Teorias conspiratórias sobre vida de Obama não morrem
NOVA YORK - No slogan de campanha eleitoral, Barack Obama bradava "yes, we can". Não, ele não pode tudo. Com pouco mais de seis meses de poder, o presidente fracassou no empenho de superar os rancores partidários. Tal corrente para frente é apenas possível em penitenciárias políticas como a Coreia do Norte, mas Obama tinha a ilusão de que poderia ao menos diminuir a temperatura partidária ou ideológica.
À esquerda, existe desilusão com os acenos de Obama para buscar compromissos na sua agenda doméstica ou por ter se "vendido" a Wall Street. Mas a explosão maior e mais danosa acontece, é claro, à direita de Obama. Um exemplo gritante (em termos literais) é na resistência aos plano de reforma da saúde, ora rotulado de fascista, ora de comunista. Mas existe um rancor bizarro na campanha insistindo que Obama não é o presidente legal dos EUA por não ter nascido no país.
Teorias conspiratórias, delírios ideológicos e pura estupidez sobrevivem nesta campanha, conhecida como o movimento dos "birthers" (de nascimento, em inglês), impulsionada por sites, jornalistas aloprados, extremistas de direita e supremacistas brancos, no sentido de que a biografia de Obama é uma farsa. Na trama, ele não teria nascido no estado norte-americano do Havaí em 4 de agosto de 1961, logo não é cidadão nato e, como o austríaco Arnold Schwarzenegger, não pode ser presidente, conforme reza a Constituição.
Obama teria nascido no Quênia (terra do seu pai), ou Indonésia (onde viveu quando era criança com a mãe e o padrasto) ou quem sabe, como Moisés, chegou em terras norte-americanas boiando em um cesto. A paixão defendendo esta teoria conspiratória é inversamente proporcional á sua plausibilidade. Gente insana aparece nestes debates sobre saúde gritando que a certidão de nascimento de Obama foi forjada ou que ele carece de documentos originais para provar que nasceu no Havaí. Deputados republicanos dizem que as dúvidas são absurdas, mas alfinetam que "tudo indica que Obama seja americano".
O bizarro não deve ser tratado meramente como folclórico. Existe uma resistência conservadora a um presidente democrata (como prosperava nos tempos de George W. Bush do lado esquerdista), mas privar Obama de legitimidade é algo mais insidioso. Mais do que não americano, ele seria antiamericano, o alienígena. Há componentes racistas e de xenofobia nesta negação. É a incapacidade de aceitar um país com sua diversidade, no qual as minorias caminham para ser a maioria. Tal debate deveria ter morrido com a vitória de Obama em novembro. E, no entanto, sobrevive.
Para estes rancorosos, Obama não está errado. Isto é o de menos. Ele é ilegítimo. Um próximo passo é questionar a própria legitimidade das instituições. Teorias conspiratórias e estes rancores são ameaças instituicionais. Dias atrás, uma pesquisa Daily Kos/Research 2000 revelou que 58% dos republicanos expressam dúvidas se Obama nasceu nos EUA. Atente para a coincidência: de acordo com uma pesquisa Gallup no ano passado, 6 em 10 republicanos disseram acreditar que os seres humanos foram criados na sua forma presente há 10 mil anos. Pelo nível do debate e barbaridades retóricas, é uma suposição otimista.
Se o cara nao for americano..e isso for provado, a pergunta seria: COMO ISSO FOI ACONTECER??? As instituicoes competentes deveriam ter checado isso. Nao?
No "Manhatan Cocônection" de hoje, Blinder se disse "chocado" com a atitude do negão de atacar a Fox News. Só falta daqui há pouco Cocôio vai dizer: "fui enganado" pelo Obama...
No "Man-Rato Cocônection" de hoje, o viadinho do Blinder resolveu fazer uma daquelas perguntas "edificantes", desta vez ao Fernando Henrique: "Que livro o senhor indicaria à presidente Dilma?"
Não me pareceu tão despropositada a pergunta, Antônio Luiz. Ao menos permitiu um dos melhores momentos do programa: o "espero que ela já o tenha lido, claro", de FHC sobre o Democracia na América de Tocqueville.
valeu, rafael ..
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FHC comentando sobre os lucros das empresas que deixaram de ser estadatal
foi ótimo. bem capaz da Petralhada ter desligado a TV
pena que perderam sobre o crescimento e lucros da petrobras.
Não te pareceu? Tava na cara que o Cocô Blinder quis dar uma de bom moço e fazer uma daquelas "perguntas edificantes". E o único livro que a "Diuma" lê é "Como enlouquecer uma mulher na cama"...
A contradição nessa tese do embargo,a meu ver,é afirmar que a falta de um fluxo comercial com os USA seja a principal causa dos problemas economicos em cuba e ao mesmo tempo condenar todos os acordos comerciais propostos pelos USA(como a ALCA por exemplo) como uma tentativa do capital em explorar as nações do terceiro mundo.
O que esses petistas do manhattan Connection (tirando o Mainardi, evidente) afirmam com a tese do embargo é que seria muito bom para a economia cubana um intenso comercio com os USA.