A primeira vez que ouvi essa expressão foi do ex presidente de Portugal, o General Antonio de Spínola, militar que tentou barrar os comunistas que, infiltrados no exército português, ao "melhor" estilo leninista, fizeram a maldita revolução de 1974. Ficou na presidência por pouquíssimo tempo até que os comunas, senhores da situação, colocassem outro mais próximo a eles na função.
Ele referia-se a u`a maioria silenciosa que era contra as coisas como estavam acontecendo embora tivesem apoiado a derrubada do antigo regime. Sua impressão foi corroborada quando os portugas passaram a sair às ruas gritando: "a ordem, do povo, não é a de Moscovo, a ordem, do povo, não é a de Moscovo!".
Essa constatação do General foi amplamente confirmada quando do plebliscito sobre a saída da Epanha da OTAN. Era promessa dos socialistas a retirada do país da OTAN mas quando o 1º governo de Felipe Gonzalez do PSOE assumiu, teve que recuar e submeter a plebliscito. Pois bem, no comício de encerramento da campanha pró saída da OTAN, compareceram 500 mil pessoas (comunistas, socialistas, social democratas et caterva). E no último comício contra a saída da OTAN, comparecerm 5 mil pessoas (cem vezes menos). Isso mesmo, 5 mil "gatos pingados".
Mas o resultado da consulta foi de manutenção da Espanha na OTAN! Até que ponto, em vários outros países, as ruidosas manifestações de rua da esquerda não dão a falsa impressão de que ele são maioria quando, na verdade, não são?
Até que ponto, no Brasil de hoje, um partido que fale abertamente e sem meo contra
os comunistas e contra o atentado a propriedade não poderia ter bom resultado?
Tem a ver c/ o tópico em que falaram da possibilidade do Heleno. Urge que tenhamos um partido pelo menos próximo do que foi a UDN, sei lá, qualquer coisa. Embora é bom ter cuidado porque o Partido Socialista saiu de dentro da UDN, com um
Mangabeira (o atual já recebeu o vírus na mamadeira!)
Brincadeiras a parte, urge que se tenha um partido que ocupe um campo do espectro político ideológico que está sem representação. O DEM é assumidamente de centro e muitos ali são egressos e movimentos de esquerda. Tende a desaparecer à medida que aceite ficar nessa aliança com o PSDB. Os quadros do DEM são fracos e salvam-se uns poucos tipo o DEMóstenes (essa foi infame!).
O discurso anti comunista ainda tem sua força senão o PT não silenciaria sobre comunismo e socialismo. Isto é, o presidente não pronuncia essas palavras mais. Isso fica por conta da propaganda institucional do partido.
Na França, em 1968, De Gaulle e Pompidou só conseguiram conter a revolta depois que assumiram claramente, diante da população, o discurso anti comunista, explicando claramente o que estava acontecendo e o que estava em jogo. Bastou isso para multidões saíremas as ruas com a bandeira francesa c/ a cruz de Lorena, multidões muito maiores que as das esquerdas. Mas os historiadores marxistas não gostam de escrever sobr isso...
Até hoje "pagamos o preço" de ter havido um regime autoritário no país entre 64 e 85. Pessoas dizem-se prejudicadas, ganham indenizações na justiça, compositores medíocres fizeram fortuna porque suas obras medíocres foram censuradas e eles se fazem de coitados até hoje. Há uma permissividade com relação ao crime e a tudo que há de moralmente condenável porque senão será considerado um abuso do estado que não pode punir ou coibir como devia senão será comparado à extinta ditadura.
De fato, a ditadura (ou "ditabranda"), com todos os seus erros como tortura, por exemplo, salvou o país do comunismo, ao menos por um tempo, e tinha projeto. Mas, mesmo durante a ditadura, a propaganda comunista, sobretudo nas escolas, era constante. Ser de direita, no Brasil, virou palavrão. Professores como Chico Alenacar passaram toda a sua vida no magistério associando a palavra direita à fisiologismo e reacionarismo. O problema era tal que até o Maluf tinha que dizer-se de centro esquerda.
Uma vez, o Amaral Neto, também chamado por seus detratores de "Amoral Nato", deu uma grande contribuição à política brasileira, já nos estertores da ditadura, colocando na campanha dele:"é da direita e ninguém pode negar". Em plena ditadura (supostamente de direita) a esquerda tinha o poder de acabar com reputações como fizeram com Simonal, César de Alencar e outros como o Amaral Neto que teve o grande mérito de, com seus programas, mostrar o Brasil aos brasileiros.
Não lembro de um partido de direita clássica no Brasil.
Outro dia eu comentava num tópico que o Partido Socialista saiu de dentro da UDN (uma ala esquerda da UDN fundado pelo Mangabeira). Mas qual era o partido da direita clássica ou dos conservadores? Não havia. Acabavam votando na UDN que, pelo menos, tinha um perfil mais ideológico que o PSD que era um "balaio de gatos".
