"Há pelo menos três livrarias no aeroporto de Caracas, mas se estiver em busca de um escritor consagrado da literatura latino-americana para passar o tempo antes do embarque, o visitante sairá frustrado de qualquer uma delas. O colombiano Gabriel García Márquez? "Não." O mexicano Carlos Fuentes ou o argentino Julio Cortázar? "Também não." O peruano Mário Vargas Llosa? "Nem pensar, só tenho esses aqui", diz a vendedora, desconcertada, apontando para uma estante quase vazia que começa com "Culinária para Crianças" e termina numa série de análises sobre o socialismo do presidente Hugo Chávez
No centro da capital venezuelana ou em bairros de classe média a situação é a mesma. "As autoridades não estão liberando dólares para importar livros, papel ou tinta. E não adianta dizer que o problema é a crise, pois sabemos que há uma questão ideológica por trás disso: para esse governo, literatura ?desengajada? não é prioridade", diz Andrés Boersner, dono da tradicional livraria Noctua."
"Recuperamos obras que estavam esquecidas, pois antes só havia espaço para a literatura de direita", disse ao Estado Miguel Márquez, presidente da editora Los Perros y las Ranas, ligada ao governo. Ela foi criada em 2006, ao receber uma DOAÇÃO DE CUBA, e já distribuiu 50 milhões de livros. "São livros que contribuem para humanizar nossa sociedade, ou seja, para acabar com a valorização do dinheiro, típica do capitalismo, e impulsionar o socialismo."
O resultado desse processo é o que a oposição vem chamando de "a revolução cultural do presidente Chávez".
"As autoridades deste governo não conseguem entender, afinal, para que serve um livro de poesia ou um Dostoievski", diz Boersner. "Eles só sabem que não devem acrescentar muito à sua revolução."
"São livros que contribuem para humanizar nossa sociedade, ou seja, para acabar com a valorização do dinheiro, típica do capitalismo, e impulsionar o socialismo."
Que interessante isso... Se esses livros são realmente tão "humanitários" assim, prefiro cometer o crime hediondo de encher a minha conta de grana do que defender uma ideologia criminosa e genocida.
Não. No Brasil ainda se encontra Dostoiévski, Hayek, Mises, Olavo, Adam Smith, etc. Aliás, para os direitistas, o mercado editorial brasileiro é hoje melhor do que o era há 10 ou mesmo 15 anos atrás.
Hoje eu li um camarada dizendo, na Veja, que "os venezuelanos prestem atenção, porque deixaram Chavez ir longe demais".
Faz-me rir, o pateta! AGORA é que ele vem dizer isso?
Mas é ÓBVIO que "deixaram"- e agora é TARDE DEMAIS! O "longe demais" VEM JUNTO com o "tarde demais", ora raios!!!!!
Eu, hein!
O Brasil está evidentemente deixando Luifináfio e a corja forista irem beeeem longe há muito tempo: mas isto o retardado NÃO VÊ! Provavelmente quando não for mais possível fazer XONGAS, aí ele vai vir com a mesma imbecilidade - "deixamos ir longe demais".
No caso do Brasil o que há é a aplicação simples das leis de mercado: como livros que provam que as leis de mercado não funcionam vendem mais, existe mais predisposição do mercado de atender a esta demanda que em atender à demanda de livros que provam que o capitalismo funciona.
De facto, é muito difícil encontrar livros liberais, mas encontram-se sim. Vá ao IL ou á Estante Virtual, por exemplo. Pretender igualar isso à situação venezuelana é perder o senso das proporções.
Mas, como eu disse, a situação editorial do Brasil hoje é, apesar de estar longe da ideal, bem melhor do que era há 10 ou 15 anos. De lá para cá foram publicados O Livro Negro do Comunismo, Cortar o Mal pela Raiz!, A Infelicidade do Século, livros de Orlando Figes, de Richard Pipes, Paul Johnson, Eric Voegelin, Mario Ferreira dos Santos, Olavo de Carvalho (tiveram maior divulgação e atraíram mais leitores), as biografias de Mao, Stalin e Lenin; livros denunciando o PT, etc. Se isso não é uma melhoria, o que é então?
Eu compro livros fora do Brasil e pago em reais, sem necessidade de autorização nenhuma. Uso um cartão de crédito.
Mas os livros, evidentemente, são para meu uso - não em quantidades comerciais.
Acho que no Brasil está muito diferente, eu mesmo encontrei aqui o Imbecil Coletivo II do Olavo na Livraria Siciliano, e comprei o meu exemplar em um sebo aqui no RJ, também encontrei "Capitalismo e Liberdade" à venda por 5 reais.
