"...integralismo, um movimento que, por mais imbecil que nos pareça hoje, sempre agiu de maneira honrada e conservou as mãos limpas de qualquer cumplicidade em ações tirânicas, tendo sido antes vítima de repressão brutal e tendo partido dele, aliás, o primeiro protesto brasileiro contra a perseguição aos judeus na Alemanha.
Não é vergonha nenhuma ter sido integralista. Vergonha é ter sido comunista. Vergonha é ter pertencido a um movimento que, após sofrer sob a ditadura Vargas perseguições idênticas às que sofreram os integralistas, ainda teve o descaramento de se tornar cúmplice de seu próprio algoz.
Eu, pelo menos, me envergonho do meu passado comunista, e contra o integralismo nada tenho a alegar exceto o pecado de babaquice."
"O integralismo foi um fascismo abrandado e inofensivo, um ultranacionalismo sem racismo, que celebrava a glória de índios, negros e caboclos. Entre os líderes do movimento havia, é verdade, um anti-semita declarado, o excêntrico historiador e cronista Gustavo Barroso, maluco não desprovido de talento, várias vezes presidente da Academia Brasileira. Mas, quando começou para valer a perseguição aos judeus na Alemanha e todos os bem-pensantes do mundo fizeram vistas grossas, foi do chefe supremo do integralismo, Plínio Salgado, que partiu uma das primeiras mensagens de protesto que chegaram à mesa do Führer (e na certa foi direto para o lixo). Se os educadores deste país tivessem vergonha na cara, esse feito quixotesco seria alardeado com orgulho em todas as escolas - não por seus efeitos políticos, que foram nulos, mas como símbolo do espírito de um povo que nunca deixou seus melhores sentimentos serem sacrificados no altar de fanatismos ideológicos.
Em vez disso, tratamos de escondê-lo, para dar a criaturas inocentes e honradas o ar sinistro de cúmplices de Hitler. Fazemos isso sob a inspiração de educadores e intelectuais comunistas, que precisam mentir e caluniar o tempo todo para disfarçar a co-autoria comunista de muitos dos crimes do nazismo entre 1933 e 1941.
"Os escritos de Plínio hoje nos parecem melosos e de um hiperbolismo delirante. Politicamente, seu único pecado é a completa tolice. Moralmente, são inatacáveis. Ademais, o integralismo era católico - e sob o nazismo os católicos, convém não esquecer, eram o terceiro grupo na lista dos candidatos ao campo de concentração, depois dos judeus e dos politicamente inconvenientes (v. Robert Royal, Catholic Martyrs of the XXth Century, New York, Crossroad, 2000).
Que vergonha existe em ter seguido esse líder? Nenhuma, evidentemente. "
Olavo de Carvalho, em "Reale ante os medíocres", texto completo em
Foram centenas de espancamentos, comícios dissolvidos, prisões e até assassinatos em condições não-esclarecidas, sempre com a participação das polícias estaduais (em particular da BA, SC e RS) e a cumplicidade de colaboradores comunistas ou da esquerda tenentista.
Só que é proibido falar disso.
É claro que o integralismo é um movimento que só teria podido florescer nos anos 30, e em nenhuma época mais.
Mas mesmo naquele momento era excessivamente heterogêneo, até por causa da sua origem inusitada, em um congresso de uma ala do tenentismo.
De lá saíram tanto Helder Câmara quanto Miguel Reale, que acabaram díspares tanto em termos de filosofia política quanto de honradez.
A AIB foi um movimento que empolgou a sociedade brasileira num determinado momento histórico. Apesar de anti comunista, era também uma ideologia igualitária que, por isso, caso chagasse ao poder, engendraria o totalitarismo e a tirania, que é como acabam todas as utopias igualitárias. Apesar de ter, para alguns de seus ideólogos, a Idade Média como paradigma, era produto do liberalismo uniformizante mesmo que seu antípoda.
Plínio Salgado foi um intelectual respeitabilíssimo e desempenhou importante papel histórico negado pelos historiadores comunistas. Até sua participação no movimento cultural que levou à Semana de Arte Moderna de 22 é convenientemente omitido.
A AIB foi uma organização gigantesca, muitas vezes maior que o PCB. Entre seus próceres, Plínio, Miguel Reale e Gustavo Barroso, apenas o último apresentava laivos de anti sionismo, mais anti sionismo que anti semitismo propriamente dito. Miguel Reale e Severino Sombra, outro importante quadro da organização, faleceram não há muito tempo e suas biografias, quando registradas pelos mass média, tiveram omitida essa participação na AIB.
Os professores comunistas querem sempre jogar o integralismo na vala comum do fascismo e do nazismo. Isso é uma grosseira distorção. Nem o fascismo é igual ao nazismo embora o segundo tenha inspirado-se no primeiro. E tampouco o integralismo é igual ao fascismo ou nazismo embora tenha tido, em parte, inspiração no fascismo. CONTINUA...
Uma vez um professor meu, marxista naturalmente, cometeu, em sala de aula, esse erro grotesco de dizer que o integralismo era o nazismo numa versão brasileira. Tive que fazê-lo analisar alguns pontos de cada um para que ele chegasse à conclusão que "exagerou" na comparação.
O integralismo foi um movimento basicamente composto por católicos. E quem é católico é, NECESSARIAMENTE, anti comunista e anti nazista.
Várias figuras conhecidas participaram da AIB, entre elas D. Helder Câmara, Alceu Amoroso Lima e Roland Corbisier, esse último tendo aderido ao comunismo mais tarde. Embora não tenha sido um partido, em algum momento fez-se representar partidariamene, salvo engano pelo PRP (Partido de Representação Popular).
O golpe, malogrado, que tentaram dar no final da década de 30, quando pensavam que estavam com apoio suficiente, inclusive dentro do governo, reforçou a posição de Getúlio e a justificação do Estado Novo.
Um dado interessante é que havia grande participação de negros na AIB, talvez como nunca em qualquer outra organização política brasileira que não as próprias que os representavam, como a Frente Negra Brasileira.
Infelizmente, assim como a Causa Monárquica, o Integralismo hoje é uma espécie de ímã para alguns tipos exóticos.
Já vi gente, num sítio integralista na internet, comemorando o atentado às torres gêmeas. Repugnante! Por mais que isso nada tenha a ver com os integralistas históricos, faz muito mal à imagem do movimento que, diga-se, é mais do que anacrônico nos dias de hoje.
Aliás, é fácil explicar porque alguns jovens nazistas procuram o integralismo: é exatamente porque seues professores comunistas disseram a eles que é a mesma coisa!