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O Caso Simonal

Iniciado por orkut_7 em 11/05/2009 · 36 mensagens

orkut_7#1
Culpado ou inocente? Dedo-duro a serviço da ditadura militar ou um grande artista falastrão vítima do pronceito e de sua própria ingenuidade? Ter sua carreira brilhante arruinada não foi uma pena desproporcional ao papel que teve em um episódio policial que ainda permanece nebuloso? Quem assistir ao documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei não encontrará respostas definitivas a essas questões. Vem daí o grande mérito do filme que estréia na próxima sexta-feira em Porto Alegre. A trajetória de ascensão e queda de Wilson Simonal (1939 – 2000) é o foco da produção dirigida por Claudio Manoel, integrante do grupo Casseta & Planeta, Micael Langer e Calvito Leal.

Nos anos 1960, Simonal despontou como um dos grandes grandes ídolos da MPB, tendo como rival à altura apenas Roberto Carlos. Intérprete de sucessos como Meu Limão, Meu Limoeiro, País Tropical e Sá Marina, Simonal lotava ginásios, era garoto-propaganda na TV, desfilava com belas mulheres e carrões importados, ganhava e gastava muito dinheiro. Autoproclamado “O Rei da Pilantragem”, Simonal envolveu-se, em 1972, em um caso policial que ganhou dimensões políticas. Desconfiado dos números apresentados por seu contador, o cantor pediu a amigos policiais ligados ao Departamento de Ordem Política e Social (o Dops, principal braço repressivo da ditadura militar) para pressionarem o responsável por suas finanças. O episódio fez com que Simonal fosse acusado de colaborar com o regime e ser delator de colegas engajados policamente à esquerda. Mais que cair no ostracismo, Simonal foi banido da MPB.

Com cenas de arquivo raras e depoimentos de personalidades como Nelson Motta, Ziraldo e Chico Anysio, o documentário – como admite na entrevista a Zero Hora o diretor Micael Langer – tem como objetivo principal destacar o artista e a riqueza de sua obra.

Confira ao lado.
orkut_7#2
Zero Hora – O documentário sobre Simonal traz o depoimento de Raphael Viviani, que foi o pivô do episódio que denegriu a imagem do cantor. Viviani reafirma ter sido preso e torturado a mando de Simonal. Era preocupação de vocês evitar um filme chapa-branca, comum em obras biográficas?

Micael Langer – Seria uma grande irresponsabilidade apresentar um filme chapa-branca. Não buscamos julgar o Simonal, mas colocar todas as informações, para o espectador fazer seu juízo. Já tínhamos um filme bacana com as entrevistas e as imagens de arquivo, mas falar com o Viviani era fundamental. Contratamos um detetive e o achamos. Para nós, bastaria apenas registrar que tentamos falar com ele. Batemos na sua porta sem avisar, com a câmera na mão, e ele topou falar.

ZH – O fato de o contador confirmar as acusações tantos anos depois não é indício contundente do envolvimento do cantor?

Langer – O Simonal mandou mesmo dar uma prensa no Viviani. A condução da ação e o envolvimento do Dops foram uma grande infelicidade. Simonal foi prepotente e arrogante. Achou que era intocável. Na verdade, nunca vamos conseguir entender como um caso policial se transformou em um grande caso político. A história toda é um grande quebra-cabeça.

ZH – O filme menciona que Simonal foi o único esquecido pelo processo de anistia no Brasil. Ele teve a carreira arruinada: colegas, imprensa e promotores de shows lhe viraram as costas. Essa reação foi desmedida?

