Ouvi dizer que Olavo teria dito que "o único staretz necessário é Jesus Cristo". Gostaria de saber o que exatamente ele e vocês pensam sobre essa instituição dos startzi (plural de staretz) - ou anciãos, mestres, ou como quiserem chamar - tal como foi concebida na espiritualidade do cristianismo oriental, desde os ascetas do Sinai, passando pelo Monte Athos até a Rússia. Para o cristianismo oriental, esse tipo de "mestres" desempenha um papal central e essencial na manutenção do cristianismo. Vejam aqui: http://www.geocities.com/trvalentine/orthodox/spiritualguide.html
Há diferenças ente "diretores espirituais" em geral e os mestres do cristianismo oriental. Parece que pelo menos desde o final da idade média não se vê no cristianismo ocidental nada equivalente dos "startzi". A diferença principal está na obediência incondicional ("perinde ac cadaver") e na idéia de que eles são quase-absolutamente necessários para elevar-se a certas alturas de realização espiritual. Ou seriam essas diferenças contingentes e sem tanta importância?
O staretz é simplesmente alguém que adquire uma autoridade espiritual natural.
Não existem aquelas pessoas de moral ilibada que quando passam sabão os outros ficam calados porque sentem a força da personalidade correta do "mestre"?
Pois bem,o staretz é isso no que concerne a salvação e a relação com Deus. O perigo que há não está no verdadeiro staretz, mas nas pessoas que pretensamente se apresentem como autoridades espirituais e isso em qualquer religião.
O staretz, porém, será sempre humilde, pode ser ranzinza e até ser o tipo "professor ranheta" mas jamais será um tirano ou vampiro de almas.
E se o Olavo realmente disse que o único staretz que necessitamos é Jesus Cristo, ele está parcialmente correto. Todo ministério verdadeiro na Santa Igreja é uma participação no ministério único de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A questão da obediência é *sempre* subordinada à obediência ao Cristo. Porém, vivemos tempos de orgulho e auto-afirmação desmedidos. É exatamente para combater esse tipo de coisa que a obediência serve. É humilhante? Mas é claro que é! "Os humildes serão exaltados, os orgulhosos serão rebaixados". Esses orgulhosos são,antes de mais nada, nós mesmos.
Quanto a função deles, eles não são os únicos, nem os principais preservadores da Ortodoxia. São um dos elementos dela, e não são imprescindíveis para a salvação. O único imprenscindível é o Cordeiro de Deus.
Alguns vídeos com legenda em inglês de anciões (staretz) romenos:
Está certo, obrigado pelos esclarecimentos. Mas a questão ainda fica de pé. Temos dois modelos de "mestre espiritual": um é o simples "diretor de consciência" que prevalece no cristianismo ocidental pelo menos desde o final da idade média, o outro é o staretz típico do cristianismo oriental. Nos dois casos a autoridade deles não compete com a de Cristo (como você explicou), e trata-se sempre de uma pessoa que adquiriu o respeito dos demais pela sua sabedoria e santidade, etc. Mas no caso dos mestres orientais, vemos que há certas notas distintivas que apontei acima (vocês podem confirmar essas notas lendo textos dos Padres do deserto, dos primeiros hesicastas do Sinai, do Monte Athos, da Rùssia, etc). O que significam essas notas? Seriam apenas características contingentes, próprias de determinada época e lugar? Ou seriam indicativos de que a "instituição dos anciãos" é de natureza diferente dos "diretores de consciência" do cristianismo ocidental?
Um dos meus pontos foi precisamente que as notas distintivas que você pensa ter visto estão equivocadas. Reveja meu texto.
Eu não conheço de perto o trabalho do diretor espiritual católico. Sei apenas o que um amigo católico comenta por alto. Por isso fica complicado tecer comparações.
