Desculpem abrir um tópico com um título aparentemente risível.
Mas o fato é que os últimos quatro governos, todos de esquerda, têm pressionado para tornar obrigatório o ensino do espanhol no Brasil.
Antes de qualquer coisa, deixo claro que nada tenho contra o ensino de qualquer idioma, incluindo o de Cervantes, mas não é sensato que seja imposto. Todo esse empenho parece parte da estratégia de formação dessa República Bolivariana que todos os esquerdistas sul americanos incensam. Lembro que no escritório de Aldo Rabelo (PC do B), quando esse era presidente do congresso ou coisa que o valha, tinha lá o retrato de Tiradentes e de Simon Bolívar.
O argumento é baseado num terrível sofisma. A partir da verdade formal de que somos o único país da Am. do Sul que tem o português por idioma, querem justificar a proposta. Essa afirmação dá a impressão que somos 10% da Am. do Sul. Mas o fato é que o Brasil sozinho é 50% da população e da economia da Am. do Sul! Então, se temos que aprender espanhol, eles têm que aprender português também. Por que essa subserviência de nossos governantes em não exigir a reciprocidade? Aliás, já inferimos o motivo...
Se sintonizarmos na TV estatal brasileira, é cada vez maior o tempo dedicado a programação em espanhol. Junto com ela vêm sempre peças ideologizadas.
Esse governo comunista que temos está fazendo o que o regime militar, que eles tanto criticam, nunca fez, estão ideologizando a programação da TV. A TV Educativa, que mesmo nos temos do governo militar era dominada por comunistas, demonstrando que a tal ditadura estava mais para "ditabranda", ao invés de garantir a diversidade está pa tocando o "samba de uma nota só" da propaganda comunista. E na falta de "panfletos" suficientes em português, estão veiculando em castelano.
Francamente, o ensino do espanhol não é essencial para os estudantes brasileiros. Essencial é o ensino de inglês e as outras línguas devem ser opcionais. Aprender espanhol não é difícil. Até na condição de autodidata consegue-se.
Não quero fazer parte dessa integração com o resto da Am. do Sul e acho que muitos brasileiros também não o querem. Lanço o repto: NÃO AO ENSINO OBRIGATÓRIO DO ESPANHOL!
Recordo ainda bem: as classes de espanhol que frequentei jamais perderam a oportunidade de, levadas por seus materiais didáticos, explorar a "Patria Grande" nas canções de Mercedes Sosa e a profunda erudição (sic) de um Eduardo Galeano. Foi-me um grande desincentivo, pelo que em certa medida o reporto como o idioma estrangeiro no qual pior domino a norma culta, menos ainda que em francês.
Por óbvio tal não poderia constituir um empecilho ao aprenziado do idioma desenhado para a conversa com Deus (à exemplo da anedota um tanto sincera atribuída a Carlos V), menos ainda à óbvia necessidade de uma educação multilíngue para o mercado de trabalho. Veneno ideológico encontramos em todas as áreas do pensamento não-matemático ministrado aos estudantes, e nem por isso nos oporíamos idealisticamente ao ensino da história e da geografia. Carecemos, sim, de restaurar seus currículos.
O pouco que sei de espanhol se deve ao ensino obrigatório no colégio. Eu não sei falar, compreendo pouco ouvindo e sou uma negação escrevendo, mas ler em espanhol eu consigo. Graças a isso pude ler Ortega y Gasset (Rebelión de las Masas e Misión de la Universidad) para minha monografia, e graças a ela posso acompanhar a réplica de Hans Kelsen a Eric Voegelin (Una nueva ciencia de la politica? Editora Katz, Buenos Aires, 2006).
Um dos sintomas da falência da educação brasileira na universidade é que ela é essencialmente monoglota. Se eu não soubesse ler em inglês e espanhol, provavelmente não tomaria conhecimento de trabalhos essenciais na minha educação.
O uso da matéria para doutrinação não se deve por culpa da matéria. Inglês, português, história e até matemática podem ser usadas para fins de doutrinação política.
a maioria dos sulamericanos fala português, pouco mais de 50%...
depois vem o espanhol,com quase todo o resto, os falantes de neerlandês, inglês e francês(como línguas maternas apenas) não chegam a 1 milhão
Entendo seu ponto, Marcos. Sim, acho que faz parte do conjunto, ou passou a fazer.
Tem tanta coisa sendo feita ao mesmo tempo que fica até difícil identificar cada uma...
Mesmo coisas que inicialmente possam ter nascido sem este propósito estão sendo desviadas para ajudar a estabelecer o modelo.
Concordo, acho que essa é mais uma.
Obviamente não tenho nada contra o ensino da linda língua espanhola.
Mas que ela esteja "servindo a outros propósitos", é perfeitamente possível - mais, é até óbvio que não perderiam uma chance dessas. Não perdem nenhuma, e quando não existe a chance inventam uma. 🙂.