Que fique claro, não tenho aqui intenção de narrar todos os aspectos nem todos os detalhes da ação da Escola do Mistério, algumas lacunas serão deixadas propositalmente, outras eu realmente não conheço a resposta.
Existiu uma civilização multi-étinica anterior a egípcia. Eles provavelmente foram os primeiros a criarem deuses complexos, alcançar o nível de conhecimento necessário para perceber que eles mesmos criaram esses deuses e analisar o que isso tinha a ver com eles. Nasceu assim o que chamamos de pensamento reflexivo. Essa civilização chamou isso de Escola do Mistério.
Com a reflexão ao seu lado e quase nenhuma escasses para um espírito humano novo, ingênuo e despropositado, logo iniciaram estudos em várias áreas. Nasceram assim as Escolas da Astrologia, Terra, Bestas... e através dessas linhas de iniciação eles uniram vários povos, transformaram muitas tribos nômades em agrárias... mas que fique claro, não criaram uma civilização instrutora em todos os sentidos. A Escola do Mistério mola propulsora de tais avanços não era passada adiante, apenas seus frutos. Ela sempre ficou concentrada na mão de poucos nutridos de forte sentimento elitista.
A Escola do Mistério no seu processo de desenvolvimento passou dos símbolos a escrita, então solidificou sua doutrina, impedindo que a passagem do tempo a corrompesse. Acontece que o está escrito, pode ser lido e não demorou para que os membros de outras Escolas iniciáticas colocassem os olhos nisso. Sendo assim o processo de impessoalidade da informação e a idéia de “real” começou a se formar, rusticamente.
A Escola do Mistério via sua influência ruir. Já não era a única fonte possível para evitar a corrupção das demais Escolas, e tão logo seus mistérios mais secretos fossem revelados, perderiam por completo seu poder que vinha da ignorância humana. Tão logo o sentimento de união se tornasse perene, e os demais segredos fossem revelados, as mordomias teriam acabado para eles. Enquanto todas as demais escolas proviam do Labor, a do Mistério se mantinha como um empreendimento privado de ensino que monopoliza o mercado. Faz algum sentido romper toda a ignorância? Entenderam que o progresso significaria, naqueles termos, o fim para eles e que no fim das contas serviam de cura para males que eles mesmos causavam.
Infelizmente para eles, a informação começou a circular livre, e os homens a criar virtudes através de suas Escolas. A das Bestas possibilitava a comparação da Ira com a inconsciência da besta, A da Terra, o entendimento de que o homem se encontra num processo, que deve haver plantio para a colheita, que a paciência é uma virtude... toda essa “iluminação” aumentava ainda mais o perigo para Escola do Mistério.
Como toda boa civilização multi-étinica antiga, havia uma capital, a veia principal por onde fluia todo o conhecimento, dos escritos e mestres aos iniciantes e interessados. Eu não sei dizer se o que houve em seguida foi programado ou previsto pela Escola do Mistério, mas ninguém mais além deles se beneficiou com isso. Por algum motivo a Capital foi destruída, dilúvio, vulcão... não sei. Com ela se perdeu todo o banco de dados das demais Escolas, e novamente os povos agora dividos se tornaram dependentes das constantes descobertas da Escola do Mistério.
Com o isolamento cultural e geográfico, em duas ou poucas mais gerações as línguas se degeneraram, e meticulosamente pequenas diferenças doutrinárias foram semeadas pela Escola do Mistério de maneira que os povos não se entendessem, tanto pela diferenças semânticas quanto pelas visões de mundo já tão diferenciadas.
Alguns povos foram totalmente abandonados e regrediram, fazendo cultos ao que antes eram complexos esquemas simbólicos. Dai a astronomia sortida em tantas culturas. Muito diferente, a Escola do Mistério nunca foi passada a diante de maneira dispersa como as outras, pois as famílias detentoras do conhecimento misterioso não queriam perder seu monopólio, nem vê-lo degenerar.
