Sempre que eu vejo uma notícia tendenciosa como essa, um pensamento (ou pesadelo) sempre me volta à cabeça. A comunalha conseguiu que a imprensa tratasse Pinochet como um monstro, enquanto trata Fidel Castro como herói.
Ora, se isolar os fatos, e se tratar as duas como "ditaduras" apenas (sem as devidas características próprias), pelo menos a de Pinochet conseguiu alavancar o Chile para ser hoje uma pérola na América-Latrina. Enquanto Cuba é a fossa da mesma. E colocando-se objetivamente, Pinochet evitou a total degradação do Chile, que vinha acontecendo nas mãos da canalha. Enquanto Fidel transformou uma ilha próspera no fiofó do mundo.
Obs: só conheço uma apresentadora de TV de um grande programa (em termos de audiência) que trata Fidel como "o ditador Fidel Castro". A Cristiane Pelajo, do Jornal da Globo. Fiquei até surpreso. Os outros todos dizem "presidente de Cuba", ou outros termos mais "suaves"...
Desta vez, como ocorreu nos últimos anos, os políticos da oposição de direita que sustentaram seu regime não foram cumprimentar o ex-ditador, mas se espera que o façam durante o dia. Pinochet é processado por vários crimes de violações dos direitos humanos, por fraude ao fisco e uso de passaportes falsos no chamado "caso Riggs".
O caso foi aberto após a descoberta de várias contas secretas no exterior, nas quais acumulou uma fortuna de US$ 26 milhões, cuja origem não foi determinada.
Pobre ditador chileno, sempre perseguido e injustiçado pela imprensa esquerdista...
Gente como o Gerson ignora o que foi escrito. A diferença está jutamente nesse tratamento diferenciado. O enriquecimento de Fidel, que conta até nos rankings da Forbes, são ignorados pela grande imprensa brasileira, ou tratados como manda a canalha, como mentira.
O amigo Gerson poderia ter usado os seus poucos neuronios e entender a colocacao do Mateus sobre a disparidade gritante do tratamento pela midia brasileira das duas figuras politicas citadas (Castro e Pinochet).
Toda reportagem que vejo sobre Cuba fala de profissionais ganhando salários irrisórios, prédios em frangalhos, transporte público péssimo, refugiados, escassez de tudo, mendigagem, prostituição, crianças esmolando nas ruas, total falta de acesso do povo cubano à tecnologia, etc etc. Se isso não é mostrar qual é a realidade de lá, não sei o que é.
Exceto aquelas que vêm de mídia simpatizante do comunismo, que nem podem ser consideradas por motivos ululantemente óbvios. Aliás, estes reclamam justo do contrário: Que jornalistas brasileiros vão a Cuba, passam poucos dias e "saem com um retrato negativo e definitivo do país" e que "vivem dizendo que a economia Cubana está em colapso".
Então, os de direita acusam a mídia de não falar mal de cuba, os de esquerda acusam a mesma mídia de só falar mal.
Agora, Fidel sendo tratado como herói na grande impresa? Nunca vi, alguém pode apontar onde?
Eles estão acostumados a relacionar crítica com palavrões e xingamentos, para eles se não tiver um xingamento na matéria é pq a mídia apoia Fidel.
Fala sério pessoal, a mídia é tão esquerdista quanto o PSDB, vcs ainda não perceberam os editoriais seguem a tese do partido? Agora, se algum de vcs me disser que o PSDB é de esquerda, me desculpem mas não existe direita no mundo ou vcs são um caso raro de esquizofrenia coletiva.
Que tal citar casos e postar links onde Fidel foi tratado como herói na grande imprensa?
Leonardo-Sr. Gerson, em que país vc vive?
Estou esperando os links. Ficar falando de algo como se fosse um fato verdadeiro e irrevogável sem demonstrar para tentar torná-lo verdade não funciona comigo.
vc já viu algum jornalista brasileiro fazer protestos declarados contra Fidel Castro
Quer dizer que agora, não fazer protestos declarados é tratá-lo como herói...
Então se um jornalista faz matéria só mostrando algumas mazelas de Cuba, mas não inclui um discurso declaradamente anti-Fidel, significa que é a favor do mesmo, é tratá-lo como ídolo e herói...
Em tempo: Também estou esperando os links onde mostram na grande imprensa que tratam Fidel como ídolo e heroi.
