Abro esse tópico baseado na idéia de que o totalitarismo é despotismo científico, como o próprio Olavo afirma. Portanto, o processo totalitário é essencialmente moderno, não apenas porque o "despotismo científico" necessita da ciência e, portanto, da separação entre fé e razão para se desenvolver como também apenas os frutos da modernidade (Estado-nação, tecnologia, militarismo) é que torna viável o totalitarismo a ser implantado em larga escala.
O que vemos no fundamentalismo religioso é que existe um pressão sobre o indivíduo e todos os aspectos de sua vida de se curvarem sob o subjulgo do fundamentalismo, algo que ocorre em regimes totalistários. Cria-se um poder central fundamentado nas interpretações religiosas que impõe, através do terror, um novo estilo de vida e de pensar aos seus habitantes.
O ponto, porém, que vejo em comum no despotismo científico e no fundamentalismo religioso é o uso da razão e, portanto, de uma ciência para se concretizar tal fato. Quando se faz uma leitura literal dos escritos religiosos, a fé acaba por perder seu sentido já que não se impõe a nova concepção religiosa através da crença, mas através da razão. O fundamentalismo é essencialmente um ato racional que termina por esvaziar a religião de fé. Afinal, não importa no que se crê efetivamente, mas no que está escrito. É o prevalecimento das escrituras sobre o conteúdo e a mensagem divina ali pregada. Em suma: o fundamentalismo "religioso" não é religioso, mas científico.
Opa! Está querendo se esquivar das cagadas que os devotos fervorosos fazem de acordo com os preceitos divinos e salvadores da alma que o deus/fadinha/duende/bruxinha ordena?
Eu não acho que alguém poderia justificar um ato de terrorismo sendo um fundamentalista cristão. Se o fundamentalismo religioso produzir ódio e violência o erro está na mensagem religiosa, naquela religião específica e não no fato do indíviduo ou da comunidade se calcar nos aspectos fundamentais da sua religião. O contrário é a falsa religiosidade a que estamos a acostumados, venerando o poder, o dinheiro, a luxúria, etc...ou toda essa violência em nome de certos preceitos religiosos, cujo anacronismo é tamanho dentro do mundo moderno, que seguí-los é puro fanatismo...
Fundamentalistas estãoem total acordo com suas crenças. Dizer que as crenças deles estão erradas também ocorre do outro lado, porém em relação a suas crenças.
A História nunca me disse nada referente a usar tão somente os sentidos naturais de que disponho. Aliás, foi exatamente o inverso que ouvi no colégio católico.
Há muito mais indivíduos entre o povo querendo ser enganado do que gente disposto a enganar. E isso não se restringe a determinada classe; a abrangência é vasta.
Não faz sentido incutir responsabilidade de atos deliberadamente religiosos a procedimentos científicos, pois a Ciência é agnóstica. É querer eximir-se de responsabilidade.
Para facilitar a discussão, dê-nos um exemplo concreto em que uma mensagem religiosa, intrinsecamente destituída de razão, isto é, baseada em fé, venha a tornar-se racional.
Não sei se me expressei muito mal ou fui muito mal compreendido.
O Jefferson diz que quero defender os religiosos que fazem cagadas ao usar a religião e para atingir determinados objetivos pessoais; o Murillo dá a entender claramente que atento contra as religiões. Se eu critico o fundamentalismo, sou contra as religiões, contra todas as fés... é branco ou preto, 8 ou 80. Que preguiça de pensar, hein? Eu que digo "PELAMORDEDEUS"!!!
Quando eu falei do fundamentalismo religioso, afirmei que ele é uma distorção da mensagem religiosa esvaziada de fé e transformada em razão. Isso não quer dizer de maneira nenhuma que eu defenda todos os religiosos fora desse contexto e nem que sou contra a crença religiosa. A crítica ao fundamentalismo não é uma apologia ao erros da Igreja, judeus ou muçulmanos. O tema que coloquei é amplo e polêmico. A concepção de "despotismo científico" - citado pelo próprio Olavo - pode ser aplicado ao fundamentalismo. Eu apenas afirmei que o fundamentalismo religioso é o mesmo que esse despotismo, o que caracteriza o totalitarismo. Mas como a discussão sobre essa associação é complicada, eu posso estar errado e talvez a idéia de totalitarimo não possa ser aplicada ao fundamentalismo.
Jeferson, toda a religião se baseia na fé. A questão é que o fundamentalismo, ao tornar as escrituras como mensagens literais, faz da fé um elemento posteriormente dispensável. Esvazia-se a religião de fé tranformando-a em ideologia. Nesse caso, a fé funciona como um impulso para tomar as palavras religiosas como verdades absolutas racionalmente justificáveis e depois "suicidá-la".
O que interessa na religião é que você acredita nela, e não o que você interpreta à respeito do que está escrito. Isso fica à critério de cada um. O fundamentalismo sobrepõe essa interpretação à fé e faz dela dispensável.