Vou me restringir ao staretz portanto e a questão da obediência que parece ser a que mais chama a atenção. O staretz não é um conselheiro, nem mesmo um confessor. Ele não é um irmão mais velho. Ele é um pai espiritual. Ele é, ainda hoje, exatamente aquilo que S. Paulo foi tão explicitamente em suas epístolas: alguém que "gesta" e "pare" almas. Assim como S. Paulo, por vezes ele dá ordens. Mas não são as mesmas que um guru ou um chefe. São semelhantes às ordens de um treinador para um atleta. Quando o atleta fica objetando que não fará o exercício porque o treinador não explica porque tem que ser 150 abdominais e não 147 ou 154, o treinador simplesmente chama a atenção que neste caso é mais importante obedecer do que ficar questionando. De fato, se como S. Paulo mesmo disse, devemos ser como atletas, os staretz são os técnicos e treinadores.
Compare o que o Compêndio de teologia ascética e mística de Tanquerey ou obras da mesmo gênero de Garrigou-Lagrange - referências no catolicismo - dizem sobre os "mestres" ou "diretores" espirituais com o que dizem os Padres do deserto, os hesicastas na Filocalia e o Kallistos Ware (no texto que citei acima, resumindo a doutrina ortodoxa sobre a direção espiritual). Aquela história, citada nos Irmãos Karamazovi de Dostoievski, do discípulo que não conseguiam enterrar enquanto não recebesse a permissão de seu mestre - nem o maior dos patriarcas podia intervir - é inconcebível no modelo de direção espiritual ocidental. E este é apenas um exemplo entre outros.
Você está vendo cabelo em ovo com essa questão da obediência e querendo transformar algo perfeitamente simples em uma "exótica disciplina do oriente". Você já praticou algum esporte no qual tivesse um sensei, um técnico ou algo assim? Já teve um professor de dança, de natação ou de linguas? É isso que o staretz na vida espiritual. Simples assim.
Quando eu dou aulas de inglês eu explico para os alunos que, apesar de em português nós falarmos "ouvir música" em inglês tem uma preposição: "listen to music". Quando eles perguntam por que eu explico que cada língua opta por usar ou não prepoposições com os verbos. Se eles forem obedientes e aceitarem que determinadas coisas são arbitrárias mesmo, eles podem passar para o segundo passo que é a prática e assim firmar a nova informação. Se quiserem ser muito "intelectuais" e "questionadores" nunca vão aprender. E a vida espiritual está cheia de coisas assim.
Agora, não há mistura da autoridade espiritual de um ancião com a autoridade eclesiástica de um hierarca. Às vezes pode coincidir de um hierarca ser um staretz, mas nem sempre. A autoridade do hierarca é das regras, dos cânones, tudo inspirado pelo Espírito Santo, mas algo mais inflexível, enquanto o staretz se adapta a cada situação. Se ocorrer na vida real algo semelhante ao seu exemplo ficcional, o que vai é haver um confronto entre a autoridade espiritual e a eclesiástica e poder ir para um lado ou para o outro. Mas não existe nenhuma regra que diz que o hierarca tem que obedecer alguém só porque a pessoa é tida como staretz.
Aliás esse é um ponto importante. Ser um "ancião" é algo que normalmente as pessoas em volta atribuem ao sujeito. Não é como ser monge, diácono, padre ou bispo. É um carisma, não uma função.
Não é nem mesmo como a santidade que eventualmente tem reconhecimento oficial da Santa Igreja. É como ser tido como "excelente cantor", "grande orador" ou "alma caridosa" e assemelhados.
No monastério, porém, a coisa é mais bem estruturada, e aí sim você pode falar de pais espirituais enquanto funções. Para esse contexto, recomendo a leitura dessa exposição no fórum http://monachos.net/:
E uma breve porém pontual análise de como a coisa se flexibiliza quando aplicada a leigos:
"I guess the question arises though because of the degree of monastic obedience and asceticism. The laity rightfully ask to what degree they should be following this also?
The answer I think is, 'to the degree that is right for them'. At first sight this might seem like a lot less than a monastic. But if pursued faithfully it could well be that it is actually as great as anything offered by monasticism."
Não vejo nada de "exótico" nessa discplina, disse apenas que é diferente do modelo de direção espiritual no ocidente. Mas já que você insiste em manter que não é diferente, vou reunir material suficiente (embora eu já tenha indicado algumas fontes) pra mostrar e postarei, quando tiver tempo.
por favor, realmente releia o que eu escrevi. Se eu disse que não conheço em detalhe o diretor espiritual, como poderia ter feito qualquer comparação que fosse? Não fiz comparações. Apenas critiquei que os elementos que você supunha ver no staretz não procedem. Agora, você que suponho conhece o diretor espiritual, é que deve fazer a comparação. Simples assim.
