A idéia é postar perguntas e compor uma entrevista ao Olavo.
O mestre pode vir aqui e respondê-las descompromissadamente quando tiver tempo ou o Yuri pode aproveitá-las para mais um podcast. Ou, no mínimo, se nenhuma das duas coisas for possível, cria-se uma discussão em torno de assuntos que os participante desta comunidade julgam importantes.
Caso isto dê certo, eis minhas perguntas ao Olavo.
1 - Em uma de suas aulas de filosofia em vídeo, você menciona en passant que uma verdadeira religião pode ser distingüida como tal de uma falsa desde seu início. A pergunta é: como, já que não passou ainda pelos testes que colocarão em xeque sua veracidade, não formou ainda nenhuma civilização e os homens espiritualmente maduros que ela formou não podem ser reconhecidos como tais senão dentro de seus próprios termos ainda desconhecido de quem está de fora dela?
2 - A segunda pergunta é indiretamente relacionada com a primeira. Se pedirem a uma criança de um ano que aponte o "salgueiro" em uma série de fotos com uma amendoeira, um salgueiro, um saleiro e um hipopótomo as chances dela acertar são meramente casuais. Levando isto para a experiência da Verdade, como pode àquele que desconhece a verdade reconhece-la mesmo que a busque dado que precisamente ela lhe é desconhecida? Não está relacionada com isso a atual era em que se despreza o ensino espiritual precisamente porque a massa de ignorantes de Deus não é capaz de reconhecer os que verdadeiramente tiveram uma experiência Dele e dar-lhes ouvidos?
3 - O que você sabe a respeito da Igreja Ortodoxa? E se já visitou alguma das três paróquias que existem aí em Richmond?
4 - Por que você acha que o brasileiro é tão hostil a qualquer espiritualidade séria sempre recaindo em sincretismo ou "flexibilizações" que comprometem a própria espiritualidade? Seria uma questão endêmica da cultura brasileira dificultando o surgimento de santos e místicos de relevo?
1) Se antes o martírio do indivíduo era viver sob um estado autoritário, idéia tão bem representada pelo "1984", de George Orwell, hoje temos a impressão de que esse martírio adquiriu uma forma mais terrível: a monstruosa quantidade de informações, que torna praticamente impossível a vida livre de instituições midiáticas e burocráticas. Não é coincidência que "diabo" venha do grego "diábolos", que significa "caluniador" ou "aquele que desune": o redemoinho de informações a que somos expostos todos os dias é, ele próprio, um poderoso instrumento de desunião, de multiplicidade perversa, de apagamento de toda noção de unidade e de absoluto, cumprindo assim a máxima "solve et coagula". Como é possível, neste redemoinho, discernir o verdadeiro do falso, o essencial do supérfluo? É possível hoje para um indivíduo comum, encontrar fontes seguras e precisas, informações sólidas e verdadeiras? É válida para os dias de hoje a idéia -- que o sr. mesmo pôs em prática anos atrás -- do pensador que se isola para construir sua inteligência e seu caráter e que só depois disso retorna e se coloca diante do turbilhão de informações?
2) A história da esquerda no Brasil e no mundo e os noticiários dos
últimos meses sobre a política nacional fazem pensar nas palavras do
Nazareno, que, crucificado, afirmara: "Pai, perdoa-lhes, porque não
sabem o que fazem." Na sucessão de erros macabros que constitui a
história da esquerda, no Brasil e no mundo, é possível que eles realmente não saibam o que fazem?
Em um dos Podcasts você afirma que o PT possui ligações com o CFR via investimentos de George Soros, fundações Ford e Rockefeller. Em uma das partes do podcast você diz que apenas resta às nossas FFAA se juntar ao exército do Foro num conflito contra os EUA. Este fato não seria a prova mais cabal de que não existe um consenso de Washington como quer fazer crer a esquerda já que gente de dentro dos EUA ajuda a financiar movimentos que vão contra os EUA como a revolução bolchevique que foi financiada por Wal Street e inclusive a própria União Soviética que recebeu dinheiro dos Rockefeller?
Concordo plenamente que o Brasil é um país que corrompe e emburrece as pessoas há pelo menos 20 anos. O meio, neste caso, é fator determinante e são poucos que escapam.
Pergunta: um brasileiro médio imoral pode ser perdoado por ser brasileiro ou os poucos que escaparam do destino dele estando no mesmo meio são a prova da condenabilidade dele?
...sua pergunta vale para o mundo inteiro - não só para o Brasil.
É uma pergunta brilhante, porque no fundo dela está a discussão da fé numa consciência criada à semelhança do Transcendente, simbolizada pelo Graal, ou a aliança.
Eu penso que ser bom num mundo mau é a idéia: e não existe, pra mim, a hipótese de que a existência do mal justifique, ou absolva, o mau.
Daí que os imorais maus tão condenadaços, em qualquer hipótese: mesmo que - num específico momento - só eles existissem, entre os humanos, sem nenhuma referência visível, ou palpável, do que é o bem.
Como remontar uma experiência cognitiva original???
O que consiste não em estudar um sistema pronto, mas em enxergar aquilo que os grandes filósofos enxergaram em suas investigações.
Você desenvolveu alguma metodologia para isso???
Acredito que a teoria dos 4 discursos pode nos dar uma resposta segura e aproximada para essa questão.
Continue, por favor, a explorar esse tema. Isto é importantíssimo para a filosofia das ciências, epistemologia, e para qualquer investigação filosófica autêntica.
O Olavo nos seus comentários sobre os Estados Unidos, intervenção no Iraque, etc, só fala nos conservadores e nos liberais, jamais o vi comentar sobre a posição político-ideológica da outra direita americana, os "libertarians" que, embora extremamente anti-esquerdistas no que se refere a intervenção do Estado na economia, por constituírem a ala mais radical do liberalismo economico - na verdade são anarco-liberais ou anarco-capitalistas - são tão ou mais críticos da política externa americana quanto os "liberals". Seria interessante então ouvir o que Olavo tem a dizer sobre Rothbard, Hoppe, Rockwell e o site anti-war.