Langer – Anistiaram torturadores, terroristas, gente que matou e mutilou, mas Simonal jamais foi anistiado porque a condenação dele como delator não era oficial, era por baixo dos panos. Ele foi um bode expiatório porque incomodava os dois lados.
orkut_7#3
A direita não admitia um negro bem-sucedido e idolatrado. As pessoas hoje ficam surpresas ao ver que, no Brasil dos anos 60, havia um artista que enchia o Maracanãzinho, emplacava um sucesso atrás do outro e tinha um comportamento muito à frente do seu tempo. Ele era garoto-propaganda da Shell, viajava com a Seleção Brasileira, era um verdadeiro ídolo pop. Já a esquerda o achava um alienado a serviço do regime. É uma grande injustiça atribuir a alguém com a origem humilde do Simonal um engajamento político. Isso era coisa de artista que vinha da classe média. Na realidade da qual ele vinha, as preocupações eram outras. Simonal só era militante engajado contra aquilo que o incomodava e que ele conhecia bem, o racismo.

ZH – Na época, não havia meio-termo. Ou se era a favor ou contra a ditadura?

Langer – O filme aborda o período da ditadura sem viés ideológico. Houve vítimas de todos os lados. A questão política só estava presente entre artistas, intelectuais, no meio acadêmico. Para o caixa do supermercado, o cara da padaria, a empregada doméstica, isso não dizia respeito. Não se tinha notícia de tortura, a mídia estava sob censura. Mas aí entra o episódio do Simonal. Por que o caso dele, que falava de tortura, de Dops, foi tão noticiado? Poderia haver o interesse do governo em prejudicá-lo plantando essa história de delator. E a classe artística, comprando a ideia de ele ser dedo-duro a serviço desse mesmo governo, lhe virou as costas. Temos esperança de que nosso filme, além de despertar o interesse pela obra do Simonal, suscite um debate.
orkut_7#4
ZH – Os cantores Max de Castro e Wilson Simoninha, filhos do Simonal, também são entrevistados. A família não ficou incomodada com o depoimento do Viviani?

Langer – Não, o Max e o Simoninha estão inclusive participando da promoção do filme. Eles mais ganham do que perdem com a redescoberta de Simonal. Eles sempre conviveram com o sentimento de que o pai havia feito algo errado. A questão é que Simonal pagou pelo que fez com o Viviani. Ele foi preso, condenado. Mas sua pena maior foi pela suspeita de ter sido um delator. Se é grande a chance de ele ter mandado surrar o contador, é grande a chance de ele não ter sido um delator. O Simonal não foi apenas esquecido. Ele morreu pela boca e foi enterrado vivo.

MARCELO PERRONE

A redescoberta de um ídolo pop

A boa recepção ao documentário sobre Wilson Simonal ajuda a promover a redescoberta de sua obra. Seus principais discos estão fora de catálogo, mas está sendo reeditada a caixa Wilson Simonal na Odeon (1961-1971), com nove CDs que reúnem 12 discos gravados pelo cantor na gravadora. Também está a caminho o disco México 70, gravado no México e inédito no Brasil, que traz versões de Simonal para Rain Drops Keep Falling on My Head e Aquarius, da trilha do filme Hair. Estão previstos ainda uma compilação em CD duplo e livros biográficos.

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2…2290§ion=999
antnioluiz#5
A informação que tenho é que quem fudeu o Simonal foi a patota do "Pasquim", em especial o sr. Jaguar (que, recentemente, mesmo provada a inocência do grande cantor, declarou que não se arrependera).
tm_orkut#6
A direita não admitia um negro bem-sucedido e idolatrado. (...) Já a esquerda o achava um alienado a serviço do regime.

PQP! A esquerda difama, julga, condena, remete ao ostracismo, sem anistia, o cara MORRE por causa disso e o diretor desse documentário anda acha que seu maior crime foi ser politizada demais. E a direita, que nada tem a ver com o angú, é taxada de racista...

Se "a direita" é tão racista assim, porque raios o negão Simonal foi procurar justo os cumpadi do DOPS para dar uma prensa no produtor malandro que depois posou de coitadinho???

