Não sei se isso já foi postado aqui, não tnho tido tempo para acompanhar o fórum. Se for o caso, moderador, delete esse tópico sem dó.
(espero que o texto esteja completo!)
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Na base do doa a quem doer
Entrevista com Olavo de Carvalho
por Nikola Matevski
Gazeta do Povo (Curitiba), 20 de junho de 2004
PERFIL -O filósofo Olavo de Carvalho escolhe Curitiba para viver e
mora no bairro das Mercês
Entre uma polêmica e outra, o pesquisador continua firme em suas
opiniões nada ortodoxas
Olavo de Carvalho não fuma tanto quanto dizem. Falando com afinco para
a reportagem do Caderno G, o filósofo autodidata se permitiu poucas
tragadas durante o discurso afiado. Entre os detratores, ele é
ignorado ou recebe alcunhas, escolhidas em uma vasta gama de termos,
quase sempre pejorativos: extrema-direita, paranóico, racista,
comediante. Esses adjetivos, se não definem muito bem o homem,
denunciam as reações vigorosas que suas idéias tendem a causar. Para o
bem ou para o mal, uma casa de dois andares no bairro curitibano das
Mercês é o novo lar do pensador.
Polêmico, seu trabalho representa a defesa da capacidade e autonomia
da consciência individual perante a realidade objetiva em que a
verdade existe. Nos valores e tradições com os quais a humanidade
evoluiu e subsistiu por milênios, Carvalho vê as lições que podem
pautar a resolução dos problemas dos homens de hoje. Muitas de suas
pesquisas e investigações filosóficas lidam com a religião comparada,
debruçando-se sobre o legado do islamismo, cristianismo, taoísmo,
judaísmo - incluindo um forte interesse - acreditem ou não - pela
astrologia.
A repulsa aos coletivismos, relativismos e historicismos lhe rendeu
polêmicas e inimizades nos meios acadêmicos. Tornou-se uma figura
amplamente conhecida quando deu nome aos bois, em seu controverso
livro O Imbecil Coletivo. Também atuando como professor e jornalista,
com passagem por um vasto número de veículos - desde o primeiro
emprego no diário sensacionalista Notícias Populares até a Revista
Bravo -, Olavo de Carvalho passou a denunciar o que percebia como a
mediocridade das elites intelectuais brasileiras. Autores conhecidos e
prestigiados nos círculos acadêmicos, como Marilena Chauí, José Arbex,
Emir Sader e Leandro Konder, entre tantos outros, não escaparam às
análises e alfinetadas da escrita pungente de Olavo.
Filósofo, ele vê em Aristóteles sua maior referência. Faz duras
críticas aos engajados, como Antônio Gramsci, e considera o grande
propulsor da fenomenologia, Edmund Husserl "maior do que Hegel ou
Kant".
Palavras
"Eu, como todo brasileiro, primeiro tomei a posição e depois fui
estudar o assunto. Quando estudei o assunto, descobri a cagada
monumental que tinha feito", diz sobre sua filiação ao Partido
Comunista Brasileiro, aos 18 anos. A experiência provocou uma reação:
"Se existe uma discussão, só há uma maneira de se descobrir o que se
passa: tem que ouvir todos os depoimentos e dar toda a credibilidade,
sem desconfiar de ninguém", explica. Quem fizer isso seriamente,
segundo o pensador, acaba percebendo a desproporção entre "o número de
mentiras que a esquerda fala e o que o outro lado fala".
Olavo de Carvalho é, portanto, um conservador? "Você não pode se
definir em relação às correntes políticas que não existem. No Brasil,
não há a corrente conservadora." Para preencher o vazio do imaginário
popular, diz, a "esquerda começou a chamar de conservadores todos
aqueles políticos que sempre trabalharam para ela. Eles pegam seus
piores aliados e os denominam conservadores", assevera o entrevistado,
citando os ex-presidentes José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Não
se trata de tomar uma posição, mas de investigar concretamente o que
se passa na realidade: "Eu, verdadeiramente, não tenho nenhuma opinião
política. Sei só sobre o assunto que eu estudei", conclui.
Uma de suas posturas, bem conhecida pelos leitores, é a forte crítica
à intelectualidade esquerdista, o que inclui a atual administração do
governo federal. "A esquerda não é confiável em nada e nunca foi. Eu
nunca vi um caso, nunca vi um debate no qual não se apelasse para uma
quantidade de mentiras quase inimagináveis", diz.