Eu acho que a matéria foi extremamente imparcial. Falou da pessoa do Pinochet e de tudo que ele foi acusado. Além disso, o chamou de ex-ditador. Pelo que entendi da mensagem de Mateus, ele tem a mesma opinião que eu.
O problema, para mim (e tbm para o Mateus, eu acho), é que, quando se fala do Castro, não são mencionadas acusações de violação de direitos humanos nem de corrupção. Além disso, Fidel não é chamado de ex-ditador.
Quando as pessoas desta comunidade falam que a imprensa é esquerdista e favorável a Fidel, eles não estão querendo dizer que são plantadas notas favoráveis a Castro. O que é uma clara manifestação de esquerdismo é a omissão de informações prejudiciais à imagem de Castro.
O que é uma clara manifestação de esquerdismo é a omissão de informações prejudiciais à imagem de Castro.
Sim, existem aqueles realmente simpatizantes de Fidel, mas no geral, na maioria dos casos da grande mídia, isso ocorre pelo fato de Castro ainda estar no poder, daí tais informações sobre crimes e abusos serem difíceis de se obter, afinal Cuba é uma ditadura e ninguém por lá obviamente vai dar informação alguma. A única fonte são o testemunho dos refugiados.
E sim, já li diversas matérias dos refugiados falando dos crimes do Fidel em Cuba, mas nenhuma mídia vai botar isso em letras garrafais pois são apenas testemunhos pontuais. Não há notícias, investigações, constatações, etc. No máximo, publicam os relatos ou uma entrevista.
Da mesma forma, note que a mídia trata outros ditadores de forma semelhante: Só sabemos o que acontece na Coréia do Sul ou o que acontecia no Iraque quando se tratava de um evento de repercussão ampla (como o ataque de Saddam aos curdos usando gás). Ainda que nos porões da Coréia ou de Cuba torturas e assassinatos sejam praticados no atacado, há pouquíssima notícias disso, de fato. Pode-se DIZER isso e aquilo, mas isso não tem valor de notícia.
Mas note que, quando uma ditadura cai, aí não há mais barreiras, as informações afloram, investigações são feitas, etc. Vide casos como Idi Amim Dada, Saddam, Nicolai Ceausescu ou tudo que se sabe dobre a URSS hoje. Só quando o regime Coreano ou Cubano caírem o mesmo acontecerá.
E pq não comentam que Fidel é acusado de tortura por diversos refugiados?
Até comentam, mas como eu disse acima, acusações verbais pontuais não são grande notícia, pois enquanto Fidel estiver no poder, são impossíveis de qualquer comprovação ou mesmo investigação. Tanto que Isso permite a Fidel se dar ao luxo de responder dessa maneira às acusações de Bush: "Se o senhor Bush fosse capaz de demonstrar um único caso de tortura em Cuba ao longo de mais de quatro décadas de Revolução, estaríamos dispostos a erigir uma estátua de ouro, para honrar a sua memória, como o menos mentiroso de todos os mentirosos do mundo." Ou seja, vai ser apenas um fala daqui e cala dali, que nem briga de bar, por mais sínico e mentiroso que Fidel seja.
Já os casos de um Pinochet ou Saddam, já houve a oportunidade de denúncias no atacado, investigação, comprovação e tudo o mais.
Pq não chamam Fidel de ditador?
O motivo oficial seria pelo fato de ditador não ser um título, então para se referir a um chefe de estado ou governo que ainda está em exercício usa-se o título oficial. Mas... a verdade é que a grande imprensa normalmente segue algumas regras para evitar problemas (daí o sublinhado): Um telejornal de grande audiência chamar Kim Yong de ditador poderia provocar certos embaraços, como protestos da embaixada da Coréia do Norte ou coisas do tipo. Daí, eles não arricam, se o sujeito ainda está no poder.
Duvido por exemplo que na época que Pinochet estava no poder a grande imprensa usava o termo ditador, assim como o atual manda-chuva da coréia do norte também é denominado presidente. E imagine na década de 30 a Rádio Globo anunciando "...o ditador nazista Adolf Hitler viajou ontem para....".
Agora, depois que o sujeito cai do poder, não há mais embaraço algum. E é por isso que Pinochet, Saddam e Hitler agora são chamados de ditadores sem nenhuma timidez.
