Certo dia de verão, quando estava voltando da praia, ouvi uma conversa entre duas dondocas que estavam próximas de mim, discutiam generalidades anti-americanas, o vademecum de sempre. Isso foi no ano retrasado, na época achei que eram apenas esquerdistas no seu costumaz exercício de hipocrisia, que logo depois voltariam a fazer compras nas ruas de Miami ou Nova York, que suas diatribes contra o império não passavam de desarranjos hormonais típicos da menopausa.
Ultimamente, começo a acreditar que as dondocas anti-americanas da Praia Grande poderiam estar sendo sinceras.
Hoje, na semana acadêmica do meu curso, o assunto em pauta eram as ações afirmativas, sob a perspectiva do direito. Foi chamado para palestrar um diretor jurídico da Secretaria Municipal de Educação ou coisa parecida. Achei estranho convidarem apenas um sujeito para expor seu ponto de vista, quando normalmente são dois, achei mais estranho ainda vindo de um DA de universidade particular não-subordinado ao PT, PC do B, P-Sol ou PSTU. O que se viu foi uma repetição dos lugares-comuns dos pró-cotas, com uma vestimenta pseudo-jurídica e pseudo-científica, não chegando nem a ser um debate entre o "amém" e o "sim senhor", era prosetilismo politicamente correto na cara dura.
O mais intrigante é que todo este prosetilismo é convenientemente disfarçado de discussão acadêmica para o adestramento dos estudantes, desta vez não um adestramento ideológico, onde o estudante é convocado a tomar partido do ponto de vista do palestrante, algo muito comum nas universidades federais, mas nesse caso o adestramento é outro, destinado a formar os idiotas úteis.
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"Idiotas úteis" era um termo bastante utilizado pela esquerda em décadas passadas para designar pessoas ingênuas que, nas sociedades capitalistas, eram facilmente conduzidas pelos comunistas para atividades contra seus próprios interesses. Essa condução se dá pelo aparelhamento dos meios de comunicação, das universidades e de quaisquer outros meios a fim de pautar o debate como sendo um debate de tendências internas da esquerda, tudo disfarçado por um "consenso" forjado pelos agentes que acabei de citar.
Vamos voltar a tal palestra. Ela foi ministrada por um funcionário da prefeitura (do PMDB), isso já incute na mente do interlocutor desavisado uma idéia de que o sujeito que está a falar não é esquerdista. O próprio palestrante evitava expor "opiniões pessoais", o que fazia de forma velada, quando mostrou sua satisfação ao comentar a constitucionalidade das cotas para um concurso para professor do município. Ele destilou alguns já conhecidos argumentos dos pró-cotas, sem nunca assumir seu posicionamento, algo que os esquerdistas sempre criticam quando se referem a grande mídia, quanta hipocrisia, não acham?
Me dei conta de que presenciei o "intelectual coletivo" em ação. Segundo Gramsci, o intelectual coletivo é todo aquele que, mesmo sem ter a formação de um intelectual, faz o trabalho de divulgação da propaganda comunista, não existindo nenhuma verdade senão a emanada pelos desejos coletivos, cabendo ao intelectual inculcar gradualmente na cabeça do povo os conceitos criados pela propaganda, já que os conceitos universais inexistem para Gramsci. Como, na melhor das hipóteses, os que ouviram falar de Gramsci naquela platéia podem ser contados nos dedos de uma mão, a grande maioria deve ter ficado mais perdida que surdo em bingo. Sem ter onde achar um contraponto aos argumentos do palestrante-propagandista, boa parte dos ouvintes acabou absorvendo a mensagem, se não o fizeram de imediato, podem fazê-lo no futuro.
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Olavo de Carvalho, no seu brilhante "O Imbecil Coletivo: atualidades inculturais brasileiras", já alertava para o uso de crianças como "agentes da transformação social". Isso não se resume apenas às crianças, pode ocorrer em todas as idades. Voltando para as dondocas de Torres, elas provavelmente foram sofrendo o mesmo processo de lavagem cerebral, desta vez por parte da grande mídia, que aos poucos vai virando caixa de ressonância dos debates internos da esquerda (posto mais detalhadamente sobre isso mais adiante). Cercadas por uma propaganda que sequer imaginam a que serve (sequer desconfiam que realmente é propaganda), não lhes resta alternativa senão usar uma bolsa Prada com o rosto do Che.
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Desculpe, talvez porque seja muito tarde e eu esteja com sono, mas não entendi direito porque o título do tópico é "socialites socialistas". O que socialites tem a ver com o exemplo gramscista que você citou (do funcionário da prefeitura)?
Não sei pq lembrei do título de um filme...O diabo veste Prada 😄
não entendi direito porque o título do tópico é "socialites socialistas
O título não faz remissão às dondocas da praia?
A única coisa que vai me dar uma certa satisfação quanto eftepaíf virar abertamente uma Venezuela (eu sou MÁ, MÁ, e MÁ, perdão, meu Deus...) vai ser ver essa patetalha levar lambada. TODOS os bestalhões que defendem o governo - as mulheres de Prada e bolsinha Vuitton e os homens com o uisquinho na mão e o carrão importado, sempre metidos numa maracutaia governamental e enchendo os cofres da petralhada de propina - vão se arrepender amargamente. O pior é que essa corja FERRA a gente.
Essa gente pateta que apóia e defende comunista sem ligar para ideologia, que o faz em benefício próprio e em busca de vantagens constitui a primeira leva que se fode quanto o tempo vira.
Não aprendem que são para o partido exatamente uma camisinha. São usados, aproveitados e depois jogados no ralo sem um arrepio que seja na consciência.
Me faz pensar: nesse particular, estou com os comunistas. Gente assim merece ser tratada assim, quem se vende merece ser comprado.