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Rush Limbaugh cita Ayn Rand e condena sacrifícios

Iniciado por breno_2 em 12/05/2009 · 31 mensagens

breno_2#1
[A seguir estão trechos de uma transcrição de um programa de Rush Limbaugh transmitido recentemente. Citando frases de Ayn Rand e discursando dentro do espírito de The Fountainhead, Limbaugh rejeita e condena os atos de auto-sacrifício e de abnegação; e defende e enaltece o auto-interesse, o individualismo e a realização pessoal. Ele chega ao ponto de definir o bem comum como "todos agindo como um indivíduo... perseguindo o próprio interesse." Isso é importante no debate pró-capitalismo e anti-socialista porque obviamente não é possível defender o capitalismo, o livre-mercado, o motivo do lucro e o sucesso empresarial se atos de sacrifício, de desinteresse pessoal e de servidão abnegada aos outros são considerados corretos e nobres. Os comentários em negrito e entre colchetes são meus, além da tradução. Obs: eu mantive a pontuação como aparece na transcrição original.]

A aqueles de vocês que são novos no programa, por favor eu quero que entendam que a crítica à administração Obama aqui e a discordância com praticamente todo elemento da sua agenda são baseados em uma só coisa. Nós não queremos perder a liberdade com a qual nós nascemos neste país e que fez dele o maior país na terra e que nos deu o maior e mais próspero estilo de vida do que qualquer população humana da história do planeta. [Liberdade é uma condição política indispensável para ampla criação e distribuição de bens e serviços.] Foi a liberdade; foi a ambição e o desejo de utilizar essa liberdade dentro do conceito de auto-interesse... Os esquerdistas ["liberals"] sempre falam em sacrifício, Obama, toda vez que abre a boca, menciona a necessidade das pessoas se sacrificarem. Nós todos devemos sofrer. Nós todos temos que sofrer unidos para que de alguma forma nós todos sejamos iguais, e o auto-interesse, e o egoísmo são condenados. E auto-interesse não é egoísmo [sic]. O auto-interesse foi o que construiu este país... [Continua...]
breno_2#2
O auto-interesse é a excelência; o auto-interesse é aquilo que se deseja; é o auto-interesse que faz as pessoas quererem progredir; é o auto-interesse que faz as pessoas quererem que suas famílias estejam seguras; é o auto-interesse que faz as pessoas quererem que seus filhos sejam educados adequadamente; é o auto-interesse o que impulsiona as forças armadas americanas à vitória. Não o sacrifício...

Quando você vota em políticos que retiram do seu bolso para dar aos outros, você pensa que isso é compaixão, você pensa que isso é caridade? Não é... A brilhante escritora e romancista, Ayn Rand, escreveu sobre isso. Deixe-me dar algumas citações de Ayn Rand sobre este assunto. [Limbaugh retirou o trecho a seguir de The Fountainhead, com uma pequena alteração, mas sem prejuízo ao sentido.] "É simplesmente óbvio que onde há sacrifício, há alguém coletando oferendas sacrificiais. Onde há servidão, há alguém sendo servido. O homem que fala de sacrifício para você está falando de escravos e mestres e pretende ser o mestre." Esse é o Presidente Obama. "Onde há sacrifício, há alguém coletando oferendas sacrificiais." O que isso significa? O Presidente Obama diz, "Nós todos devemos nos sacrificar," por esta ou aquela razão. O que isso significa é que nós todos precisamos pagar mais; nós precisamos ter vidas menos afluentes; nós precisamos reduzir nossa prosperidade, [De maneira alguma. Realização, sucesso, conquista de valores são requisitos indispensáveis para a preservação da vida humana.] e nós precisamos dar dinheiro a ele, não fazer caridade... Ele quer ser o distribuidor das doações de caridade. Ele quer ser o distribuidor dos bens porque ele quer a glória... O presidente que fala para você de sacrifícios está falando em escravos e mestres. Ele pretende ser o mestre. Você é o escravo. Você deve se sacrificar. [Continua...]
breno_2#3
Nós temos muitas pessoas que adoram falar em minorias, não temos? A minoria deve ter prioridade, considerações especiais, direitos especiais, a minoria deve ter precedência sobre a maioria... Qual é a menor minoria da terra? ... [Limbaugh repete a pergunta para o pessoal no estúdio (que não consegue descobrir a resposta). A equipe dele não deve ler Ayn Rand.] Vocês nunca adivinharão, mas quando eu disser qual é, vocês acharão brilhante... As pessoas nunca entendem isso porque nós não fomos condicionados a pensar dessa maneira.