Como exemplo, cita o caso, tema de uma coluna recente, daquilo que
ficou conhecido como macartismo. Nos anos 50, o senador Joseph
McCarthy conduziu uma série de investigações e interrogatórios em
busca de espiões comunistas nos Estados Unidos. "O cara foi arrasado e
houve aquela coisa do macartismo como se fosse um negócio horroroso de
perseguição dos inocentes", relembra. "O FBI finalmente divulgou a
interceptação dos telegramas do Serviço Secreto Soviético. Não apenas
aqueles 57 acusados, com exceção de um, eram espiões soviéticos, como
havia outros 300", argumenta. Na condução do senador, articula o
entrevistado, podem ser apontadas ressalvas, mas, "no geral, ele disse
a verdade". Carvalho indica não ser o caso de uma defesa do
macartismo. "Estou dizendo que não houve macartismo", alega.
A nova cidade é motivo de elogios por conta do planejamento e arquitetura arrojada: "Em Curitiba, você ainda vê um senso da forma arquitetônica, em que a cidade tem uma forma, tem um estilo. O Rio de Janeiro é uma cidade já deformada". Porém, houve um fator prático para levar à mudança de domicílio: dos 15 dias empreendidos em suas aulas itinerantes, sete eram dedicados a Curitiba. "Vindo para cá, viajo menos", explica.
O Paraná e o Rio Grande do Sul são os redutos que ainda possuem o que percebe por estudantes - porque, em outros lugares, predominam as platéias inertes. "Converso hoje com alguém que têm 17 ou 18 anos, e parece que estou falando com um velho gagá, parece que não vai entrar mais nada na cabeça dele", lamenta. O filósofo reclama da falta de
vontade das novas gerações em se dedicarem ao conhecimento: "O estudante é aquele que tem uma lista de assuntos em que é ignorante", diz.
Solicitado para discorrer sobre a mentalidade brasileira, Olavo não foi muito otimista: "Eu acho que a sociedade brasileira é uma catástrofe. Você não pode criar um país desse tamanho com uma base civilizacional tão pequena. Qualquer país do mundo sempre começou em cima, com a cultura superior, com a formação de uma elite que depois, aos poucos, vai espalhando aquilo para o povo".
O brasileiro é negligente com o conhecimento e se contenta em exercer um teatro de aparências em que parecer amável e simpático é a preocupação primordial, uma característica particularmente agravante nos meios acadêmicos. A pobreza é um fator não-determinante do amor pelo saber. Para sustentar esse argumento, Carvalho destaca a experiência que teve ao morar, temporariamente, na Romênia, país que
então enfrentava grande pobreza.
"Toda a miséria, toda a dificuldade não fez com que eles perdessem o interesse pelo conhecimento. Eles acham que é uma coisa natural ao homem, que precisa ter. Agora, você ter sorte na vida ou ter azar é outra coisa". É errada, segundo o pensador, a tendência do brasileiro de vincular o estudo à ascensão social. "É uma idéia estúpida. Como se as pessoas mais estudiosas do mundo fossem todas da classe rica. Aliás, a própria cultura brasileira mostra o contrário", argumenta,
referindo-se à primeira geração da Academia Brasileira de Letras.
O Olavo não é eurocêntrico e também não exagera nesse ponto de vista. Ele conhece bem as correntes de pensamento do Islã, a cultura brasileira e as religiões de modo geral, para dizer alguns pontos. Faz diversas críticas aos EUA, ainda que elas não sejam predominantes e bem menos relevantes do que a defesa do valores da sociedade americana (não como ser a favor ou contra, mas do direito do americano de ser americano!). Há uma entrevista que o Olavo respondeu na Romênia. Entra no site dele. Lá ele comenta sobre a americanização do mundo e sua viés tecnicista. Aí vai o site:
A entrevista foi dada ao ex-embaixador e atual (pelo menos em 1998) presidente do Partido Liberal da Romênia, Caius Traian Dragomir. Muito interessante!
Nemolus,
a seção de origem africana da cultura brasileira pode, na melhor das hipóteses, levar a um caminho assemelhado ao da África. A seção européia pode levar a um caminho assemelhado ao da Europa. Entre ser uma versão melhorada da Europa e ser uma versão melhorada da África não há dúvidas sobre o caminho a seguir. A África até teve grandes civilizações, mas, rigorosamente falando, o nexo da vitalidade civilizacional africana acabou-se há muitos séculos pois sua continuidade foi quebrada. Pouco importa por quem e por que motivo, mas o simples fato de que tal base se perdeu impossibilita construir-se qualquer coisa que seja sobre ela. Por outro lado, a tal cultural européia, como dizem, preservou em si muito do melhor inclusive das altas civilizações islâmicas do norte da África, particularmente na Península Ibérica da qual somos herdeiros diretos. Aliás, se ignorássemos isso, que não é pouca coisa, a simples descrição da herança ocidental "greco-romana, judaica-cristã" é suficiente para mostrar que ela é "visceralmente" multi-cultural. Os gregos beberam dos egípcios, tanto judeus quanto cristão trazem tradições típicas do oriente médio. África e Oriente Médio convergem no que tiveram de melhor na tradição ocidental. É por isso que é nela que temos que nos fiar. O mais é demagogia pura.