Apesar de estar certo em fazer essa comparação do desnível do enfoque entre Fidel e Pinochet, o Olavo de Carvalho (e isso vale também para seus seguidores mais próximos) não deveria trazer tanto esse assunto à tona, pois dá a impressão de considerar a ditadura chilena como um "mal tolerável", e de defender a via autoritária de direita como antídoto para o totalitarismo de esquerda.
Deveríamos deixar Pinochet em paz...
Mas quando a heroificação de Fidel é, de fato, algo tão antigo quanto à própria revolução cubana.
O que precisamos avaliar é o grau de sucesso dessa campanha, ou seja, qual a "imagem" que tem Fidel na população e entre os profissionais da imprensa.
Na realidade, faz muito pouca diferença chamar Fidel de "presidente" ou "ditador", já que oficialmente ele é uma coisa, e na realidade também outra.
Acredito que nunca foi possível esconder a realidade de Fidel ser um ditador (ainda mais pelo uso do seu uniforme militar), embora para alguns seja agradável essa imagem (indo ao íntimo do caudilhismo latino). No entanto, ficou muito forte a imagem de Cuba como um país-modelo na saúde e assistência social, ou seja, mais ou menos aquela mesma frase mítica que Mao não era democrata, mas pelo menos tinha dado um prato de comida a todo chinês (que também se revelou falsa).
É claro que, principalmente após o fechamento da torneira soviética, esse modelo entrou em crise, ao passo que outros países (como Costa Rica e Panamá) mostraram resultados bem semelhantes sem a necessidade de ditadura.
O "X" da questão é a comparação que se faz entre o comportamento geral da imprensa norte-americana e brasileira em relação a Fidel.
Aí a disparidade é gritante, e os motivos são bem compreensíveis.
Nos Estados Unidos, é forte a comunidade de refugiados, a tradição da democracia e ainda alguma lembrança dos confiscos. Por sua vez, a propaganda do modelo de saúde é infensa, já que os norte-americanos sabem que boa parte da saúde em Cuba se deve aos intensos trabalhos deles próprios na primeira metade do século XX...
Assim, realmente a imagem de Fidel sempre foi péssima, e os jornais refletem isso.
No Brasil, é o contrário.
Sempre houve uma mocidade estudantil e universitária muito ligada aos movimentos de esquerda, que verdadeiramente idolatram Che. E com uma opinião pública que ainda lembra Vargas como o melhor presidente, tendo saudades de um ditador-benfeitor, não seria aconselhável afrontar a imagem de Fidel de maneira tão evidente.
Ou seja, a mídia está ceifando sobre um campo plantado já há muito tempo. Ela não está querendo tornar a opinião pública mais esquerdista, e nem precisa fazer nada para isso. Ela já é.
De qualquer modo,
a imprensa precisa ter uma noção de grandezas quando reproduz noticias vindas do mundo todo, não no conteúdo de cada uma delas, mas na sua quantidade geral.
Por exemplo, há uma quebra na imparcialidade quando há centenas de notícias reproduzidas sobre cada um dos processos e investigações sobre torturas e suspeitas de torturas no Iraque ou Guantanamo, enquanto que em Cuba não só a tortura é fato comum, como também vigoram execuções políticas.
Aí está muito certo o Olavo e o MSM quando reclamam que a grande mídia dá uma grande ênfase às investigações da oposição norte-americana, e notas esparsas sobre as execuções cubanas, e nada sobre a tortura física e degradante em prisões como Boniato.
Então, o problema é muito maior que chamar Fidel de ditador ou presidente.
Essa falta de noção das grandezas é que faz um incidente como quando os Estados Unidos passaram a exigir visto dos turistas brasileiros ser considerado por um desembargador metido como algo comparável com o tratamento dos nazistas nos campos.
outro coisa irritante é a ênfase absurda na Palestina. Ligue no jornal da Globo, na Globo News ou na Band News e faça um teste.
na seção de notícias internacionais só o que se vê é notícia dos EUA, Iraque e Palestina.
até o Kofi Annan (agora) afirmou que há conflitos mais "graves" no mundo tais como o genocídio em andamento no Sudão.
dos atentados terroristas com carro-bomba cometidos em nosso país vizinho com freqüência (Colômbia) quase não ficamos sabendo. Entre o povão quantos sabem os nomes dos presidentes do Paraguai, Argentina, Colômbia e Equador? da situação política na América Latina (com exceção do Chavez e Morales)?
mas todos discutem a perda da maioria Republicana no Congresso americana, a queda da popularidade de Anthony Blair..
não se vê em nossa imprensa nada de nossos vizinhos da América Latina e muito menos da África.