A menor minoria da terra é o indivíduo. [Mais Ayn Rand. Essa frase é um tanto famosa e apareceu em uma apresentação feita por ela no Ford Hall Forum em 1961 intitulada "America’s Persecuted Minority: Big Business". Mais tarde, essa apresentação foi publicada como artigo na coletânea Capitalism: The Unknown Ideal de 1966. Limbaugh não atribui a autoria.] Nós todos somos diferentes. Nós todos somos indivíduos. Nós todos ouvimos que nós devemos sacrificar nossa individualidade. Nós todos ouvimos que devemos nos juntar a outros grupos de vítimas. [Rush parece estar se referindo ao detestável hábito da esquerda de nunca enxergar indivíduos, apenas membros de algum grupo social: pobres, ricos, negros, brancos, latinos, gays, mulheres, etc...] Bem, nem todos de nós porque alguns devem ser os vitimizadores. A menor minoria da terra é o indivíduo e assim aqueles que negam os direitos individuais não podem afirmar serem defensores das minorias. [Itálico meu. A afirmação é quase idêntica a que aparece no texto de Ayn Rand citado a pouco. Limbaugh afirmou: The smallest minority on earth is the individual and thus those who deny individual rights cannot claim to be defenders of minorities. Ela escreveu: The smallest minority on earth is the individual. Those who deny individual rights, cannot claim to be defenders of minorities. Novamente, ele não cita a autoria. (Continua…)]
breno_2#4
Esta administração afirma ser uma administração para as minorias, do primeiro presidente negro, de natureza histórica. Esta administração vai destruir todo o conceito de direitos individuais, com o pretexto de sacrifício, igualdade de pagamentos, igualdade de resultados em outras áreas. Mas a menor minoria da terra é você, enquanto um indivíduo. [Limbaugh deve saber que tal processo não se iniciou com Obama. Que Bush e McCain adoravam glamourizar sacrifícios. Acredito que se McCain tivesse ganho, Limbaugh provavelmente não estaria agora se utilizando das palavras de Ayn Rand para denunciar o pedido de sacrifícios pelo governo. McCain já pedia sacrifícios desde a campanha - pelo que me lembro, ele defendia o alistamento militar obrigatório.] Você tem direitos individuais, concedidos por Deus, que criou você, e os nossos documentos fundadores destacaram: Vida, liberdade e a busca da felicidade. Esses direitos não vêm de outros homens ou governos ou mulheres. Eles vêm de nosso criador, Deus. [Se por um lado é verdade que os direitos não são arbitrariamente concedidos pelos homens ou pelo governo, por outro não é verdade que eles são concedidos por um Deus. Os direitos individuais são conseqüências lógicas da natureza racional do homem e dos requerimentos necessários à adequada preservação da sua vida nesta terra. A vida do homem para ser preservada requer ação racional e individual. Se é verdade que o homem deve viver nesta terra, então é verdade que ele deve agir a fim de preservar a sua vida. De maneira resumida, os direitos individuais sancionam as ações que estão de acordo com esse princípio. Não é necessária a existência ou a crença em um Deus para se concordar com isso.] A menor minoria da terra é o indivíduo, e eu ouso dizer que neste país ninguém está prestando atenção ao indivíduo, além de mim... [Para não dizer que isso é uma mentira, direi que Limbaugh exagerou na megalomania. (Continua...)]
breno_2#5
[É verdade que a defesa do indivíduo não recebe a atenção que merece no mainstream acadêmico e jornalístico, seja nos EUA ou em qualquer outro lugar. Mas, como as Tea Parties recentes demonstraram, há muitas pessoas e instituições que defendem o indivíduo e a liberdade nos Estados Unidos. Na minha opinião, quem hoje melhor faz isso é o Ayn Rand Institute. A seguir, Limbaugh defende o indivíduo contra o coletivo; o auto-interesse contra o auto-sacrifício; a individualidade contra a coletivização; e vê o indivíduo de paixão como a fonte de todas as realizações. É interessante notar que até o final da transcrição Limbaugh não mais se apóia em referências a Deus ou a dogmas religiosos. Qualquer semelhança com o tema de The Fountainhead ou com o discurso de Roark não é mera coincidência.]

