustamente e muito dinheiro foi jogado fora em vez de ser usado para a melhoria da qualidade de vida. Não há absolutamente nada a dizer em favor do marxismo.
Cuidado: Paul Johnson é um protestante ranheta que no livro da história do cristianismo implica bastante com o catolicismo e faz propaganda velada do protestantismo. Isto sem falar que ele chama nazismo de extrema direita.
Paul Johnson não dizia que Hitler era de extrema-direita como afirmam, pelo menos segundo nos informa João Coutinho: “Afirma Johnson que é um erro considerar Hitler como um representante da direita. Hitler, para além de criminoso e genocida, era estruturalmente um socialista. E porquê? Porque Hitler consegue furar as seis regras essenciais de qualquer conservador que se preze. Primeiro: a crença num Deus omnipotente e omnipresente. Segundo: uma moral absoluta como base de qualquer sistema legal. Terceiro: a defesa de um Estado mínimo, quer em extensão, quer em ambição. Quarto: o respeito por poderes tradicionais e tradicionalmente instituídos. Quinto: um certo controlo e autocontrolo de conduta. Sexto: a procura de um equilíbrio entre o indivíduo e o Estado.
Hitler, pelo contrário, faz o pleno: ateu, relativista, ultra-centralista, exibicionista e coletivista. Mais ainda: um conservador, para Johnson, tende a olhar para a força como o último recurso. Hitler olhava como o primeiro. Os leitores desabaram sobre Johnson. Não entendo porquê.”
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult2707u37.shtml
Paul Johson seria indigno de aceitação por ser protestante? Seria isso?
Quanto ao fato de ser Johnson intolerante com o catolicismo, posso assegurar sem erro algum, que por mais anticatólico que Johnson possa ser (e ele não é), ainda assim, ele (Johnson) é mais tolerante com a religião alheia que um certo Orlando Fidelis, aliás, bastante admirados por muitos aqui. E, Pelo que consta no Wikipédia, Paul Johnson é católico.
WASP!!! Não força tchê!!!
Interessante e bom saber que o autor via Hitler assim.
Paul Johson seria indigno de aceitação por ser protestante? Seria isso?
Não, claro que não, se o autor é bom deve ser lido. Mas na parte histórica do cristianismo tem que ser lido com um certo cuidado.
E, Pelo que consta no Wikipédia, Paul Johnson é católico.
ACHO que a wikipedia está errada(o que acontece muito), o que eu sabia era que ele era anglicano. E sim, chamá-lo WASP é incorreto, nem americano ele é.
afinal ele é católico ou anglicano?
Pesquisando rapidamente no google é mais fácil encontrar sites que dizem que é católico. Não vi nenhuma referência direta ao nome do autor e a Igreja Anglicana. Alguém que tenha lido os livros e conheça melhor o autor pode tirar esta dúvida?
Me apresentaram Paul Johnson como escritor católico, agora tenho essa nova informação, fiquei confuso.
ele (Johnson) é mais tolerante com a religião alheia que um certo Orlando Fidelis
Qual o problema com o Orlandão? O Infedeli escreve muito bem e tem muito a ensinar. E se ele tem seus exageros vendo gnose onde não tem, ainda assim tem uma produção boa. Eu não sou católico romano e ainda assim admiro-o.
O problema de Fidelis é que ele se acha o procurador dos céus. Ele não apenas vê gnose em tudo, mas acha que só aqueles que compartilham seu ponto de vista terão lugar no céu. Embora escreva coisas interessantes, também escreve muitas bobagens. Segundo o próprio Olavo de Carvalho o Sr. Fidelis é um "é um farsante, um santarrão, um aproveitador da boa fé de seus discípulos e, em toda a linha, uma mentalidade perversa de sectário.
Seu intuito declarado de destruir uma reputação e os meios desonestos que põe em ação para esse fim não apenas são indignos de um homem da Igreja mas estão abaixo até do que a moral laica permite a um intelectual mundano."
fonte: http://www.olavodecarvalho.org/textos/fedeli2.htm
Hitler era ateu mesmo???? Me parece às vezes que ele era meio um "ocultista". Alguém tem uma fonte que possa confirmar isso? Já o resto da gambada eu sei que eram ateus, como Himmler, Goebbels, Heydrich, etc
Está passando na discovery (ou na Nageo, não lembro direito) um documentário que fala sobre a relação dos nazistas com o ocultismo e com a religião pagã germânica. O mais empolgado era himmler, que criou rituais entre os ss nazistas baseado nos mitos germânicos. Até casamentos eram feitos por ele seguindo essas tradições.
Eu assisti esse documentário na semana passada, talvez ainda esteja na programação desse mês.
Hitler, Goebbels, Himmler e Goring não eram ateus. Eram crentes, só não sei exatamente que forma de crença tinham. Todos eles estavam até a goela com ocultismo, e frequentemente evocavam "provas" de que a Providência manipulava a realidade a favor de Hitler.
Fora Hitler, Himmler era o mais louco pela profunda frieza com que acatava seus compromissos e pela rigidez férrea com que tentou colocar a crença nazista em ação. O membros da SS tinham uma série de normas de conduta (como o casamento), deviam seguir padrões físicos para serem admitidos na organização. Também criou o Lebensborn (Fonte da Vida) programa para procriar bebês e criá-los segundo os princípios nazi, além de oferecer cuidados para crianças sequestradas nos países ocupados.
Ainda criou uma elite dentro da SS que seguia os mesmos rituais do Cavaleiros Templários, e dizem que Himmler se considerava a reencarnação de um antigo rei germânico vivido 1000 anos antes e que havia sido vitorioso em guerras contra os povos eslavos.