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Qual a substância da filosofia em Gramsci??? (2)

Iniciado por lvaro_4 em 12/11/2006 · 6 mensagens

lvaro_4#1
Resolvi reaproveitar o tópico anterior, utilizando-me do mesmo caminho metodológico que já havia começado: a dialética tomista.

O objetivo é continuar o desenvolvimento dialético dessa investigação filosófica até chegar ao rigor de uma demonstração apodíctica.

E, é claro: vacinar a comunidade contra o veneno gramsciniano.

O texto que eu havia escrito era exatamente esse:

”Com o malfadado livro "Concepção Dialética de História" de Antonio Gransci em mãos defino os seguintes termos como o pressuposto de um conceito gramcista de "filosofia":

1. Gramsci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais.
2 Gramsci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.
3 A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.
4 A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.
5 Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.
6 Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.
7 A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.
lvaro_4#2
“Diante isso, eu pergunto:

Qual a substância da filosofia em Gramsci???

Substância compreendida no sentido aristotélico de essência necessária e singularidade existente.

Ou: Qual a ontologia própria da filosofia para que se estabeleça a tensão essencial com o ato de filosofar que em Gramsci é exclusivamente histórico???

Vou mandar uma carta para o José Dirceu para ver se ele me responde essa dúvida cruel...

Pois, infelizmente, sou levado por mera dedução lógica a pensar que em Gramsci não existe filosofia nenhuma, não que o comunista italiano tenha sido incapaz de realizá-la. Ele simplesmente não acreditava na existência da filosofia e na possibilidade do surgimento de um projeto filosófico”.
lvaro_4#3
“Para tornar mais explícita as objeções que faço a Gramsci levantarei uma CONTRATESE a cada TESE sua”.

TESE 1: “Gramsci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais”.

CONTRATESE 1: Se a filosofia parte da consciência da historicidade dos processos sociais e ela mesma (a filosofia) é histórica então o filosofar nunca tenderia a transcender seu próprio tempo histórico. Deste modo, não há História simplesmente.

• TESE 2: Gramsci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.

CONTRATESE 2:Se a filosofia não é um movimento autônomo do pensamento depende de um outro ser para existir ou ser definida, então a filosofia existe como mero predicado ou acidente de uma substância. Logo, a filosofia não existe em si mesma, é uma mera extensão de um outro processo implícito.

• TESE 3: A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.

CONTRATESE 3: Se a filosofia é especialização não existe diferença entre ciência e filosofia e esta é incapaz de promover a unidade do conhecimento. Desta forma, a filosofia não tem utilidade nenhuma e deveria ser absorvida pelos métodos científicos.
lvaro_4#4
TESE 4: A unidade entre teoria e prática proporcionada pela filosofia da práxis não ocorre mecanicamente, mas pelo devir que estabelece os campos do filosofar e do agir.

CONTRATESE 4: Se o devir estabelece o campo do filosofar isto indica que o filosofar não pode vir antes do devir. Se a filosofia cria uma civilização e um outro devir é sinal que a própria filosofia é o devir e o próprio devir é a filosofia. Como pode o devir existir antes dele mesmo??? Se for um outro devir inicial e um outro conjunto de causalidades que afetam o devir atual deve-se discutir o apriori e o posteriori coisa que Gramsci nunca fez.

O devir responsável pela união entre teoria e prática. Gramsci inverte a idéia marxista original de que é a ação humana que produz os acontecimentos históricos.

• TESE 5: Cabe aos intelectuais como agentes culturais superar o mecanismo que entrava a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.

CONTRATESE 5: O devir histórico pode ser acelerado e acerela-lo é o dever dos intelectuais. O projeto filosófico se realiza neste devir acelerado e não no campo do esforço intelectual individual. A coletividade histórica é filosófica, o indivíduo não. Rasguem as Histórias das Filosofias que Gramsci escreveu uma nova e definitiva.

TESE 6: Existe uma igualdade indiscernível porém perceptível entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.

CONTRATESE 6: A filosofia é a História. A ação humana no mundo histórico é a encarnação da filosofia. Mas como a História pode ser a filosofia se a ação humana (a não ser a ação de filosofar no mundo histórico) não é o filosofar em si??? Gramsci faz uma contrasenso dos diabos para aproximar a filosofia da política.
lvaro_4#5
• TESE 7: A ideologia é distinta da estrutura, forma o bloco histórico que muitas vezes se confunde com o próprio homem em sua realidade social.

CONTRATESE 7: O homem é ideologia??? A realidade é ideologia??? Se a ideologia se confunde com a realidade social que é muitas vezes estrutural como a ideologia pode ser distinta da estrutura???

Quer saber??? Cansei desse pensador maluco!!!
lvaro_4#6
Como as contrateses são respectivas respostas às teses, abreviaremos para que não se torne muito cansativo as respostas as teses e partimos diretamente para as respostas às contrateses.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 1: A impossibilidade do filosofar na verdade é traduzida pela necessidade de uma nova história e o que é pior: de uma nova consciência que apreenda os dados sensíveis em sua historicidade absoluta. A consciência filosófica se dissolve na historicidade dos fatos e da ação histórica.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 2:O processo implícito ao qual a CONTRATESE 2 se refere é, evidentemente, o processo histórico que absorve a consciência individual e a transforma numa sub-estrutura sem capacidade de produzir valores próprios.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 3: A cultura especializada, na verdade, é uma ideologia revolucionária que é o sentido da práxis em Gramsci. Essa ideologia se sobrepõem ao próprio método científico.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 4: Gramsci nunca deixa claro o que é apriori ou a posteriori em seu pensamento. O lugar do devir na “filosofia” de Gramsci é num espaço que não existe em nenhum ponto empírico ou teórico discernível. Na verdade, é um imenso vazio conceitual que se abre entre a percepção e a realidade na consciência humana.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 5: A história não será mais uma história dos casos concretos da sociedade. Mas uma história do sujeito coletivo ou uma história das estruturas que se tornam o único referencial de realidade possível.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 6: A filosofia em Gramsci é pura ação política. Não há possibilidade nenhuma de filosofar em Gramsci. Qualquer conceito formado serve diretamente à ideologia comunista.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE 7: É a conclusão inevitável: O homem é estrutura. O homem se desumaniza ao se submeter a ideologia. Pois essa passa a ser sua representação máxima de realidade social.

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