Acontece que em todo grupo existem “párias”. Os meios da Escola podiam não ser dos mais honestos e isso afligia alguns membros, que decidiam sair. Infelizmente sair significava a morte, então muitos foram os que fugiram e sumião do mundo conhecido, sabe-se lá para onde.
Esses párias quase sempre ensinavam aos seus acolhedores anfitriões alguns dos mistérios e tecnologias. Assim faziam parecer que sua estadia era uma dádiva divina e muitos foram agraciados como deuses. Outros preferiram pregar o ódio aos seus antigos companheiros, através de rituais. De alguma forma, ou a antiga civilização, ou a Escola do Mistério se identificava com o símbolo da cobra. E assim muitos foram os povos ensinados quanto a “grandeza e nobreza” da cobra, ou da sua manipulação e métodos pelos quais reconheceriam a ardilosa.
Com os homens divididos, e a escrita “perdida”, a Escola do Mistério durante muito tempo se recolheu para renascer mais eficiente, para que nunca mais seu poder fosse ameaçado. Desenvolveram durante esse tempo mecanismos eficientíssimos de ocultação tanto de sua associação quanto de seus intentos. Prontos para uma nova rodada de domesticação, criavam mitos em diversas sociedades, como obeliscos de Arthur Clarke, e sempre se aproveitando dos frutos dos alunos mais proeminentes(Maias, Egípcios, “Chineses”).
Eu não sei se houve um racha na Escola, ou se ela criou uma divisão em níveis, mas o que se justifica pela observação é que houve uma reestruturação interna que tornou impossível bloquiar o desenvolvimento tecnologico humano. De certa forma isso não importava, já que só redescobriam coisas defasadas e não mantinham um desenvolvimento espiritual paralelo que progetasse sua cultura além do seu tempo.
Como quase tudo que se faz repetidas vezes, vez ou outra nos surpreendemos com exentricidades, assim alguns povos obtiveram conhecimentos secretos, por mérito próprio e por traições dentro da Escola, que crescia. Por fim, justificou-se outra reestruturação, ficando a critério de realmente poucos homens os segredos mais poderosos, ou selos.
Com a inveja e a desconfiança as bases da pirâmide da sociedade da Escola e seus segredos, logo se popularizaram, criando desenvolvimento civilizacional com algum ímpeto. Por mais que os segredos mais importantes continuassem secretos, os não tão poderosos bastavam para aglutinar e enriquecer várias comunidades humanas. Aqui começa o desenvolvimento real iniciado no Oriente Médio que seguiu através da balança de poder do tempo por babilônia, medo-persa, macedônios, latinos, anglo-saxões...
O que se observa é que presumindo o livre circular das forças de trabalho, de informação e de alguns pressupostos metafísicos, como o homem-médio, o progresso não é apenas irresistível, mas benéfico e divino.Washington andava numa carroagem não muito mais rápida que a dos ceaseres de outros tempos, mas em cem anos de liberdade tudo isso mudou.
As guildas “detentoras majoritárias” dos segredos popularizados perderam muito de seu controle e o topo da pirâmide, a elite da Escola estudava maneiras ainda mais aprimoradas de manter seu poder. Até então haviam acumulado riquezas incontáveis com o desenvolvimento do sistema inflacionário, que ainda hoje é usado, mas ganharam ainda mais com os ciclos de falência que eles mesmos produziam.
Na verdade estamos em um desses ciclos agora, e se você quiser descobrir quem é o topo da pirâmide basta olhar um andar acima dos maiores beneficiados com a crise. As acusações não param por ai. Teria sido a Escola do Mistério a culpada pelo aprisionamento de milhares de mentes através da distribuição secreta de alteradores da consciência(drogas), o abraço mais comum da cobra. Toda a retórica socialista de garantias, especiação cultural, medos obscuros, teria vindo dai.
Por muito da carga mística da escola ter se perdido com os estudos cada vez mais acurados, esses homens hoje já não são conhecidos como membros da Escola do Mistério, mas reptilianos, os descendentes da cobra.