Esse é mais um caso parecido: o João Carlos Martins que, após um envolvimento com Maluf, foi condenado ao ostracsmo (no Brasil) pela inteligentsia esquerdista.
antnioluiz#7
O Tom lembrou bem. É algo parecido com o que ocorreu com Leila Diniz. Quem a socorreu quando ela teve a integridade física ameaçada e a esquerda lhe deu as costas? Quem? Quem? Quem? O Flávio Cavalcanti, um cara de direita. O próprio Joaquim Ferreira dos Santos (autor da biografia da cantora), um homem de esquerda, reconheceu isso publicamente, na TV (em entrevista ao Chico Pinheiro, na Globonews, se não me faqlha a memória).
priscila#8
O Flávio Cavalcanti foi um sujeito extremamente decente - e mais: não juntou dinheirama alguma, como hoje se vê que os caras fazem. Fez uma boa casa aqui em Petrô, mas não deixou nada de espantoso em matéria de grana. E era execrado e altamente perseguido e caluniado.

A esquerdalha causou a destruição completa de milhares de reputações e carreiras.
priscila#9
Pessoalmente, conheço um senhor cuja carreira - que não era artística - foi a história de uma monstruosa perseguição e máxima sabotagem por parte dos comunistas. Ele me disse que quer escrever um livro sobre o assunto, o que eu ardentemente incentivei: precisamos de testemunhos e documentos! Quando estiver pronto, já me comprometi a ajudar a fazer a máxima divulgação.
marcos_11#10
Uma vez, o insuspeito Jorge Amado, escritor e ex militante do PCBão, do qual foi, inclusive, deputado constituinte em 1945, disse, retratando muito bem a diferença entre um regime totalitário e um "apenas" autoritário, q, enqto no Brasil, um perseguido político virava herói nacional para as classes médias, na URSS, um perseguido político virava um pária q tinha contra si o ódio cultivado desde os bancos escolares. Isto é, as crianças russas aprendiam q o Soljenytzin (desculpem, sei q está escrito errado mas não lembro como é o certo) era um criminoso qdo ele era um herói. Por outro lado, o Prestes, perseguido pelo regime militar, era tratado c/ mta condescendência pela sociedade civil.

Tb na URSS cultivavam a memória de um menino russo q tinha delatado o pai pq este não dera a contribuição de grãos q o estado exigia. Esse ser abjeto era considerado um herói pelo regime comunista.

Essas situações q descrevi acima demonstram a diferença do q ocorreu no comunismo e no nazismo em relação ao q ocorreu em regimes autoritários como o brasileiro.

O Simonal, portanto, um suposto colaborador do regime militar, ficou s/ emprego e no ostracismo em plena ditadura (ditabranda) militar!!?? Como é q a comunistada explica isso?

O patrulhamento exercido pela esquerda era, ao fim e ao cabo, + destrutivo do q a perseguição política movida pelos militares.
marcos_11#11
Flávio Cavalcanti foi um exemplo de democrata. Assumidamente anti comunista, apoiou, como a maioria das pessoas de bem, o movimento de 1964 q impediu a instalação de uma ditadura comunista no Brasil , parecida c/ essa da qual o povo cubano até hoje não conseguiu livrar-se.

Ainda assim, era capaz de atitudes de absoluto respeito c/ quem pensava diferente como nesse caso da Leila Diniz, já aludido acima, e tb qdo foi o primeiro a entrevistar Luiz Carlos Prestes, recém chegado do exílio em 1979.

Os esquerdistas não são capazes de atitudes assim.
antnioluiz#12
Mandou bem, Marcos!
solange_2#13
Flávio Cavalcante em seus programas de TV quebrava pilhas de discos vinil da época.
A música começava a tocar e este interrompia com o bordão "Um instante Maestro!"
Aí comentava a música avacalhando-a completamente e do seu pódio pegava o disco e arrebentava-o jogando numa pilha ao seu lado, hehe. Nossos ouvidos foram poupados de muita M graças a Deus porque aquela atitude ao vivo queimava evidentemente o músico, compositor, grupos..Quem dera tivéssemos hj mil Flávios limpando a mixórdia "musical" que se toca nas rádios e programas de auditório. Hehe..era engraçado, mas sério.
lisfl#14
A direita se incomodar com um artista negro tão popular é coisa bem cínica de quem quer colocar novamente o rótulo de racista na população conservadora.
Simonal era mesmo excepcional...mas estava longe de ser o único, ou o mais popular ou melhor pago.