Você não tem direitos individuais quando é forçado por culpa ou estigma a comprar um carro que você realmente não quer. Quando você compra um carro porque acredita que ouvirá menos críticas ou porque você pensa que as pessoas acharão você maravilhoso, mas não porque você queria o carro, você sacrificou os seus direitos individuais. [Boa identificação.] Você disse, "Meu valor como indivíduo, meu valor como quem eu sou não conta mais." [Ou então: não sou eu que devo julgar o meu próprio valor.] "Eu vou definir meu valor pelo que alguém pensa de mim. Eu vou definir meu valor por quão poucas críticas eu recebo. Eu vou definir meu valor por quanto eu puder fazer as pessoas pensarem que eu valho," baseado nos impulsos do sentimento popular no dia a dia. [Na linguagem de The Fountainhead, o tipo de pessoa que busca como referência da realidade, não a observação e a avaliação independente dos fatos, mas o que as outras pessoas pensam, gostam e fazem é o second-hander. Para o second-hander não existe uma realidade objetiva, existe apenas os "outros". A realidade são os outros e o que quer que eles façam, gostem ou valorizem. O padrão do correto e da verdade é a concordância das outras pessoas. (Continua...)]
breno_2#6
[Como Howard Roark, o herói do livro, observa: "Eles não perguntam: 'Isso é verdade?' Eles perguntam: 'Isso é o que os outros pensam que é verdade?'" Os second-handers são condenados a sofrerem baixa auto-estima e incapacidade de realização pessoal. Por não possuírem uma mente (ou um ego) independente, os conceitos "auto" ou "pessoal" não se aplicam de fato a eles, a não ser como imitações.] Quando você decide desistir de perseguir o que você quer no seu melhor auto-interesse, você está sacrificando quem você é. Você está desistindo do controle da sua essência... [Está abandonando o seu ego (o seu bem mais precioso), sua capacidade de conhecer e avaliar a realidade, e abandonando o direito de determinar o propósito da sua existência. É a sua mente - o seu raciocínio - que determina os seus valores, o seu caráter e o que você quer para si mesmo. Quando você abandona o que você quer, é a sua mente que você está abandonando.] No processo, você está ajudando a destruir os próprios blocos de construção do maior país da terra... está abandonando sua identidade individual, abandonando quem você é, sacrificando suas paixões e seus desejos e seus próprios interesses pelo assim chamado bem comum, quem define o que é o bem comum? Eu o definiria como todos agindo como um indivíduo, nascido como ele ou ela é, perseguindo o próprio interesse. Isso é o bem comum. Que construiu cidades; que construiu um grande país; que construiu estradas de ferro e locomotivas. Construiu aviões. Construiu tudo... [Mas constrói a salvação da alma? Será que Limbaugh concordaria que, dada essa visão do bem comum (que eu considero correta), a religião se torna uma questão exclusivamente pessoal, ou seja, assume o papel que os indivíduos de pensamento secular reservam para ela?]

Quando você nega sua individualidade, quando você a abandona para ser aceito em um subgrupo de pessoas, você está prejudicando o país; você está permitindo que o país se rebaixe; você não está carregando o seu próprio peso. [Continua...]
breno_2#7
[Os EUA foram fundados como a nação dos direitos individuais, a nação onde o indivíduo tinha o direito de perseguir os seus próprios interesses, a nação do individualismo. Essa foi a filosofia que permitiu o sucesso sem precedentes dos EUA. O americano que rejeita os próprios interesses, que rejeita a sua individualidade e a responsabilidade da independência pessoal, não apenas está indo contra a si mesmo, está indo contra a filosofia que ocasionou a grandeza do seu país.] Você está buscando aprovação, amor-próprio e aceitação a partir de todas as fontes erradas. Você está desistindo do maior dom que você teve, isto é, quem você é. [Contanto que aí não se entenda uma defesa do determinismo psicológico.] E nós temos uma administração que quer que você proposital e avidamente desista de quem você é por um bem comum que eles definem, [um ato de sacrifício não envolve apenas o abandono de um valor material, psicologicamente, sacrifícios implicam o abandono do próprio julgamento e do próprio direito de decisão], um bem comum que requer que você negue quem você seja, sua individualidade, que faz de você diferente de todo mundo mais, não seja você tão bom ou seja você muito melhor em certas coisas. Você se tornará um número. Você se tornará um robô que pode ser programado e inspirado e motivado a se comportar em métodos melhorados, e você aprenderá a pensar que você é virtuoso quando age assim, quando tudo o que você fez foi vender a si mesmo e o seu país. Você abandonará sua individualidade, você sacrificará quem você é, você permitirá que isso seja retirado de você por causa de algum status mítico como o membro de um grupo, você abandonará sua paixão para tornar-se um controlado ou pior. AS PESSOAS SEM PAIXÃO NUNCA CONSTRUÍRAM NADA. AS PESSOAS SEM PAIXÃO NUNCA CONSEGUIRAM COMPLETAR NADA. AS PESSOAS SEM PAIXÃO SÃO OBSTÁCULOS AO EMPREENDIMENTO E À REALIZAÇÃO. É isso o que esta administração quer que você se torne. [Fim da transcrição. Maiúsculas minhas. A seguir mais comentários.]
breno_2#8
O ponto não é apenas entender que as realizações, principalmente as grandes realizações, requerem paixão, convicção e vontade por parte dos agentes. Ou entender que os grandes realizadores são os indivíduos que possuem essa paixão e que a utilizam como inspiração para concretizá-las: para dar-lhes forma no mundo real através do empreendimento pessoal. Mas entender que os indivíduos que têm paixão pelos próprios interesses, metas e atividades são exatamente aqueles que não aceitarão sacrificá-los de acordo com o arbítrio de outras pessoas.