é da cultura que eu falava, não da economia. Por favor *leia* o que eu escrevi ao invés de projetar um estereótipo do que vc *acha* que as pessoas pensam a respeito do assunto. As grandes civilizações africanas foram para o beléleu. Toda essa história de que a música negra feita nas américas é "cultura africana" é pra boi dormir, tanto quanto dizer que Bossa Nova na verdade é Norte-Americana por ter origem no Jazz ou que festas de São João na verdade são comemorações francesas apenas pq a quadrilha foi inspirada nos bailes daquele país. Os negros que produziram o que vc falou eram *americanos* e não *africanos* portanto operando dentro da matriz cultural ocidental no seu ramo anglo-saxão. Cor de pele *não* é matriz cultural.
Hugo,
Por isso eu disse assemelhado e não igual. É simples: quando fizemos uma monarquia ela era obviamente mais parecida com a monarquia européia do que com a república americana, ainda que intrisicamente diferente daquela. Se insistirmos no substrato africano da cultura brasileira, igualmente iríamos chegar a algo mais parecido com a África do que com a Europa. O que seria uma porcaria, não porque os africanos em si sejam "piores", mas pq a cultura de lá se desenvolveu de um modo que, na melhor das hipóteses, deixou seu povo muito vulnerável a colonização e tendente a conflitos internos e tribais.
Não tem escapatória politicamente correta. A única tradição civilizacional a que temos acesso e ligação, *completa* e viva o suficiente para gerar propostas novas, é a Ocidental através do ramo latino-lusitano (que é a *única* alternativa viável ao anglo-saxionismo para nós). Ou desenvolvemos a partir daí amigos, ou vamos ser uns necrófagos culturais tentando ressucitar caldos civilizacionais mortos. A África grandiosa, do Império de Mali, do Egito, do Império Yorubá acabou e não deixou filhos, o que vemos poraí são apenas ruínas. Como as ruínas da Grécia devem ser preservadas e estudadas mas tratar o templo de Atena como proposta urbanística moderna é apenas idealismo demagógico.
queira por favor esclarecer-nos, os "simplórios", quanto à relação entre frigidez e capacidade de argumentação.
Aproveite e explique também a que devo a tão duvidosa honra de ser mencionada em seu post, uma vez que apenas iniciei esse tópico transcrevendo ("copy + paste", conhece?) um artigo inteiramente pertinente ao tema da comunidade, não tendo me manifestado em nenhum momento a respeito da discussão que se seguiu.
Deixo também registrado aqui o quanto me sinto ofendida pela mera insinuação de que alguém como o senhor teria algum conhecimento de questões de foro íntimo meu.
Ah, e por favor guarde os diminutivos para a senhora sua mãe.
"Puxar a corda" é seu neologismo para "desenrolar non-sequiturs"? Se sim, obrigada. Se não, que nojo!
Aproveite e prove que sabe ler e não escreve apenas apertando teclas aleatórias, como alguns de nós atualmente pensamos: volte a meu post anterior e veja o que o sr. deve fazer com seus diminutivos. Não, esqueça: se nem com a foto do autor em cada mensagem o sr. conseguiu escolher um tópico do qual eu participasse para tentar me insultar, até colorir por números deve ser muito difícil.
Nemolus: A base civilizacional dos EUA foi a mais ampla e a mais rica que já esteve nas origens de uma nação. Você está TOTALMENTE POR FORA. Leia "On the Form of the American Mind" de Eric Voegelin, "Main Currents of American Thought" de V. L. Parrington e "O Espírito Norte-Americano" de Harry S. Commager e depois opine com ALGUM conhecimento de causa.
Ademais, é preciso ser TOTALMENTE ignorante para acreditar que Platão e Aristóteles são "europeus". Você nem tem idéia das origens da idéia de "Europa". Segundo, os dois tiveram influência muito mais profunda (e anterior) no mundo islâmico do que na "Europa", especialmente no Irã, onde ATÉ HOJE há correntes platônicas importantes, totalmente desconhecidas da maioria dos intelectuais "Europeus". V. Henry Corbin, "En Islam Iranien".
CARAIO, por que as pessoas sentem tanta necessidade de ter opiniões sobre um assunto se não se interessam nem um pouco por ele?
O mundo está se acachapando cada vez mais e mais velozmente.
Eu me sinto acachapada, pelo menos. Me esforço e luto, mas me sinto: banal, simplista, fracota, muito mixa.
Foi muito bom ver este tópico trazido de volta. Confesso que fiquei nostálgica. !