Essa gente dá entrevista e sorrateiramente como víboras plantam o veneno!

Que não entrem nessa onda os que pretendem "deixar em aberto" as conclusões sobre a verdade de Simonal!

Ele incomodava sim...e muito , os intelectualóides comunistas que tomavam uma posição ideológica - até hoje não sei se por pura ideologia ou se pela garantia de sucesso e grana. Nunca uma "ditadura" rendeu tanto $$$$$$ para os opositores!

Simonal incomodava por ter sido um Cabo - pessoal da farda incomoda sempre!

Na MPB em plena erupção de músicas de protesto subliminares, umas censuradas outras não, como podia alguém fazer tanto sucesso sem aproveitar a partitura para "mandar um recado"?

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Preconceito da Direita e do Regime Militar com um negro bem sucedido?

Simonal fez vários Shows no Circulo Militar de São Paulo, que era bastante agitado em programações sociais. Que recebia artistas internacionais e nacionais de todas as cores!
Como Jair Rodrigues. Como Agostinho do Santos - Como Jonhny Mathis. Como Earl Grant. Como Jorge Ben. Como o sucesso absoluto de Sargentelli e as MULATAS fazendo daquele local o baile de Carnaval mais procurado e animado de SP?

Quero que esses canalhas de "meias-palavras" e plantadores de mentiras voluntárias e com endereço certo vão é prestar contas no inferno!

Simonal incomodou mesmo!
Porque não fazia parte da turma cachaceira do Pasquim e do Canecão!

Para o diabo essas cobras criadas pela anistia!!!
paulo_18#15
Eu era leitor daquele lixo do "Pasquim" (tinha algumas boas piadas e afinal eu era apenas um estudante).
Foi exatamente isso o que aconteceu: a esquerdalha vagabunda difamou o Simonal
por ele não rezar pela cartilha do Partidão.
Fizerem o mesmo com um montão de gente, tentaram queimar de todas as maneiras o movimento da Jovem Guarda (nesse caso sem exito), entre outros.
São esses mesmos vagabundos, Ziraldo e Cia., que hoje recebem generosissimas compensações com o nosso dinheiro, por terem "combatido a ditadura".
marco_6#16
No meio da entrevista, tinha q sair merda: "... a direita não admitia um negro bem sucedido...";
Qto ao linchamento moral q o (tolo) Simonal sofreu, pouco se fala. Ele foi tratado c/ pária pela tal direita, q, como sabemos, domina as "artes" no Brasil...
francisco#17
Olavão mete a pica na "tchurma" do Pasquim:

Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=wjLYICA94c0&eurl=&fea…yer_embedded
velour#18
Que história é essa da Leila Diniz e do Cavalcanti?
antnioluiz#19
A história é meio comprida. Pra resumir: o Flávio a escondeu em seu sítio, enganando os milicos que a perseguiam.
fernando_10#20
Aquele Pasquim era engraçado quando as tirinhas não eram sobre política.

Eu lembro que tinha um maluco barbudo que ficava de cueca e óculos escuros distribuindo Pasquim no sinal de trânsito em frente à escola em que eu estudava.
Quando ele dava um sumiço, rolavam uns boatos no bairro de que a polícia havia dado cabo dele, mas ele sempre aparecia novamente.

Mas, anos depois, o humor do Pasquim foi completamente ultrapassado pelos Casseta Popular e Planeta Diário - com a vantagem de que o escracho era mais puro sem aquela palhaçada esquerdista de policiamento ideológico que rolava no Pasquim.

