Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Resumo da Filosofia do Olavo

Iniciado por hlio em 10/06/2009 · 10 mensagens

hlio#1
Introdução
.
.

Já foi dito que o Olavo não seria um filósofo, e sim um expositor de filosofia. Muitos o identificam como um comentarista político. Já foi perguntado, "qual é a filosofia dele"?

Notando a dificuldade dos olavetes em explicar a filosofia do Olavo em poucas palavras, tento aqui fazer um resumo e em seguida tentarei tornar claro as especificidades que o distingue dos demais em suas contribuições originais.


Toda expressão do pensamento pode ser avaliado em função do grau de contribuição positiva ou negativa a mais importante das atividades mentais, que é a prática da reflexão pessoal dos atos realizados em juízo honesto e solitário sobre seu verdadeiro significado. Este é o pressuposto que aparece estar presente na tomada de posição do Olavo diante de cada produção intelectual, seja aprovando ou reprovando.

A importância do conceito de Deus se justificaria como a projeção de uma entidade que estaria acima do interesse de quem se submetesse ao seu escrutínio perfeitamente justo e sábio, garantindo uma auto-avaliação imparcial. A importância do livre arbítrio é porque dá sentido ao conceito de responsabilidade pessoal, importante para a auto-avaliação.

Portanto, as idéias que negam o reduzem o valor livre arbítrio, que negam a existência de Deus, que sugerem a impossibilidade de fazer uma auto-avaliação imparcial, que negam a possibilidade de que os atos possam ser verdadeiramente valorados, estão em conflito com o pressuposto da filosofia do Olavo. Isso explica a posição favorável em relação às religiões tradicionais ao se considerar o modo como estas contribuem para manutenção desta prática.
.
[Continua]
hlio#2
A oposição ao mecanicismo é por causa do papel que este cumpre a favor do conceito de determinismo, o que anula a possibilidade do livre arbítrio. A anulação do livre arbítrio reduz a importância da responsabilidade pessoal na auto-avaliação.
A oposição às teorias que sugerem a impossibilidade do conhecimento, o relativismo radical e a toda idéia que impõe limites excessivos ao ato cognitivo, se justifica em função de que tais teorias implicariam em reduzir a importância da auto-avaliação, já que negaria a efetividade de se valorar os atos praticados.
A oposição da perspectiva racionalista da natureza se explica na medida em que o racionalismo matemático sugere a possibilidade de planejamento onisciente de toda sociedade humana, o que dispensaria a atividade mental do indivíduo em função da imposição coletiva orientada desde cima.
Portanto, se alguma idéia ou produção intelectual sugere implicações que comprometam essa atividade mental de auto-avaliação, é porque em última análise, possui uma motivação imoral que pode estar imanente em algum pressuposto oculto. Essa motivação imoral se manifestaria como um transtorno espiritual implícito que se revelaria sob forma de dissonâncias intelectuais, como a paralaxe cognitiva. As dificuldades teóricas pertinentes aos problemas de auto-referenciação, seriam na verdade, a projeção tendenciosa de uma filosofia comprometida em rejeitar a importância espiritual da auto-avaliação.
hlio#3
A concepção aristotélica da cultura reforça o significado desta perspectiva. A relação entre os transtornos cognitivos e as perturbações espirituais inerentes a recusa de auto-avaliação, se harmoniza com os fundamentos da filosofia Aristóteles.
Partindo das lições filosóficas de seu pai médico, que erigiu uma teoria geral da doença em função da harmonia orgânica, Aristóteles aplicou a idéia de sanidade mental para identificar no critério de coerência e unidade orgânica, os parâmetros que definiriam uma patologia que seria o inconsciente profundo do sofismo.
É por esta razão que em muitas das análises filosóficas do Olavo, é feita uma correspondência entre as falhas cognitivas e a manifestação de uma patologia psicológica como conseqüência da violação de coerência e unidade orgânica.
Os registros pavlovianos dos efeitos da estimulação incoerente nos animais revelariam o grau de veracidade dos critérios de sanidade mental-filosófica baseados na harmonia orgânica das crenças.
hlio#4
Disponibilizei uma enquete para apurar as opiniões gerais do resumo feito.