Li um comentário que o prof. Olavo teria feito que a ditadura teria destuído ou inviabilizado a direita polítca no Brasil. De fato, se olharmos bem, qual é o intelectual ou político que aceita o rótulo de direita? Os militares falharam em não politizar seu discurso, fazendo dele mais puramente ideológico no sentido do pró e do contra. Porque para ser contra, há que ser pró alguma coisa pois caso contrário a crítica e argumentação são negativas e não positivas.
Vejam o que os militares fizeram no início do fim do regime. Formularam uma reforma partidária com cinco partidos representando bem o espectro político para evitar aquele nº absurdo de partidos que temos hoje e cortar com ammemória da demagogia política do periodo hegemonizado por PTB-PSD. Foi uma pena que não tivese dado certo. E veja qual era o nome do partido do governo que saiu dessa reforma: PDS (Partido da Democracia Social) ou coisa que o valha. Isto é, um nome que remete a socialismo!
Enfim, Democracia Social faz parte do jargão da esquerda!
Isso porque os militares que chegaram ao poder em 64, eram, em parte, os tenentistas de 22. Tudo bem que não fossem comunistas, mas eram esquerda no seu tempo de jovens. "Roubaram" algumas bandeiras da esquerda e promoveram reformas no campo trabalhista estendendo o benefício da carteita assinada aos trabalhadores do campo, coisa que o Vargas não tinha ousado mexer.
Fizeram o "Estatuto da Terra" que os comunistas, 20 anos depois (é o tempo que eles precisam para raciocinar) consideraram que era realmente um avanço.
Então dizer que os militares eram a direita clássica no Brasil naõ corresponde, para mim, exatamente à verdade.
Melhor seria se tivéssemos partidos bem definidos ideologicamente como no Chile.
Eu acho o caso do Chile bem emblemático para citar nesse tópico.
O Chile é o único país sul americano que tem um quadro partidário muito semelhante ao europeu ou ao que era o europeu há cerca de 20, 30 anos atrás. Tem um Partido Comunista com alguma força, tem um Partido Socialista, um Partido Democrata Cristão, que hoje talvez já tenha mudado de nome, e dois partidos à direita sendo um deles a Direita Nacional e o outro que não lembro o nome. Desculpe por algum eventual erro pois estou citando tudo de memória. Então, um quadro clássico com cinco partidos fortes: de esquerda, centro esquerda, centro, centro direita e direita. As pessoas até brincavam dizendo que, no Chile, a pessoa já nascia pertencendo a um partido.
Sucede que na década de 70 o Partido Socialista venceu as eleições presidenciais com Salvador Allende mas com apenas 1/3 dos votos. Apesar de compor com o resto da esquerda, nem sempre com facilidade, e tentar entendimento com uma ala mais a esquerda da DC, o fato é que mais da metade da população chilena era contra a política esquerdizante do governo. Não havia um segundo turno para legitimar quem não conseguisse maioria absoluta no primeiro.
Os partidos mais a esquerda pressionaram Allende para que ele radicalizasse e houve a ruptura institucional com o golpe de setembro de 1973. Hoje, com o país redemocxratizado, o quadro partidário é mais ou menos o mesmo. Mas acho que já instituíram o segundo turno...
Aduziria que perdeu-se a oportunidade de, mesmo com a extinção dos antigos partidos, e essa foi uma diferença em relação ao Chile onde, passado o período autoritário, as mesmas correntes polítcas tradicionais continuavam a existir, enfim, perdeu-se a oportunidade de criar um partido de direita com um discurso mais ideologizado, coisa que a ARENA não ofereceu, no meu entendimento.
Vejamos o que acontecia em relação à movimentação das ruas. A direita, que não é muito afeita a grandes manifestações, tinha colocado, em março de 64, cerca de 500 mil pessoas em São Paulo na marcha da "Família, com Deus, pela Liberdade". Na outra manifestação programada para o Rio e que acabou acontecendo depois do golpe, que foi chamada de "Marcha da vitória", dizem que um nº ainda maior de pessoas afluiu às ruas.
Isto é, naquele momento, a direita e os conservadores estavam colocando mais gente nas ruas que a esquerda! Essa mobilização foi perdida. Isso tem a ver com a "maioria silenciosa".
Com relação a defesa da economia natural por parte do povo, é difícil mas é possível conscientizá-los da importância da propriedade e do direito que todos têm, por exemplo, de ir e vir e de educar seus filhos segundo sua religião e sua visão de mundo.São temas sensíveis e passíveis de serem entendidos pela massa.
Explicar que a economia de livre mercado e com o máximo de empreendedores possível é o sistema mais democrático será mais difícil, você tem razão, por conta de décadas de "demonização" do lucro e de quem é empresário. O que o povo não sabe é que os comunistas compõem-se muito bem com as grandes empresas e essas não estão ligando nem um pouco se os pequenos, médios e micro empresários serão ou não sacrificados pois não existe esse tipo de solidariedade.
Um dia vi u`a manifestação n França, de pais, em defesa do ensino privado. Aqui, a classe média seria a primeira a querer atacar as escolas particulares simplesmente pelo fato de não quererem pagar. Não entendem que é um ato de escolha e que é condição precípua para a existência de uma sociedade democrática essa liberdade de escolha.