Nunca vou me esquecer daquela manchete com a foto da explosão da Challenger e o título "Wilza Carla explode em Terça-Feira de Carnaval". 😄
collector#21
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Talvez o que mais incomodou os esquerdopatas foi a letra:
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Pra ter fon fon Trabalhei, trabalhei
...ninguém sabe o duro que dei...
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thiago_7#22
cara ri muito com o olavo falando do ziraldo pereto dos dois minutos fica hilário
wagner_8#23
Fui ao cinema, ver o filme do Simonal. Não há como deixar de chorar. É uma lástima como as pessoas se maltratam, se enganam e morrem com mentiras até o pescoço. Simonal era um bom cantor, mas errou ao buscar auxílio de trogloditas para bater no contador. Para quê isso? Bastava que enfrentasse o cara na justiça do trabalho e pronto. E se achasse que o cara era ladrão, porquê ele não foi - sozinho, como homem - tirar satisfações do sujeito? No máximo iriam os dois para o xilindró passar uma duas noites por briga e só.
E a esquerda, que papel feio. Crucificar o Simonal por um erro abominável, mas um erro que não tinha nada de político. Simonal nunca foi delator de artistas, não existe uma única anotação nos arquivos do SNI ou do DOPS sobre isso.
Já a Dona Dilma e o Seu Genoíno....................
orkut_7#24
Simonal era apolítico, isso já era suspeito por si mesmo pela classe artística na época e até hoje. Quem viu o filme "O que que é isso companheiro?" deve lembrar da cena em que um sequestrador do embaixador criticou um artista amigo dele por se esconder em uma casa de bonecas, alusão a uma peça de Ibsen em cartaz, que o artista fazia parte do elenco. Isso se chama patrulhamento ideológico. Mandar baixar o porrete em um desafeto é apenas um pecadilho, não ser engajado políticamente, um pecado mortal.
antnioluiz#25
"Simonal era um bom cantor, mas errou ao buscar auxílio de trogloditas para bater no contador. Para quê isso?"

Talvez porque ele tenha visto o que aconteceu com o Pelé, que teve toda sua fortuna roubada pelo advogado, sei lá...
antnioluiz#26
Enquanto isso, a esquerda festiva carioca tentando amenizar o caso Simonal:

[img]/orkut/photos/OgAAAAApeMMYAL5IvrpMQMnQm9_ry5vaZwWLbRzdA370hnxUqepi8kI7klVRXjssMCLw2xw-wMBQYlEg6Ofi0b3w3jIAm1T1UMVbeEttp5Gckp4oDjG0mPpUaaNw.jpg[/img]
[url]/orkut/photos/OgAAAAApeMMYAL5IvrpMQMnQm9_ry5vaZwWLbRzdA370hnxUqepi8kI7klVRXjssMCLw2xw-wMBQYlEg6Ofi0b3w3jIAm1T1UMVbeEttp5Gckp4oDjG0mPpUaaNw.jpg[/url]
riscardo#27
riscardo#28
(...)

Novembro de 1971

• Simonal é vaiado em um show no Teatro Opinião, a casa de espetáculos de protesto e de resistência ao Regime Militar, no Rio. O tablóide carioca “O Pasquim”, que também representa a oposição ao autoritarismo e à censura, o chamará de delator. As vendas de seus discos caem drasticamente, e o cantor tem alguns shows cancelados; os convites para novos espetáculos rareiam. Simonal passa a ser evitado por músicos e agentes artísticos. Os jornalistas continuam a procurá- lo, mas agora para repercutir a boataria acerca de seu suposto envolvimento com a repressão.

(...)

Janeiro de 1999

• O então Secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, assina um documento atestando que, após pesquisa realizada nos arquivos de órgãos federais, como o Serviço Nacional de Informações e o Centro de Informações do Exército, não foram encontrados registros de que Wilson Simonal de Castro tivesse sido servidor, prestador de serviços eventuais ou simples colaborador voluntário dessas organizações. O cantor vai ao programa de TV de sua amiga Hebe Camargo, e lê o texto da nota de Gregori, mas a repercussão que obtém com esse gesto é ínfima.

