Amigos,
O artigo do Olavo de Carvalho datado de ontem, dia 13 de marco, e absolutamente extraordinario!
Nele Olavo aborda o conceito de "consciencia - conceito importantissimo, cuja compreensao fundamenta outro conceito ïmportantissimo - o de "humanidade".
A deafness, a surdez que ele menciona, e que aflige consideravel parcela da humanidade, nao se refere a uma surdez organica, ou "verdadeira". Trata-se de uma INCAPACIDADE nao-biologica, nao-material, mas nem por isso menos real. Somos todos capazes de OUVIR - mas cada vez menos capazes de ENTENDER o ouivido, de associa-lo a significados.
E realmente desesperador, no minimo aflitivo.
A perda da consciencia no sentido que o Olavo aponta e realmente a perda da humanidade, a desumanizacao da especie, sua volta a um modelo meramente animal - perfeitamente capaz de escutar, mas absolutamente incapaz de dotar de significado o que foi escutado.
é dos grandes textos do olavo. Destaco a conclusão:
Consciência, no sentido forte da palavra, é autoconsciência atual, responsável – é algo que só pode existir no indivíduo real, presente, atuante. Consciência genérica, abstrata, é um puro fetiche lógico. Se algum dia descobrirem como o cérebro produz esse fetiche, a consciência continuará inexplicada. O esforço redutivista, no caso, não tem o mínimo alcance científico real. É apenas um engodo hipnótico, um instrumento de controle totalitário da sociedade.
Creio ter compreendido nesse artigo o porquê do sucesso do psytrance entre muitos jovens...
A música não tem sentido algum. Só é uma miríade de notas em profusão mas sem qualquer significado direto.
Talvez seja por isso que o emprego de drogas seja necessário na fruição desse tipo de música, já que o significado inexistente acaba sendo "dado" pelo efeito psicotrópico. Um significado, em verdade, totalmente subjetivo.
Estes são versos famosíssimos, quase batidos, mas é difícil para mim não lembrar deles:
"Todo homem que em si não traga música
E a quem não toquem doces sons concordes,
É de traições, pilhagens, armadilhas.
Seu espírito vive em noite obscura,
Seus afetos são negros como o Érebo:
Não se confie em homem tal."
Hoje, o "Mercador de Veneza", a peça de Shakespeare de que essa passagem faz parte, é considerada anti-semita pelos críticos e vista com maus olhos. A noite obscura está vencendo, infelizmente.
O que eu gosto nos artigos do Olavo, é que eles permitem uma compreensão global sobre os assuntos que escreve. Além de escrever bem, expõe os conceitos de forma clara, sem deixar que o conceito seja simplificado pela linguagem.
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Me chamou a atenção neste artigo a passagem em que ele diz: como o sonho da ciência materialista é poder reduzir a eles [processos neurobiológicos] a consciência inteira, explicando-a como “produto” do cérebro, muitos adeptos do materialismo agem como se já tivessem operado a redução e fornecido para ela as provas mais cabais e irretorquíveis, daí concluindo que a consciência, como tal, nem mesmo existe: é apenas uma função cerebral entre outras.
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Sobre isso, estou lendo um livro, pequeno mas muito bom, chamado O Saber dos Antigos - terapia para os tempos atuais do Giovanni Reale. Além de falar do niilismo hodierno ele ainda explora a questão do reducionismo cientificista como um problema contemporâneo. A ciência ocupa-se da dimensão factual objetiva e ignora a dimensão do subjetivo, diz Reale (p. 42).
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Como consequência, a redução da consciência a um processo neurobiológico implica a supressão do próprio conceito de consciência, uma vez que a ciência não é capaz de conceituar fenômenos não empíricos.
Imagine uma ciência absolutamente materialista prescindindo de conceitos filosoficamente elaborados. Seria o fim de qualquer sentido da existência humana. Tudo se reduziria a fenômenos meramente "naturais".
O imundo apareceu cheio de si, caraca! E ainda ousou entrar no meu SB pra me desaforar! Ate aonde vai a empafia dos orangos, ora vejam so! Vou te contar!
Um estuporzinho pensando que "e gente"!
Faltava mais nada... 😄!
PS: Saudades de voces, aqui nao da tempo pra NADA!
Deus não conhece a autoconsciência como observador externo, mas como fundamento transcendente da sua possibilidade de existência. Mas você só percebe isso se, em vez de brincar de lógica com conceitos inventados, investiga a coisa seriamente desde a sua própria experiência interior, com a maturidade de um filósofo bem formado e um extenso conhecimento do status quaestionis.
A crítica que o Olavo faz ao materialismo está acertadíssima e é derrubada pela própria experiência diária e solitária do indivíduo.
Se a consciência é resultado de impulsos cerebrais, então que os materialistas expliquem uma coisa: como pode a consciência ter consciência de que ela existe? É IM-POS-SÍ-VEL isso ocorrer, porque não há qualquer sentido de realidade que dê consciência à matéria. Isso é contraditório em si!