Nunca conheci um staretz. Esses elementos que listei foram tirados da Filocalia, dos escritos dos Padres do deserto e do texto do Kallistos Ware. Aparentemente, você está negando que existam esses elementos diferentes da concepção ocidental do mestre espiritual (se não for isso, então me enganei). Não dá pra dizer que não existe essa obediência "perinde ac cadaver" - e, como disse um Padre do deserto, o discípulo sob obediência a um mestre "has no need to attend to the commandment of God" -, pois ela está documentada nessas fontes que listei.
A minha pergunta é se essas diferenças são contingentes, acessórias, etc. ou se elas implicam que a "instituição dos anciãos" da Igreja ortodoxa é um tipo de direção espiritual essencialmente diversa da direção praticada no ocidente. A maioria dos ortodoxos que conheço tem essa última opinião.
Eu subentendo que, ao dizer isso, você afirma que a existência desse spiritual coach que você descreve é obrigatória. É isso mesmo que você quis dizer?
Ou seja, não se trata de saber se é muito bom que existam "diretores de almas" - e sim sobre se é MANDATÓRIO que existam, em relação a cada um de nós - e, caso SEJA, até que ponto vai este "mandatório". Eu gostaria muito de saber claramente a posição da Igreja Ortodoxa quanto a isto.
O Olavo diz que NÃO é necessário NINGUÉM, ou NADA além de Jesus - com o que eu concordo, aliás.
A discussão está boa, mas está também se afastando do ponto.
Eu tenho toda a Filocalia, livros do Kallistos Ware, Spiritual Warfare e realmente bem mais livros até do que alguns ortodoxos. Eu sei bem o que está lá.
Agora, o que você está insistindo em fazer, acho que nem eu nem você temos condições. Eu não conheço os diretores espirituais senão por fontes secundárias. Você não conhece os staretz se não por fontes secundárias. Então acho que simplesmente temos que nos conformar em nos abster de ter opinião sobre essa comparação.
O que eu tenho tentado fazer é esclarecer como funciona a relação com o ancião, na medida do que eu vi tanto nessas fontes, tanto em conversas com pessoas que tem a graça de um ter um pai espiritual, coisa que infelizmente não temos no Brasil e apenas quem tem algum acesso ao exterior consegue.
Em resumo:
1) A obediência ao ancião é aquela que devemos a alguém que sabe mais. O próprio Olavo já exigiu obediência semelhante quando ele diz que as pessoas da elite brasileira que querem combater o comunismo tinham que "sentar-se caladinhos na minha frente e perguntar o que fazer" já que ele tem um conhecimento que eles não. A obediência perante o ancião é a obediência humilde do ignorante com real desejo de aprender perante o que sabe. O ponto crucial é que o "conhecimento" em questão não é uma tese puramente intelectual, mas uma condição existencial. O ancião é alguém que sabe ser cristão superlativamente e nós não. Obediência e humildade são virtudes relacionadas.
2) O ancião *não* tem autoridade suprema. O ancião *não* é um mestre da sua vida. Só para dar um exemplo, eu ouvi em uma palestra dada por um grupo bem tradicionalista, que *nenhum* confessor ou ancião pode se meter na vida sexual íntima de um casal nem mesmo perguntando sobre o que fazem na cama. Se o cara faz o estilo: "Me enumere as posições que vocês fazem para eu dizer o que é pecado, ou não", ele já está se afastando da modéstia cristã. O aconselhamento é sempre pelo arrefecimento das paixões e quem puder entender que entenda.
Muito menos pode é o ancião uma autoridade maior que os hierarcas da Igreja. Como eu disse, ele goza de uma autoridade espiritual, que não está escrita em lugar nenhum. E, sendo essencialmente humilde, ele só a irá exercer para confrontar a hierarquia quando esta estiver em heresia.
