Há exatos 35 anos um grupo de capitães do exército português industriados pelo PCP deu um golpe de estado derrubando uma ditadura de quase 50 anos.
A princípio houve júbilo por pte da populaç q saudou, esperançosa, o MFA (Movimento das Forças Armadas).
Mas poucos dias depois já se percebia o q estava oculto naquele movimento. A começar pela música q foi a senha p/ ação (Grândola Vila Morena), tudo cheirava a comunismo. Logo voltaram Álvaro Cunhal e Mário Soares. Sovietes há mto organizados dentro das redações dos principais jornais fizeram desses meios de comunicaç social meros porta vozes dos partidos de esquerda, principalmente do PCP.
Grupos de mães tb organizadas pelo PCP colocavam-se a frente dos prédios governamentais gritando a palavra de ordem "nem mais um embarque, nem mais um embarque", uma alusão a ida de seus filhos p/ o ultramar q elas queriam ver cancelada. Compreende-se a afliç de mães de soldados mas eles estavam indo defender Portugal.
Passados 2 anos, Portugal viu-se reduzido ao seu espaço europeu e debaixo da ameaça constante de uma ditadura comunista. A Guiné Bissau já tinha sido perdida antes mesmo da Revoluç. Angola tornou-se independente c/ o Tratado de Alvor. Era a "Descolonização Exemplar", termo cunhado pelo socialista Mário Soares, um dos verdugos do povo português. Ñ se podia dizer mais: "do Minho ao Timor..."
Apesar de ser um regime autoritário, a governança em Portugal caracterizava-se por 2 aspectos mto importantes, a honestidade de seus executores e a preocupaç c/ as contas públicas. C/ efeito, mesmo fazendo investimentos pesadíssimos em infra estrurura em Angola, Portugal tinha dívida externa zero.
Mas os conservadores portuguêses ñ souberam dominar a ciência da política de fazer as mudanças (q já estavam em curso inelutavelmente). C/ isso, acabaram sendo atropelados pela Revoluç. Concordo c/ a assertiva de D. Bertrand de "não ceder, lutar e vencer". Mas em algumas situações há q mudar p/ q tudo continue, em essência, como estava.
A tragédia humana foi incálculavel. Praticamente todos os portuguêses europeus q estavam no ultramar, cerca de 800 mil, foram p/ a diáspora. Esse nº foi engrossado por dezenas de milhares de goêses q estavam espalhados pelas províncias ultramarinas, concentrados principalmente em Moçambique.
Milhares de pessoas tiveram seus bens roubados ou tiveram q deixar tudo p/ trás p/ fugir da violência. Uma a uma, as províncias foram tornando-se independentes e caindo nas mãos dos comunistas. Agostinho Neto em Angola, Samora Machel em Moçambique, Xanana Gusmão em Timor...
Não perguntaram a populações autóctones se queriam essa independência.
Em seu livro "Portugal e o Futuro", publicado antes da revoluç e q influenciara mta gente, o General António de Spínola defendia a auto determinaç dos povos e a criaç de uma comunidade de países lusófonos a exemplo do q tinha o Reino Unido.
Mas mesmo c/ o Genral a frente do primeiro governo provisório, não houve auto determinaç dos povos. Angola e as demais províncias estavam prometidas ao comunismo internacional. Portuguêses de todas as raças e credos foram traídos por quem deveria defendê-los.
Segue-se um processo de guerra civil em Angola e em Moçambique. Tropas cubanas foram p/ Angola. Em Timor, onde certamente um plebiscito confirmaria a soberania portuguêsa, Xanana Gusmão e seus asseclas da Fretilin atacavam os católicos e todos q defendessem a união c/ Portugal. C/ menos de um ano de independência, Timor foi invadida pela Indonésia.
Milhares de mortos em Angola na guerra civil. Em Moçambique, + de 2 décadas depois da independência, cerca de 3 milhões de pessoas encontravam-se na iminência de morrer de fome. Mas enqto era portuguêsa, nunca se ouvira isso. Como sempre, a revoluç significou roubo, espoliaç e violência contra o povo.