Claro que a literatura de esquerda é muito mais farta e está em evidência, mas ainda estamos muito longe da ditadura do Chapolim.
Lembrei, por isso postei novamente, encontrei na mesma livraria, "Como vencer um debate sem ter razão" do Schopenhauer, que o Olavo escreve o prefácio.
Sou estudante de filosofia na Metodista de SP e sou obrigada a escutar elogios ao Hugo Chávez!!!
Sem mais comentários!!!
Na verdade só escuto porque faço EAD, mesmo assim ainda faço questão de sair da sala. Palhaçada, meu!
Realmente, a situação do Brasil parece diferente do da Venezuela, sob diversos aspectos, no entanto todos conhecemos a estratégia gramsciana de tomada de poder através do ataque às instituições democráticas.
No Brasil, o mercado editorial já está, praticamente, nas mãos dos esquerdistas a muitas décadas, por isso, só encontramos com facilidade (quando muito) livros liberais na área de Economia.
Os livros do Olavo são cada vez mais difíceis de se encontrar. Eu comprei alguns na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, a alguns meses, mas, hoje, não tem mais nenhum nas prateleiras.
"O jornal hondurenho El http://heraldo.hn/ publicou ontem à noite um texto em que denuncia um plano de Hugo Chávez para levar o caos a Honduras e reinstalar Manuel Zelaya no poder. Segundo o jornal, “a conspiração pretende desestabilizar o país por meio de ações armadas de grupos paramilitares, ligados ao narcotráfico, provenientes da Nicarágua”.
Escreve ainda o jornal: “No plano chavista, estão a tomada do aeroporto de Toncontín, o bloqueio das principais estradas, a paralisação das instituições públicas e hospitais e um massacre de manifestantes, induzidos a enfrentar a polícia e os militares”. Prossegue o jornal: ”A ordem dada por militares chavistas e sandinistas infiltrados no país é praticar atentados contra empresas, destruir meios de comunicação, queimar veículos e cometer atos de vandalismo, obrigando, assim, o uso da força militar e policial”.
Segundo o jornal, na coordenação dessas possíveis ações está um capital venezuelano da Marinha chamado Rodriguez. A operação seria desfechada na sexta e se estenderia até o sábado, quando Zelaya diz que pretende voltar ao país.
As manifestações, de acordo com o plano de Chávez, devem ser lideradas por membro de quadrilhas, aos quais se pagaram entre 300 e 500 lempiras (moeda local). Sua missão é enfrentar a polícia e os militares até que haja disparos. Se houver, os próprios bandoleiros estariam encarregados de atirar contra manifestantes para fazer o maior número possível de vítimas e caracterizar um massacre..."
Não é simples assim dizer que os livros de Cortázar são "liberais". POdem não ser engajados, mas isso não implica ser liberal.
A censura da Venezuela para ser, inclusive, mais tosca: Proibe-se TUDO O QUE NÃO FOR PREGAÇÃO ABERTA DO ESQUERDISMO. Pronto, muito mais fácil para eles...
Quisera saber se eles proibiram "As veias abertas da América Latina"... livro chave do idiota latino-americano padrão...
Esse fato talvez me ajude a reduzir a convicção de certas pessoas que conheço que acreditam que Hugo Chavez seja da Direita. Mais um pouco e, quem sabe, elas ficarão na duvida a respeito disso
Cortázar era um esquerdista assumido que admirava Allende e adorava Cuba. Verdade que questionou vez que outra alguma das barbáries de Fidel - o mínimo que qualquer cidadão que visita Cuba deveria fazer - e talvez seja por isso que os comparsas do Chavez, equivocadamente, proibem os seus livros de serem lidos.
E não julguemos a sua obra precipitadamente! Eu particularmente admiro o seu trabalho assim como gosto de Graciliano Ramos ou dos filmes de Antonioni e de Eisenstein (e porra, esse era um gramsciano fodido).
Revel diz que um regime comunista tem o monopólio político, econômico, cultural e um terceiro aspecto que não recordo.
Domínio econômico não necessariamente necessita ser pela estatização. O domínio de uma economia de índole fascista basta. Chávez nem pensou muito nisso e está estatizando tudo, no estilo socialista clássico, e já tem o monopólio político e boa parte do cultural.
Se a Venezuela não é uma ditadura comunista, mesmo que ainda num processo de implantação, então não sei dizer direito o que é.
O que muda a questão da comunização ou não da Venezuela é em que grau esse processo está.