3) Ninguém pode se auto-proclamar ancião. Esta é uma das principais formas de identificar os "gurus". O verdadeiro ancião ou anciã é uma pessoa que além de possuir avançado grau de santificação, possui o carisma de geração espiritual de que fala S. Paulo. E isso, só os beneficiados podem perceber. Não é nem como ser do clero, condição para a qual há uma ordenação pela Igreja. É como ser poeta de verdade. Ou a pessoa é, ou não é. Não adianta auto-proclamar-se ou reconhecimentos oficiais. Quem lê a poesia, se tiver a sensibilidade, logo percebe.
4) A figura do pai espiritual já foi mais respeitada até no que na Ortodoxia hoje. Seu "fóssil" são os padrinhos do batismo. Padrinho e madrinha, evidentemente, significam exatamente "paizinho e mãezinha". *Antes* de ser batizado e como condição de ser apresentado a Igreja a pessoa tinha que ter um pai ou mãe espiritual. E não alguém que conheça conceitos filosóficos corretos a respeito de Cristo ou da Igreja, mas alguém com vivência da santidade. Aos poucos os padrinhos foram se tornando meros orientadores e patronos e o ancião se tornou algo mais genérico. Porém, quando alguém tem a felicidade de se converter através de um ancião, a gratidão pediria que o ancião cumpra a função que já tem de "padrinho".
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Priscila,
O único necessário é Jesus Cristo, porém Ele mesmo não deixou de enviar Seus Santos Apóstolos dizendo "Quem vos recebe é a Mim que recebe". O fato inegável de que a única fonte de salvação é Jesus Cristo não muda o fato que Ele utiliza intermediários para chamar as pessoas a si, sejam anciões, padres, bispos, missionários, pregadores, curadores, monges e às vezes até objetos (vide as relíquias milagrosas).
Bom, OK. Então concordamos todos que O ÚNICO NECESSÁRIO, mesmo, é Jesus.
Os intermediários, por mais santos e carismáticos que sejam, Deus os abençoe, não são mandatórios e muito menos fundamentais. Eu quero dizer para nós, os cristãos em geral.
Se entendida a palavra "necessário" no seu sentido etimológico, então o Olavo obviamente tem razão. Realmente para a salvação nada mais é necessário do que Jesus, afinal de contas Paulo não conheceu starets nenhum e foi chamado pelo próprio Jesus. Contudo na ortodoxia recomenda-se a obediência(não cega) a seus superiores seja na vida civil como na espiritual. E é condenado o aventureirismo espiritual do tipo "eu leio a Bíblia e meu entendimento me basta", ou algo do tipo "Qualquer coisa falo com Jesus e ele me responde".
E dentre esses objetos intermediários entre nós e o Cristo, evidentemente o mais conhecido intermediário, é a própria Bíblia sem a qual muitos nem sequer conheceriam a Palavra de Nosso Senhor.
Agora, é evidente que essa intermediação é contigencial para que a pessoa mesmo tenha uma relação com Deus. E a relação com cada um desses auxiliadores pode ser corrompida. Isso não impediu que São Paulo, na sua condição de pai espiritual, dissesse "Imitem a mim, porque eu imito ao Cristo". E isso em uma epístola inspirada pelo Espírito Santo.
De certa forma, reconhecer um verdadeiro ancião é mais fácil que reconhecer um verdadeiro padre ou bispo. Se o sujeito recebe a ordem, se a hierarquia da Igreja o reconhece, isso cria uma ambiguidade difícil para a maioria das pessoas quando percebem atitudes questionáveis na pessoa.
Um ancião ou anciã, entretanto, tem apenas sua vida para dar testemunho de si. Se a pessoa leva uma vida santa, se suas palavras e atitudes iluminam corações, então é um ancião. Se não, não.
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Mais do que os livros que o Ricardo mencionou, que são a teoria da coisa, especialmente a Filocalia que está para a ascese como um grande tratado de medicina para a prática médica, é importante ver como isso foi aplicado pelos pais espirituais nos casos concretos, na pastoral por assim dizer.
Eu recomendo os Diálogos como Motovilov, que foi publicado em português, mas só deve existir em sebos.