Se acreditares que o mundo foi criado em 7 dias, não há problema algum. É porque você acredita. A questão é quando apenas tal afirmação é aceita fundamentado na idéia de qualquer desvirtuação da crença religiosa é má. Quando isso ocorre, não há mais a interpretação da idéia de que o mundo foi criado em 7 dias, mas apenas o que está ali escrito. O conteúdo religioso, de fé, da mensagem divina se perde. É a fé que fundamenta os argumentos interpretativos.
O fundamentalismo é a fé acima e além da razão. Fé nos fundamentos, ressalvados o contexto histórico, os aspectos acesssórios, que são comumente chamados de erros. O mundo não foi feito em 7 dias e ninguém precisa fazer um holocausto pra expiar culpa, mas os fundamentos judaicos cristãos continuam a nortear o caminho espiritual,a elevação moral de seus seguidores. E isso é o centro da questão. E isso é absolutamente fundamental. A única guerra que faz sentido é a religiosa. A verdade é uma só, não pode ser antagônica em si, duas metades que se opõem e estão ambas corretas,porque se são opostas isso é absolutamente impossível...
Há um debate na antropologia entre relativistas e universalistas e parece que há uma polarização nesse sentido, ainda que eu conheça pouco da antropologia em si. Há um antropólogo americano chamado Richard Shweder que escreveu o artigo "Mapas Morais, Presunções de 'Primeiro Mundo' e os Novos Evangelistas" no livro "A Cultura Importa" que é excelente!! Ele se diz ser um "confusionista", ou seja: ele diz que "um 'confusionista' acredita que o mundo cogniscível é incompleto se contemplado de um ponto de vista qualquer, incoerente se observado de todos os pontos de vista ao mesmo tempo, e vazio se visto de 'nenhum lugar em especial'". Ele parece adotar o relativismo cultural como ponto de vista, porém depois ele afirma: "acredito firmemente do 'universalismo', mas o tipo de universalismo em que acredito é um 'universalismo sem uniformidade', o que faz de mim pluralista". Isso quer dizer que entre as diferentes culturas há valores que criam vínculos universais entre as pessoas, entre os quais ele cita serem a justiça, liberdade, lealdade, sacrifício, etc. Eu quase concordo com ele, porque au apenas acrescentaria o fato de que A verdade pode ser alcançada dpor diversos meio. Em outras palavras, é possível ser universal por meios diversos. Richard Shweder se define como um "pluralista".
Por detrás do relativismo - que não pode ser absoluto, em hipótese alguma - há uma verdade universal, total, única, porém que cada um percebe segundo seus princípios e valores. O problema é quando esses princípios se chocam com A verdade. Aí, só o tempo dirá.
Dificilmente um católico que estude seriamente sua religião poderia ser fundamentalista. A Igreja, a séculos, desaconselha a formação teológica desconectada da formação filosófica, não é contrária aos progressos da ciência (a não ser que alguém ainda acredite nas fábulas sobre a Inquisição), mas coloca a razão no seu devido lugar, que é o exame da natureza. Quando há um desequilíbrio para o lado da fé (que pode ser definida como a adesão da razão à Verdade Revelada), gera-se o fundamentalismo; quando há um desequilíbrio para o lado da ciência, gera-se o cientificismo (mal primordial da política do séc. XX).
Particularmente, eu acho sempre importante questionar mesmo as mais profundas verdades (com seus devidos limites, é claro). Afinal, depois de questionada e confirmada, seja como for, sua crença volta ainda mais forte!!
Olha, o homem que deve ser evitado e' o homem de um livro so'. Pessoas que saem por ai' brandindo a Biblia/O Capital/ O Corao como "A Verdade" suprema que chegou aa Terra para resolver a SUA felicidade sao despotas, pois elas querem resolver a felicidade dos outros, elas tem certeza absoluta do que e' bom para os outros. Essa e' a essencia do despota. O despota obviamente quer uma maquina para controlar as pessoas e atualmente lembro-me de duas maquinas de controle do individuo: opiniao publica e Estado. Obviamente, o religioso fanatico quer controlar essas maquinas e, por conseguinte, o individuo.
Enfim, gente fanatica tem que ser mantida longe do poder a todo custo.
Não, e por simples razão. OdeC, bem como os liberais, fundamentam seus argumentos,cuja prática confirma suas teorias, o que não se vê entre os comunistas.
A Folha de S. Paulo publicou há algum tempo uma entrevista (do Independent, se não me engano) com o Antonio Negri. Entre outros absurdos, ele advogava que se esquecesse o desastre das experiências comunistas no Séc. XX.
Um personagem de um filme do Billy Wilder disse certa vez que se a lenda fosse melhor que o fato, era a lenda que deveria ser publicada. Com os socialistas, quando a realidade é pior do que as teoria, esquece-se a realidade e insiste-se na teoria.