A fonte da paixão é a avaliação por parte do indivíduo de que o objeto de sua emoção representa um grande valor pessoal. A ação empreendedora é o resultado da avaliação de que se é capaz de conquistar os próprios valores; o que leva a crença de que se é merecedor desses valores e, portanto, da felicidade e realização pessoal resultantes. Novamente, se uma pessoa é merecedora das próprias conquistas, ela não apenas não aceitará sacrificá-las em benefício alheio, como também exigirá a liberdade de delas dispor de acordo com o seu melhor julgamento. Daí a defesa da liberdade que Limbaugh faz no início da transcrição e o porquê dos Estados Unidos – o país mais livre - serem também o país mais criador da história.

Por outro lado, os indivíduos sem paixão, sem independência de julgamento, sem autoconfiança e, portanto, sem capacidade de empreendimento e realização pessoal, são aqueles que mais provavelmente aceitarão se auto-sacrificar, justamente porque não possuem valores a serem perdidos, e que mais provavelmente recomendarão o auto-sacrifício aos outros, justamente por precisarem de alguém que os sustente. Para eles, o sistema social ideal é alguma versão do socialismo.

Faz sentido Limbaugh afirmar que a administração Obama quer transformar os cidadãos americanos nesse tipo de indivíduo.
breno_2#9
- Para a transcrição original do programa: http://www.rushlimbaugh.com/home/daily/site_033109/c…0.guest.html

- Para a cena no YouTube do discurso de Howard Roark (Gary Cooper) do filme The Fountainhead (lançado no Brasil como Vontade Indômita) dirigido por King Vidor em 1949 e roteiro da própria Ayn Rand:
Vídeo do YouTube
http://www.youtube.com/watch?v=Nq9udFmsNO0

Esse discurso é um resumo do discurso do livro. Está legendado em inglês.
marcel#10
Não duvido que apareça gente aqui pra dizer que "a Ayn Rand não é filósofa".
breno_2#11
[Segue um trecho maior de The Fountainhead que contém a primeira citação que Limbaugh levou ao ar em seu programa. Nesta passagem, o vilão do livro - um intelectual socialista que pouco a pouco vai assumindo o controle do meio ambiente cultural à medida que infiltra seus seguidores em postos chaves da mídia e das artes – expõe seus métodos e crenças. Tradução minha.]