1) Eu não to pedindo para que noticiem torturas em Cuba. Eu sei que é bem mais fácil fazer isso no Chile, pois Pinochet já deixou o poder. O que acontece é que, ao falar do Pinochet, os jornalistas sempre relembram acusações de tortura e de corrupção, enquanto, ao falar de Fidel, eles nunca falam nada. Eu não acho que deva ser manchete de algum jornal a tortura em Cuba, mas pq eles não cometam, ao falar de Fidel, as acusações que ele sofre?
2) A imprensa não pode chamar um ditador de ditador? Não sabia que a imprensa tinha que ser diplomática.
"Apesar de estar certo em fazer essa comparação do desnível do enfoque entre Fidel e Pinochet, o Olavo de Carvalho (e isso vale também para seus seguidores mais próximos) não deveria trazer tanto esse assunto à tona, pois dá a impressão de considerar a ditadura chilena como um "mal tolerável", e de defender a via autoritária de direita como antídoto para o totalitarismo de esquerda."
Eu não acho que o problema seja falar muito sobre esse assunto, mas sim deixar de fazer ressalvas contra o Pinochet. Fica parecendo que o Olavo realmente acredita numa via autoritária da direita.
PS: O único ditador que eu aceito que seja considerado de direita é o Pinochet.
"na seção de notícias internacionais só o que se vê é notícia dos EUA, Iraque e Palestina.
GERSON - Óbvio! A única coisa que estas redes fazem é repetir notícia das grandes agencias internacionais, que por acaso focam bastante nestes assuntos."
pois é, Gerson, e é disso que me estou queixando. Ao invés de simplesmente papagueiar a Reuters, CNN, New York Times e Le Monde, você não acharia que a imprensa brasileira poderia dar mais atenção aos nossos vizinhos? mandar observadores internacionais, por exemplo? ao invés de apenas "copiar e colar" os press releases das agências internacionais européias e norte-americanas que pouco interesse têm nessa região cá.
o terrorismo e atuação das FARC na vizinha Colômbia e selva amazônica não é mais relevante para nós brasileiros do que os ataques terroristas em Bagdá e faixa de Gaza? é óbvio que o Oriente Médio também deveria ser tema de notícias, mas critico apenas o enfoque, o grau de importância que se dá comparativamente.
em suma, o brasileiro que assiste o noticiário pela televisão sabe "tudo" sobre Bush, guerra do Iraque e Palestina mas não sabe nada sobre a vizinha Colômbia nem sobre Uribe, as FARC, Argentina etc.
os países latino-americanos conhecem relativamente bastante o Brasil, seus políticos e celebridades mas os brasileiros não conhecem nada dos vizinhos latinos nem mesmo dos principais países sul-americanos tais como Argentina e Chile.
culpa da nossa mídia que tem obsessão por Estados Unidos e Oriente Médio (Israel/Palestina).
Esse trecho de notícia de hoje tb deve ser paranóia minha. "O evento, com estimativa de 1 hora e meia de duração que marca os 50 anos do levante de Castro contra o ditador Fulgêncio Batista"
Só "esqueceram" de acrescentar que Fidel é um ditador assassino. Lendo assim nem parece que Fidel é um herói, né? Como sou paranóico...
Apesar dos esforços, ningúem conseguiu levar o ex-ditador a julgamento no Chile. Seus advogados de defesa sempre obtiveram sucesso com o argumento de que ele estava muito doente para enfrentar acusações.
Pinochet caracterizou seu aniversário semana passada com uma declaração na qual aceitou "responsabilidade política" por atos cometidos em seu governo. Entretanto, disse que seu único motivo foi fazer do Chile "um excelente lugar e prevenir sua desintegração".
Dois dias depois, ele foi colocado sob prisão domiciliar por conexão com o assassinato de dois guarda-costas do ex-presidente Salvador Allende, o homem que ele derrubou em um golpe de Estado, em 1973.
Pinochet foi detido várias vezes por crimes cometidos durante sua gestão. Além dos 3.000 mortos ou "desaparecidos" durante seu governo, 28.000 pessoas foram torturadas e centenas de representantes da esquerda chilena deixaram o país sumo ao exílio.