(...)

10 de novembro de 2003

• Após investigação de um ano sobre o passado de suposta cooperação de Wilson Simonal com os serviços de segurança da Ditadura, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) conclui: o cantor é “artista honrado e merecedor do reconhecimento nacional, razão pela qual tem o direito de ser reabilitado moralmente, mesmo que de forma tardia”. A apuração da OAB fora solicitada pela família do artista, mas seu resultado obteve uma divulgação apenas modesta na mídia.

(...)

Fonte: http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/41…219821-3.asp
francisco#29
Stalinismo puro o que fizeram com o grande Simonal.
ayrton#30
up
leonardo_2#31
Simonal morreu pobre , muito doente , sem voz e esquecido pelo povo , imprensa e crítica.

Já uns e outros que foderam com a carreira dele , levam a vida numa boa , usufruindo da bolsa ditabranda .

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imagem
http://lh4.ggpht.com/-bhXO7vU8Nf4/TopITTh8fSI/AAAAAA…/s600/01.jpg

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Afinal , como bem definiu o Millor : 'NÃO ERA IDEOLOGIA, ERA INVESTIMENTO"
eric_2#32
Ziraldo fdp roubou 1 milhão de reais do povo brasileiro!!!!
riscardo#33
Durante os muitos anos dos festivais de canção, Simonal foi a grande e principal atração. Chegou a reger, sozinho, um Maracanãzinho inteiro, lotado, tal era o fascínio do público por Simonal. Entretanto, como Simonal havia brigado com seu contador por questões financeiros e fiscais, e este contador era o contador de diversos atores e diretores da Globo, o diretor João Carlos Magaldi, por deter um poder enorme de comunicação (ele era exatamente o diretor da Central Globo de Comunicação) inventou um boato terrível sobre Simonal visando especificamente destruir completamente a carreira de Simonal. Ou seja, como eram os anos da ditadura e a Globo era o porta vez dessa ditadura, Magaldi inventou que Simonal era alcagüete, dedo duro, e que estaria dedurando grande parte da classe artística para a polícia.

A classe artística inteira voltou-se contra Simonal. O público inteiro tomou asco, nojo, repulsa por Simonal. Pois se o fato de ser traidor já é algo abominável na cultura brasileira, imagine-se então um traidor em tempos de ditadura. E com isso a carreira de Simonal foi completamente destruída por um boato gerado dentro da Central Globo de Boatos e até a morte Simonal jamais conseguiu recuperar-se da fama de traidor, embora esta "traição" tivesse sido amplamente desmentida a posteriori, inclusive em um dos meus livros, pois conforme dito anteriormente o boato mentiroso, quando não queima... Suja.

Fonte:
http://www.fazendomedia.com/globo40/romero13.htm
riscardo#34
Na imprensa, Simonal aparecia ao lado do “gerente de comunicações e marketing” da Shell, João Carlos Magaldi, futuro diretor da Central Globo de Comunicações. O Jornal da Tarde noticiou o acordo, em 17 de setembro de 1969, como “o mais fabuloso contrato de publicidade já assinado” – se hoje certa cultura brasileira é fortemente subsidiada pela Petrobras, naquele tempo a música de Simonal já era, em parte, subproduto do petróleo.

Magaldi fora um dos vértices da agência publicitária Magaldi, Maia & Prosperi (MM&P), que em 1965 esculpiu a coqueluche nacional do programa Jovem Guarda, comandado por Roberto, Erasmo e Wanderléa na Record. Reza uma entre várias lendas que Carlito Maia, funcionário da Globo a partir de 1974 e futuro fundador do PT, extraíra o nome de batismo “jovem guarda” de uma frase do líder socialista russo Lênin. Carlos Prosperi, o outro publicitário da trinca, seria um dos fundadores d’O Pasquim, lançado em junho de 1969. Segundo escreve Jaguar no primeiro volume da antologia do tablóide, editado em 2006, O Pasquim foi gestado “na casa do Magaldi, diretor da TV Globo”.