Se você aprender a dominar a alma de um único homem, você pode conquistar o resto da humanidade. É a alma, Peter, a alma. Não chicotes ou espadas ou fogo ou armas... A alma... é aquilo que não pode ser controlado. Ela deve ser partida. Enfie uma cunha nela, ponha os dedos nela – e o homem é seu. Você não precisará de um chicote – ele o trará para você e pedirá para ser açoitado. Vire-o do avesso – e o seu próprio mecanismo fará o trabalho para você. Use-o contra si mesmo. Quer saber como isso é feito? Veja se alguma vez eu menti para você. Veja se você não ouviu tudo isso por anos, mas não quis escutar, e a culpa é sua, não minha. Há muitas maneiras. Aqui está uma. Faça o homem se sentir pequeno. Faça-o se sentir culpado. Mate-lhe a aspiração e a integridade. Isso é difícil. Os piores entre vocês tateiam por um ideal em seu próprio modo desorientado. Mate a integridade por corrupção interna. Use-a contra si mesma. Direcione-a para um objetivo destrutivo de toda integridade. Pregue a abnegação. Diga ao homem que ele deve viver para os outros. Diga aos homens que o altruísmo é o ideal. Nem um único deles jamais o realizou e nem um único jamais realizará. Todo seu instinto vivo grita contra isso. Mas você não vê o que você consegue? O homem se dá conta de que é incapaz daquilo que aceitou como a virtude mais nobre – e isso lhe causa um sentimento de culpa, de pecado, de sua própria falta de valor básico. Desde que o ideal supremo está além do seu alcance, eventualmente ele desiste de todos os ideais, de toda aspiração, de todo sentido de seu valor pessoal. Ele se sente obrigado a pregar aquilo que não pode praticar. [Continua...]
breno_2#12
Mas não se pode ser meio ou quase honesto. Preservar a própria integridade é uma batalha difícil. Por que preservar aquilo que já se sabe ser corrompido? A alma dele desiste do auto-respeito. Você o pegou. Ele obedecerá. Ele ficará satisfeito em obedecer – porque ele não pode confiar em si mesmo, ele se sente incerto, ele se sente sujo. Esse é um modo. Aqui está outro. Mate o senso de valores do homem. Mate sua capacidade de reconhecer a grandeza ou valorizá-la. Grandes homens não podem ser dominados. Nós não queremos nenhum grande homem. Não negue a concepção de grandeza. Destrua a partir de dentro. A grandeza é o raro, o difícil, o excepcional. Estabeleça padrões de realização abertos a todos, aos menores, aos mais ineptos – e você detém o ímpeto ao esforço em todos os homens, grandes ou pequenos. Você detém todo incentivo ao aperfeiçoamento, à excelência, à perfeição... Não pretenda acabar com toda admiração – você assustará os homens. Admire a mediocridade – e a admiração estará acabada. Então há outra maneira. Mate pelo riso. O riso é um instrumento da alegria humana. Aprenda a usá-lo como uma arma de destruição. Transforme-o em escárnio. É simples. Diga-lhes para rir de tudo. Diga-lhes que um senso de humor é uma virtude ilimitada. Não deixe nada permanecer sagrado na alma do homem – e a própria alma não será sagrada para ele. Mate a reverência e você mata o herói no homem. Não se reverencia com uma risada. Ele obedecerá e não estabelecerá limites para a sua obediência – tudo vale – nada é sério demais. Aqui está outra maneira. Esta é mais importante. Não permita que os homens sejam felizes. A felicidade é auto-contida e auto-suficiente. Homens felizes não têm tempo e nenhuma utilidade para você. Homens felizes são homens livres. Então mate a alegria deles de viver. [Continua...]
breno_2#13
Retire deles qualquer coisa que lhes seja cara e importante. Nunca os deixe ter o que querem. Faça-os sentir que o mero fato de um desejo pessoal é um mal. Leve-os a um estado onde dizer 'eu quero' não é mais um direito natural, mas uma confissão vergonhosa. Altruísmo é de grande ajuda nisso. Homens infelizes virão até você. Eles precisarão de você. Eles virão por consolo, por apoio, por escape. A natureza não permite vácuo. Esvazie a alma do homem – e você preencherá o espaço. Eu não entendo porque você parece tão chocado, Peter. Essa é a mais velha de todas. Relembre a história. Observe qualquer grande sistema de ética, do Oriente em diante. Todos eles não pregam o sacrifício da alegria pessoal? Abaixo de todas as complicações da verbosidade, todos eles não tinham um único leitmotiv: sacrifício, renúncia, autonegação. Você não conseguiu acompanhar a música tema – 'Desista, desista, desista, desista'? Observe a atmosfera moral de hoje. Tudo o que é apreciável, do cigarro ao sexo à ambição ao motivo do lucro, é considerado depravado ou pecaminoso. Apenas prove que uma coisa torna os homens felizes – e você a condenou. É esse o ponto a que nós chegamos. Nós ligamos a felicidade à culpa. E agarramos a humanidade pela garganta. Arremesse seu primogênito num forno sacrificial – deite numa cama de pregos – vá ao deserto e mortifique a carne – não dance – não vá ao cinema aos Domingos – não tente enriquecer – não fume – não beba. Tudo segue essa linha. Os tolos pensam que tabus dessa natureza são apenas bobagem. Algo deixado para trás, fora de moda. Mas há sempre um propósito na bobagem. Não perca tempo examinando uma loucura – pergunte-se apenas o que ela realiza. [Continua...]
breno_2#14
Todo sistema de ética que pregou sacrifício transformou-se em um poder mundial e dominou milhões de homens. Obviamente, você deve enfeitá-lo. Você deve dizer às pessoas que elas realizarão um tipo superior de felicidade ao desistirem de tudo o que as torna felizes. Você não precisa ser muito claro quanto a isso. Use grandes palavras vagas. 'Harmonia Universal' – 'Espírito Eterno' – 'Propósito Divino' – 'Nirvana' – 'Paraíso' – 'Supremacia Racial' – 'A Ditadura do Proletariado'. Corrupção interna, Peter. Essa é a mais velha de todas. A farsa continua a séculos e os homens ainda caem nela. Contudo, o teste deveria ser muito simples: apenas ouça algum profeta e se você o ouvir falar em sacrifício – corra. Corra mais rápido do que de uma praga. Diz a razão que onde há sacrifícios, há alguém coletando oferendas sacrificiais. Onde há servidão, há alguém sendo servido. O homem que lhe fala de sacrifícios, fala de escravos e mestres. E pretende ser o mestre. Mas se você alguma vez ouvir um homem lhe dizer que você deve ser feliz, que é o seu direito natural, que o seu primeiro dever é para com você mesmo – esse é o homem que não está atrás da sua alma. Esse é o homem que nada quer ganhar de você. Mas deixe-o que se aproxime e aí você gritará e esperneará que ele é um monstro egoísta. Assim a fraude estará segura por muitos e muitos séculos. Mas você pode ter notado algo aqui. Eu afirmei, 'Diz a razão'. Você entendeu? Os homens têm uma arma contra você. A razão. Então você tem que se certificar de tê-la retirado deles. Retire aquilo que a sustenta. Mas seja cuidadoso. Nunca negue nada completamente, você entrega sua jogada. Não diga que a razão é má – embora alguns tenham chegado a esse ponto e com esplêndido sucesso. [Continua...]
breno_2#15
Diga apenas que a razão é limitada. Que há algo acima dela. O quê? Você não precisa ser muito claro quanto a isso também. O campo é inexaurível. 'Instinto' – 'Sentimento' – 'Revelação' – 'Intuição Divina' – 'Materialismo Dialético.' Se você for pego em algum ponto crucial e alguém lhe disser que a sua doutrina não faz sentido – você estará preparado para ele. Você dirá que há algo acima da lógica. Que aqui ele não deve tentar pensar, ele deve sentir. Ele deve acreditar. Suspenda a razão e você faz o que você quiser. Tudo será permitido da maneira que você deseje quando quer que você precisar. Você o terá. Você pode controlar um homem que pensa? Nós não queremos homens que pensam...