Portugal só livrou-se de vez da ameaça comunista em 1985, + de 10 anos depois do infausto acontecimento.
Portugal ficou de 74 até 85 sob a ameaça de uma ditadura comunista.
A constituição da República Portuguêsa trazia algo como "estado em vias de transição para o socialismo". Tenho aqui comigo mas ñ carece de pegar agora. Era + ou - isso.
Ñ adiantava o povo ir p/ rua e gritar "a ordem, do povo, não é a de Moscovo, a ordem, o povo, não é a de Moscovo". Uma alusão ao poder soviético e sua ascendência sobre Cunhal e seus correligionários. Lembrando q os portuguêses chamam Moscou de Moscovo.
Em 1985, estou citando tudo de memória e essa data pode ter sido um pouco antes, houve uma tentativa de golpe de estado por pte de militares comunistas q a pte + moderada do exército ñ permitiu q lograsse êxito. Foi o último ato da ameça comunista na sua forma + crua e cruel.
Pouco depois Portugal começou a entabular entendimentos p/ a entrada da CEE (Comunidade Econômica Européia) q viria a transformar-se na União Européia.
Até hj o 25 de abril significa p/ milhares de portuguêses o dia em q começou sua debacle.
Passado o 25 de abril, Portugal entrou, e permanece até hj, em decadência econômica e moral.
Tudo q dizia respeito ao passado colonial virou tabu. Portugal é um país paradoxal em termos ideológicos (de acordo c/ os cânones estabelecidos). Conheci mtos partidários do antigo regime q tinham uma visão de mundo extremamente interessante e até idílica.
Eram favoráveis a transferir a capital p/ São Paulo da Assunção de Luanda p/ q ficasse no centro do "império". Por outro lado, conheci militantes do partido socialista q eram racistas e sequer aceitavam q portuguêses africanos retornados recebessem auxílio do governo por terem perdido tudo.
Mas o ínclito Salazar era um tanto tacanho. Só saiu de Portugal uma vez p/ ir até a fronteita falar c/ o Franco. É fato q ele ñ era o presidente mas era o maior líder da nação.
Até a Amália Rodrigues passou a ser boicotada pq sua imagem era associada ao antigo regime. Depois começaram a chegar as novelas da TV Globo por lá q, à exceção de uma ou outra, são um monte de lixo.
No fim, venceu a mentalidade do Velho do Restelo. Esse personagem da obra de Camões retrata mto bem qual é a média do pensamento do povo português. Aliás, justiça seja feita, a de todos os povos.
No dia segte ao 25 de abril fui almoçar fora e falei c/ a dona do restaurante, uma portuga, q aquele dia (o 26) passaria à história por ser o dia da canonização de Nuno Álvares Pereira e disse q isso era bom depois da comemoraç de uma infausta efeméride como a do dia anterior. Vi q a cara dela mudou.
No mundo hodierno, hedonista, as pessoas consideram a liberdade um valor absoluto. Pouco importa q centenas de milhares de portuguêses de todas as raças e credos tenham perdido tudo ou morrido em função do 25 de abril. Pouco importa se a nação entrou em profunda crise econômica. Pouco importa a crise moral e a liberação de costumes q logo se seguiu. Importa é q, como disse a dona do restaurante, recuperamos a nossa liberdade.
Portugal virou uma provinciazinha da Europa. Antes sua vocação era o mundo, hj é viver das sobras q o desenvolvimento europeu possa lhe proporcionar. Mas os portuguêses são livres, livres p/ contemplar sua vergonha.
Prezo mto a liberdade mas nenhum valor é absoluto.
Salazar teve a sorte de ñ viver p/ ver essa afronta a tudo de admirável q Portugal fez ao longo da história. Morreu antes mesmo da revolução. E voltou p/ ser enterrado em sua terra natal, Sta Comba Dão, pobre, como veio ao mundo, pois jamais locupletou-se das funções q exerceu. Prestará contas a Deus s/ ter mto o q temer. Já Mário Soares e gente dessa laia...