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William Ayers, um "ex-radical", segundo o G1

Iniciado por mauricio_3 em 01/05/2009 · 6 mensagens

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Mudança tem que partir do povo, não de Obama, diz ex-radical dos EUA

William Ayers foi acusado de terrorismo por campanha de McCain.
Ele foi militante de esquerda nos anos 60 e apoiou eleição de Obama.

Daniel Buarque
Do G1, em São Paulo

Pivô de uma das principais polêmicas durante a campanha presidencial norte-americana do ano passado, o professor William Ayers agora acha que os progressistas estão se preocupando demais com a chegada da “mudança” prometida por Barack Obama. “As pessoas estão agindo como se ele fosse nos salvar, mas somos nós que temos o poder de salvar o governo dele”, diz Ayers, chamado de anti-americano pelos republicanos, que acusavam o democrata Barack Obama de ser amigo de um terrorista, já que os dois se conheciam por terem atuado na cena política de Chicago.

Ex-militante e fundador da organização radical Weather Underground, que militava contra a Guerra do Vietnã nos anos 60 e chegou a colocar bombas em prédios públicos, Ayers alega que a verdadeira mudança na sociedade americana tem que vir de baixo, partir do povo. “Quando apenas pressionamos o governo para trazer mudança, estamos errados. Precisamos mudar a nós mesmos e mudar o país a partir da mudança da sociedade”, disse, em entrevista exclusiva ao G1, por telefone, sobre os primeiros cem dias do governo democrata. “Estou otimista, pois conheço a história deste país e sei que há uma forte vontade popular de mudar de verdade nossa realidade.”

Desde a eleição de novembro passado, Ayers negou que fosse amigo do agora presidente, e atacou o Partido Republicano por querer culpar Obama por associação com ele. “Era ridículo. Eles tentavam passar a idéia de que eu era responsável por Obama simplesmente porque nós tomamos um café juntos no passado. Isso vai contra a idéia de democracia, pois Obama teria obrigação de falar com pessoas diferentes para ser um democrata”, revelou.
mauricio_3#2
Longe de radical, diz, sua orientação política atualmente se baseia no respeito à democracia, palavra que apareceu várias vezes ao longo da entrevista.

Ataques

Apesar de não estar envolvido diretamente na campanha democrata para a Presidência, Ayers se tornou um dos principais focos da eleição. Ele apareceu em discursos e anúncios eleitorais, foi tema de debates entre os candidatos e sua vida se tornou pública independente dos seus interesses. Quase 40 anos depois da militância radical de que fez parte, o respeitado teórico da educação da Universidade de illinois era apresentado por um dos candidatos à presidência como um grande vilão, e até agora, três meses após a posse de Obama, pressões políticas fazem com que suas palestras sejam noticiadas nacionalmente, e até canceladas.

“Sou um patriota, mais de que as pessoas que me criticam desde as eleições do ano passado. O que eles chamam de patriotismo é nacionalismo, um radicalismo que não aceita nenhuma crítica ao governo ou ao país. Eu amo meu país, mas aceito que ele pode estar errado e faço o que posso para corrigir isso.”

Ayers diz que a continuidade dos cancelamentos de suas palestras não chegam a ser um problema para ele, mas sim para estudantes que gostariam de assistir às palestras, mas que acabam sendo proibidos até mesmo de falar com ele por conta de uma decisão política. “Isso é um abuso contra os direitos democráticos dessas pessoas. Cancelar uma palestra por interesses políticos é antidemocrático. Que perigo pode haver em uma palestra, em uma conversa?”

Apesar da freqüência, os ataques do Partido Republicano não o ofenderam, mas ele diz que se recusou a participar. “Foi surreal e desonesto. Trataram-me como se eu fosse tóxico e pudesse contaminar o candidato democrata com ‘terrorismo’.” Mesmo assim, Ayers diz que os ataques nunca chegaram às ruas e ele sempre foi muito bem tratado, muito respeitado. “Meus livros estão vendendo mais do que nunca”
mauricio_3#3
Terrorismo

Ayers era tratado por setores mais conservadores da campanha sempre como um radical que odiava seu país. Em uma série de discursos dias antes da eleição, a candidata a vice de John McCain, Sarah Palin, dizia que Obama andava se “enturmando com terroristas” – e analistas ligados ao partido sempre diziam que ele era um terrorista não-arrependido.

Apesar de admitir a ação radical, ele nega que seu grupo tenha atacado pessoas, e se diz contra a violência. “Nunca aceitei a idéia de atacar e matar pessoas, mas acho que o que fazíamos era importante para fazer as pessoas pensarem sobre o que nosso governo estava fazendo, e cobrarem uma mudança”, disse. “Eu não sou um terrorista. Nunca fui. Lutei contra a guerra do Vietnã, que era o verdadeiro terrorismo. Nosso objetivo era justamente o de dar fim ao terrorismo do nosso governo.”

É um absurdo, alega, que ele seja chamado de terrorista por ter lutado contra a guerra enquanto John McCain, que participou do conflito no país asiático, seja visto como herói. “É uma enorme inversão de valores. McCain não deveria ser visto como herói.”
Brasil

Durante a entrevista, Ayers disse conhecer um pouco a realidade política brasileira, e saber que os ex-militantes de esquerda que faziam oposição à ditadura atualmente fazem parte do governo, e dificilmente são atacados como aconteceu com ele nos Estados Unidos. Segundo ele, é preciso levar em consideração o que cada pessoa aprendeu ao longo do tempo, e não apenas o que foi feito em casos isolados há mais de 30 anos.

“No caso do Brasil, a oposição estava do lado certo. Isso não significa, entretanto, que eles estivessem certos em qualquer coisa que fizessem, nem que não tenham cometido erros. Os erros devem ser levados em consideração, mas é preciso dizer que estes erros e esta ação então chamada radical não desqualificam nenhuma pessoa – como também não tornam ela imediatamente qualificada”, disse.
mauricio_3#4
andr_10#5
A folha também gosta de classificar o William Ayers como um ex-radical. Veja:
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u467878.shtml
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O engraçado é que no texto da reportagem, William Ayers disse que apesar de terem sido imorais e ilegais seu grupo deveria ter feito mais dos seus atentados contra o governo americano. E isso porque ele é apenas um ex-radical...
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mauricio_3#6

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