[Não termina aí. Quem ainda não leu pode adquirir a nova edição brasileira. Mais que recomendado: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/re…F7AECAA&uid=]
adelice#16
Quem está acompanhando as aulas do Olavo perceberá que Ayn Rand tem um talento incrível para descrever situações e personagens.

Lendo Atlas Shrugged (recomendo a qualquer pessoa, é muito bom) você tem uma variedade de personagens e de situações que nos ajudam. Se forem lidos como o que são - ficção - Fountainhead, Atlas Shrugged e outros (eu li quase todos) são bons. Atlas Shrugged é muito bom. Os demais, menos.
velour#17
Engraçado você ter colocado os dois no mesmo post, eu sempre achei que a Ayn Rand e o Schopenhauer sãos os filósofos mais incompreendidos que já existiram, tanto por alguns dos seus apreciadores quanto por seus detratores...

Uma pena o meu tempo estar tão curto ultimamente, os debates nesta comunidade são muito bons.
velour#18
Hahahahahahahahaha... COM CERTEZA! O mais engraçado é que eu fui schopenhaueriana convicta, ortodoxa e militante até os 20 e poucos... E depois virei a casaca e me tornei randiana! Hoje em dia eu não sou coisa nenhuma, sou apenas uma microempresária workaholic e orkuteira. 😉 Mas sempre guardarei comigo o discurso filosófico quase poético do velho Schops e a prosa heróica e dramática da querida Rand. 🙂
breno_2#19
Com a excessão de dois artigos, Ayn Rand escreveu pouquíssimo sobre religião. Mesmo esses artigos restringiam-se a questões culturais debatidas à época. O combate intelectual de Ayn Rand era voltado contra a base intelectual/moral do socialismo e contra a filosofia moderna, originada em Kant - na qual ela via a responsabilidade pelo estado das coisas - e não via na religião uma alternativa válida a isso (assim como outros também não; ex: Mises e Hayek).

Apesar de você ter entendido bem que as ofensas do Olavo de Carvalho eram gratuitas, você cometeu a mesma gratuidade. Por que você chama de "monstrinhos" pessoas como Yaron Brook, presidente do Ayn Rand Institute, convidado regular da Fox News como comentarista financeiro (e que tem aparecido muito no programa do Glenn Beck)? Edwin Locke, psicólogo, autoridade internacional em motivação humana? Alan Gotthelf, acadêmico, especialista reconhecido na biologia de Aristóteles? George Reisman, economista brilhante, ex-aluno, colaborador e amigo pessoal de Mises? Jimmy Wales, o criador da wikipedia? Entre outros.