A montagem das peças desse jogo de xadrez tira o chão da versão maniqueísta da história, quase sempre predominante, de que a origem dos anos de chumbo de Simonal estaria na oposição inegociável entre ele, à direita, e o exército d’O Pasquim, à esquerda. De Simonal e Roberto Carlos a Ziraldo e Jaguar, de homens de negócios e publicitários a jornalistas e músicos, de esquerdistas a direitistas ou “apolíticos”, todos eram filhotes da mesma ninhada (não custa repetir, Simonal dividira até empresário com Chico Buarque, futuro herói vitalício da esquerda). Em depoimento ao documentário, Jaguar parece desenhar instintivamente essa conclusão, ao afirmar num riso tristonho, diante de uma garrafa de cerveja Jaguar: “Ele morreu de cirrose, podia ter sido eu”.

(...)

Assessora de Flávio Cavalcanti nos anos 1970, a jornalista Léa Penteado formulou uma versão mais incendiária para o caso, na biografia do apresentador que lançou em 1993. “Só depois de muitos anos (Simonal) soube, através de amigos, que o dinheiro desviado por Viviani era repassado a Dulce Maia, irmã do publicitário Carlito Maia, conhecida militante de esquerda, com o objetivo de financiar guerrilhas”, Léa escreveu e publicou em Um Instante, Maestro! (Record).

Ligada a Carlos Lamarca, Dulce foi torturada e banida do país em 1970. “Esses dados foram extraídos de uma entrevista que fiz com Simonal, em 1991 ou 1992”, me contou em 2008, Léa, então secretária de Cultura de Santa Cruz Cabrália (BA). A hipótese que lançou até hoje não foi comprovada. Nem tampouco foi testada ou investigada, seja na imprensa ou noutro canto.

Furioso até hoje com o que classifica como “inveja” contra Simonal, Nonato Buzar (à época compositor de trilhas de novelas da Globo) joga a esmo mais alguns tijolos no muro inconcluso. Sobre o momento em que o parceiro descobriu o suposto desfalque, ele diz: “Simonal foi procurar o Rui Brizola, e não encontrava. Todo mundo tem amigo detetive, da polícia, quem não tem? Foram procurar o Rui em vários lugares, inclusive na casa do Carlito Maia, e lá encontraram coisas subversivas. Eu fui preso três vezes, porque era fundamentalmente contra a ditadura, sempre fui. Simonal nunca nem pensou nisso. Prenderam ele, aí disseram que caguetou o Carlito. Ele caguetou sem querer”.

(...)

Midani também trouxe Magaldi à baila: “Há uma pessoa que, me parece, poderia ter trazido importantes informações, e essa pessoa era Magaldi, que não está mais conosco. Era sócio do Simonal e, conseqüentemente, teria sido também roubado. A gente nunca ouviu nenhum comentário de sua parte, e no entanto foi Magaldi que deflagrou a campanha contra o ‘dedo-duro’ Simonal”.

Fonte: http://pedroalexandresanches.blogspot.com.br/2009_06_01_archive.html
riscardo#35
 Simonal, ditadura e memória:  do cara que todo mundo queria ser a bode expiatório

http://uff.academia.edu/GustavoFerreira/Papers/70613…e_expiatorio

Esse artigo é uma síntese de alguns capítulos da dissertação “Quem não tem swing morre com a boca cheiade formiga: Wilson Simonal e os limites de uma memória tropical”, defendida por Gustavo Alves Alonso Ferreira em março de 2007 na Pós-Graduação de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).
riscardo#36
http://cadaumtemolivroquemerece.blogspot.com.br/

Blog do Gustavo Alonso Ferreira, autor do livro "Simonal: quem não tem swing morre com a boca chea de formiga" e corajoso defensor de uma polêmica tese sobre Chico Buarque.

http://musicariabrasil.blogspot.com/2011/10/pilantra…que-mpb.html

http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2011/09/…b-405117.asp

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