Queria achar alguns textos de bom nível, ou ler alguns comentários sobre para poder me embasar nesse assunto.
De prontidão eu me declararia contra por aspectos morais pró-vida, mas admito que não sou capaz de desenvolver muitos argumentos nesse sentido.
O que a OdC acha?
Muita gente que é a favor so o é por que se imagina na situação da pessoa em questão. No caso eu sou favorável pra mim, caso venha a me fuder futuramente vire uma alface. Mas não posso estabelecer essa moral como coletiva.
Amigo, a minha opinião se fundamenta na certeza absoluta da existência, como já tive oportunidade de afirmar aqui, de um segundo paradigma que interage com a chamada razão. Cada ser humano o possui - mesmo que NÃO possua razão alguma. Mesmo que não tenha nem um pedacinho mísero de cérebro. Eu o chamo de consciência por falta de outro nome melhor. Sendo ilocalizável e imensurável, não existe como PROVAR que esta consciência "não está mais ali". Não tem "ali". Portanto, a morte é um processo que só pode ser determinado por vias indiretas, das quais um padrão de EEG NÃO é nem o único e nem o determinante. Na verdade, é um conjunto de dados diferentes que pode mostrar que o processo da vida está terminado.
Minha posição concorda com a da Igreja Católica Romana, que sensatamente se posiciona CONTRA tanto o prolongamento da vida além de seus limites por meios artificiais conjuntos e excessivos - ou seja, por meio de um um sistema complexo, além dos limites do bom-senso - quanto pela sua interrupção antecipada.
A delicadeza está em perceber a diferença entre um sistema complexo artificalmente mantendo a vida e um auxílio médico aceitável para mantê-la. Na dúvida, que NÃO se interrompa o auxílio.
Minhas razões, como se vê, se fundamentam em argumentos morais E TAMBÉM em argumentos de ordem lógica, que não são auto-excludentes.
Sim, eu compreendo essa lógica e foi no que eu sempre me fundamentei. A questão é justamente aquelas situações em que o paciente vive em condições severas e sem perspectivas de recuperação, definhando.
O que eu vejo ser muito utilizado como argumento(não exatamente um, mas uma instigação) pró-eutanásia é o exemplo daquele cidadão irlandês de 78 anos, portador de melanoma e que passou por inúmeras cirurgias, incluindo a retirada de um de seus globos oculares e de alguns segmentos da pele. Diz-se que ele sentia dores constantemente e que nenhum tratamento serviria para ao menos diminuir a dor, uma vez que este utilizava um analgésico semelhante à morfina e que como efeito colateral tinha a sua perda de consciência e a necessidade de que sempre se aplique doses maiores para que surtam algum efeito, sendo em outras ineficaz. Este teria solicitado ao seu advogado que realizasse um suicídio assistido.
Afinal, seria certo compactuar com o "assassinato" de alguém, mesmo nessas dadas situações? Ou talvez a pergunta certa seja; estas circunstâncias servem de desculpa para que se decida pelo fim de uma vida?
Não, de modo algum, pois...
Jornalista da Grã-Bretanha confessa eutanásia na TV
Ray Gosling admitiu ter sufocado parceiro em estado terminal com travesseiro
Uma confissão na TV, para milhares de telespectadores, reavivou o debate na Grã-Bretanha sobre a eutanásia, ilegal no país.
O jornalista Ray Gosling, da rede de televisão britânica BBC, admitiu no programa Midlands Oriental Inside Out, exibido na segunda-feira no canal BBC 1, que sufocou e matou com um travesseiro seu companheiro. Conforme o jornalista – homossexual assumido –, o parceiro tinha aids, estava em estado terminal e sofria com dores insuportáveis. O caso provocou grande repercussão ontem no país. Gosling, 70 anos, da cidade de Nottingham, não revelou o nome do companheiro ou o ano em que o fato ocorreu. Disse apenas que os dois haviam feito um pacto para que um ajudasse o outro a morrer caso as dores decorrentes da doença aumentassem de forma extrema.
– Uma vez matei alguém. Era meu amante e ele tinha aids. Peguei o travesseiro e o asfixiei, até que ele morreu. Não me arrependo. Fiz o correto – declarou o britânico em frente às câmeras.
O jornalista justificou sua ação dizendo que, “quando se ama alguém, é duro ver a pessoa sofrer”. Ele também admitiu que tinha sentimentos “contraditórios” em relação à eutanásia. Gosling contou ainda que o companheiro estava hospitalizado e que os médicos lhe asseguraram que já não podiam fazer mais nada por ele.
– Pedi ao médico que me deixasse com ele por um momento. Ele saiu e voltou. Ao retornar, eu disse que meu parceiro havia se ido. Ninguém nunca mais falou algo a respeito – relembrou o britânico.
A polícia do condado de Nottinghamshire anunciou que investigará as declarações. Pela legislação da Grã-Bretanha, ajudar alguém a morrer pode render uma pena de até 14 anos de cadeia, mas os tribunais do país têm evitado condenar os acusados nesses casos.
Londres