Não vejo fundamento algum em sua afirmação de que Ayn Rand defendia o capitalismo do empresário centralizador. Personagens como Hank Rearden, Francisco d’Anconia, Dagny Taggart e, principalmente, Howard Roark e John Galt são concretizações artísticas das virtudes que ela considerava essenciais ao homem e não de princípios para a Administração de empresas. A marca registrada de Ayn Rand, o que a distingue e a faz superar todos os outros defensores do capitalismo, é a defesa moral do capitalismo - que vai além da defesa meramente prática e econômica. Também é na moral que focam a maioria dos Objetivistas proeminentes de hoje.
breno_2#20
Ainda sobre a questão do empresário centralizador, devo citar John Allison, outro "objetivista atual". Allison é CEO aposentado do banco BB&T, uma corporação "impessoal" e uma das poucas instituições financeiras americanas que passaram incólumes pela crise econômica. Quando ele assumiu o cargo em 1989, o total de ativos do BB&T, era de $4,5 bilhões. Quando o entregou no final de 2008, era de $136,5 bilhões! [http://www.bbt.com/bbt/about/investorrelations/newsr…3A25%3A15+AM]. Ele é um "monstro" das finanças.

Allison foi responsável pela elaboração da filosofia administrativa atual do BB&T, a qual é baseada nos princípios éticos Objetivistas e pode ser lida on-line [http://bbt.mediaroom.com/index.php?s=18&cat=4]. Você não verá nenhuma defesa do capitalista centralizador aí. Também se sabe que Atlas Shrugged era leitura obrigatória para todos os seus gerentes. Allison ajudou a financiar convênios entre o BB&T e diversas universidades americanas a fim de promover o estudo do Objetivismo. Ele é colaborador do Ayn Rand Institute e atualmente faz apresentações sobre liderança empresarial. Espero que as suas iniciativas ajudem a formar muitos "monstros" como ele.

Segue link para matéria recente publicada pelo National Review Online [http://article.nationalreview.com/?q=YzlmM2JiOGViYzB…jMxMDI=#more]
breno_2#21
breno_2#22
Pelo que me lembro (no caso específico citado por você), o Olavo de Carvalho se referia à definição da razão dada por Ayn Rand, e não à sua interpretação de Aristóteles em geral. Ele afirmou que ela não havia entendido corretamente o conceito da razão em Aristóteles. Mas Ayn Rand nunca afirmou estar interpretando Aristóteles diretamente em sua definição, por isso a ofensa foi injusta e arbitrária. Apesar da influência de Aristóteles estar presente em diversos pontos básicos da filosofia de Ayn Rand, o Objetivismo não é uma aplicação direta e integral do Aristotelismo. Existem diferenças consideráveis.

Eu não acompanho a comunidade regularmente, mas sempre gosto de ler os seus posts quando os encontro, nos quais você demonstra ser uma pessoa inteligente. Desta vez, acredito que você cometeu um grande erro ao corroborar a acusação do Olavo de Carvalho. A quem você se refere? Aquela ofensa não era direcionada a ditos seguidores ou leitores avulsos de Ayn Rand - o que seria irrelevante, pois monstrinhos ditos seguidores de alguma religião, por exemplo, existem em quantidades muito maiores e com caracteres muito piores. A ofensa pretendia atingir indivíduos mais destacados tais como os que eu citei nos posts ao Rafael, o que evidencia o absurdo da acusação.
breno_2#23
Talvez você goste de saber o que o grande compositor russo Tchaikovsky afirmou ao entrar em contato com a filosofia de Schopenhauer. O trecho a seguir foi retirado da correspondência entre Tchaikovsky e sua a amiga e benfeitora Nadezhda von Meck. Eu julguei o comentário bastante perspicaz:

"A philosopher like Schopenhauer, who goes so far as to deny mankind anything beyond an instinctive desire to perpetuate his species, ought, first of all, to be prepared to acknowledge the complete uselessness of all systems of philosophy. A man who is convinced that non-existence is the best thing of all should endeavor to act up to his conviction; should suppress himself, annihilate himself, and leave those in peace who desire to live. So far, I cannot quite make out whether he really believes himself to be doing mankind a great service by his philosophy. What use is it to prove that nothing can be more lamentable than existence? If the blind instinct of perpetuation is so strong in us, if no power suffices to weaken our love of individual life, why should he poison this life with his pessimism? What end does this serve? It might seem as though he were advocating suicide; but on the contrary, he forbids self-destruction." (Pyotr Ilyich Tchaikovsky)

Sr. Luttinem
Desculpas aceitas.
maurcio#24
Desculpem-me o comentário, mas o fato é que quem idolatra Ayn Rand como muitos fazem aqui está é precisando viver a realidade e sair de trás do micro.