Em inglês, "Talks with Elder Paisios" e também "Precious Vessels of the Holy Spirit: The Lives & Counsels of Contemporary Elders of Greece". Também é de especial valia para nós a vida do Padre Seraphim Rose, que viveu a contra-cultura ao máximo, foi perenialista e abandonou tudo isso pelo Cristo: "Father Seraphim Rose: His Life and Works"
O mais importante é ler os conselhos que eles deram para seus filhos espirituais em casos concretos.
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Priscila,
É como o amigo falou acima. Não podemos confundir a exclusividade ontológica de Jesus Cristo com a práxis da vida cristã. Na prática, sem Bíblia não teríamos uma descrição tão exata da história da salvação. Sem o pão e o vinho, não teríamos o Corpo e o Sangue de Cristo. Sem o Clero não haveria a Eucaristia. Sem a Divina Liturgua não teríamos a graça de vivenciar o paraíso enquanto ainda na terra. Sem os ícones não teríamos as "janelas para o céu". Sem os anciões, seríamos sempre amadores da vida espiritual. São Paulo foi convertido diretamente pelo Cristo, mas não hesitou em colocar como pré-requisito da salvação de seus filhos espirituais que estes imitassem a ele mesmo, S. Paulo.
Falo isso como amigo e irmão, mas é preciso termos enorme humildade e aceitarmos obedientemente as orientações dos pais espirituais. Não porque a salvação esteja neles. Mas porque "aqueles que vos recebem é a Mim que recebem", disse Jesus para os Apóstolos, nos quais se acumulavam diversos carismas, inclusive este. Os pais espirituais são homens como nós, mas a Luz que emana por eles é a Luz do próprio Cristo. Eles realizaram mais profundamente o chamado de S. João Batista: "É preciso que eu diminua para que Ele aumente".
O afastamento da Eucaristia, do clero, da Liturgia,da Bíblia, do jejum, dos santos presentes e passados, da Mãe de Deus e dos pais espirituais é um afastamento do próprio Cristo: "quem vos recebe...". *Não* existe vida cristã individual. Vivemos em comunhão uns com os outros em Cristo ou não vivemos de modo algum.
Quanto ao ser *mandatório*, a orientação da Igreja é clara: todo batizado deve ter padrinhos. Isso tanto na igreja latina quanto na Igreja Ortodoxa. E imagino que algumas comunhões protestantes também.
Agora, esses padrinhos não são nem decoração, nem uma "honra" que se faz a amigos, mas *deviam* ser verdadeiros pais espirituais. Como não são, é importante que se os busque em algum outro lugar.
Como porém Jesus Cristo está ciente da época de dificuldades espirituais que vivemos, Ele sabe que pais espirituais não são exatamente como "xuxu na serra". Porém, ao invés disso nos dar algum tipo de confiança extra, deve aumentar ainda mais nosso temor a Deus, nossa humildade, porque nós somos como turistas na savana africana sem o guia para nos orientar pessoalmente. O que nos salvará é seguirmos o Caminho para longe das feras. Só o Caminho salva. Mas ter alguém que já O trilhou antes tornaria tudo muito mais seguro.
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Quero recomendar também um filme que já destaquei em várias outras situações.
O filme "Ostrov" conta a história de um santo fictício, Anatoly, que após matar seu capitão sob ameaça dos nazistas, vive uma vida de arrependimento em um mosteiro. Anatoly demonstra três carismas da vida cristã: a vida de penitência, a paternidade espiritual e a "loucura-por-Cristo".
Em termos teatrais ele representa o arquétipo do "ranzinza de bom coração" que vemos também em "Gran Torino". Eu destaco isso porque o ancião não precisa ser ranzinza nem ríspido. A escolha desse "tipo" de personagem se deve mais aos objetivos narrativos do diretor, entre os quais que fosse um personagem semelhante a como as pessoas vêem a Igreja (velho e ranheta) e mostrar a essência santa dela (bom coração).
O filme está disponível para ser baixado por aí, embora eu recomende que quem possa, compre o DVD. Se precisarem das legendas em português é só me pedir.
Como me parece que o cerne da questão é a natureza da obediência na ortodoxia, eu peço aos amigos que estão participando do debate que leiam este texto: