"A índole pacífica e hospitaleira do nosso povo é realmente democrática, mas a inércia decorrente do analfabetismo, da incultura e da falta de saúde, não lhe permite aspirar à responsabilidade. Aceita fatos consumados. É povo fatalista.
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Para construirmos um novo Brasil, necessitamos da presença de todos os brasileiros cultos para essa obra grandiosa(...) Nós brasileiros necessitamos da construção de uma visão genuinamente nossas, que não seja uma cópia das construídas em países de características diversas.
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Herdamos aquele coração dos portugueses, a liberdade do índio e o estoicismo do negro. É sobre esses pilares que temos de construir a nossa humana visão das coisas. O brasileiro é um povo amante da paz, é um povo fraternal por natureza, que gostaria de derramar-se em manifestações afetivas mais amplas. A contingência de sua vida e de certas condições históricas fizeram-no triste, apático, até (...) O Brasileiro não é um competidor, mas um colaborador por natureza.
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A cooperação pode ser posta em prática imediatamente. Cada um já pode realizá-la em seu âmbito, e não esperar por outros para iniciar a obra de renovação social, por todos anelada. A melhor propaganda é a do ato, e a cooperação só pode impor-se pela prática, assim como a liberdade só se torna prática pela prática da própria liberdade. Cada um deve reunir-se aos seus afins, aos que aceitam também nossa prática, e organizar grupos autônomos, que estabelecerão um programa de ação, orientados pelas normas já dispostas, e atuando livremente dentro do seu âmbito.
Há inúmeras formas práticas de cooperação que podem ser executadas em qualquer lugar, com imediatos efeitos. O cooperacionismo não é partido político. Não quer separar, quer unir. É prática social da cooperação. O cooperacionismo apresenta um campo de ação e promove fórmulas que podem desde logo oferecer benefícios ao povo.
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O gigante adormecido, ridicularizado pelos exploradores, há de despertar. Não para forjar novas algemas, mas para libertar-se das que tem, e das que lhe querem impor.
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Não temamos criar. Não aceitemos a velha mentira de que somos incapazes de criar.
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É o brasileiro, por educação e influência alienígena, descrente em si mesmo. Não é nossa juvenilidade que nos impede de criar, porque, na história, povos mais novos do que nós criaram (...) Tememos, apenas, criar."
As páginas finais de um dos livros do autor misterioso, no capítulo "Antes da Catástrofe", são comoventes. Ele realmente anteviu a corrupção viciosa da escala de valores ocidental, e pensava que o Brasil, por causa do caráter "ecumênico", poderia servir de último reduto para os valores positivos. Ah, se estivesse vivo hoje, assitindo o triunfo sangrento dos cesariocratas, a festa dos tiranos e os crimes cometidos em nome de concepções que já foram combatidas há séculos! O que não diria o gigante da metrópole paulista diante do seu país destroçado? Dá vontade de fazer o que ele recomenda, inspirado no exemplo dos pitagóricos: se a mentira começar a triunfar, retire-se para a solidão, vá estudar e não se deixe contaminar pela estupidez.
Concordo com o estoicismo dos negros e discordo da liberdade dos bugres. Indio é o animal mais vadio que já conheci, prefere morrer a trabalhar. Português não fede nem cheira, que a receita não deu certo já está provado.
Todas as frases são do nosso querido Mário Ferreira dos Santos, na obra O Problema Social.
Olhando para o Brasil, hoje, quase 60 anos após o clamor do seu maior filósofo, sinto mais do que uma tristeza profunda; sinto uma pena retroativa por Mário e por aqueles que um dia fizeram o que estava ao seu alcance para tornar a nossa pátria um lugar digno, uma pátria que fosse exemplo para o Mundo, hodiernamente já todo em desgraça.
Não estaria na hora de um novo clamor surgir neste país? Um clamor mais amplo, menos restrito, um clamor que abandone o ambiente críptico do conservadorismo turrão, um clamor mais contumaz, premente que é em época que jamais deixou de ser oportuna para mudanças?
Não falo de revoluções, passo longe delas, e o próprio Mário as condenava pelo seu irracionalismo, mas de um clamor SILENCIOSO, aquele que domina o ambiente pouco a pouco, como uma mistura de vozes que vão se multiplicando.
Não urge a formação de uma cultura que fundamente todas as modificações necessárias, uma cultura que na evolução das gerações seguintes coloque o resgate da tradição e da sabedoria no centro das atenções?
O que fazer para que nossos epígonos não vivam de lamúrias, angústias e frustrações como a nossa realidade há tanto nos impõe?
Como ressalta Mário do alto de sua usual sabedoria:
A melhor propaganda é a do ato, e a cooperação só pode impor-se pela prática, assim como a liberdade só se torna prática pela prática da própria liberdade.
Hoje temos de pensar na alma do brasileiro principalmente, sem ela não há uma atitude política...
Eu torci o nariz pra isso: "necessitamos da construção de uma visão genuinamente nossas, que não seja uma cópia das construídas em países de características diversas." Sei que Mário queria um espírito livre e soberano no Brasileiro, mas certas coisas são universais, e inferir contra elas é criar ideologias impraticáveis e neuras infantis negadoras da realidade...
Talvez tenha visto pelo em ovo nessa construção, mas imaginei uma posição integralista dele nisso... anti-capitalista, e porque não... anti-ocidental acima de tudo.
Talvez não tenhas percebido, mas a parte em negrito (Mário) e a parte em azul (você) estão absolutamente concordantes, caro.
É isso mesmo que Mário sempre defendeu; que não tomemos a pretensão dos "Colombos tardios" (ele é um dos GRANDES defensores da tradição e da filosofia católica) MAS que também não negligenciemos a relação dialética com as possibilidades que oferece o nosso cenário brasileiro, do contrário o que teremos é um apunhado de soluções ad hoc, abstratistas, fora do contato com a realidade.
Para agir é mais do que necessário se ter noção de QUE MATÉRIA É ESSA sobre a qual irá se agir. E aí entra a noção de nossas raízes, de nossas disposições, de nosso passado, de nossos problemas.
Não podemos jogar todas as esperanças para o ralo.
Precisamos trocar a inconformidade silenciosa pela AÇÃO CULTURAL.
O próprio Olavo já afirmou diversas vezes ser adepto dessa linha de prática, fazendo questão de ressaltar que em seus alunos germina a possibilidade de uma mudança cultural no Brasil.
texto super academico....aqueles que os "intelectuais" adoram, bem escrito, palavras de impacto, condescendente e acima de tudo, vago e superficial pra caramba!!!
Demorou mais de 40 anos para destruirem o pouco de cultura que havia no brasil. Isso foi "conquistado" com muito esforco, dedicacao e fanatismo da esquerda MUNDIAL sem falar no dinheiro gasto pra que isto acontece-se.
Agora imagina tentar reconstruir uma cultura inteira, educar todo mundo......bah!! forget about it!!
destruir eh facil, mulir que eh o problema...rsrsrs
(1) O povo brasileiro é maciçamente conservador, com índices animadores de rejeição ao aborto e ao consumo de drogas;
(2) Somos um dos únicos povos do universo em que o racismo nunca ganhou status suficiente nem para motivar o ativismo panfletário;
(3) Já tivemos grandes poetas, grandes escritores, grandes governantes, e cultura literária suficiente para fazer Otto Maria Carpeaux comparar seu estudo dos autores brasileiros a uma iniciação intelectual;
Qual é o problema de acreditar que "há uma nova esperança, e esta não nos trairá", segundo as palavras de Mário Ferreira? Por que esse abatimento, essa convicção de que nunca vai sair nada de elevado desse país? Foi contra esse abatimento, sediado sobretudo nas academias, que Mário lutou a vida inteira, com bravura admirável.
É claro que os tiranetes imperam aqui, como na Europa ( e na "radiant star on the darkest night" ). Mas daí a dizer que os crápulas são maioria, vai um passo.
Essa índole pacífica e bondosa se volta sempre a favor do assassino, do violento, etc...
Nunca vi povo pra ter tanta pena de bandido como brasileiro. Quando se efetua a prisão de um bandido na rua, logo, em volta aparecem dezenas de caras lamuriosas resmungando baixinho: coitado, olha só, pra que isso. Nunca eles se perguntam: O que será que esse cara fez?? Passam sempre direto para o coitadismo. [2]
Não creio que fosse possível PREVER uma tamanha hecatombe.
Não nessas dimensões, nessa profundidade.
Como eu sou muito mais velha que vocês, eu realmente creio que posso assegurar isso: há cinquenta anos atrás seria impossível imaginar essa tragédia sobre o país. Nem o mais pessimista dos pessimistas imaginaria isso aí. WQuando foi possível de fato PREVER - e eu acho que certamente foi o Olavo um dos primeiros, senão o primeiro, a "levantar a lebre" de que ERA PRA ONTEM, já estava acontecendo - já era tarde demais.
Já era muito pouca gente ouvindo. O imbecil coletivo já estava instalado.
Amigo, os crápulas podem não ser a maioria - mas detêm TODO o poder. É o que eu vejo.
Não há nenhuma oposição a eles, de nenhuma forma e em nenhum lugar. Não se construiu uma oposição, e não vejo COMO possa ser construída uma agora, assim de repente - e que seja EFICAZ.
Veja uma coisa: quem é que apareceu pra disputar as próximas eleições, amigo? Seja qual for o rearranjo que for feito, que diferença fará? Tratam-se das mesmas exatas pessoas, os mesmos exatos arremedos de partidos, a mesmíssima coisa - isso na melhor das hipóteses, porque na pior o rearranjo só trará mais poder ainda no sentido bolivariano da coisa...
O Foro de São Paulo tem razões para cantar vitória, amigo: o Brasil não reagiu, e já é tarde demais.
Perdão pela franqueza, ninguém o diz com mais tristeza do que eu.
Mas mais quatro anos liquidaram a fatura, lamento.
Agora, se não for na maciota, vai na marra: eles não vão largar esse osso já tão bem preso na bocarra deles. Se a gente ainda tivesse Forças Armadas... Mas nem isso.
Como eu digo sempre - que inveja de Honduras, que tinha! E um Judiciário, também... Nós? Nós perdemos, amigo: escorreu por entre os nossos dedos, levaram tudo e ninguém fez nada.