Atlas Shrugged é um ótimo livro, e eu já o li mais de uma vez. Mas se vocês querem saber se Ayn Rand está certa ou errada, abram uma empresa e lidem com decisões que envolvem a vida de pessoas. Ao invés de idolatrar o modelo do self-made-man, sejam um. Se acham Rearden, Taggart, Galt, Roark e d´Anconia grandes modelos, tenham coragem de trilhar um caminho parecido. Em um ano a perspectiva de vocês muda. Só idolatra Ayn Rand quem é funcionário público, estudante que nunca trabalhou, acadêmico, funcionário de multinacional ou filhinho de papai.
breno_2#25
Em "The Virtue of Selfishness" não há artigos que sejam voltados para a religião. Os artigos a que me referi foram análises de encíclicas papais publicadas em Capitalism: The Unknow Ideal e em The Voice of Reason. Eu concordo que o Cristianismo possui um elemento de apreço individual e de apreço pela própria alma. Mas não é uma doutrina voltada para a felicidade do homem nesta terra como um fim em si mesmo, como são o Aristotelismo e o Objetivismo. E apenas uma ética que possua essa característica pode de fato fundamentar o capitalismo.

A questão do Second-Hander não trata do ineditismo ou pioneirismo das idéias que alguém defende, mas do processo em que se veio a aceitá-las. Se um indivíduo compreende aquilo que aceita como verdade, se chegou a conclusão através do própria observação e do próprio julgamento, então ele é independente, mesmo que não tenha sido o primeiro a descobrir ou entender determinados fatos.

O capitalismo é sem dúvida o sistema onde o "self made man" é reverenciado como um homem virtuoso, não vejo como discordar disso, independente do momento histórico. Como prova, Atlas Shrugged é conhecido como um dos livros preferidos entre os CEOs americanos atuais. Além disso, o seu comentário passado realmente dava a impressão de que você afirmava que os atuais Objetivistas eram tipos que ainda não haviam se adaptado ao mundo empresarial moderno. Mas isso não corresponde a verdade, pois todos os Objetivistas mais conhecidos, e mesmo aqueles nem tanto assim, são entusiastas do mundo corporativo.

Você havia generalizado suas observações sobre os Objetivistas, não havia como eu interpretar de outra forma. Mas certamente você deixou mais clara sua posição agora.
breno_2#26
É verdade.

O post de hoje deixa clara sua posição.
velour#27
Hank Rearden é me pastor e nada me faltará! 😉

Falando sério, ele é a minha maior insiração nessa minha nova vida de empreendedora. Um dia eu chego lá!
velour#28
Também não me lembro nada no Virtue of Selfishness especificamente sobre religião... Tem um artigo do Nathaniel Branden sobre fé e auto-sacrifício, mas nada da Ayn Rand... Posso estar errada, minha memória anda péssima e o livro esta emprestado.
velour#29
Ah, sim, a própria construção de um sistema filosófico é um tanto contraditória se pensarmos no que diz a filosofia schopenhaueriana e suas dores do mundo. E o Tchaikovsky citou um questão muito interessante, a do suicídio. Essa era a pergunta que eu mais ouvia nos congressos de filosofia: "Mas ele era a favor do suicídio?")... E dá-lhe eu explicando que não, falar sobre o ascetismo, etc.

De qualquer maneira, eu ainda sou uma grande fã do velhos Schops, ele escrevia bem melhor do que todos os outros alemães, principalmente se comprarmos com o os pooooooorres contemporâneos ele, como Hegel... 😉
velour#30
De qualquer maneira, isso é passado, hoje eu não quero mais saber de Filosofia, só de fazer dinheiro! 😛😉
breno_2#31
Sem dúvida, além de bom escritor, Schopenhauer também era um bom crítico cultural. Desde muito cedo, eu sempre tive desconfiança de escritores que não primavam pela clareza. Ele me foi de alguma ajuda para confirmar que escritores que a princípio me pareciam ridículos, como Hegel – "um destruidor de papel, de tempo e de mentes", nas palavras de Schopenhauer (ou Joyce, digo eu) – eram de fato ridículos, apesar do que se possa ouvir ao contrário.

Eis outro comentário dele: "Quando um hegeliano repentinamente se contradiz nas suas afirmações, justifica: 'Agora o conceito transformou-se no seu contrário.'" 😄

Bons negócios. Desejo-lhe muito sucesso. A propósito, você viu a filosofia administrativa do BB&T? Aqui estão os valores que um empregado de destaque deve manter:

- Purpose
- Rationality
- Self-Esteem


Consistent with our values, successful individuals at BB&T have a sense of purpose for their lives, i.e., they believe that their lives matter and that they can accomplish something meaningful through their work.

We are looking for people who are rational and have a high level of personal self-esteem. People with a strong personal self-esteem get along better with others, because they are at peace with themselves.


São os valores de John Galt! 🙂

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