[url]/Main#CommPollVote.aspx?cmm=44668&pct=1244622329&pid=1221137876[/url]
hlio#5
Acho que toda filosofia do Olavo pode ser fundamentada em torno da importância da auto-avaliação dos atos realizados, que no contexto religioso se expressa com a prática da oração e da conscientização dos pecados e da condição de pecador. Esse é o inconsciente profundo de sua obra e o postulado básico que permite entender e até mesmo prever sua posição diante de qualquer expressão da história do pensamento. É esse postulado, até onde eu sei, que é usado para responder muitas das perguntas que lhe são enviadas, e é um guia tão eficiente que permite uma resposta rápida.
O resto vem de conhecimento acumulado de leituras.

Por exemplo, porque o conceito de transcendência, metafísica e leis universais é importante? Porque é o que fundamenta a capacidade cognitiva da valoração dos atos realizados para além de influências dos valores da época e da região (relativismo cultural), e é o que fundamenta também a possibilidade de projetarmos a voz de Deus como um ser que transcende a nossos próprios interesses e juízos.
hlio#6
A postura do Olavo em relação a mentalidade revolucionária é também um outro conceito de sua filosofia. Não sei até onde o conceito que ele propôs de mentalidade revolucionária por ele assumido é original, mas eu entendo que se articula com o postulado básico. A mentalidade revolucionária, segundo a descrição olaviana, pressupõe a possibilidade de um futuro utópico, cujas qualidades justificariam a expiação de qualquer ato realizado no estado presente, dispensando a atividade mental de auto-avaliação. Talvez a descrição da mentalidade revolucionária, a valoração do pensamento humano em função do ato de auto-avaliação e a teoria dos quatro discursos, sejam essencialmente a contribuição original em filosofia.
Existem também as suas abordagens sobre a Teoria do Conhecimento, mas me parece que são idéias cujo mérito maior é do Mario Ferreira dos Santos.
hlio#7
Parece que o resumo que escrevi não foi bem aceito. Acho que deveriam ser apresentadas outras propostas de resumo para colocar na enquete.
hlio#8
Oi Edu, obrigado. Mas a minha idéia de resumo é identificar o pressuposto geral das idéias do Olavo que para mim não implica em omissão, mas na exposição de uma idéia medular, que funcionasse como um postulado capaz de deduzir os conceitos por desdobramento. Isto ajudaria a expor os conceitos de Olavo de uma forma coerente e racional para um interlocutor que nem sempre é amistoso diante de um olavete com boa vontade.
hlio#9
Um bom exercício é verificar a viabilidade de expor o resto a partir do parágrafo inicial.
hlio#10
A filosofia do Olavo de carvalho pode ser axiomatizada em três postulados básicos:

1- A valoração de todo pensamento intelectual em função de suas implicações na auto-avaliação pessoal e sincera dos atos realizados pelo indivíduo.

2- A identificação de uma entidade transcendente com juízo e sabedoria perfeitos como referencial necessário para a valoração dos atos realizados pelo indivíduo.

3- A identificação da mentalidade revolucionária com a substituição da auto-avaliação pessoal e sincera pelo juízo moral que faz do bem supremo hipotético do futuro, o referencial para a valoração dos atos realizados pelo indivíduo.

Do primeiro axioma, a ideologia marxista se torna inválida dentro do sistema olaviano, na medida que se identifica com elementos conceituais que estão em conflito com a possibilidade da auto-avaliação pessoal e sincera dos atos realizados pelo indivíduo, como o conceito de determinismo que negaria o livre arbítrio e com isso o sentido de responsabilidade individual que seria fundamental a auto-avaliação sincera, e o conceito de que classe econômica predispõe o julgamento objetivo da realidade que negaria a possibilidade de valoração objetiva dos atos realizados.

O terceiro axioma amplia o conjunto de ideologias inválidas ao identificar o liberalismo, em algumas de suas manifestações históricas, com o conceito de mentalidade revolucionária.

‹ Voltar para a lista de tópicos