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Florestan Fernandes e a mestiçofobia petista

Iniciado por leo_orkut_6 em 08/07/2009 · 3 mensagens

leo_orkut_6#1
Esse artigo de Florestan Fernandes é de 1980. O discurso de apagamento dos mestiços lembra o de Kabengele Munanga. Interessante que no artigo Florestan Fernandes reconhece que mulatos e negros vêem-se como distintos e revela claramente que a intenção de incluir mestiços na categoria de negro tem finalidade política. Florestan Fernandes, além de professor universitário, foi duas vezes eleito deputado federal pelo PT.

A CLASSE MÉDIA E OS MULATOS:
A QUESTÃO DOS "NEGROS DE ALMA BRANCA"*

Você enfatiza a relação raça-classe, mas, quando se fala da "classe média negra", tem de se levar em conta que ela sempre cumpre um papel de legitimação da ordem racial existente.

- No livro A integração do negro na sociedade de classes, na parte relativa ao "novo negro", vimos que ele cumpre realmente este papel de legitimação, mas também há um outro aspecto. Ele é um negro que conheceu os movimentos de protesto norte-americano na década de 60 e viu que estes movimentos não tiveram ressonância, viu que o meio negro não teve maturidade, autonomia suficiente para levas estes movimentos às últimas conseqüências e se retraiu, utilizando as técnicas consagradas pela ordem existente. O branco endossa, no Brasil, aquilo que chamei de "exceção que confirma a regra", ou seja, o melhor talento é separado do meio negro e jogado na sociedade global. Este indivíduo que "sobe" destrói todos os vínculos com o meio de origem e se redefine como um negro de alma branca.
Continua em [url]/Main#CommMsgs.aspx?cmm=16232797&tid=5356190681935280925&start=1[/url]
massasofrida#2
que o levou a ser ser assim?
leandro_13#3
Florestan, o PT e movimentos anexos tiveram êxito nisso.

Inventando alguns benefícios (na realidade bem pouco práticos) à condição de ascendência africana, criou-se um incentivo para que cidadãos se declarassem negros sem que na verdade tenha esse objetivo em outras circunstâncias.

Aliás, convenhamos, o que existem são autênticos brancos se declarando de ascendência africana por conta de uma tez mais amorenada da pele.

Pode até ser que tenham alguma ascendência africana (segundo o mito repetido de que "todos os brasileiros tem algum sangue negro"), mas seguramente poucos se lembram de algum ancestral africano. É impossível distinguir, pela cor da pele, fenótipos de origem ameríndia, africana (esta, aliás, extremamente heterogênea) ou mesma moura, de onde provém boa parte de Portugal.
Os únicos impedidos de tal condição seriam aqueles de clara ascendência europeia ou asiática.

Por exemplo, onde trabalho, faço matrículas de crianças que, segundo a lei, devem declarar a sua raça. No caso, são os pais que declaram. Mas, ao contrário das universidades, não há benefícios raciais...

Quando aparece algum pai/mãe de criança negra, nenhum até hoje declarou sua criança como negra. Declaram, sempre, "morena" ou "parda".
Já quando aparece algum pai/mãe de criança mulata ou parda, todos se declaram brancos.

Quando chegam no vestibular, eles mudam.

Não critico a declaração dessas pessoas. Eles não tem culpa pela hipocrisia racial.
A pesquisa da Folha em 2008 (que ela mesma comprarou com outro feito na década de 1990) mostrou um dado que ela mesma admite: há mais pessoas afirmando que existe preconceito racial, porém, muito mais pessoas também se declarando negras.

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