Já fiz a maldita experiência de meditar em cima disso especular como poderia a matéria ter consciência de si. Sabe aqueles momentos em que você pára e pensa sobre sua vida, desliga-se dos impulsos terrenos e passa a sondar a própria alma? Às vezes entramos nesse transe, seja por razões mentais ou espirituais, ou ambos. Pois já tive isso e cheguei à luz de que essa problemática é insolúvel. Não há qualquer sentido lógico na idéia de que a matéria tenha consciência de si. Isso não faz o menor sentido!! Se formos sondá-la com esse objetivo chegaremos à sombria mística do NADA, a situação insolúvel de que não há como dar vida àquilo que não pode decidir por si. Essa idéia é maligna por excelência.
Para mim isso é a prova consciente de que o materialismo é impossível! Até o que eu já percebi, não há qualquer experiência, seja mental ou espiritual, que prove a consciência da matéria. A matéria não pode ter consciência dela mesma, e essa "prova" mesma seria uma contradição.
Dizer que os impulsos cerebrias forma a consciência é contraditada pela própria experiência desses mesmos impulsos cerebrais. Algo tem que sentir e dar sentido ao impulsos e, claro, dar a razão para que eles surjam.
Ademais: se o corpo humano é uma amálgama complexa de reações físico-químicas, que os materialistas respondam como se processam as decisões, inclusive a de se conscientizar da própria existência.
Se as pessoas decidem é porque, de alguma forma, essas reações "desviam" de seu curso regular (não consta, por exemplo, que a água ferva a 100°C e determinadas condições e que, por 20 segundo, passe a ferver a 120°C para depois voltar ao normal). Se não fosse assim nós nasceríamos e cresceríamos como vegetais sem reação própria e agindo apenas de acordo com impulsos externos. Esse desvio só poderia ser causado por: 1) agente externo; 2) imperfeções do próprio corpo que harmonizassem esse desvio justamente com as decisões humanas; 3) algum elemento não material age de forma a alterar o curso da matéria.
Ainda assim, deveria ser explicado como tudo isso ocorre sem que o homem se desarmonizasse de sua situação cósmica. Observem as pessoas nas ruas e verão que a simples atitude física difere de TODOS os demais seres vivos, por exemplo, uma simples caminhada.
E quando temos a sensação de liberdade os materialistas dizem que isso é uma ilusão. Então que expliquem como essa ilusão é possível, tendo em vista que a matéria em si não pode dar a consciência da situação. A ilusão também é imaterial e é impossivel a matéria criar imaterialidade e, ainda assim, combinada com a sensação de algo imaterial.
O raciocínio materialista é um beco sem saída e a fórmula para o atrofiamento da inteligência.
Para minha extrema felicidade, eis um trecho que li agora do último texto do Olavo:
"Dawkins argumenta contra a onisciência, perguntando como Deus poderia estar consciente de todos os pensamentos de todos os seres humanos o tempo todo. A pergunta é aí formulada de maneira absurda, tomando as autoconsciências como objetos que existissem de per si e questionando a possibilidade de conhecer todos ao mesmo tempo ex post facto. Mas a autoconsciência não é um objeto. É um poder vacilante, que se constitui e se conquista a si mesmo na medida em que se pergunta pelo seu próprio fundamento e, não o encontrando dentro de seus próprios limites, é levado a abrir-se para mais e mais consciência, até desembocar numa fonte que transcende o universo da sua experiência e notar que dessa fonte, inatingível em si mesma, provém, de maneira repetidamente comprovável, a sua força de intensificar-se a si próprio."
Fui eu que destaquei esse trecho em negrito.
Quando falo da experiência de sondar para descobrir se a matéria pode ter cosciência de si, é disso que falo! A diferença é que, ao invés de alargar a consciência indefinidamente até iluminá-la com a trasncendência, dirigi esse alargemento para o próprio questionamento de uma suposta "vida" ou "suprema consciência" que dá vida à matéria em si. O resultado é a sondagem de um vazio infinito, desesperador e enlouquecedor. Ao invés de nos iluminarmos com a transcendência entraremos na mística do demônio, no NADA, na AUSÊNCIA TOTAL DE DEUS.
Talvez, no fundo, os materialistas convictos fechem os olhos para isso, porque se fossem abrir a alma para a realidade que eles próprio imaginam simplesmente não suportariam a angústia de um cosmo totalmente sem sentido e enlouqueceriam. Pior: diriam que o Deus que imaginamos não existe e dariam como prova o próprio desespero de nossa suposta condição existencial.
Como sobrevivência isso só pode desembocar num lugar: a revolta contra a realidade e a apoteose do pecado original como o deus à imagem e semelhança do desespero humano com forma de dar sentido à todo o desespero do espírito corrompido.